Sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Santo Tomás de Aquino, Presbítero, Memória, 3ª Semana do Saltério, Livro III, cor Branca

 

Hoje: Dia do Portuário e Dia do Comércio Exterior

 

Santos: Amadeu de Lausanne (monge, bispo), Antimo de Brantôme (abade), Flaviano de Cività Vecchia (mártir), Glastiano de Kinglassie (bispo), João de Réomé (abade), Juliano de Cuenca (bispo), Leônidas e Companheiros (mártires do Egito), Odo de Beauvais (monge, bispo), Paládio de Antioquia (eremita), Paulino de Aquiléia (bispo), Pedro Tomás (bispo, mártir), Ricardo de Vaucelles (abade), Tiago da Palestina (eremita), Tirso, Lêucio e Calínico (mártires de Apolônia, na Frígia), Antonio de Amandola (agostiniano, bem-aventurado), Bartolomeu Aiutamicristo (eremita, bem-aventurado), Carlos Magno (imperador, bem-aventurado), Jerônimo Lu e Lourenço Wang (mártires da China, bem-aventurados), Juliano Maunoir (jesuíta, bem-aventurado), Maria de Pisa (viúva, bem-aventurada), Ricardo, o sacristão (monge, bem-aventurado), Rogério de Todi (franciscano, bem-aventurado)

 

Antífona: Os sábios refulgirão como o esplendor do firmamento; e os que ensinaram a muitos a justiça brilharão como estrelas para sempre. (Dn 12,3)

 

Oração: Ó Deus, que tomastes Santo Tomás de Aquino um modelo admirável pela procura da santidade e amor à ciência sagrada, dai-nos compreender seus ensinamentos e seguir seus exemplos. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 10, 32-39)

E o justo viverá por sua fidelidade

 

Irmãos, 32lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas. 33Às vezes, éreis apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras vezes, vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados. 34Com efeito, participastes dos sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes com alegria o confisco dos vossos bens, na certeza de possuir uma riqueza melhor e mais durável.


35Não abandoneis, pois, a vossa coragem, que merece grande recompensa. 36De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. 37Porque ainda “bem pouco tempo, e aquele que deve vir, virá e não tardará. 38O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele”. 39Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação da alma. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando Hb 10,32-39

Suportastes longas e dolorosas lutas

 

Crer é sempre sair dos projetos próprios e aceitar deixar-se conduzir por Deus, aonde nos queira levar. É uma aventura que se aceita livremente, associando-se à caravana do povo de Deus. Frequentes vezes isto implica em corte violento de hábitos, amizades, atividades antigas; muitas vezes comporta perseguição, latente ou explícita, ou insulto e ridículo.

 

A todos se dirige a advertência sobre a fidelidade e a perseverança: quão admirável é a coragem de romper com certas coisas que ficaram para trás! Mas também é indispensável não voltar atrás. Podemos estar entre aqueles que retrocedem, não com uma apostasia explícita, mas perdendo terreno dia após dia, desvirtuando com pequenas manifestações de egoísmo as grandes opções, fazendo calar a consciência por meio de argumentos sutis, tornando-nos medíocres pela rotina, aviltando-nos por uma resignação cética e conformista. Reforcemos nossa fé e esperança com as palavras do profeta (v.37) e de Jesus: “Um pouco de tempo e já não me vereis, mas um pouco de tempo e me vereis... Chorareis e vós lamentareis, mas o mundo se alegrará... Também vós agora estais tristes; mas eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará vossa alegria” (Jo 16, 16.20.22). [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 36 (37), 3-4.5-6.23-24.39-40 (R/.39a)
A salvação de quem é justo, vem de Deus!

 

3Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. 4Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração.


5Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; confia nele, e com certeza ele agirá. 6Fará brilhar tua inocência como a luz, e o teu direito, como o sol do meio-dia.


23É o Senhor quem firma os passos dos mortais e dirige o caminhar dos que lhe agradam; 24mesmo se caem, não irão ficar prostrados, pois é o Senhor quem os sustenta pela mão.

