Sexta-feira, 25 de março de 2011

Anunciação do Senhor – Oficio da Solenidade - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Branca

 

 

Santos: São Dimas (o Bom Ladrão, Gólgota, Jerusalém, pregado na cruz ao lado de Cristo), Cirino (mártir), Irineu (bispo, mártir), Pelágio (bispo, Síria), Humberto (monge e abade), Hermelando (monge), Barôncio, Alvoldo (bispo), Tomás (beato), Margarete Clitherow (mártir), Jaime Bird (mártir, beato), Lúcia Fillippini (virgem), Jane Maria da Cruz (venerável franciscana, virgem, 2ª ordem), Desidério e Quirino.

 

Antífona: Ao entrar no mundo, Cristo disse: eis-me aqui, ó Pai, ara fazer a tua vontade. (Hb 10, 5.7)

 

Oração: Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Isaías (Is 7, 10-14; 8,10)

O próprio Senhor vos dará um sinal

 

Naqueles dias, 10o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11"Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu".

 

12Mas Acaz respondeu: "Não pedirei nem tentarei o Senhor". 13Disse o profeta: "Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel, 8,10porque Deus está conosco.” Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Eis que eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade

 

"A vontade do Pai jamais foi a morte do seu Filho. Tal atitude seria própria de um Deus sanguinário, que só se aplacaria com o sangue de um ente querido. Nem se trata da obediência à lei, porque esta já caducou (versículos de 1-4). Na realidade, o desígnio de Deus foi tornar seu próprio Filho participante da condição humana, com todo aquele amor necessário para que tal condição fosse transfigurada. Ora, a existência humana supõe a morte, e o Pai não a excluiu da sorte de seu Filho, a fim de que sua fidelidade à condição de homem só tivesse como limite sua fidelidade ao amor do Pai. Com algumas variantes introduzidas no salmo ("um corpo me preparastes' - diz Jesus - "ao entrar no mundo" com a encarnação), o autor insere nas relações trinitárias e preexistentes à encarnação a intenção sacrifical de Cristo... que a cruz fez apenas selar" (Maertens). Em Jesus não há dissociação entre rito e vida; sua morte é sacrifício espiritual, porque dom total de si na liberdade e no amor. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 39 (40), 7-8a. 8b-9.10.11 (R/.8a e 9a)

Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

 

Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: "Eis que venho!"

 

Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!"

 

Boas-novas de vossa justiça anunciei numa grande assembleia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

 

Proclamei toda a vossa justiça, sem retê-la' no meu coração; vosso auxílio e lealdade narrei. Não calei vossa graça e verdade na presença da grande assembleia.

 

II Leitura: Hebreus (Hb 10, 4-10)

Somos santificados pela oferenda do corpo do Senhor

 

Irmãos, 4é impossível eliminar os pecados com o sangue de touros e bodes. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo afirma: "Tu não quiseste vitima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. 6Não foram do teu agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. 7Por isso eu disse: Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade".

 

8Depois de dizer: Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado" - coisas oferecidas segundo a Lei - 9ele acrescenta: "Eu vim para fazer a tua vontade". Com isso, suprime o primeiro sacrifício, para estabelecer o segundo.

 

10E graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

O antigo e o novo sacrifício

A imagem que fazem dos sacerdotes levíticos e de seus sacrifícios é triste, mas precisamos nos lembrar de que Hebreus não está fazendo uma declaração antijudaica. A superioridade do sacrifício de Cristo e, consequentemente, do próprio cristianismo não está sendo estabelecida à custa dos contemporâneos judeus do autor. Ele não fala de práticas judaicas atuais nem recentes, mas só o antigo ritual da tenda israelita descrito no Pentateuco. É a palavra de Deus na Bíblia que indica as limitações deste ritual e, ao mesmo tempo, aponta em direção ao significado de sua palavra falada no Filho. Os repetidos sacrifícios pelo pecado são ineficazes precisamente porque têm de se repetir. Mas o v. 4 apresenta uma ideia nova, a de que os sacrifícios de animais não eliminam os pecados. A prova está na citação do Sl 40, 7-8 (na tradução grega), onde , como quase sempre acontece, entende-se que o orador é Cristo. Ali é afirmado que Deus rejeita s sacrifícios de animais.  Portanto, o outro interpreta o salmo como substituição da lei, a antiga aliança, pelo sacrifício do corpo de Cristo, que foi a vontade de Deus para seu Filho. [Comentário Bíblico, vol 3, pg. 315, Edições Loyola, 1999]

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 26-38)

Anuncia-se o nascimento de Jesus

 

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!".

 

29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30o anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim".

 

34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" 35O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível".

 

38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se. Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Alegra-te, cheia de graça

 

A saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galiléia? Mulher sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma “agraciada", "plena da graça" divina?

 

Maria estava longe de compreender o projeto de Deus a seu respeito. Sua humildade de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para ser mãe do Messias. Livre de toda forma de orgulho e autossuficiência, Maria podia abrir seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objeto da atenção divina, no seu anseio de salvar a humanidade. Deus queria contar com alguma pessoa disposta a se tornar "escrava do Senhor", e permitir que a vontade divina acontecesse em sua vida, sem objeções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus!

