Sexta-feira, 22 de abril 2011

Paixão do Senhor, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Vermelha

 

 

Hoje: Dia do Descobrimento do Brasil (510º ano), dia Internacional da Terra, dia da Comunidade Luso-Brasileira e dia da Aviação de Caça.

 

Santos: Sotero (papa, mártir), Caio (papa, mártir), Epipódio (mártir), Alexandre (mártir), Leônidas (mártir), Agapito I (papa), Teodoro de Sicélia (bispo), Oportuna (virgem e abadessa), Volfelmo (beato, abade), Francisco de Fabriano (beato, confessor franciscano da 1ª ordem), Bartolomeu de Cervere (beato, mártir), Miles

 

Oração: Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim, como trouxemos pela natureza a imagem do homem terreno, possamos trazer pela graça a imagem do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor.  

 

Contemplando e adorando o Crucificado, elevamos nossa oração por todas as pessoas com quem o sangue de Cristo nos fez irmãos, os sofredores que prolongam, hoje, o mistério de sua cruz. Comungando do seu corpo, recebemos força para viver da esperança e da vitória que nasce da cruz. Hoje já é Páscoa: Cristo, que morre na cruz, passa deste mundo ao Pai; do seu lado brota para nós a vida divina; passamos do pecado para a vida nova da ressurreição. É a Páscoa da cruz.

 

 

 

I Leitura: Isaias (Is 52, 13-53,12)

Ele foi ferido por causa de nossos pecados

 

13Ei-lo, o meu servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. 14Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo - tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano -, 15do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram. 53,1Quem de nós deu crédito ao que ouvimos? E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor? 2Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca. Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. 3Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.

 

4A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! 5Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura. 6Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós. 7Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca. 8Foi atormentado pela angústia e foi condenado. Quem se preocuparia com sua história de origem? Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer. 9Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal, nem se encontrou falsidade em suas palavras. 10O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.

 

11Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. 12Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores. Palavra do Senhor.

 

 

Na celebração da Paixão do Senhor cantamos a confiança do Servo Sofredor, que se entregou, sem reservas, nas mãos d´Aquele que o pode livrar “do poder do inimigo e do opressor” e aguarda com ânimo forte e resistente a sua salvação. Abandonando-nos com Cristo nas mãos de Pai, cantamos a esperança da vitória de seus fiéis seguidores, os “crucificados” de nossos dias.

Comentando a I Leitura

A missão do Servo sofredor

Vários textos do Segundo Testamento interpretam a paixão e a morte de Jesus à luz da profecia do Segundo Isaías. Especialmente com base nos quatro cânticos do Servo sofredor, percebe-se íntima ligação com o sofrimento de Jesus. Supõe-se até que Jesus tenha alicerçado sua missão sobre a teologia do Servo sofredor.

 

O texto para a meditação desta sexta-feira santa refere-se ao quarto cântico. O Segundo Isaías (cap. 40-55) é um movimento profético atuante no meio dos exilados na Babilônia em meados do século VI a.C. Busca incutir ânimo e esperança ao povo que está longe de sua terra, em situação de dor e desolação. É esse povo o “Servo sofredor”: desprezado, aviltado em sua dignidade humana, maltratado, sem beleza e sem importância; condenado injustamente como malfeitor e totalmente desprotegido, sem condições de defesa.

 

No entanto, esse povo desprezível e maltratado descobre-se como eleito por Deus para uma missão de solidariedade e expiação. Sobre si carrega as dores e enfermidades do mundo, os crimes e iniquidades da humanidade. Esse “Servo sofredor”, visto como um humilhado e castigado por Deus, pelo seu aniquilamento, proporcionou a cura de todos. Deus fez cair sobre seu Servo amado todas as faltas da humanidade. Por ele, os povos recebem o perdão e a paz.

