Sexta-feira, 21 de outubro de 2011

29ª Semana do Tempo Comum, Ano C (impar), 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica VERDE

 

 

Santos: Celina, Úrsula (séc. IV), Dásio, Hilarião (Sec. IV, Palestina), Agatão (séc. IV, deserto de Cétia), Dácio, Zótico, Caio, Valfrido (sév. VI), Marta, Saula.

 

Antífona: Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sobra das vossas asas abrigai-me. (Sl 16, 6.8)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Romanos (Rm 7, 18-25a)

Quem nos libertará deste corpo de morte?

 

Irmãos, 18estou ciente que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne. Pois eu tenho capacidade de querer o bem, mas não de realizá-lo. 19Com efeito, não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. 20Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim. 21Portanto, descubro em mim esta lei: Quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. 22Como homem interior ponho toda a minha satisfação na lei de Deus; 23mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros. 24Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? 25aGraças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Quem me libertará deste corpo de morte?

 

A experiência de Paulo é a de todo homem: a luta constante entre o bem e o mal. Conflito tanto mais trágico quanto mais interior; desejar sinceramente o bem, mas não encontrar em si força para realizá-lo, também na plena maturidade, pensando talvez ser absolutamente livre nas opções. Muitas vezes as tendências más, que estão dentro de nós terminam por levar a melhor e nos “tornam escravos da lei do pecado. Há, porém, uma saída. Paulo no-la indica: sair de nós mesmos, reconhecer nossa incapacidade, procurar noutra parte nossa segurança. Nossa liberdade – nossa vitória sobre o mal – vem-nos pela bondade de Deus em Cristo Senhor. É um grito de alegria e gratidão a Deus, que nos libertou da escravidão do pecado e nos fez “novas criaturas”, capazes de vencer o mal. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 118 (119), 66.68.76.77.93.94 (+68b)

Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

Dai-me bom senso, retidão, sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos!

 

Porque sois bom e realizais somente o bem, ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes.

 

Venha a mim o vosso amor e viverei, porque tenho em vossa lei o meu prazer!

 

Eu jamais esquecerei vossos preceitos, por meio deles conservais a minha vida.

 

Vinde salvar-me, ó Senhor, eu vos pertenço! Porque sempre procurei vossa vontade.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 12, 54-59)

Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?

Naquele tempo, 54Jesus dizia às multidões: "Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. 55Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. 56Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? 57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?

 

58Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. 59Eu te digo: daí tu não sairás, enquanto não pagares o último centavo". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 16, 2-3; 5, 25-26.

 

 

Comentário o Evangelho

A última chance

A parábola dos inimigos a caminho do tribunal quer mostrar aos discípulos a necessidade inadiável de aderir, sem restrições, ao Reino, e deixar-se transformar por ele, antes da chegada do Senhor.


O fato da vida, que serve como referencial para a parábola, funda-se no bom senso: é preferível reconciliar-se antes de comparecer diante do juiz, para evitar ser submetido a pesados castigos. Por outro lado, a necessidade de reconciliação é mais forte entre os pobres. Resolver os problemas, sem a necessidade de processo judicial, é o caminho para se evitar a prisão ou outro tipo de condenação.


Jesus oferecia aos seus a última chance de conversão. Adiar tal decisão poderia resultar em consequências trágicas. Seria mais inteligente reconciliar-se, imediatamente, com Deus e com o próximo.


Jesus admirava-se da capacidade de discernimento das pessoas em relação às coisas do mundo, como também, da incapacidade de discernir quais atitudes deveriam tomar, em se tratando da salvação. Ou seja, a incapacidade de acolher sua palavra, seu convite a aderir ao Reino. Só um louco haveria de preferir ver-se diante do tribunal, correndo o risco de ser severamente punido. No entanto, os contemporâneos de Jesus acharam por bem virar-lhe as costas. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Preces da Assembleia (Liturgia Diária)

Para que a Igreja esteja sempre atenta aos sinais dos tempos, rezemos. Atendei, Senhor, a vossa prece.

Para que a justiça sempre favoreça os injustiçados, rezemos.

Para que busquemos compreender a realidade das pessoas antes de criticá-las, rezemos.

Para que saibamos perdoar a nós próprios e aceitar o perdão de Deus, rezemos.

Para que as novas tecnologias e descobertas científicas sejam usadas a favor da vida, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Dai-nos, ó Deus, usar os vossos dons servindo-vos com liberdade, para que, purificados pela vossa graça, sejamos renovados pelos mistérios que celebramos em vossa honra. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Filho do homem veio dar a sua vida para a salvação dos homens. (Mc 10, 45)

 

Oração Depois da Comunhão:

Dai-nos, ó Deus, colher os frutos da nossa participação na eucaristia para que, auxiliados pelos bens terrenos, possamos conhecer os valores eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: De fato, o momento da decisão está chegando e os sinais o anunciam. No correr do tempo uniforme há estações agrárias que o lavrador distingue. No decorrer do tempo histórico há ocasiões e conjunturas cheias de consequências. O mais importante é saber distingui-las. Os que sabem interrogar o aspecto da atmosfera para suas tarefas agrícolas não sabem interpretar a época da história para o destino transcendente. Sua conduta é uma farsa (significado de hypokrités). Enquanto Jesus está com eles, é tempo de possível reconciliação; quando chegar a hora do julgamento, será tarde demais. (Bíblia do Peregrino)

 

 

 

 

São Gaspar Del Búfalo, confessor

 

 

 

