Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Depois das Cinzas, Início da Quaresma, Ano Ímpar, 4ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa

 

O Senhor me ouviu e teve compaixão. O Senhor se tornou o meu amparo. (Sl 29,11)

 

 

Santos do Dia: Antígono e Fortunato (mártires de Roma), Ana Lina (viúva, mártir), Basílio e Procópio (monges de Constantinopla), Gabriel da Virgem Dolorosa (religioso passionista), Honorina da Normandia (virgem, mártir), Juliano, Euno e Besa (mártires de Alexandria), Francisca Ana das Dores de Maria (virgem, bem-aventurada), Manuel de Cremona (bispo, bem-aventurado).

 

Oração do Dia: Ó Deus, assisti com vossa bondade a penitência que iniciamos, para que vivamos interiormente as práticas externas da Quaresma. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaias (Is 58, 1-9a)

O jejum que prefiro é romper todo tipo de sujeição

 

Assim fala o Senhor Deus: 1"Grita forte, sem cessar, levanta a voz como trombeta e denuncia os crimes do meu povo e os pecados da casa de Jacó. 2Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus. Exigem de mim julgamentos justos e querem estar na proximidade de Deus: 3'Por que não te regozijaste, quando jejuávamos, e o ignoraste, quando nos humilhávamos?'

 

É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. 4É porque ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. 5Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se 'talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor?

 

6Acaso o jejum que prefiro não é outro: - quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? 7Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9aEntão invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui"'. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Acaso é este o jejum que aprecio?

 

Jejum, penitência e oração são totalmente destituídos de valor e de sentido se não forem vivificados pela caridade e acompanhados das obras de justiça. Assim, o jejum verdadeiramente agradável a Deus consiste em libertar-se do egoísmo e prestar alívio e ajuda ao próximo. A Igreja, abolindo quase inteiramente o preceito do jejum exterior; entendeu empenhar-se com maior força em favor dos pobres e humildes. Durante a Quaresma, o premente convite à prática da caridade está em estreita relação com o convite ao jejum. A Quaresma ajuda-nos a descobrir as necessidades do próximo e lembra-nos que podemos encontrar a maneira de ir-lhe ao encontro, renunciando a algo de pessoal. O jejum cumprido por amor de Deus e dos homens é sinal do desejo de conversão; neste sentido, conserva ainda hoje o seu valor.

 

 

Salmo: 50(51), 3-4.5-6a.18-19 (R/.19b)

Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 4Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

 

5Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. 6aFoi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

 

18Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. 19Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

 

Evangelho do dia: Mateus (Mt 9, 14-15)

Dias virão em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão

 

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?" 15Disse-lhes Jesus: "Por acaso os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão". Palavra da Salvação!

 

Contexto: A pregação do Reino dos Céus. Leituras paralelas: Mc 2, 13-17;

Lc 5, 27-32 (Chama Mateus); Mc 2, 18-22 e Lc 5, 33-39 (Discussão sobre o jejum)

 

 

 

Comentando o Evangelho

O esposo está para partir

 

Os discípulos de João, atrelados aos dos fariseus, ficavam incomodados com o comportamento dos discípulos de Jesus no tocante à prática do jejum. Ao supervalorizar este ato de piedade, imaginavam estar dando mostras de santidade e de seriedade de vida. Não acontecendo o mesmo com o grupo de Jesus, concluíam faltar-lhes profundidade. Quiçá os considerassem levianos e desregrados.

 

Estas considerações não chegaram a influenciar a pedagogia de Jesus, no trato com os discípulos. Servindo-se da metáfora da festa de casamento, estabeleceu uma clara distinção entre o tempo de alegrar-se e o tempo de jejuar. O primeiro corresponderia ao tempo de sua presença, qual um noivo, junto dos que escolhera para estar consigo. Seria o tempo de festejar, comemorar, desfrutar de uma presença tão querida. O segundo diz respeito ao tempo de sua ausência, a ser consumada por meio da morte de cruz. Figurativamente, seria o tempo da ausência do noivo, no qual todos se preparam para sua chegada, e se privam de alimentos, em vista do banquete que será oferecido.

 

Portanto, os discípulos não jejuavam simplesmente pelo fato de terem ainda Jesus junto de si. O tempo em que o esposo lhes seria tirado estava se aproximando. Aí, sim, o jejum seria uma exigência, em vista de preparar-se para acolher a segunda vinda do Senhor. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)

 

São Gabriel das Dores[2]

São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, que o nome de batismo era Francisco Possenti, nasceu na cidade de Assis na Itália em 1838. Órfão de mãe aos quatro anos foi para Espoleto onde estudou em instituição marista e Colégio Jesuíta, onde viveu até os 18 anos. Em 1856 ingressou na congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os Passionistas. Sua espiritualidade foi marcada fortemente pelo amor a Jesus Crucificado e a Nossa Senhora das Dores. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores passou a ser chamado desta forma pela sua grande devoção e admiração que nutria pela Virgem Dolorosa. Morreu aos 24 anos, no dia 27 de fevereiro de 1862. Foi beatificado em 1908, pelo Santo Padre Pio X e canonizado em 1920 por Bento XV. Em 1926 o então Papa, Pio XI o nomeou o co-patrono da Ação Católica.

 

 

      

Quaresma, um tempo com características próprias

 

A Quaresma é o tempo que precede e dispõe à celebração da Páscoa. Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do Batismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais freqüente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola (ver MT 6,1-6.16-18).

 

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

 

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, nos afastar de todo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.

 

A Quaresma é um dos quatro tempos fortes do ano litúrgico e isso deve ver-se refletido com intensidade em cada um dos detalhes de sua celebração. Quanto mais forem acentuadas suas particularidades, mais frutuosamente poderemos viver toda sua riqueza espiritual.

 

Pecado é muralha que separa-nos de Deus. (Segismundo Paulik)

 

 



[1] MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1997

[2] www.asj.org.br