Sexta-feira, 26 de novembro de 2010

34º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Adalberto e Guido de Casauria (monges), Alano de Lavaur (abade), Erasmo de Alexandria (mártir), Imina de Karlburg (duquesa, abadessa), Jucunda de Reggio (virgem), Mercúrio de Cesaréia (mártir), Moisés de Roma (presbítero, mártir), Beatriz (religiosa, bem-aventurada), Bernardo de Ottobeuren (monge, bem-aventurado), Conrado de Heisterbach (monge, bem-aventurado), Egberto de Muensterschwarzach (abade, bem-aventurado), Isabel de Waldsee (virgem, bem-aventurada), Margarida de Savoya-Arcaya (religiosa, bem-aventurada)

Antífona: O Senhor fala de paz a seu povo e a seus amigos e a todos os que se voltam para ele. (Sl 84,9)

 

Oração: Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Apocalipse (Ap 20, 1-4.11-21,2)
Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu

 

Eu, João, 20,1 vi um anjo descer do céu. Nas mãos tinha a chave do Abismo e uma grande corrente. 2Ele agarrou o Dragão, a antiga Serpente, que é o Diabo, Satanás. Acorrentou-o por mil anos 3e lançou-o dentro do Abismo. Depois, trancou e lacrou o Abismo, para que o Dragão não seduzisse mais as nações da terra, até que terminassem os mil anos. Depois dos mil anos, o Dragão deve ser solto, mas por pouco tempo.

 

4Vi então tronos, e os seus ocupantes sentaram-se e receberam o poder de julgar. Vi também as almas daqueles que foram decapitados por causa do Testemunho de Jesus e da Palavra de Deus e aqueles que não tinham adorado a besta, nem a imagem dela, nem tinham recebido na fronte ou na mão a marca da besta. Eles voltaram a viver, para reinar com Cristo durante mil anos.

 

11Vi ainda um grande trono branco e aquele que estava sentado nele. O céu e a terra fugiram da sua presença e não se achou mais o lugar deles. 12Vi também os mortos, os grandes e os peque-nos, em pé diante do trono. Foram abertos livros, e mais um outro livro ainda: o livro da vida. Então foram julgados os mortos, de acordo com sua conduta conforme está escrito nos livros. 13O mar devolveu os mortos que se encontravam nele. A morte e a morada dos mortos entregaram de volta os seus mortos. E cada um foi julgado conforme sua conduta. 14A morte e a morada dos mortos foram então lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte: o lago de fogo. 15Quem não tinha o seu nome escrito no livro da vida foi também lançado no lago de fogo.

 

21,1 Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Os mortos foram julgados de acordo com sua conduta

 

O Apocalipse não considera tanto o futuro longínquo ou próximo, como se o triunfo de Cristo devesse chegar depressa e devessem cessar as atuais perseguições; considera o hoje, a luta, que durará e será sempre árdua. Na realidade presente do reino, os cristãos que sofrem compartilham a cada momento a vitória de Cristo, enquanto voluntariamente compartilham sua morte. Em nosso tempo atual as perseguições, calúnias, contestações e o silencio ferem os seguidores do Cordeiro. Mas desde já, os que são condenados falsamente sentam-se para julgar os seus verdugos. Os homens são agora julgados com base no livro da vida; vai-se agora construindo um novo céu e uma nova terra. A atual oposição e perseguição do mundo é o mais belo sinal da vitória da Igreja. A dor e a perseguição fazem sentir o reino como vivo num mundo que morre. O triunfo da Igreja perseguida não está na promessa de que tais provas cessarão (e então virá o prêmio), mas na garantia de que estes sofrimentos já são a vitória. [Missal Cotidiano, Paulinas]

 

Salmo Responsorial: 83 (84), 3.4.5-6a e 8a (R/.Ap 21, 3b) 
Eis a tenda de Deus no meio do povo!

 

3Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!

 

4Mesmo o pardal encontra abrigo m vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!

 

5Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar! 6aFelizes os que em vós têm 8asua força, caminharão com um ardor sempre crescente.