 
39A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. 40O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios, e os guarda porque nele confiaram.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 4, 26-34)

Jesus anunciava a palavra usando muitas parábolas

 

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: "O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou".

 

30E Jesus continuou: "Com que mais poderemos comparar o reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra". 33Jesus anunciava a palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. Palavra da Salvação!

 

 

 Leituras paralelas: Mt 13,31-32; Lc 13,18-19 (O grão de mostarda)

 

 

Comentário o Evangelho

Ensinando em Parábolas

 

Jesus foi um Mestre paciente que soube adaptar seus ensinamentos à capacidade de compreensão de seus ouvintes. Este esforço pedagógico e didático resultou na escolha das parábolas como meio de transmitir suas instruções.

 

As parábolas não eram somente as comparações. Também os provérbios, ensinamentos, enigmas e outros recursos literários eram classificados como parábolas. Por isso, afirma-se que, “sem parábolas, Jesus não lhes falava".

 

Elas continham sempre um elemento para intrigar os ouvintes e levá-los a refletir sobre a mensagem veiculada. Só quem estava muito sintonizado com Jesus era capaz de passar da parábola à sua mensagem, e compreender o ensinamento do Mestre. Por isso, muita gente não sintonizada com Jesus ouvia suas palavras, sem entender nada.

 

Até mesmo os discípulos, muitas vezes, não eram capazes de atinar para o que Jesus lhes ensinava com as para bolas. Era preciso que, em particular, o Mestre lhes explicas-se tudo, iluminando-lhes as mentes para compreenderem como o Reino acontece na história humana.

 

O discípulo esforça-se para entender as parábolas de Jesus, ou seja, para estar em sintonia total com o Mestre. Esta é a única maneira de captar seus ensinamentos. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998]

 

Oração da assembleia:

-Auxiliai, Senhor, a vosso Igreja, para que seja solidária com os sofredores: Senhor, atendei a nossa prece!

-Fortalecei os ministros ordenados e leigos, para que contribuam com vosso reino.

-Iluminai os que detêm o poder, para que o ponham, antes de tudo, a serviço dos pobres.

-Tornai fecundos os pequenos gestos de amor e solidariedade, sinais de vosso reino.

-Abençoai os pequenos agricultores, para que obtenham bons resultados em seu labor.

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Que o vosso Espírito, ó Deus, nos conceda nesta celebração a luz da fé que iluminava santo Tomás de Aquino na propagação da vossa glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Nós anunciamos o Cristo crucificado: o Cristo, força e sabedoria de Deus. (1Cor 1,23-24)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nós vos pedimos, ó Deus, que, renovados por esta comunhão e exortados pelos ensinamentos de Santo Tomás de Aquino, vivamos em contínua ação de graças pelos dons que recebemos. Por Cristo, nosso Senhor!

 

Para sua reflexão: “Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos! Precisamos ser pacientes e deixar que Deus seja Deus!” (São Marcos). A parábola do agricultor adormecido nos dá uma ideia de como Deus faz a parte dele, a que atribuímos ser uma particular tarefa da nossa mãe natureza. A parábola do grão de mostarda nos dá a certeza de todos os esforços em prol da evangelização resulta no crescimento inevitável do Reino de Deus. Ora, a comunidade cristã primitiva inicialmente era pequena em seguidores mas hoje o rebanho é grande! Essa pequena semente pode ser qualquer um de nós, cristãos, quando tomamos alguma iniciativa em levar a outros irmãos (aos amigo(as), aos vizinhos, aos(às) colegas de trabalho) para os caminhos da salvação, através da Palavra e do exemplo de vida. Esforçar-se para a compreensão das parábolas é ter a certeza de sermos discípulos esclarecidos e, consequentemente, transformados. Como mudar o outro se não mudarmos a nós mesmos?

 

São Tomaz de Aquino

 

Quando criança de cinco anos, Tomás, ouvindo os monges beneditinos cantar os louvores a Deus, cheio de admiração, perguntou: "Quem é Deus?" Toda sua vida foi uma incomparável e insaciável procura do mistério de Deus!

