Sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natividade de São João Batista, 4ª do Saltério (Livro III), cor Branca, Missa do Dia

 

 

Hoje: Dia do Mel e Dia Internacional da Ufologia

 

Santos: Alena de Bruxelas (virgem, mártir), Anfíbalo de Verulam (mártir), Bartolomeu de Farne (eremita), Henrique de Auxérre (monge), Ivan da Boêmia (eremita), João de Tuy (eremita), Simplício de Autun (bispo), Teodulfo de Lobbes (monge, bispo)

 

Antífona: Houve um homem enviado por Deus: o seu nome era João. Veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem disposto a recebê-lo.

 

 

Oração: Ó Deus, que suscitastes são João Batista a fim de preparar para o Senhor um povo perfeito, concedei á vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Isaías (Is 49, 1-6)

Eu te farei luz das Nações

 

1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: 'Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado". 4E eu disse: 'Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa". 5E agora diz-me o Senhor - ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo - que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: "Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A missão dos pobres


Estamos diante do segundo canto do servo de Javé, poema que fala de uma personagem dificilmente identificável à primeira vista. O trecho, sobretudo nos vv. 1-2, tem muitas semelhanças com a vocação de Jeremias (Jr 1,4-10).


É um texto de missão. Inicia com um apelo às ilhas e aos povos distantes para que prestem atenção ao que vai ser dito (v. 1a). Com essa indicação Isaías mostra o horizonte da missão do servo: seu anúncio abrange o mundo inteiro.


Em seguida, adotando o esquema da vocação profética, o servo dá a conhecer o plano que Deus tem para ele: “O Senhor me chamou desde o ventre materno, desde as entranhas de minha mãe pronunciou meu nome” (v. 1b). A ligação desse versículo com a vocação de Jeremias é evidente. Em ambos os casos, salienta-se a idéia de que o carinho de Deus precede a capacidade de amar das pessoas. Deus nos ama antes mesmo que tenhamos consciência disso. Salienta-se também que o projeto de Deus é anterior à capacidade de nos comprometermos com resposta madura.


Deus preparou seu servo como o guerreiro põe em ordem suas armas de ataque, reservando sua flecha pontiaguda para os momentos difíceis (v. 2). Este versículo mostra. por um lado, em que consiste a missão do servo: sua boca é como espada afiada. Trata-se, portanto, de mensagem cortante. O texto não especifica, mas podemos supor que o anúncio irá pôr fim a uma situação de injustiça. O servo é uma flecha de ponta fina e afiada, reservada para os momentos decisivos da luta. Por outro lado, o v. 2 continua mostrando o carinho que Deus tem para com o servo, escondendo-o na sombra de sua mão e guardando-o no estojo das flechas. O servo, portanto, é alguém que Deus ama desde sempre, escolhido como defensor da justiça para tempos difíceis.


O v. 3 confere cores mais vivas à missão do servo: “Em ti manifestarei minha glória”. O servo é chamado de “Israel”. Trata-se, provavelmente, da comunidade que voltou do exílio encarregada de reconstruir o país. Eram, em sua maioria, pessoas pobres e despreparadas. Mediante essas pessoas Deus irá manifestar sua glória. Fraqueza, dúvidas e dificuldades sem conta ameaçam o servo-comunidade dos pobres: “Foi em vão que trabalhei, de nada valeu ter consumido minhas forças” (v. 4a). Mesmo assim, encontra forças para lutar: “Meu direito, porém, está nas mãos do Senhor e no meu Deus a minha recompensa” (v. 4b).


O v. 6 amplia em dimensões universais a missão do servo-comunidade dos pobres: “Não basta que sejas meu servo… Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação possa chegar até os confins da terra”. Reconstruindo o país sobre os alicerces da justiça os pobres se tornam luz para o mundo inteiro.