 

Evangelho: Lucas (Lc 21, 29-33)
Sinal da Figueira

 

Naquele tempo, 29Jesus contou-lhes uma parábola: "Olhai a figueira e todas as árvores. 30Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto. 31Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. 32Em verdade, eu vos digo: tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. 33O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”. Palavra da Salvação

 

Leituras paralelas: Mt 24, 32-35; Mc 13, 28-32

 

 

Comentando o Evangelho

 

A lição da figueira

 

Os cristãos são admoestados a se manterem em contínuo estado de vigilância em relação à história, uma vez que ela está sendo fermentada pelas realidades escatológicas. Urge, pois, perceber como nela se manifestam os sinais do fim.


A mensagem de Jesus nada tem a ver com os apocalipses da época, reservados a um grupo restrito de iniciados. Jesus ensina publicamente, sem a preocupação de selecionar seus ouvintes. Embora só os discípulos o compreendam, sua doutrina deve ser anunciada a todos os povos. Basta abrir-se para ele, para entender o conteúdo de seus ensinamentos.


A figueira e as demais árvores foram empregadas para ilustrar a parábola da escatologia. Vendo-as frutificar, é possível afirmar, sem perigo de engano, que o verão se aproxima. Igualmente, pode-se declarar que algo de novo estará acontecendo na história, quando a morte ceder lugar à vida, a escravidão abrir espaço para a liberdade, a injustiça for sobrepujada pela justiça, o ódio e a inimizade forem vencidos pelo amor e pela reconciliação.


Este germinar de esperança é um sinal evidente da presença do Filho do Homem, fazendo a escatologia acontecer. Chegará um tempo de plenitude. Este, porém, está sendo preparado pela aproximação paulatina daquilo que todos esperamos.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

Para Sua Reflexão:

A parábola da figueira refere-se em geral à proximidade do reinado de Deus. No contexto presente, parece visar à queda de Jerusalém; outros pensam que se refere à parusia, e nesse caso se falaria do reinado definitivo de Deus: “depois virá o fim, quando entregar o reino a Deus Pai” (cf 1Cor 15, 24-28). A parábola, em sua qualidade de imagem, é aplicável a diversas situações. O último versículo, em estilo aforístico, garante tudo o que foi anunciado até aqui (Cf. Is 55,11; Sl 102, 26s). [Bíblia do Peregrino, Paulus]

 

São Leonardo de Porto Maurício

 

 

 

Paulo Jerônimo nasceu em 1676, em Porto Maurício, atual Impéria, Itália. Filho do capitão da marinha Domingos Casanova, ficou órfão ainda muito pequeno. Foi, então, levado a Roma para concluir os estudos no Colégio Romano. Depois, foi para o Retiro de São Boaventura, onde entrou para a Ordem Franciscana e vestiu o hábito tomando o nome de frei Leonardo.


Atuou como sacerdote a maior parte da vida em Florença. Era um empolgante pregador, principalmente quando escolhia como tema a Paixão de Cristo. Percorreu toda a Itália exercendo esse ministério e, com isso, escreveu muitas obras de grande valor para os pregadores e para os fiéis. Santo Afonso de Ligório, seu contemporâneo, dizia que ele era o maior missionário daquele século. O papa também usou para a Igreja os dons de Leonardo, quando o enviou para uma delicada missão na ilha de Córsega. Tinha de restabelecer a concórdia entre os cidadãos. Apesar das graves divisões entre eles, Leonardo conseguiu um inacreditável abraço de paz.


Também é considerado o salvador do Coliseu, ao promover pela primeira vez a liturgia da Via-Sacra naquele local que definiu como santificado, pelos martírios dos cristãos. Por esse motivo, a interpretação da Paixão de Cristo foi reproduzida, no jubileu de 1750, no Coliseu, cujas ruínas eram dilapidadas e suas pedras arrancadas para servirem em outras construções. A celebração da Via-Sacra em seu interior tornou-se tradição e a histórica construção passou a ser preservada. A tradição permanece, pois até hoje o próprio pontífice, toda Sexta-Feira da Paixão, faz a Via-Sacra no Coliseu, em Roma.