 

É fácil perceber por que as comunidades cristãs primitivas aplicaram a Jesus a descrição do “Servo sofredor” do Segundo Isaías. Ele se fez Servo de todos e ofereceu sua vida em sacrifício expiatório. Pela sua morte, resgatou a vida de toda a humanidade. O justo condenado injustamente garantiu a nossa justificação. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]

 

 

Salmo: 30(31), 2 e 6.12-13.15-16.17 e 25 (+ Lc 23,46)

Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito

 

2Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente! 6Em vossas mãos, Senhor, entrego meu espírito, porque me salvareis, Deus fiel!

 

12Tornei-me o opróbrio do inimigo, o desprezo e zombaria dos vizinhos, e objeto de pavor para os amigos; fogem de mim os que me vêem pela rua. 13Os corações me esqueceram como um morto, e tornei-me como um vaso espedaçado.

 

15A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! 16Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!

 

17Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão. 25Fortalecei os corações, tende coragem, todos vós que ao Senhor vos confiais!

 

 

II Leitura: Carta aos Hebreus (Hb 4, 14-16; 5, 7-9)

Ele tornou-se causa de salvação

 

Irmãos, 14temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. 15Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. 16Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno. 5,7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus, por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a II Leitura

Jesus é o único mediador entre a humanidade e Deus

Um dos objetivos da carta aos Hebreus é fortalecer a fé e o amor das comunidades cristãs. Para tanto, apresenta Jesus Cristo como único mediador entre a humanidade e Deus, superando todas as demais mediações, como a Lei e o Templo. Exorta a “manter-se firme na fé que professamos”, deixando transparecer que membros da comunidade cristã estavam “voltando atrás”, retomando concepções e práticas antigas.

 

Jesus é apresentado como o único sumo sacerdote e, portanto, já não há necessidade de outros sacerdócios. O sumo sacerdote do Templo entrava no Santo dos Santos, uma vez por ano, a fim de oferecer um sacrifício a Deus. Jesus, pela sua entrega sacrifical, derrubou todas as barreiras que dificultavam o acesso a Deus. Agora, por meio de Jesus, o sumo e eterno sacerdote, todo lugar e todo tempo são propícios para a comunhão com Deus.

 

O texto salienta a missão terrena de Jesus, sua encarnação, suas súplicas ao Pai em meio a terrível sofrimento, na confiança de que ele podia livrá-lo da morte. Foi obediente até o fim, e Deus o escutou. Jesus “atravessou os céus”, o verdadeiro Santo dos Santos; ofereceu o sacrifício definitivo para a expiação dos nossos pecados. Porque participou humildemente de nossa humanidade e de nossas fraquezas, é capaz de compaixão. Atravessou o céu sem afastar-se da realidade humana. Seu trono não é para juízo e condenação. Podemos nos aproximar dele, fonte de graça e de misericórdia, com toda a confiança, sem nenhum receio. O acesso a Deus está permanentemente aberto, e podemos contar com sua acolhida amorosa. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]

 

 

Evangelho: João (Jo 18, 1—19,42)

Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo

 

Prenderam Jesus e o amarraram

Naquele tempo, 1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. 2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. 3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. 4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: A quem procurais? 5Responderam: A Jesus, o nazareno. Ele disse: Sou eu. Judas, o traidor, estava junto com eles. 6Quando Jesus disse "sou eu", eles recuaram e caíram por terra. 7De novo lhes perguntou: A quem procurais? Eles responderam: A Jesus, o nazareno. 8Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem. 9Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: "Não perdi nenhum daqueles que me confiaste". 10Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. 11Então Jesus disse a Pedro: Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?"

 

Conduziram Jesus Primeiro a Anás

12Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. 13Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. 14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: "É preferível que um só morra pelo povo". 15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote.

 

16Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17A criada que guardava a porta disse a Pedro: Não pertences também tu aos discípulos desse homem? Ele respondeu: Não. 18Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. 19Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. 20Jesus lhe respondeu: Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse. 22Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? 23Respondeu-lhe Jesus: Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates? 24Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.

 

Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: "Não!"

25Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: Não és tu, também, um dos discípulos dele? Pedro negou: Não! 26Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: Será que não te vi no jardim com ele? 27Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.