O servo de Javé é personagem misteriosa. O fato de não ser facilmente identificável mostra que sua missão é proposta aberta. Os que são sensíveis à causa dos empobrecidos dos nossos tempos saberão identificar-se com ele e sua missão, pois o Deus no qual acreditamos escolheu desde sempre os pobres e para sempre os protegerá, fazendo deles a base para uma sociedade justa e fraterna. [Vida Pastoral, Paulus]

 

Salmo: 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 [R/.14a]
Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,

porque de modo admirável me formastes!

 

Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos; percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são conhecidos.

 

Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!

 

Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis, quando eu era modelado ocultamente, era formado nas entranhas subterrâneas.

 

 

II Leitura: Atos (At 13, 22-26)

Antes que Jesus chegasse, João

pregou um batismo de conversão

 

Naqueles dias, Paulo disse: 22"Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: 'Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade'. 23Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus. 24Antes que ele chegasse, 'João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 25Estando para terminar sua missão, João declarou: 'Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias'. 26Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação". Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Jesus é a expressão final da fidelidade de Deus


Os versículos da segunda leitura de hoje pertencem ao discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia, durante a primeira viagem missionária. Lucas, autor de Atos dos Apóstolos, condensou nesse discurso a catequese básica de Paulo, centrada em Jesus morto, ressuscitado e glorificado.


Paulo está falando a judeus reunidos na sinagoga. E o modo mais adequado para o momento é recordar os fatos passados e as promessas do Deus fiel. O fio condutor da homilia de Paulo é a fidelidade de Deus às suas promessas, culminando na pessoa de Jesus. Paulo abrevia a história do povo, saltando de Davi para seu descendente mais importante, que é Jesus: “Da descendência dele, conforme prometera, Deus fez surgir um Salvador a Israel, Jesus” (v. 23).


Os judeus daquele tempo gostavam de examinar as Escrituras para ver se descobriam nelas alguns sinais de esperança para seus dias.


Paulo tem grande apreço por essas expectativas e arremata sua catequese mostrando que as promessas se realizaram na pessoa de Jesus: “Irmãos, filhos da mesma raça de Abraão! E vós aqui presentes que temeis a Deus! É a vós que se dirige esta mensagem de salvação” (v. 26). O próprio precursor – que se situa no final das promessas – preparou a chegada daquele que é a resposta definitiva de Deus às expectativas humanas: “Estando para terminar sua carreira, João declarou: ‘Eu sou aquele por quem me tomais; mas eis que depois de mim vem aquele de quem não sou digno de desatar as sandálias’” (v. 25). [Vida Pastoral, Paulus]

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 57-66.80)

João é o seu nome

 

57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João". 61Os outros disseram: "Não existe nenhum parente teu com esse nome!" 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: "João é o seu nome". E todos ficaram admirados. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia. 66E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: "O que virá a ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. 80E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Deus é misericórdia para os pobres


O relato do nascimento do precursor tem muitos traços em comum com o do nascimento do Messias. Com isso Lucas quer destacar a importância do último profeta do Antigo Testamento, aquele que preparou os caminhos para a inauguração da nova história, o nascimento do Salvador.


a. Deus é misericórdia para os pobres (vv. 57-64)


Há muita alegria na serra de Judá. Isabel, incapaz de gerar filhos, porque estéril, não consegue esconder sua gravidez, completando-se para ela o tempo de dar à luz. Ela e Zacarias, seu marido, eram pessoas de idade e sem esperanças de ver sua vida prolongada na descendência. A situação desse casal recorda a de outros no passado do povo de Deus, particularmente Abraão e Sara.


A pobreza de Isabel e Zacarias transparece também de outros ângulos: ela não tem quem lhe esteja próximo no período da gravidez a não ser Maria; ele tem emprego garantido no templo de Jerusalém somente uma semana por ano. Assim, esse casal é símbolo dos empobrecidos de todos os tempos esperando a história tomar novo rumo.


A história vai tomar rumo novo porque Deus é misericórdia para os pobres. O nascimento de João Batista, filho de uma estéril e de anciãos, não é pura casualidade biológica. É, isso sim, dom de Deus que favorece os empobrecidos. A alegria dos vizinhos e parentes do casal se fundamenta no fato de Deus cumular Isabel com sua misericórdia (v. 58).