Frei Leonardo era, também, muito devoto de Nossa Senhora e queria que a Igreja assumisse o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Lutou muito pelas suas ideias doutrinais e convenceu o papa Bento XIV de que era necessário convocar um concílio para discutir o assunto e depois proclamar esse dogma.


Não viu este dia, mas deixou uma célebre carta profética, onde previa que isso iria acontecer, como de fato ocorreu, em 1854. Frei Leonardo morreu, em 1751, no seu querido Retiro de São Boaventura de Palatino, Roma. Na ocasião, tal era sua fama de santidade que o próprio papa Bento XIV foi ajoelhar-se diante de seu corpo.


Papa Pio XI o declarou padroeiro dos sacerdotes que se consagram às missões populares no mundo. São Leonardo de Porto Maurício é celebrado, no dia de sua morte, também como padroeiro da sua cidade de origem, atual Impéria. [
Paulinas.org.br]

 

 

 

 

A História do Advento

John Nascimento

 

Um acidente histórico contribuiu para a formação e desenvolvimento final do Advento tal como o temos hoje. Durante anos as Igrejas dos povos do território da França (Galia), usaram os livros litúrgicos trazidos de Roma que vinham através dos Alpes pelas mãos dos monges e peregrinos que se tinham impressionado com o que viam em Roma. Os governadores Carolíngios, procuraram romanizar o Império por razões políticas e religiosas. 

 

Em 754, Pepin, o predecessor de Carlos Magno, foi coroado rei do território francês, pelo Papa Estêvão II (III) (752-757). Para assinalar o acontecimento, o Papa ordenou que os livros litúrgicos em uso em todo o Império fossem substituídos pelos de Roma. Como resultado o mais curto e não penitencial Advento Romano teve que ser copiado à mão e assim, durante um tempo mais ou menos longo, essas duas liturgias estiveram misturadas. 

 

Alguns dos temas penitenciais do Advento do Norte estiveram misturados com os temas de Alegria, mais curtos do Advento Romano. Carlos Magno que, tal como seu pai, ficou impressionado com tudo o que se fazia em Roma, continuou na mesma linha de ação de seu pai. Trouxe livros de Roma para a sua Biblioteca de Aachen, onde serviram de base para as cópias. Infelizmente, os livros que ele trouxe, descreviam mais a liturgia papal bem elaborada do que a liturgia das Igrejas Paroquiais de Roma. Alcuin, conselheiro de Carlos Magno, arranjou substituições para as partes que faltavam, com autorização do rei.  Como resultado, continuou a mesma mistura de liturgias que, desta vez, nem eram francesas nem romanas.

 

No século X a Igreja de Roma entrou em sério declínio e atingiu o caos, em virtude dos abusos governativos.  Os clérigos e os leigos perderam o interesse pela vida litúrgica da Igreja.  Só os novos mosteiros Cluníacos estavam em condições de manter vivo o espírito religioso e associativo com o culto da Igreja. Eventualmente, sob as ordens dos Imperadores Otomanos, Roma começou a reformar as práticas Litúrgicas enfraquecidas, adquirindo livros litúrgicos nos mosteiros do Centro e do Norte. Os livros litúrgicos que tinham sido levados para o Norte, centenas de anos antes, já não eram os mesmos que eles agora encontraram. Todavia, a nova liturgia, bem depressa foi considerada como autenticamente romana. Por essa razão ela se tornou a liturgia de toda a Igreja latina medieval.  E assim, um Advento de quatro semanas com uma certa mistura ou confusão de penitência e alegria, espalhou-se, a partir de Roma para a Igreja Universal.

 

O tema sombrio dos primeiros domingos do Advento é a continuação do mesmo tema dos últimos domingos do Ano Litúrgico. Nestes domingos há uma ênfase para o fim dos tempos e a consumação de toda a história. No segundo e terceiro domingos do Advento, João Baptista prega a penitência, e no último domingo, o tema final da Encarnação começa com o fato da Anunciação. O tema penitencial durante o Advento, foi mais evidente até há relativamente pouco tempo. 

