Sexta-feira, 20 de maio de 2011

Quarta Semana  da Páscoa e 4ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

Santos: Bernardino de Sena (presbítero), Columba de Rieti (Beata, virgem),  Austregésilo (ou Austrilo, bispon de Bourges) , Baudélio (mártir), Astério e seus companheiros (mártir), Taleleu (mártir), Basila (ou Basilissa, virgem e mártir), Etelberto (mártir)

 

Antífona: Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap 5, 9-10)

 

Oração: Deus, a quem devemos a liberdade e a salvação, fazei que possamos viver por vossa graça e encontrar em vós a felicidade eterna, pois nos remistes com o sangue do vosso Filho. Que convosco vive e reina, na unidade dói Espírito Santo.

 

Leitura: Atos (At 13, 26-33)

Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei

 

Naqueles dias, tendo chegado a Antioquia da Pisídia, Paulo disse na sinagoga: 26"Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação. 27Os habitantes de Jerusalém e seus chefes não reconheceram a Jesus e, ao condená-lo, cumpriram as profecias que se lêem todos os sábados. 28Embora não encontrassem nenhum motivo para a sua condenação, pediram a Pilatos que fosse morto.  

 

29Depois de realizarem tudo o que a escritura diz a respeito de Jesus, eles o tiraram da cruz e o colocaram num túmulo. 30Mas Deus o ressuscitou dos mortos 31e, durante muitos dias, ele foi visto por aqueles que o acompanharam desde a Galiléia até Jerusalém. Agora eles são testemunhas de Jesus diante do povo. 32Por isso, nós vos anunciamos este evangelho: a promessa que Deus fez aos antepassados, 33ele a cumpriu para nós, seus filhos, quando ressuscitou Jesus, como está escrito no salmo segundo: 'Tu és o meu filho, eu hoje te gerei'". Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Deus cumpriu a promessa quando ressuscitou Jesus 

 

Se Cristo está no centro da história, a Páscoa é o coração do mistério nosso de Cristo. A ressurreição não é vista como um fato extraordinário, mas isolado; porém como o desaguar inesperado, mas previsto, de uma cadeia de acontecimentos (história da salvação!) cujo primeiro elo é a vocação e a promessa feita a Abraão, ou antes a criação do primeiro Adão, figura e tipo de Cristo. Este, segundo Adão, tornou-se Páscoa senhor e juiz do universo. Contudo, como a história passada é toda voltada para a ressurreição, a história atual e a futura provêm da Páscoa, de que são como a irradiação e a extensão. Na vida do cristão tudo é mistério pascal. A Páscoa adquire, assim, uma dimensão cósmica e torna-se o princípio formal para compreendermos todas as coisas. [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

Salmo: 2, 6-7.8-9.10-11 (+.7)
Tu és meu filho, e eu hoje te gerei! 

 

"Fui eu mesmo que escolhi este meu rei e em Sião, meu monte santo, o consagrei". O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: "Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei".

 

Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los, e quebrá-los como um vaso de argila.  

 

E agora, poderosos, entendei; soberanos, aprendei esta lição: Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória e prestai-lhe homenagem com respeito!

 

 

Evangelho: João (Jo 14, 1-6)

Eu sou o caminho, a verdade e a vida 

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1"Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho". 5Tomé disse a Jesus: "Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?" 6Jesus respondeu: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Vou preparar-vos um lugar


Embora convocasse os discípulos para se empenharem na prática do amor e da justiça, Jesus lhes descortinava, também, um horizonte para além dos limites da História. Ele lhes propunha uma meta a ser alcançada no fim da peregrinação terrena: a casa do Pai, com muitas moradas, espaço de acolhida para todos.


As palavras do Mestre visam estimular os discípulos a seguirem em frente, sem se deixarem abater pelas adversidades. Mas, seria injusto considerá-las como incentivo à passividade e à alienação. Elas só têm sentido para o discípulo que se lança à ação.


A meta da caminhada dos discípulos é a comunhão plena e eterna com o Pai. Comunhão esta preparada pela morte e ressurreição de Jesus que, desta forma, os precede e lhes promete ter para sempre consigo, na casa paterna.


O caminho para se chegar à casa do Pai é o próprio Jesus, que se definiu "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Jesus é o Caminho na medida em que é a Verdade pela qual a Vida é comunicada a quem o escolhe para chegar ao Pai. A casa do Pai é alcançada na medida em que o discípulo pauta seu agir pela Verdade proclamada por seu Mestre. E assim usufrui a Vida cuja plenitude encontra-se no término do Caminho, que é o mesmo Jesus. Importa apenas que o discípulo siga fielmente esse Caminho que é guia seguro para se chegar à casa do Pai. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

Senhor, que a força de vosso amor nos transforme. Nós vos pedimos. Ó Deus, escutai-nos!

Senhor, animai nossas Comunidades na esperança. Nós vos pedimos.

Senhor, que vos sirvamos nos irmãos necessitados. Nós vos pedimos.

