Sexta-feira, 20 de março de 2009

Terceira Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 3ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa

 

Senhor, não há entre os deuses nenhum que se vos compare, porque sois grande e fazeis maravilhas: só vós, Senhor, sois Deus. (Sl 85, 8.10)

 

 

Santos do Dia: Alexandra, Cláudia, Eufrásia, Matrona, Juliana, Eufêmia, Teodósia, Derfuta, e uma irmã de Derfuta (mártires de Amiso, na Paflagônia), Anastácio de São Sabas (arquimandrita, mártir), Arquipo de Colossos (considerado o primeiro bispo desta cidade, citado por São Paulo em Cl. 4,17), Benigno de Flay (abade), Clemente de Paris Schools (monge), Cutberto de Lindisfarne (bispo), Fotina, a Samaritana do Evangelho, José e Vítor, seus filhos, Sebastiao, oficial, Anatólio, Fócio, Fotilde e suas irmãs Parasceve e Ciríaca (mártires da Galiléia), Guilherme de Peñacorada (eremita), Herberto (eremita), Martinho de Braga (bispo),Nicetas de Bitínia (bispo), Paulo, Cirilo, Eugênio e Companheiros (mártires da Síria), Tétrico de Langres (bispo), Urbício de Metz (bispo), Wulfrano de Fontenelle (bispo), Ambrósio Sansedoni (dominicano, bem-aventurado), Everaldo de Mons (monge, bem-aventurado), Evangelista e Peregrino (agostinianos, bem-aventurados), Hipólito Galantini (bem-aventurado), João Batista Spagnuolo (carmelita, bem-aventurado), Marcos de Montegallo (franciscano, bem-aventurado), Maurício Csaky (dominicano, bem-aventurado), Remígio de Estrasburgo (bispo, bem-aventurado).

 

Oração: Infundi, ó Deus, vossa graça em nossos corações, para que, fugindo aos excessos humanos, possamos, com vosso auxílio, abraçar os vossos preceitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Oséias (Os 14, 2-10)

A necessidade urgente da conversão do povo

 

Assim fala o Senhor Deus: 2"Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caí­do em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: 'Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais deuses nossos a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia'. 

 

5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-­se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 

 

10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles', andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Não chamaremos mais “deuses nossos”

 

O profeta Oséias apresenta a culpa não mais como violação de tradições antepassadas e sacrais, mas como a recusa de encontrar a Deus nos acontecimentos cotidianos, quem não ver a Deus na história. Até conversão assume particular significação: não abluções rituais..., porém, interiorização, com que o homem faz calar o próprio orgulho para aceitar o desígnio de Deus manifestado nos acontecimentos, para permitir a correta aplicação dos recursos humanos, a partir do centro e da fonte, Deus que tudo vivifica. Só este aspecto, a conversão é a atitude fundamental do cristão solidário com o mundo. Cumpre reconhecer que a conversão de Israel não é muito desinteressada. Ele volta a Deus em nome de uma apaixonada busca de felicidade e abundância. É uma mentalidade que pode desaguar na moral da retribuição e do mérito. É possível, no entanto, olhar também para a recompensa prometida às boas ações. Dizer que uma ação é recompensada significa afirmar que o presente tem sempre uma dimensão histórica; nunca é isolado, mas forma parte de um devir guiado pela iniciativa de Deus.

 

 

Salmo: 80 (81), 6c-8a. 8bc-9. 10-11ab. 14 e 17 (R/. cf. 11 e 9a)
Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

 

6cEis que ouço uma voz que não conheço: 7"Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. 8aNa angústia a mim clamaste, e te salvei.”

 

8bDe uma nuvem trovejante te falei, 8ce junto às águas de Meriba te provei. 9Ouve, meu povo, porque vou te advertir!  Israel, ah! se quisesses me escutar. 

 

10Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! 11aPorque eu sou o teu Deus e teu Senhor, 11bque da terra do Egito te arranquei". 

 

14Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos, 17eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com o mel que sai da rocha o fartaria".

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 28b-34)

O Senhor nosso Deus é o único Senhor: ama-o

 

Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" 29Jesus respondeu: "O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes".

 

32O mestre da lei disse a Jesus: "Muito bem, mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios". 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência e disse: "Tu não estás longe do reino de Deus". E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Onde centrar nossa vida

 

A pergunta pelo primeiro dos mandamentos comporta uma preocupação: onde a vida humana deve centrar-se? A resposta a este problema é fundamental para a vida do discípulo. Mas não basta responder teoricamente. É mister que discípulo tome consciência onde efetivamente sua vida está centrada. O engano, aqui, pode ser fatal!

 

A resposta de Jesus ao mestre da Lei aponta para os dois eixos vertebradores da vida do discípulo: Deus e o próximo. Considerando bem, ambos os eixos se exigem mutuamente, a ponto de um levar ao outro, e a ausência de um provocar a ausência do outro.