 

A tradição do jejum chegou até ao Direito Canônico de 1917/18.  Evitavam-se os instrumentos musicais, a cor dos paramentos era a cor roxa, não havia o Glória da Missa e proibiam-se os casamentos.  Com algumas modificações, estas tradições ainda continuam mas sem o espírito de rigorosa penitência.  Algumas tradições religiosas durante o mês de Dezembro estão diretamente associadas com os temas do Advento, mas outras são já parte da celebração do Natal.

 

As tradições do Advento refletem o espírito de Espera que cresce gradualmente.  Provavelmente, a mais popular tradição do tempo do Advento de hoje é a das velas que se vão acendendo, domingo a domingo, tanto nas Igrejas como em casa de cada um que o deseja fazer. Este costume teve a sua origem nos Luteranos da Alemanha no século XVI e logo se tornou popular em outras áreas. Juntamente com as Árvores do Natal, é provavelmente um exemplo da cristianização de práticas populares dos tempos pré-cristãos, em que se acendiam lâmpadas ou velas e se faziam fogueiras nos fins de Novembro e princípios de Dezembro em terras da Alemanha onde a escuridão do Inverno que se aproximava, se tornava muito severa.

 

Esta tradição chegou aos nossos tempos.

 

A tradição de organizar um Ramalhete ou Grinalda do Advento, a partir de 1500 tornou-se uma tradição de simbolismo cristão, primeiro entre os Luteranos alemães, na parte Leste da Alemanha e depois entre os Católicos e Protestantes alemães.  Mais tarde foi para as Américas levada pelos emigrantes a partir de 1900, quando já estava muito popularizada entre os Católicos como fazendo parte do movimento litúrgico. Esta Grinalda do Advento, que pode ser de qualquer medida, é posta sobre a mesa ou pendurada no teto. Há nela quatro velas, uma para cada semana do Advento. A cor das velas não é essencial porque o mais importante é o simbolismo da chama. Todavia é uso popular que sejam três de cor roxa e uma de cor de rosa, que são ainda hoje as cores do Advento.

 

A cor de rosa é a que se usa no Terceiro domingo chamado Gaudete (alegrai-vos), em virtude da primeira palavra da Antífona de entrada da Missa. Na Igreja usa-se a mesma tradição com as quatro velas ornamentadas e dispostas numa espécie de trono com muitas verduras e flores, e cada domingo se vai acendendo uma delas antes da celebração da Missa. Este é o simbolismo de que em cada semana do Advento, se vão dissipando as trevas e se vai fazendo o tempo mais claro, mais iluminado.

É também o simbolismo de uma Vitória e de Glória.  Há, portanto um simbolismo de transição das trevas para a luz que representa todo aquele tempo, em que o Povo de Deus esperou o Messias prometido, que era a luz do Mundo.

 

Historicamente Ele chegou, nascendo na gruta de Belém; misticamente espera-se no Advento e chega em cada Natal de todos os anos, e assim acontecerá até ao fim dos tempos, como chamamento à conversão de vida e motivo para um enriquecimento de graça. Portanto, cada Advento é uma Quadra litúrgica especial para que todos os crentes abram mais amplamente os seus corações ao Amor de Deus, e à Eterna Salvação, oferecida por Jesus Cristo a toda a humanidade que a queira receber de boa vontade.

 

Desde 1 de Dezembro de 1974, todos os Domingos do Advento têm precedência sobre todas as solenidades e festas do Senhor, segundo o novo Calendário Litúrgico.

 

Sobre a Liturgia do Advento, diz-nos o Catecismo da Igreja Católica:

524. - Ao celebrar cada ano a Liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta expectativa do Messias. Comungando na longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo da Sua segunda vinda. Pela celebração do nascimento  e martírio do Precursor, a Igreja  une-se ao seu desejo :"Ele deve crescer e eu diminuir" (Jo 3,30).

 

 

Nossos maiores santos se agarrariam ao microfone para lançar sua

 mensagem de verdade, de justiça e de paz. (São Tago Alberione)