 

Tomás nasceu em 1225 de uma nobre família do condado de Aquino, perto de Roma. Teve a oportunidade de receber toda a formação possível na época. Estudou, primeiro, no vizinho mosteiro de Monte Cassino e depois na Universidade de Nápoles, onde travou conhecimento com a Ordem Dominicana à qual quis filiar-se.

 

O jovem Tomás, com 19 anos, a fim de realizar este desejo, teve que enfrentar oposição cerrada da família, especialmente da condessa sua mãe. Para subtrair-se a ela, viajou, às escondidas, para Roma, encerrando-se no mosteiro dominicano de Santa Sabina,  de  onde  pouco  depois  foi enviado a Paris.

 

 

Contudo, em sua viagem, foi detido por um pelotão de soldados, guiados por dois de seus irmãos, que serviam às tropas imperiais sediadas na Itália. Enviado ao lar paterno, no castelo de Roccaseca, Tomás ficou detido por ordem de sua mãe. Com isso esperava dissuadi-lo do serviço à Igreja. Os ambiciosos familiares o queriam destinar a um cargo político ou administrativo ou, pelo menos, a um rendoso ofício prelatício, ao passo que Tomás estava escolhendo uma ordem desconhecida, com o designativo de mendicante.

 

Toda a oposição resultou em vão. Apenas libertado, seguiu sua vocação. Esteve em Colônia para os estudos filosóficos e teológicos sob a direção do célebre mestre Alberto Magno. Passou depois para Paris, o maior centro de estudos superiores na Europa. Daí por diante sua vida foi inteiramente tomada pelo ensino e pela elaboração de suas obras filosóficas e teológicas.

 

"A curta vida de Santo Tomás (1225-1274) não foi de modo algum tranquila, como poderia fazer-nos pensar a magnitude de sua obra. Viajou continuamente e desempenhou várias funções: professor universitário, consultor da Ordem, pregador oficial. Em meio de tantas viagens e ocupações, lia, meditava e redigia suas obras. Sua Suma Teológica é uma das obras fundamentais do pensamento humano. Obra que marcou o rumo da orientação filosófico-teológica da Igreja durante meio milênio. Santo Tomás aparece assim como um dos grandes elaboradores do pensamento cristão. O esforço realizado pelos Santos Padres na incorporação da cultura clássica à mensagem cristã foi completado por Santo Tomás no campo filosófico, enxertando a filosofia de Aristóteles em seu sistema teológico".

 

A convite do papa, Tomás preparou liturgia, ofício e missa da solenidade do Corpo de Deus; resultou uma maravilhosa síntese de teologia eucarística e, ao mesmo tempo, um monumento de fé e de amor à presença de Cristo na Eucaristia.

 

Em 1274, Tomás foi convidado a participar do Segundo Concílio Ecumênico de Lião, mas a morte o surpreendeu em viagem, no dia 7 de março. Foi canonizado pelo Papa João XXII que, aos que objetavam que faltasse milagre no processo, respondeu: "Quantas as proposições teológicas que ele escreveu, tantos são os milagres que fez". Sua memória venera-se no dia 28 de janeiro, dia em que seu corpo foi trasladado para Tolosa, em 1369.

 

Exemplo de pureza de vida, de desapego das grandezas mundanas, de firmeza na vocação religiosa, de amor entranhado à oração e à contemplação, de fidelidade à Igreja, Santo Tomás, declarado Doutor Angélico, agigantou-se no firmamento do pensamento católico como as torres das catedrais góticas, a desafiar os tempos e a apontar para o mistério de Deus. [Extraído de O SANTO DO DIA de Dom Servilio Conti, páginas 53 e 54, Ó Editora Vozes, 1997]

 

 

Raízes da Intolerância

 

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)

 

A liberdade religiosa é caminho para a paz – afirma o Papa Bento XVI. Ele lembra, em recente mensagem, que o ano de 2010 foi marcado por perseguição, discriminação e terríveis atos de violência e intolerância religiosa. Uma dimensão importante da solidariedade para com quem é vítima dessas situações é o conhecimento e a reflexão em torno das raízes geradoras desse mal. Sobretudo se considerarmos que estamos no terceiro milênio, tempo de avanços e consolidadas conquistas no âmbito do respeito à liberdade e à autonomia de indivíduos, culturas e povos. É inadmissível imaginar que o ato de professar e exprimir livremente a religião, seja ela qual for, torne-se risco de vida e cerceamento da liberdade.