Zacarias ficou mudo (e surdo) a partir do momento que realizava as cerimônias no templo. Com isso Lucas quer sublinhar a novidade contida no nome do filho. Os parentes sugeriam que o menino se chamasse Zacarias, como o pai (v. 59). Mas a mãe insiste em caracterizar o fato como uma intervenção extraordinária do Deus que é misericórdia para os pobres. De fato, o nome João – ausente em toda a parentela do casal – significa “Deus é misericórdia”. E com isso concorda o pai que, sem poder ouvir nem falar, escreve numa tabuinha: “Seu nome é João” (v. 63). Lendo os fatos com os olhos da fé, podemos garantir que Deus constrói com os pobres nova história. A geração dos pobres não carrega mais os estigmas do passado (discriminação das pessoas e suspeitas de serem castigados por Deus). São portadores do amor misericordioso do Deus fiel. E as primeiras palavras de Zacarias são louvores a esse Deus (v. 64).

 

b. Os pobres preparam a vinda do Reino (vv. 65-66.80)


Há muita expectativa na serra de Judá. Os pobres comentam os fatos. Vão reconstruindo o tecido da história sob a ótica dos despossuídos e percebendo, através do nome dado ao menino, que o Deus no qual acreditam é o mesmo parceiro aliado do Abraão, dos empobrecidos e marginalizados de todos os tempos: “O temor apoderou-se então de todos os seus vizinhos, e por toda a região montanhosa da Judéia comentavam-se esses fatos. E todos os que os ouviam gravavam-nos no coração” (vv. 65-66a). Aí, longe dos centros de poder político e religioso (nos morros de nossas favelas) nasce e cresce a história da fidelidade de Deus aos seus pobres.

 

O pessoal da serra se anima: “Que virá a ser deste menino?” (v. 66b). Para os semitas, o nome sela o programa de vida das pessoas. João será o anunciador da misericórdia de Deus. De fato, em seu programa Jesus vai dizer: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres” (v. 4,18a). Os pobres preparam a vinda do Reino.

 

João Batista crescia e se fortalecia em espírito. E habitava nos desertos, até o dia em que se manifestou a Israel (v. 80; cf. 3,2). A história dos pobres recomeça no deserto, como no passado, longe dos centros de decisão. É para lá que mais tarde se dirige o povo ansioso por mudanças radicais na sociedade (cf. 3,3-17). [Vida Pastoral, Paulus]

 

Oração da assembleia (Missal Cotidiano)

Pelo bem de todos e a paz da sociedade, párea que cada um possa desempenhar convenientemente seu trabalho, e que sejam protegidos os direito de todos, rezemos ao Senhor: Senhor, escutai a nossa prece.

Pelos judeus, para que saibam reconhecer em Jesus o Salvador do mundo, como João apontou, rezemos ao Senhor:

Pelos pobres e os perseguidos, para que o Senhor faça resplandecer neles o caminho da salvação, rezemos ao Senhor:

Por todos nós que estamos aqui reunidos, para que nos apresentemos ao Senhor como povo bem disposto, rezemos ao Senhor:

(preces espontâneas da assembleia)

 

Prefácio da Natividade de São João Batista:

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Proclamamos, hoje, as maravilhas que operastes em são João Batista, precursor de vosso filho e Senhor nosso, consagrado como o maior entre os nascidos de mulher. Ainda no seio materno, ele exultou com a chegada do salvador da humanidade, e seu nascimento trouxe grande alegria. Foi o único dos profetas que mostrou o Cordeiro redentor. Batizou o próprio autor do batismo, nas águas assim santificadas, e, derramando seu sangue, mereceu dar o perfeito testemunho de Cristo. Por essa razão, unidos aos anjos e a todos os santos, nós vos aclamamos, jubilosos, cantando (dizendo) a uma só voz...