 

O meu reino não é deste mundo

28De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. 29Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: Que acusação apresentais contra este homem? 30Eles responderam: Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti! 31Pilatos disse: Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei. Os judeus lhe responderam: Nós não podemos condenar ninguém à morte. 32Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. 33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: Tu és o rei dos judeus?

 

34Jesus respondeu: Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim? 35Pilatos falou: Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? 36Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui. 37Pilatos disse a Jesus: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz. 38Pilatos disse a Jesus: O que é a verdade? Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus e disse-lhes: Eu não encontro nenhuma culpa nele. 39Mas existe entre vós um costume, que pela páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos judeus? 40Então, começaram a gritar de novo: Este não, mas Barrabás! Barrabás era um bandido.

 

Viva o rei dos judeus!

19,1Então Pilatos mandou flagelar Jesus. 2Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, 3aproximavam-se dele e diziam: Viva o rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. 4Pilatos saiu de novo e disse aos judeus: Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum. 5Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: Eis o homem! 6Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: Crucifica-o! Crucifica-o! Pilatos respondeu: Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum. 7Os judeus responderam: Nós temos uma lei, e, segundo esta lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus. 8Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. 9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: De onde és tu? Jesus ficou calado. 10Então Pilatos disse: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? 11Jesus respondeu: Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.

 

Fora! Fora! Crucifica-o!

12Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César. 13Ouvindo estas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado "Pavimento", em hebraico "Gábata". 14Era o dia da preparação da páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! 15Eles, porém, gritavam: Fora! Fora! Crucifica-o! Pilatos disse: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César. 16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

 

Ali o crucificaram , com outros dois

17Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado "Calvário", em hebraico "Gólgota". 18Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. 19Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: "Jesus, o nazareno, o rei dos judeus". 20Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas "o rei dos judeus", mas sim o que ele disse: "Eu sou o rei dos judeus". 22Pilatos respondeu: O que escrevi, está escrito.

 

Repartiram entre si as minhas vestes

23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. 24Disseram então entre si: Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será. Assim se cumpria a escritura que diz: "Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica". Assim procederam os soldados.

 

Este é o teu filho. Esta é a tua mãe

25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: Mulher, este é o teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Esta é a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

 

Tudo está consumado

28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a escritura se cumprisse até o fim, disse: Tenho sede. 29Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30Ele tomou o vinagre e disse: Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. (Na celebração todos se ajoelham um por um instante)

 

E logo saiu sangue e água

31Era o dia da preparação para a páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36Isso aconteceu para que se cumprisse a escritura, que diz: "Não quebrarão nenhum dos seus ossos". 37E outra escritura ainda diz: "Olharão para aquele que transpassaram".

 

Envolveram o corpo de Jesus com aromas, em faixas de linho

38Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus - pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. 39Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. 41No lugar onde Jesus, foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 42Por causa da preparação da páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

A paixão e a morte de Jesus

Após a oração sacerdotal de Jesus (Jo 17), o Evangelho de João faz a narrativa da sua paixão e morte. A oração consiste num insistente pedido ao Pai para que os discípulos sejam guardados de todo mal e o amor de Deus permaneça com eles. Jesus tem consciência de sua partida. A morte é consequência de sua fidelidade ao projeto de amor do Pai. Por essa fidelidade, Jesus entrega sua vida de forma consciente: “Ninguém tira a minha vida. Eu a dou livremente” (10,18).

 

Em um jardim se desencadeia o processo da paixão de Jesus. Também num jardim ele será crucificado e sepultado. O jardim é lugar simbólico. Lembra o paraíso terrestre. Lugar de beleza e fecundidade. O jardim do Gênesis foi profanado pelo orgulho humano: tornou-se espaço de divisão e morte. O jardim da morte de Jesus, porém, é o espaço do resgate definitivo da vida.

 

Jesus costumava reunir-se com seus discípulos no jardim, fora do lugar social das instituições de poder, com as quais, gradativamente, ele vai rompendo. Os discípulos demonstram dificuldade em entender a postura de Jesus. Judas, por exemplo, não consegue desvencilhar-se da ideologia dominante. Faz um acordo com os líderes religiosos de Jerusalém e entrega Jesus. Um batalhão de guardas armados é mobilizado para prendê-lo, sinal de que era realmente considerado um indivíduo perigoso para o sistema oficial de poder.