 

Quem está centrado em Deus, está necessariamente aberto ao amor e à solidariedade, está sempre pronto para lutar pela justiça, não suportando ver o próximo ser vilipendiado. Sobretudo, torna-se um lutador incansável pela causa do Reino, ansiando por vê-lo acontecer em sua própria vida e na de seus semelhantes.

 

Por outro lado, tem sua vida centrada no próximo quem é capaz de superar o egoísmo e romper as amarras das paixões, quem se esforça para se libertar da tirania do pecado, tornando-se livre para Deus. Em outras palavras, quem tem Deus no coração.

 

Todos os demais eixos são espúrios e devem ser rejeitados pelo discípulo do Reino. Basta considerar o modo de proceder de quem não ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São pessoas desumanizadas e desumanizadoras.

 

Santa Maria Josefina do Coração de Jesus Sancho de Guerra

Maria Josefina era a primogênita de Barnabé Sancho, serralheiro, e de Petra de Guerra, doméstica. Nasceu em Vitória, Espanha, no dia 07 de setembro de 1842, tendo recebido o batismo no dia seguinte. Ficou órfã de pai muito cedo e foi sua mãe que a preparou para a Primeira Comunhão, recebida aos dez anos. Completou a sua formação e educação em Madri na casa de alguns parentes, e desde muito cedo começou a demonstrar uma grande devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora, uma forte sensibilidade em relação aos pobres e aos doentes e uma inclinação para a vida interior.


Regressou a Vitória aos dezoito anos e logo manifestou à sua mãe o desejo de entrar num mosteiro, pois se sentia atraída pela vida de clausura. Mais tarde, costumava dizer: "Nasci com a vocação religiosa". Foi assim que decidiu entrar no Instituto Servas de Maria, recentemente fundado em Madri por madre Soledade Torres Acosta. Com a aproximação da época de fazer sua profissão de fé, foi assaltada por graves dúvidas e incertezas sobre sua efetiva chamada para aquele Instituto. Admitiu essa disposição à vários confessores, chegando até a dizer que tinha se enganado quanto à própria vocação.


Mas, os constantes contatos com o arcebispo de Saragoça, futuro Santo, Antônio Maria Claret e as conversas serenas com madre Soledade Torres Acosta, amadureceram nela a possibilidade de fundar uma nova família religiosa, que se dedicasse aos doentes, em casa ou nos hospitais. E foi assim que aos vinte e nove anos ela fundou o Instituto das Servas de Jesus, na cidade de Bilbao, em 1871.


Depois por quarenta e um anos, foi a superiora do Instituto. Acometida por uma longa e grave enfermidade que a mantinha ou no leito ou numa poltrona, sofreu muito antes de seu transito, sem contudo deixar sua atividade de lado. Através de uma intensa e expressa correspondência, solidificou as bases dessa nova família. No momento da sua morte, em 20 de março de 1912, havia milhares de religiosas, espalhadas por quarenta e três casas. A sua morte foi muito sentida em toda a região e o seu funeral teve uma grande manifestação de pesar. Os seus restos mortais foram trasladados para a Casa-Mãe, em Bilbao, onde ainda se encontram.


Os pontos centrais da espiritualidade de madre Maria Josefina podem definir-se como: um grande amor à Eucaristia e ao Sagrado Coração de Jesus; uma profunda adoração do mistério da Redenção e uma íntima participação nas dores de Cristo e na Sua Cruz; e a completa dedicação ao serviço dos doentes, num contexto de espírito contemplativo.


O seu carisma de serviço aos enfermos ficou bem claro nas palavras por ela escritas: "Desta maneira, as funções materiais do nosso Instituto, destinadas a salvaguardar a saúde corporal do nosso próximo, elevam-se a uma grande altura e fazem a nossa vida ativa mais perfeita que a contemplativa, como ensinou o Doutor angélico, São Tomás d'Aquino que falou dos trabalhos dirigidos à saúde da alma, que vêm da contemplação" (Directorio de Asistencias de la Congregación Religiosa Siervas de Jesús de la Caridad, Vitória 1930, pág. 9).


É com este espírito, que as Servas de Jesus têm vivido desde a morte de Santa Maria Josefina. O serviço dos doentes tornou-se, assim, a oblação generosa das suas vidas, seguindo o exemplo da sua Fundadora. Hoje espalhadas pela Europa, América Latina e Ásia, as Servas procuram dar pão aos famintos, acolher os doentes e outros necessitados, criar centros para pessoas idosas, desenvolvendo sempre a pastoral da saúde e outras obras de caridade. Elas também estão presentes em Portugal.


A causa da canonização de madre Maria Josefina começou em 1951; foi solenemente beatificada pelo Papa João Paulo II em 1992 e depois canonizada em 01 de Outubro de 2000, pelo mesmo pontífice, em Roma. (www.paulinas.org.br)

 

Não podemos julgar a cruz do próximo,pois cada um tem um peso diferente. (Antônio Isaías de Abrão)

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997