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, acorremos ao altar com os nossos dons, celebrando com a devida honra o nascimento de são João Batista, que anunciou a vinda do salvador do mundo e o mostrou presente entre os homens. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Graças ao entranhado amor do nosso Deus, visitou-nos a luz que vem do alto. (Lc 7,78).

 

Oração Depois da Comunhão:

Restaurados, ó Deus, à mesa do Cordeiro divino, concedei que a vossa Igreja, alegrando-se pelo nascimento de são João Batista, reconheça no Cristo, por ele anunciado, aquele que nos faz renascer. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São João Batista

 

 

"Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como o santo que hoje festejamos. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes além das procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de João Batista".

 

Ele é o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

 

Os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel ao pai Zacarias (Lc 1,5-25). Na circuncisão ele recebeu, por inspiração divina, o nome de João. Ele era seis meses mais velho do que Jesus, mas iniciou sua pregação pública à beira do rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar início à própria missão.

 

O evangelista São Lucas assim resume a infância de João: "O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel" (Lc 1,80).

 

Há autores que dizem que João se teria unido à seita dos essênios, tipo de monges rigoristas que viviam no deserto à beira do Jordão ou do Mar Morto, em forma comunitária, entregues à oração e à penitência

 

O Evangelho apresenta João Batista por ocasião do batismo de Jesus. Com palavras incisivas e vibrantes, pregava a necessidade da conversão e do batismo de penitência. Suas palavras eram duras e veementes. Insistia com rigor na necessidade do fiel cumprimento dos deveres de estado. Argumentava com a proximidade da vinda do Messias prometido e tão esperado.

 

A originalidade deste profeta era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo, e daí o apelido de Batista.

 

Sua pregação atraía muitas pessoas impressionadas pelas suas palavras e pelo seu exemplo de vida austera. O próprio Evangelho diz que ele vestia rude pele de camelo e alimentava-se com gafanhotos e mel silvestre.

 

João, em sua pregação, descreve, com figuras apocalípticas, o juízo iminente de Deus e exorta a todos à penitência dos pecados como única forma de escapar da ira de Deus. Ao ver muitos fariseus e saduceus, que vinham para serem batizados, disse-lhes: "Raça de víboras, quem vos ensinou a escapar da ira iminente? Fazei, portanto, frutos dignos de conversão e não julgueis que vos basta dizer: 'Temos por pai Abraão', pois eu vos asseguro que Deus tem o poder de suscitar destas pedras verdadeiros filhos de Abraão. O machado está posto à raiz das árvores e toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3,7).

 

João Batista teve a sorte de batizar o próprio Cristo, embora protestasse ser indigno de desatar-lhe as sandálias. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias, com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo... Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo" (Mt 3,11).

 

João morreu mártir pela fidelidade à sua missão de profeta, em denunciar publicamente o adultério de Herodes, que vivia em forma escandalosa com sua cunhada Herodíades. João foi preso, encarcerado na fortaleza de Maqueronte e, mais tarde, degolado a pedido da esposa adulterina de Herodes. Seus discípulos recolheram o corpo e lhe deram honrada sepultura.

 

O maior elogio dado a São João foi o de Jesus que o definiu: "Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior que João Batista. Contudo, o menor no Reino de Deus é maior do que ele" (Mt 11,11). João, de fato, pertence ao Antigo Testamento e nós ao Novo. Quem viver plenamente a redenção que nos vem de Cristo, já é maior, pela graça, que o profeta João!

 

Deste grande profeta posto entre o Antigo e o Novo Testamento é conhecida a festa no dia 24 de junho: aquele é o dia do nascimento, celebrado com grande solenidade, pois é a aurora da vinda de Cristo; 29 de agosto é o dia de sua morte por degolação.

 

João Batista é o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta missão, nada intimidá-lo. O próprio Cristo apresentou sua figura como o símbolo vivo da face ascética da religião.

