Sexta-feira, 23 de abril de 2010

Terceira Semana da Páscoa, 2ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral, dia Mundial do Escoteiro e dia Nacional do Choro

 

Santos: Jorge (mártir), Felix (mártir), Fortunato (mártir), Aquiles (mártir), Ibar (bispo), Gerardo de Toul (bispo), Adalberto de Praga (bispo e mártir), Egídio de Assis (beato, confessor franciscano da 1ª ordem), Helena de Udine (viúva e beata), Nossa Senhora da Penha

 

Antífona: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra, aleluia! (Ap 5, 12)

 

Oração: Ó Deus todo-poderoso, concedei que, conhecendo a ressurreição do Senhor e a graça que ela nos trouxe, ressuscitemos para uma vida nova pelo amor do vosso Espírito. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 9, 1-20   

O diálogo e o envio em missão

 

Naqueles dias, 1Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao sumo sacerdote 2e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho.

 

3Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. 4Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" 5Saulo perguntou: "Quem és tu, Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. 6Agora, levanta-te, entra na cidade e lá te será dito o que deves fazer".

 

7Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. 8Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então, pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. 9Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu. 10Em Damasco, havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: "Ananias!" E Ananias respondeu: "Aqui estou, Senhor!" 11O Senhor lhe disse: "Levanta-te, vai à rua que se chama Direita e procura, na casa de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está rezando".

 

12E, numa visão, Saulo contemplou um homem chamado Ananias, entrando e impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista. 13Ananias respondeu: "Senhor, já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus fiéis que estão em Jerusalém. 14E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, recebidos dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome". 15Mas o Senhor disse a Ananias: 'Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. 16Eu vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por minha causa".

 

17Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: "Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas no caminho, ele me mandou aqui para que tu recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo". 18lmediatamente caíram dos olhos de Saulo como que escamas e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. 19Tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco 20e logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Esse homem é o instrumento que escolhi

 

Narrando a conversão de Saulo, Lucas quer descrever-lhe a vocação apostólica, mais que a conversão pessoal. De fato, devia ele explicar a seus leitores como Paulo era verdadeiramente apóstolo conquanto não pertencesse ao colégio dos Doze, nem tivesse conhecido Jesus. O relato de Lucas prova que Paulo viu o Ressuscitado, como os Doze, e que o Senhor o enviou a pregar; como aos Doze. O chamado de Cristo deve, porém, ser ratificado pela Igreja. Cristo manda Paulo à Igreja, por Ananias, que o batiza e lhe "abre os olhos".

 

Por outro lado, a experiência pessoal do Ressuscitado influiu na missão e no conteúdo da mensagem de Paulo. Esta não é uma doutrina humana, mas revelação de Deus. Cristo vive nos cristãos. O Deus que se revelou em Jesus é o Deus dos pais. Há, por isso, unidade na ação de Deus e continuidade na história da salvação. A ressurreição é a prova do valor salvífica da cruz. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 116 (117), 1. 2 (R/. Mc 16, 15)
Ide por todo o mundo, a todos pregai o evangelho

 

Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

 

Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

 

Evangelho: Jo 6, 52-59

A minha carne é verdadeira comida

 

Naquele tempo, 52os judeus discutiam entre si, dizendo: "Como é que ele pode dar a sua carne a comer?" 53Então Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida.

 

56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre". 59Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

O pão do céu

 

O ensinamento de Jesus quanto a comer sua carne e beber seu sangue foi de difícil entendimento, tanto para seus discípulos quanto para seus adversários. O perigo principal consistiu em tomar as suas palavras em sentido puramente material, numa evidente deturpação do seu real significado.


Acostumadas a celebrar a Eucaristia, as comunidades cristãs interpretavam as palavras do Mestre num contexto de fé, entendendo-as no sentido espiritual de comunhão com Jesus, simbolizado no pão e no vinho consagrados.


Os verbos comer e beber apontam para a experiência de assimilação de Jesus - sua pessoa e seu projeto de vida - por parte dos discípulos. Assim como o alimento e a bebida, ao serem ingeridos, passam a fazer parte do corpo físico de quem os consumiu, o mesmo deve acontecer com quem adere a Jesus. Toda a existência do discípulo tende a ficar permeada pelo Senhor, com o qual entrou em comunhão.


Os vocábulos carne e sangue indicam a totalidade do ser humano. Receber o corpo e o sangue do Senhor significa entrar em comunhão com tudo quanto ele é - sua humanidade e sua divindade - de forma que todo o ser do discípulo se deixe tomar por ele.

 

É assim que o discípulo se alimenta em sua caminhada de encontro com o Pai. E assim alimentado, jamais desfalecerá pelo caminho. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

 

São Jorge

 

 

A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.


Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.


A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.


Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.


De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.


São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente. [www.paulinas.org.br]

 

Para sua reflexão: Não é de estranhar que o ensinamento de Jesus tenha escandalizado aqueles que caem no conhecimento equívoco de entender materialmente as palavras. Ora, no antigo testamento “comer a carne” assim como “beber o sangue” significava hostilidade destrutiva, canibalismo. À objeção e mal-entendido responde Jesus afirmando a necessidade da eucaristia para conseguir a vida eterna. Jesus se entrega como alimento dessa vida participada do Pai, que agora ele comunica aos fiéis.

 

Livros não são humanos, mas permanecem vivos. (Stephen Vicent Benét)