 

Procuram Jesus à noite. As trevas, no Evangelho de João, têm um significado especial: em oposição à luz, simbolizam o mal. A ação que está sendo executada é sinal da maldade do “mundo” (instituições que excluem e matam). Jesus, “consciente de tudo o que lhe acontecia”, apresenta-se com o título divino “Eu sou”, identificando-se com o Deus do Êxodo (Ex 3,14). Esse título, paradoxalmente, está ligado com a origem humilde de Jesus: Nazaré da Galileia. O nazareno é Deus. Não é por nada que os guardas caem por terra.

 

Também Pedro revela muita dificuldade em entender a proposta de Jesus. Sua mentalidade ainda se baseia na ideologia triunfalista. Jesus, porém, vai por outro caminho: a vitória da vida não se dá pelo confronto e pela violência, mas pela obediência ao amor a Deus e ao próximo, também aos inimigos. Foi realmente difícil para Pedro. Decepciona-se com Jesus e vai negá-lo. Mas não deixará de reconhecer profundamente sua falta e tornar-se um discípulo exemplar.

 

Tanto a instância religiosa, representada por Anás e Caifás, como a instância política do império romano, representada por Pilatos, não encontram motivos para a condenação de Jesus. Esta será efetivada por interesse e conveniência dos chefes. Não foi Deus que quis a morte de seu Filho. Ela foi consequência da opção de Jesus pela verdade e pela justiça, conforme se constata no seu testemunho diante de Pilatos.

 

O caminho da “via sacra” até a morte de cruz é a síntese de todo o sofrimento humano assumido por Jesus como gesto de extrema solidariedade. Ele se fez maldito (quem morre suspenso no madeiro é maldito de Deus: Dt 21,23) e foi crucificado entre dois malditos. Todos os crucificados e malditos deste mundo estão contemplados na morte de Jesus. Todos são redimidos no seu amor.

 

A cruz, para os cristãos, torna-se o caminho de seguimento de Jesus. Significa empenhar-se por um mundo de paz e justiça; renunciar ao poder em todas as suas dimensões; denunciar situações que geram exclusão e morte; assumir a causa dos pequeninos; doar-se cotidianamente pela causa da vida em plenitude, sem exclusão. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]

 

 

 

Cristo, Verdadeiro Cordeiro Pascal

 

A leitura da Paixão segundo João Constitui o modo privilegiado de acesso ao mistério pascal, que neste dia revivemos, sobretudo como morte do Senhor.

 

Jesus morre no momento em que, no templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da páscoa (19,31); a sua imolação é uma imolação "real", um sacrifício realizado uma vez por todas, porque a vitima espiritual" tornou inúteis as vítimas materiais. Outros pormenores completam o quadro: a Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do seu lado traspassado jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o "verdadeiro Cordeiro pascal": ele é a "nossa Páscoa" imolada (cf 1 Cor 5,7). "Verdadeiro ,porque e a realidade daquilo que os sacrifícios antigos exprimiam: a salvação recebida e esperada, a aliança com Deus e a inserção em seu desígnio. Esta descrição não é uma novidade; os profetas, e especialmente o Segundo Isaias (2~ leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em  que  realiza sua missão  de  libertar  o  povo dos pecados e de torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação "para todos".

 

A leitura da Paixão segundo João Constitui o modo privilegiado de acesso ao mistério pascal, que neste dia revivemos, sobretudo como morte do Senhor.