 

Certo dia, haviam chegado mensageiros de João Batista propondo a Jesus uma dúvida sobre o Messias. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Mas que foste ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, é mais do que um profeta... Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher nenhum foi maior que João Batista" (Mt 11,7-11).

 

A missão de João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na sinceridade do coração.

 

À testa do governo da Galiléia estava Herodes, filho daquele Herodes, chamado o Grande, criminoso e déspota, que viveu ao tempo do nascimento de Cristo. Herodes vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Essa união ilícita era motivo de grave escândalo no meio judaico. Não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como profeta, ficar omisso e declarou publicamente e com toda franqueza: "Não te é lícito viver com a mulher de teu irmão". Herodíades, a mulher escandalosa, não aturou esta censura e prometeu vingança. Conseguiu que Herodes mandasse encarcerar João Batista, apesar de o monarca dedicar, talvez por superstição, grande veneração ao profeta João Batista.

 

A morte de João esteve à altura de sua alta missão. O evangelista São Marcos nos descreve este martírio: "Chegou o dia propicio. Herodes, por ocasião de seu aniversário, ofereceu um banquete a seus magnatas e às grandes personalidades da Galiléia. A filha de Herodiades entrou e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Então, o rei disse à moça: 'Pede-me o que bem quiseres e te darei, mesmo que seja a metade do meu reino'. Ela saiu e perguntou à mãe: 'O que é que eu peço?' E ela respondeu: 'A cabeça de João Batista'. Voltando logo à presença do rei fez o pedido: 'Quero que agora mesmo me dê num prato a cabeça de João Batista'. O rei ficou profundamente triste. Mas, por causa do juramento que fizera e dos convivas, não quis deixar de atender-lhe. E, imediatamente, o rei mandou um executor, com ordens de trazer a cabeça de João. Ele foi e decapitou João na prisão e trouxe a sua cabeça num prato e deu-a a menina e esta a entregou à sua mãe. Os discípulos de João souberam disso, foram lá, pegaram o corpo e o colocaram num túmulo" (Mc 6,21-26).

 

Jesus chamou João Batista lâmpada ardente e luminosa: assim foi ele na vida e muito mais no testemunho glorioso de seu sangue. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

A Festa de São João

 

Em festa de São João, na maioria das regiões brasileiras, não faltam fogos de artifício, fogueira, muita comida (o bolo de São João, principalmente nos bairros rurais, é essencial), bebida e danças típicas de cada localidade.

 

No Nordeste, por exemplo, essa festa é tão tradicional que no dia 23 de junho, depois do meio-dia, em algumas localidades ninguém mais trabalha. Enfeitam-se sítios, fazendas e ruas com bandeirolas coloridas para a grande festa da véspera de São João. Prepara-se a lenha para a grande fogueira, onde serão assados batata-doce, mandioca, cebola do reino e milho. Em torno dela sentam-se os familiares de sangue e de fogueira.

 

O formato da fogueira varia de lugar para lugar, o formato está ligado ao santo homenageado: quadrada para Santo Antonio, cônica para São João, piramidal Para São Pedro. Quanto mais alta, maior é o prestígio de quem a armou. A madeira utilizada também varia bastante: pinho, peroba, maçaranduba, piúva. Não se queimam cedro, imbaúba nem as ramas da videira, por terem uma relação estreita com a passagem de Jesus na terra.

 

Os balões levam, segundo os devotos, os pedidos para o santo. Quando a fogueira começa a queimar, o mastro, que recebeu a bandeira do santo homenageado, já se encontra preparado. Ele é levantado enquanto se fazem preces, pedidos e simpatias:

 

Depois do levantamento do mastro, tem início a queima de fogos, soltam-se os busca-pés e as bombinhas. A arvorezinha, também chamada de mastro, que é plantada em frente às casas e, no lugar da festa, é plantada perto da fogueira, está enfeitada com laranja, milho verde, coco, presentes, garrafas, etc.