 

Tudo quanto o anjo comunicara a Maria era grande demais para o seu entendimento, e superava sua capacidade de pô-lo em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva nova, ao lhe ser prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada pelo anjo. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

-Pela Igreja de Deus para que, cumprindo com fidelidade e solicitude sua missão, a todos motive para a união com Cristo e para a prática da caridade, roguemos ao bom Deus. Deus bom e fiel, ouvi-nos!

-Por nossas Comunidades para que, a exemplo de São José, procurem cumprir com alegria a vontade de Deus e o anúncio do evangelho, roguemos ao bom Deus.

-Para que sejamos acolhedores e defensores da vida, como foram Maria e José, roguemos ao bom Deus.

-Pelas Famílias para que, vivendo na força da união, demonstrem o amor de Deus por nossa humanidade, roguemos ao bom Deus.

-Intenções próprias da comunidade

 

Oração sobre as Oferendas:

Recebei, ó Deus onipotente, as oferendas de vossa Igreja, que comemora a sua origem na encarnação do vosso Filho, celebrando com alegria este grande mistério Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

A virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado: “Deus conosco” (Is 7, 14)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, confirmai em nossos corações os mistérios da verdadeira fé, para que, proclamando verdadeiro Deus e verdadeiro homem aquele que nasceu da Virgem, cheguemos à felicidade eterna pelo poder da sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: A concepção será obra prodigiosa de Deus e do seu Espírito; a “grandeza” do menino será a sua condição de sucessor de Davi, rei Messias, mais que profeta (ela será mãe do rei herdeiro, com título de rainha, segundo a tradição do antigo testamento). Esse filho não só será grande perante o Senhor; será chamado “Filho do Altíssimo”. O nascimento de João foi possível por meios naturais com a cura da esterilidade; Jesus nascerá de uma virgem. João será repleto do Espírito Santo, ainda no seio da sua mãe; Jesus será um profeta; Jesus será o último e eterno Rei de Israel. Desde o princípio, Maria é modelo do discípulo cristão. Sua maternidade física foi uma graça única, mas sua maternidade no plano espiritual é compartilhada por todos os que dão a mesma resposta fiel que ela.

 

Anunciação do Senhor

 

Anunciação do Senhor Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço.

 

Hoje é o dia em que a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno: "A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade."

 

Com alegria contemplamos o mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém, desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:

 

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas , Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o  nome

de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra’" (cf. Lc 1,26-38).

 

Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: "Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade" (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.

 

Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco" (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:

 

"Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo". [Canção Nova]

 

 

Justiça e Paz

Dom Paulo Mendes Peixoto, Bispo de São José do Rio Preto - SP

 

A fonte de todo bem tem sua maior solidez na justiça e na paz. Não existe verdadeira felicidade sem que todas as pessoas estejam vivendo bem, com dignidade e harmonia. Os conflitos e dificuldades fazem parte da construção de um mundo novo.

 

Muitas coisas dificultam o diálogo e a aproximação entre as pessoas. Uma delas, a mais forte, é a opressão nas diversas situações, especialmente econômica, a fome, o distanciamento das condições normais de sobrevivência. Isto pode ser fruto de injustiça, provocando a falta de paz.

 

É interessante observar que a verdadeira fé em Deus torna uma pessoa justa, mais solidária e comprometida com a paz. Não pode ser uma fé fundamentalista, que exclui quem não é do mesmo pensamento e da mesma prática de espiritualidade.

 

Falar de justiça e paz é falar do bem comum. Isto é difícil acontecer num mundo de violência, de individualismo e de falta de corresponsabilidade na condução da sociedade. A prática do mal é muito forte, que até inabilita os bem intencionados de agir.

 

Pela falta de justiça e paz, somos marcados por insegurança, pelo perigo e pelo cansaço. Vivemos o clima de tensões, de medo, de impossibilidade de sair das crises e problemas que nos atingem. É a fé em Deus que é capaz de nos habilitar para a confiança.

 

Somente a certeza da presença de Deus na história faz com que haja verdadeira libertação, porque ele é fonte de vida e oferece todos os recursos necessários para seus filhos. Deus é fonte de justiça e paz duradouras.

 

A quaresma é um convite insistente para que sejamos novas criaturas. Isto significa entrar em outra condição humana, de paz com Deus, de bem-estar e alegria. É dimensão pessoal que nos capacita para relacionamentos fraternos com o próximo.

 

A justiça e a paz fazem com que tenhamos harmonia conosco mesmos, com os outros, com a natureza e com Deus. É a confirmação de uma esperança que não decepciona, a superação de qualquer confusão, tendo alicerce na certeza do amor. [CNBB]

 

Aconteceu no dia 25 de março de 1939:  O cardeal Eugenio Pacelli é eleito Papa com o nome de Pio XII

 

Ensine cedo aos teus filhos que o pão dos homens é feito para ser dividido. (P. Carré)