 

Jesus morre no momento em que, no templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da páscoa (19,31); a sua imolação é uma imolação "real", um sacrifício realizado uma vez por todas, porque a vitima espiritual" tornou inúteis as vítimas materiais. Outros pormenores completam o quadro: a Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do seu lado traspassado jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o "verdadeiro Cordeiro pascal": ele é a "nossa Páscoa" imolada (cf 1 Cor 5,7). "Verdadeiro ,porque e a realidade daquilo que os sacrifícios antigos exprimiam: a salvação recebida e esperada, a aliança com Deus e a inserção em seu desígnio. Esta descrição não é uma novidade; os profetas, e especialmente o Segundo Isaias (2~ leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza sua missão de libertar o povo dos pecados e de torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação "para todos".

 

O dramático diálogo com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, neste momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide sua morte e o condena.

 

Não seria completa a compreensão do mistério de Jesus se não contemplássemos também, como o Apocalipse de João, o Cordeiro glorioso, que está diante de Deus com os sinais das suas chagas, dominador do mundo e da história (Ap 5,6ss); o Cordeiro que se imolou por amor da Igreja e para o qual a Igreja tende, cheia de amor. Na cruz se iniciaram as núpcias do Cordeiro, que terão sua realização plena na festa do céu (cf Ap 19,7-9).

 

Celebração Da Paixão Do Senhor

 

Neste dia, "em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado" (1 Cor 5,7), toma-se clara realidade o que desde há muito havia sido prenunciado em figura e mistério; a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava.

 

Com efeito, "a obra da Redenção dos homens e perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no povo da ANTIGA Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição de entre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério este pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte ,e ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja”.

 

Ao contemplar Cristo, seu Senhor e Esposo, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças por dom tão. [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]

 

Oração da Universal (Missal Dominical, Paulus, 1995)

 

Pela Santa Igreja

Oremos, irmãos e irmãs caríssimos, pela santa Igreja de Deus: que o Senhor nosso Deus lhe dê a paz e a unidade, que ele a proteja por toda a terra e nos conceda uma vida calma e tranquila, para sua própria glória.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, que em Cristo revelastes a vossa glória a todos os povos, velai sobre a obra do vosso amor. Que a vossa Igreja, espalhada por todo o mundo, permaneça inabalável na fé e proclame sempre o vosso nome. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pelo Papa

Oremos pelo nosso santo Padre, o Papa Bento XVI. O Senhor nosso Deus, que o escolheu para o Episcopado, o conserve são e salvo à frente da sua Igreja, governando o povo de Deus.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes todas as coisas com sabedoria, dignai-vos escutar nossos pedidos: protegei com amor o Pontífice que escolhestes, para que o povo cristão que governais por meio dele possa crescer em sua fé. Por Cristo nosso Senhor.

 

Por todas as ordens e categorias de fiéis

Oremos pelo nosso Bispo (nome do bispo local), por todos os bispos, presbíteros e diáconos da Igreja e por todo o povo fiel.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, que santificais e governais pelo vosso Espírito todo o corpo da Igreja, escutais as súplicas que vos dirigimos por todos os ministros do vosso povo. Fazei que cada um, pelo dom da vossa graça, vos sirva com fidelidade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pelos catecúmenos

Oremos pelos nossos catecúmenos: que o Senhor nosso Deus abra os seus corações e as portas da misericórdia, para que, tendo recebido nas águas do batismo o perdão de todos os seus pecados, sejam incorporados no Cristo Jesus.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, que por novos nascimentos tornais fecunda a vossa igreja, aumentai a fé e o entendimento dos nossos catecúmenos, para que, renascidos pelo batismo, sejamos contados entre os vossos filhos adotivos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pela unidade dos cristãos

Oremos por todos os nossos irmãos e irmãs que creem no Cristo, para que o Senhor nosso Deus se digne reunir e conservar na unidade da sua igreja todos os que vivem segundo a verdade.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, que reunis o que está disperso e conservais o que está unido, velai sobre o rebanho do vosso Filho. Que a integridade da fé e os laços da caridade unam os que foram consagrados por um só batismo. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pelos judeus

Oremos pelos judeus, aos quais o Senhor nosso Deus falou em primeiro lugar, a fim de que cresçam na fidelidade de sua aliança e no amor do seu nome.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, que fizestes vossas promessas a Abraão e seus descendentes, escutai as preces da vossa igreja. Que o povo da primitiva aliança mereça alcançar a plenitude da vossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pelos que não creem no Cristo.