 

As danças regionais, o som de violas, rabecas e sanfonas, o banho do santo, o ato de pular a fogueira, a fartura de alimentos e bebidas - tudo isso transforma a festa de São João numa noite de encantamento que inspira amores e indica a sorte de seus participantes. No fim da festa, todos pisam as brasas da fogueira para demonstrar sua devoção.

 

Casamento caipira

 

Geralmente os personagens presentes à "cerimônia de casamento" são padre, coroinha, noiva, noivo, delegado, ajudantes do delegado, pais da noiva e padrinhos, numa capela. Os convidados estão posicionados em duas fileiras, deixando o centro para a noiva. O padre anuncia a chegada da noiva, que entra com o pai e vai até o altar, onde estão o padre, devidamente paramentado, seu coroinha e os padrinhos e pais dos noivos, tudo dentro do espírito, com sotaque bem interiorano, roupas que lembram os trabalhadores das fazendas.

 

Quadrilha

 

A quadrilha foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez bastante sucesso nos salões brasileiros do século XIX, principalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto do povo, que modificou suas evoluções básicas e introduziu outras, alterando inclusive a música.


A sanfona, o triângulo e a zabumba são os instrumentos musicais que em geral acompanham a quadrilha. Também são comuns a viola e o violão. Nossos compositores deram um colorido brasileiro à sua música e hoje uma das canções preferidas para dançar a quadrilha é "Festa na roça".

A quadrilha é mais comum no Brasil sertanejo e caipira, mas também é dançada em outras regiões de maneira muito própria, caso de Belém do Pará, onde há mistura com outras danças regionais.

 

Passos mais comuns


Anavantur (en avant, tout - todos à frente, em francês) - neste passo, os pares se dirigem ao centro, de mãos dadas, para formarem uma fila;

§  Anarriê (en arrière - para trás) - todos devem voltar a seus lugares;

§  Cumprimento às damas - os homens caminham dançando até as damas, e ajoelham-se à frente destas beijando-lhes as mãos. Após o cumprimento é dado o grito de anarriê, para que os cavalheiros voltem a seus lugares;

§  Cumprimento aos cavalheiros - da mesma forma que os homens, agora as mulheres caminham até os cavalheiros e os cumprimentam, levantando levemente a barra da saia;

§  Grande roda - as duas filas se juntam formando um círculo;

§  Caminho da roça - já no círculo, as pessoas devem se virar para o mesmo lado e seguir umas atrás das outras;

§  Olha a chuva! - durante o caminho da roça, os casais dão meia volta. Também podem ser dados gritos de "olha a cobra", "olha o Bush (ou qualquer fato que seja atual)", etc;

§  Já passou! - novamente os casais fazem meia volta, sempre gritando: ÊÊÊÊ!!!!!. Pode ser dado também o grito de "é mentira!";

§  Caracol - os primeiros da fila, no caso os noivos, devem começar a enrolar a fileira, seguidos por todos os outros casais, como se esta fosse um caracol, desfazendo-o depois;

§  Grande roda - os casais voltam a girar de mãos dadas;

§  Desfazer grande roda - os casais devem continuar rodando até chegarem aos seus lugares;

 

Túnel - os casais, que devem estar novamente posicionados frente a frente, após o avantur, seguram a mão da pessoa que está a sua frente, erguendo os braços. O casal da frente, que são os noivos, deve abaixar-se e passar por dentro do túnel. Enquanto isso, os demais casais movimentam-se para a frente. O túnel terminará quando todos os casais o atravessarem e os noivos estiverem novamente encabeçando a fila.

 

Lendas

 

O surgimento da fogueira de São João

 

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.

 

Nossa Senhora então perguntou:

 

ü  Como poderei saber do nascimento dessa criança?

ü  Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

 

Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho.

 

A lenda das bombas de São João

 

Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai.

 

A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.

 

Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte dos festejos juninos. [http://www.portoweb.com.br/especiaispw/junino/origem.htm (obtido em 22/06/2006)]