Gaspar ficou conhecido principalmente por seu poder de pacificador. Jovem sacerdote, esteve durante cinco anos preso porque se recusou a prestar juramento de fidelidade a Napoleão Bonaparte. Pregou missões populares no centro da Itália, obtendo excelentes resultados. Na época, na periferia de Roma o banditismo era tenebroso. Com sua mansidão e sua palavra, Gaspar conseguiu amansar mesmo os bandidos mais terríveis. Os pobres chamavam-no de 'anjo da paz'. Quando ele faleceu, um outro santo, são Vicente Palloti, teve uma visão de sua alma luminosa subindo ao encontro de Cristo. O papa Pio XII canonizou-o em 1954, mas o povo o considerou santo ainda em vida: sua morte atraiu um grande número de peregrinos. [www.paulinas.org.br]

 

Vida moral na sociedade

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - MG

 

A quantidade e complexidade de leis que regem a sociedade brasileira podem ser indicativas do desejo e procura da moralidade. Um valor que precisa e deve ser edificado no recôndito da consciência moral de cada pessoa.

 

A sociedade se sustenta também da vida moral de seus cidadãos. E as raízes dessa vida estão na subjetividade de cada pessoa. Esse núcleo recôndito da personalidade de cada um tem força determinante nos rumos da sociedade. Vale a lembrança, segundo narra o evangelista Mateus no capítulo 23, daquela advertência que Jesus Mestre faz aos seus discípulos referindo-se aos escribas e fariseus. Jesus disse: “Os escribas e fariseus sentaram-se no lugar de Moisés para ensinar. Portanto, tudo o que eles vos disserem fazei e observai, mas não imiteis suas ações. Pois eles falam e não praticam. Amarram fardos pesados e insuportáveis e os põem nos ombros dos outros, mas eles mesmos não querem movê-los, nem sequer com um dedo.”

 

Falar não basta. Legislar não é suficiente. É indispensável cultivar uma ilibada vida moral, não só em função de méritos pessoais, mas como contribuição decisiva e determinante nos rumos da sociedade. No mistério e na dignidade de toda pessoa humana está uma fonte indispensável para se alcançar equilíbrio na sociedade e na configuração de sua cultura, marcada pelo sentido de respeito à vida e a convicção sobre o que a cidadania exige de cada um.

 

A cidadania não é uma opção como a que se faz por um time esportivo, que se pode renunciar, trocar, nutrir revoltas ou localizar-se na indiferença. A cidadania depende visceralmente da condição moral de cada sujeito. Seu comprometimento é pela vida na sociedade. Ora, a pessoa não pode ser entendida de maneira redutiva, unicamente como uma individualidade, edificada por si mesma ou sobre si mesma. Também não pode ser entendida apenas como um papel funcional dentro de um sistema. Cada pessoa está integrada numa teia de relações. Estas relações não são uma simples e maquinal inserção no conjunto material, embora sejam luar de sua realização e da sua liberdade. Há, pois, uma característica de toda pessoa que é sua abertura à transcendência. Trata-se de uma abertura ao infinito e a todos os seres criados. É uma abertura a Deus e aos outros.

 

Associado a este entendimento está a dimensão única de cada pessoa. Esta singularidade remete ao seu núcleo constitutivo central, sua subjetividade, como centro de consciência e de liberdade. Esta singularidade pressupõe de todas as instituições um irrestrito respeito. E também um compromisso de ordem moral com a nucleação de princípios e valores que definem sua vida moral.

 

Cada pessoa pode configurar sua cidadania, nos balizamentos próprios de sua cultura e de seu contexto social e político, contribuindo com uma vida moral sustentadora da indispensável sociabilidade humana. Ao se compreender a pessoa como um ser social está se referindo à sua subjetividade relacional. Isso significa dizer que a consciência é iluminada pela compreensão que abarca a vivência de um ser livre e responsável, capaz de reconhecer e praticar a necessidade de integrar-se e colaborar com os próprios semelhantes. Isto é, tem uma vida moral que o capacita para a comunhão com os outros na ordem do conhecimento e do amor.

 

O Catecismo da Igreja Católica define esta sociedade como “um conjunto de pessoas ligadas de maneira orgânica por um princípio de unidade que ultrapassa cada uma delas. Assembleia ao mesmo tempo visível e espiritual, uma sociedade que perdura no tempo; ela recolhe o passado e prepara o futuro.”

 

A vida comunitária se torna, então, uma característica própria na formação da sociedade. O agir social não é uma arbitrariedade ou a simples satisfação impulsiva dos próprios desejos, gerando manipulações ou cegando para o sentido de respeito e apreço pela dignidade do outro. Chamada à vida social, a pessoa humana constitui a sua cidadania nos alicerces da sua vida moral. Comprometida, a vida moral consequentemente compromete a cidadania. São inevitáveis os prejuízos danosos para a sociedade. Sem investimento e cultivo da vida moral, a sociedade claudica.

 

É verdade que a sociabilidade humana indispensável para a construção de uma sociedade justa e solidária não desemboca, por si só, na comunhão das pessoas. Isto quando a vida moral está envenenada pela soberba, egoísmo, pelos fechamentos individualistas e a nefasta opressão do outro. A vida moral de cada cidadão dá à sociedade um rumo adequado, com mais justiça e solidariedade. [CNBB]

 

Entre as ruínas sempre poderá nascer uma flor. A felicidade cresce

e frutifica quando acreditamos no amor. (Pe. Roque Schneider)