Oremos pelos que não creem no Cristo, para que, iluminados pelo Espírito Santo, possam também ingressar no caminho da salvação.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, daí aos que não creem no Cristo e caminham sob o vosso olhar com sinceridade de coração, chegar ao conhecimento da verdade. E fazei que sejamos no mundo testemunhas mais fiéis da vossa caridade, amando-nos melhor uns aos outros e participando com maior solicitude do mistério da vossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pelos que não creem em Deus

Oremos pelos que não reconhecem a Deus, para que, buscando lealmente o que é reto, possam chegar ao Deus verdadeiro.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, vós criastes todos os seremos humanos e pusestes em seu coração o desejo de procurar-vos para que, tendo-vos encontrado, só em vós achassem repouso. Concedei que, entre as dificuldades deste mundo, discernindo os sinais da vossa bondade e vendo o testemunho das boas obras daqueles que creem em vós, tenham a alegria de proclamar que sois o único Deus verdadeiro e Pai de todos os seres humanos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Pelos poderes públicos

Oremos por todos os governantes: que o nosso Deus e Senhor, segundo sua vontade, lhes dirija o espírito e o coração para que todos possam gozar de verdadeira paz e liberdade.

Sacerdote: Deus =eterno e todo-poderoso, que tendes na mão o coração dos seres humanos e o direito dos povos, olhai com bondade aqueles que nos governam. Que por vossa graça se consolidem por toda a terra a segurança e a paz, a prosperidade da nações e a liberdade religiosa. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Por todos os que sofrem provações

Oremos, irmãos e irmãs, a Deus Pai todo-poderoso, para que livre o mundo de todo erro, expulse as doenças e afugente a fome, abra as prisões e liberte os cativos, vele pela segurança dos viajantes e transeuntes, repatrie os exilados, dê saúde aos doentes e a salvação aos que agonizam.

Sacerdote: Deus eterno e todo-poderoso, sois a consolação dos aflitos e a força dos que labutam. Cheguem até vós as preces dos que clamam em sua aflição, sejam quais forem os seus sofrimentos, parda que se alegrem em suas provações com o socorro da vossa misericórdia. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus todo-poderoso, que hoje nos renovastes pela ceia do vosso Filho, dai-nos ser eternamente saciados na ceia do seu reino. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração sobre o povo:

Que a vossa bênção, ó Deus, desça copiosa sobre o vosso povo, que acaba de celebrar a morte do vosso Filho, na esperança da sua ressurreição. Venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Adoração da Cruz

Jesus celebrou sua páscoa, “passando” através de uma morte dolorosa e humilhante, para chegar à ressurreição gloriosa, honrando sua cruz, adoramos e agradecemos a Jesus por seu amor.

 

A apresentação da cruz é feita em três momentos sucessivos, como percorrendo um breve caminho que, da porta da igreja se dirige para o altar, ou do lado de fora do presbitério se dirige para o centro do altar.

 

A cada parada o celebrante descobre uma parte da cru e canta:

 

Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.

 

Todos respondem:

 

Vinde, adoremos!

 

Todos se ajoelham em silenciosa adoração.

 

 

Para o dia de hoje

1.  Hora: a solene Ação Litúrgica celebra-se pelas 15 horas; porém, para a conveniência dos fiéis, pode ser celebrada desde o meio-dia; e também mais tarde, mas não depois das 21 horas.

2.  Prostração e silêncio: o presidente da celebração e os ministros dirigem-se ao altar em silêncio, sem canto. Feita a referência ao altar, o sacerdote e os ministros se prostram. Esse gesto expressa profundo respeito diante do mistério da morte de Jesus e a tristeza dolorosa da comunidade cristã. Enquanto o sacerdote e os ministros estão prostrados, os fiéis permanecem ajoelhados e oram em silêncio.