 

Em algumas regiões do mundo essas perseguições são explícitas, vergonhosas, revelam alto grau de irracionalidade. As argumentações são pouco lúcidas e eivadas de ideologias, que encurtam o horizonte indispensável da transcendência, para que toda pessoa encontre a razão mais profunda e o sentido mais nobre do viver em sociedade e na condução do próprio destino. Há também as formas silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os que creem e seus símbolos religiosos. É importante projetar luzes sobre essa situação. Isso para não correr o risco de escondê-la sob o véu de uma religiosidade que está há séculos presente nessa ou naquela cultura, dando sustento importante aos seus avanços e conhecimentos. Mas, tratada inadequadamente por razões preconceituosas e ideologias que descartam o valor da transcendência - coração de toda experiência religiosa autêntica. É sempre oportuno, nesse contexto, ter presente que os cristãos têm sido os mais perseguidos na profissão de sua fé. Esse fato aumenta a responsabilidade dos cristãos em todos os cantos da terra. Devem esmerar no testemunho e na vivência eclesial para evitar consequências nefastas, ou mesmo o terrível abandono da fé cristã. Tal abandono, cedo ou tarde, trará prejuízos irreparáveis para vidas e culturas. Essa conclusão é inquestionável ao se avaliar os enormes benefícios e valores que a fé cristã oferece, estruturando o tecido de culturas e povos em torno do verdadeiro sentido da vida.

 

Portanto, é determinante o esforço de homens e mulheres de boa vontade na construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a própria religião ou a fé, e viver, como afirma o Papa, o seu amor a Deus com toda a força do coração, da alma e da mente. Nesse horizonte, é preciso considerar as incontáveis raízes causadoras das intolerâncias, especialmente a religiosa, que gera relativismos e permite posturas pouco honestas diante da opinião pública, em razão de interesses de poder ou de aceitação diante da sociedade. Os relativismos, assim como os fundamentalismos religiosos, são forças que geram intolerâncias. A Filosofia mostra, pensando um ponto simples e significativo no comprometimento da tolerância, que persistir na própria opinião, a despeito das razões contra ela, é uma manifestação de dureza, de rigidez que contribui para o nascimento de intolerâncias. A inflexibilidade compromete o tecido social, inviabiliza a convivência e contribui para o aumento das violências. Ora, a tolerância é fundamental no âmbito religioso, bem como na esfera governamental e no convívio social e familiar. O tema da tolerância vem sendo discutido, de modo aprofundado, desde os séculos 16 e 17, em razão das pungentes guerras religiosas de então. Também no século 18 foram acaloradas essas discussões. Vê-se com isso, que a temática da tolerância, na força de sua abordagem filosófica, tem atravessado os séculos. Também no terceiro milênio, é tema fundamental, quando está patente a exigência de não tolerar o erro. É preciso exercitar o diálogo, no sentido de respeitar incondicionalmente a afirmação da vida em todas as suas etapas e circunstâncias.

 

A intolerância religiosa é um comprometimento não simplesmente da liberdade no lugar, no espaço, ou nas circunstâncias da prática ritual. Na verdade, é o grave comprometimento da liberdade moral. O Papa afirma que a liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. A abertura a Deus é abertura à verdade e ao bem. Cercear ou perseguir, com violências e relativismos, a abertura a Deus, é comprometer a fonte da própria moralidade - indispensável para o equilíbrio da sociedade e manutenção da cidadania no horizonte da honestidade e do respeito ao outro. A prática religiosa, portanto, com seu acervo de valores e dinâmicas, que exercitam a dignidade transcendente da pessoa - valor essencial na sabedoria judaico-cristã - tem contribuições absolutamente necessárias na tarefa de construir uma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. É um remédio contra as raízes da intolerância. [CNBB]

 

 

Aconteceu no dia 28 de janeiro:

1579: Morte de Tomé de Sousa, primeiro governador geral do Brasil