Senhor, que nossas famílias vivam em paz. Nós vos pedimos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, com bondade, as oferendas da vossa família e concedei-nos, com o auxílio da vossa família e concedei-nos, com o auxílio da vossa proteção, sem perder o que nos destes, alcançarmos os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Cristo Senhor foi entregue por nossos pecados e resuscitou para nossa justificação, aleluia! (Rm 4, 25)

 

Oração Depois da Comunhão:

Guardai, ó Deus, no vosso constante amor, aqueles que salvastes, para que, redimidos pela paixão do vosso Filho, nos alegremos por sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Os discípulos chegarão um dia ao mesmo destino que Jesus, à casa do Pai. Entretanto, aqui na terra, terão de seguir o caminho assinado por ele; conhecem a direção, geral, mas o passo a passo terá de ser uma decisão pessoal de cada momento. Jesus é a presença do Pai como o cristão deve ser uma presença de Jesus. Aquele que acreditar em Jesus e segue seus passos, deixando-se guiar por seu amor, fará obras maiores que ele, sendo capaz de se sacrificar pelos irmãos e de ser fiel toda a sua vida. [Novo Testamento, Edição de Estudos, Editora Ave-Maria].

 

São Bernardino de Sena

 

 

 

Órfão de mãe aos três anos e de pai aos sete, foi criado por duas tias. Frequentou a universidade de Sena e, aos 22 anos ingressou na Ordem Franciscana. Ordenado sacerdote, São Bernardino percorreu toda a Itália, pregando o evangelho e propagando a devoção ao nome de Jesus, simbolizada pelas três letras iniciais do nome de Jesus: JHS (Jesus Salvador do Homens), hoje conhecidas pelos católicos do mundo inteiro. São Bernardino foi sem dúvida o pregador mais famoso na Itália do século XV, ao lado de São Vicente Ferrer e São João de Capistrano. O seu tempo foi marcado por calamidades que assolaram toda a Europa, causando morte e destruição. Em 1400, o próprio São Bernardino, que nessa ocasião tinha 20 anos, percorria com seus companheiros as ruas de Sena, cuidando das vítimas. Ao lado da peste, a guerra e a fome imprimiam um tom apocalíptico à situação, o que favorecia o misticismo e a meditação da paixão de Cristo. Dentro desse quadro, a contribuição de São Bernardino para uma espiritualidade cristã, centrada no amor pessoal a Cristo, foi enorme: Cristo é o centro de toda a vida cristã. Pregador popular, conseguia conversões prodigiosas de seus ouvintes. Obteve mais de 2000 vocações para a Ordem franciscana. Foi grande propagandista da devoção ao Santo Nome de Jesus e recusou três vezes a dignidade de bispo.

 

Uma Santa Nordestina

Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Teresina - PI

 

Quando se fala de santos, a tendência das pessoas é pensar naqueles que estão nos altares representados pelas imagens, ou que se encontram no céu, ou ainda num passado muito distante. De fato, inúmeros santos viveram há séculos ou há quase dois mil anos, porém muitos outros viveram em nosso tempo. Antes de serem imagens sacras ou de chegarem ao céu, foram pessoas que viveram na terra em meio aos desafios e alegrias da vida cotidiana, como nós. Assim aconteceu com a baiana Irmã Dulce, que será beatificada em Salvador, sua terra natal, no próximo dia 22 de maio. Sua beatificação é relevante para todo o Brasil, porém, enaltece especialmente a Bahia e todo o nosso querido Nordeste. Sua figura e atuação vão muito além da Igreja Católica sendo muito querida e admirada também por gente de outras denominações religiosas. Para a sua beatificação foi importante o reconhecimento de um milagre por sua intercessão, a recuperação de uma mulher sergipana que havia sido desenganada por médicos após sofrer hemorragia durante o parto. Contudo, a sua beatificação é acima de tudo o reconhecimento de uma vida santa que serve de exemplo para todos nós.

 

Falecida em 1992, já com fama de santidade, a Irmã Dulce, conhecida como o “anjo bom da Bahia”, chamava-se Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Ao tornar-se religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, passou a ser chamada Ir. Dulce.  Quando enferma, teve a graça de ser visitada pelo beato Papa João Paulo II, em 1991. Deixou-nos grandes lições de vida como a humildade, a caridade, o serviço, a solidariedade e a partilha, motivada pela fé em Cristo e animada por uma vida intensa de oração. Consagrou-se a Deus servindo aos que sofrem e testemunhando o valor da vida dos que não têm a própria dignidade e direitos reconhecidos. Dedicou-se, com admirável caridade, ao serviço dos pobres, dos desamparados e dos doentes, reconhecendo neles o rosto sofredor de Jesus. Confiando na divina Providência e contando com a solidariedade das pessoas, fundou diversas obras sociais e estabelecimentos, dentre os quais se destaca o renomado Hospital Santo Antonio, em Salvador, em cuja capela encontra-se sepultada. Louvamos a Deus pela nova beata declarada pela Igreja, Irmã Dulce, assim como, por tantas mulheres e homens que se dedicam generosamente ao serviço da caridade em nossas famílias, hospitais, casas de acolhida e comunidades. “Beato”, isto é, “feliz” quem vive o mandamento do amor que Jesus nos deixou, como fez Irmã Dulce. [CNBB]

 

O poder não é dado para mandar mais, mas para servir melhor. (Frei Neylor Tonin)