3.  A Cruz, coberta com véu vermelho, é levada processionalmente da sacristia pelo diácono, ladeado por dois acólitos, com velas acesas, para o altar; terminada a adoração da Cruz, esta é colocada no meio do altar, entre dois candelabros acesos.

4.  O Jejum: a sexta-feira santa é um dos dois dias durante o ano litúrgico em que a Igreja prescreve o jejum. O outro dia é a quarta-feira de cinzas. Trata-se de um sinal exterior da participação interior ao sacrifício de Cristo.

5.  Desnudação do Altar: ao encerrar a celebração da paixão do Senhor, faça-se a desnudação do altar, colocando-se porém a cruz em lugar adequado, de modo que os fiéis possam adorá-a.

6.  Narração da Paixão: a história da paixão segundo João é lida ou cantada por pessoas que fazem a parte do narrador, do povo e de Cristo (esta é reservada de preferência ao sacerdote). Eventualmente pode haver outro leitor que faça a parte de algum discípulo (por exemplo, Pedro ou mesmo de Pilatos).

7.  Mensagem de esperança: a equipe de liturgia tenha a preocupação de transmitir ao povo sofrido uma mensagem de esperança, de encorajamento, oferecendo-lhe perspectivas de ressurreição (vida nova).

8.  Hoje, por determinação da Santa Sé; Coleta para os Lugares Santos (com 10% para a Catholica Unio), a ser entregue integralmente na cúria diocesana.

9.  A Igreja concede uma Indulgência plenária aos que hoje participam piedosamente da veneração da Santa Cruz e beijam devotamente o Santo Lenho

 

 

O sentido da liturgia de hoje

 

O rito da apresentação e adoração da cruz vem como conseqüência lógica da proclamação da paixão de Cristo. A Igreja ergue diante dos fiéis o sinal do triunfo do Senhor, que havia dito: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8, 28)

 

Enquanto apresenta a cruz, o celebrante canta por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembléia, cada vez, responde: “Vinde, adoremos!”. Durante a procissão da adoração, entoam-se cânticos apropriados.

 

Comunhão

 

Embora não haja celebração eucarística, os fiéis podem comungar das hóstias consagradas na missa da quinta-feira santa. Mesmo que seja feita fora da missa, a comunhão é intima união com Cristo que se oferece por nós em sacrifício ao Pai. Durante a comunhão, pode-se escolher um cântico apropriado à circunstância.

 

 

Sugestões para a celebração

 

Fonte: Vida Pastoral nº 253, Paulus

·        O clima de silêncio e o ambiente despojado expressam a dor e o luto da comunidade: o altar fica sem toalhas, sem flores e sem candelabros; a cor das vestes é vermelha, sinal do martírio, do sangue derramado na cruz. Onde for possível, colocar no ambiente da celebração fotos e cartazes de nossos mártires da América Latina. Com Jesus, eles entregaram a vida pela VIDA.

 

·        Seguindo antiguíssima tradição, não se celebra hoje a eucaristia. Comungam-se as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa.

 

·        A celebração é organizada em quatro momentos: liturgia da Palavra, oração universal, adoração da cruz e comunhão.

 

·        O primeiro momento é marcado pelo silêncio. O animador (ou animadora) convida toda a comunidade presente a ficar em profundo silêncio, de joelhos, e, onde for possível, prostrar-se. Quem preside se prostra no chão, em sinal de humildade. Um refrão meditativo pode acompanhar este momento: “Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós”. (Depois todos se levantam para a oração da coleta.)

 

·        Segue-se a proclamação das leituras.

 

·        Cuidar para que sobretudo a 1ª leitura seja proclamada, respeitando seu estilo poético.

 

·        O salmo responsorial pode ser cantado com a melodia sugerida pelo Hinário Lit. 2, p. 28: “Eu me entrego, Senhor, em tuas mãos”.

 

·        A melodia da aclamação também se encontra no mesmo Hinário 2, na p. 189: “Salve, ó Cristo obediente”.

 

·        A leitura da Paixão pode ser feita por vários leitores, conforme o costume. Pode também ser repartida em trechos intercalados com um refrão e invocação do povo, no estilo das estações da via-sacra. Pode ainda ser cantada na versão sugerida pelo Hinário 2, CNBB, pp. 113-118.

 

·        A oração universal é o grande momento de solidariedade com todo o povo de Deus, nascido do gesto de amor do Cristo na cruz. Como Jesus, que, “no fim de sua vida terrena, fez orações e súplicas a Deus” (Hb 5,7), a comunidade reza pelas grandes necessidades da Igreja e da humanidade.

 

·        É importante manter a estrutura da oração: alguém apresenta a intenção da oração, segue-se um momento de silêncio, podendo haver, depois disso, um refrão cantado por todos (exemplo: “Senhor, tende piedade de nós!” ou outro), e conclui com a oração de quem preside.

 

·        O terceiro momento é a adoração da cruz. Uma boa sugestão é fazer primeiro a entrada solene da cruz e, diante dela, fazer a oração universal.

 

·        A assembléia se volta para a cruz já descoberta e erguida no centro da igreja, e pessoas do meio da assembléia anunciam em voz alta a intenção de cada oração.

·        Seria oportuno fazer, diante da cruz, um momento profundo de confissão e pedido de perdão pelos grandes pecados cometidos contra a vida e a falta de valorização das pessoas com deficiência.

·        O exercício da via-sacra, comum neste dia nas comunidades, poderia ganhar essa conotação (ligada à CF) de pedido de perdão. Cada comunidade encontre o modo e o melhor momento para fazê-lo.

 

·        Segue-se o rito da comunhão. O ministro estende uma toalha sobre o altar, no qual é colocado o pão eucarístico. Convida-se para a oração do pai-nosso, seguindo-se os dizeres: “Felizes os convidados...”.

 

·        Depois da oração sobre o povo, todos se retiram em silêncio.

 

Via Sacra
 

Os peregrinos de Jerusalém percorriam com emoção os caminhos seguidos pelo Senhor na sua paixão. Há alguns séculos o povo cristão o percorre espiritualmente, seguindo uma grande cruz e venerando catorze estações.

 

Faz-se uma breve meditação das dores de Jesus em cada estação, mas não é determinada nenhuma oração particular e tampouco um título para cada estação. Mais do que a crônica dos acontecimentos, contemplamos o mistério de amor e doação de Jesus e de sua Mãe, e procuramos participar intimamente de seu sacrifício espiritual.

 

Cristo crucificado é, de fato, a revelação de Deus, Pai que ama os homens, e manifesta a sua força na fraqueza e na falência dos empreendimentos humanos. E é também a revelação do homem; só é homem verdadeiramente quem dá a vida pelos outros e por Deus. A vida se realiza no amor. A meditação sobre a paixão e morte de Jesus deve ter uma única conclusão: fazer na vida de cada dia aquilo que ele fez. É a conclusão de são João: "Cristo deu a vida por nós; portanto, nós devemos dar também a nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3,16).

 

É aconselhável a quem não puder participar da celebração da Paixão do Senhor, uma leitura da paixão segundo João (pp. 307ss) ou de uma das outras narrativas da paixão (pp. 261ss.), intercalada por oração silenciosa, cânticos e aclamações: "Piedade, Senhor"; "Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós"; "Povo meu"; "Nós vos adoramos e bendizemos, ó Cristo", ou outros cânticos apropriados. Pode-­se terminar com a oração dos fiéis e o pai-nosso.

 

 

A solene liturgia da Sexta-feira Santa é celebrada à tarde, pelas três horas, a não ser que por razões pastorais aconselhem horas mais tardias. Neste dia só é distribuída a Sant comunhão aos fiéis durante a solene ação litúrgica; aos doentes, que não podem tomar parte desta liturgia, pode-se levar a comunhão a qualquer hora do dia. Na Sexta-feira Santa “na paixão do Senhor” e, conforme a oportunidade, também no Sábado Santo até a Vigília Pascal, celebra-se o jejum pascal.