Sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Roque, Afonso e João, Santos Presbíteros e Mártires, Memória, 4ª do Saltério cor Vermelha

 

Hoje: Dia da Bandeira

 

Santos: Abdias (profeta bíblico do Antigo Testamento), Aza e seus cento e cinqüenta companheiros, soldados (mártires em Isaurie), Barlaão de Antioquia (mártir), Crispim de Écija (bispo, mártir), Fausto de Alexandria (diácono, mártir), Máximo (presbítero, mártir) , Ponciano (papa, mártir), Severino e Feliciano (mártires de Viena), Rafael Kalinowski de São José (presbítero, bem-aventurado), Tiago Benfatti (bispo, bem-aventurado)

 

Antífona: Por amor de Cristo, o sangue dos mártires foi derramado na terra. Por isso, sua recompensa é eterna..

 

Oração: Senhor, que a vossa palavra cresça nas terras onde os vossos mártires a semearam e seja multiplicada em frutos de justiça e de paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Apocalipse (Ap 10, 8-11)
Deves profetizar ainda contra outros povos e nações

 

8Aquela mesma voz do céu, que eu, João, já tinha ouvido, tornou a falar comigo: "Vai, Pega o livrinho aberto da mão do anjo que está de pé sobre o mar e a terra". 9Eu fui até o anjo e pedi que me entregasse o livrinho. Ele me falou: "Pega e come. Será amargo no estômago, mas na tua boca, será doce como mel". 10Peguei da mão do anjo o livrinho e comi-o. Na boca era doce como mel, mas quando o engoli, meu estômago tornou-se amargo. 11Então ele me disse: "Deves profetizar ainda contra outros povos e nações, línguas e reis". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Peguei o livrinho e comi-o

 

Somos todos convidados a interiorizar a palavra do Senhor para vivê-la coerentemente, antes de anunciá-la aos demais. O processo de interiorização da palavra de Deus é muito exigente porque põe a nu nossa realidade e nossas contradições. É fácil defender-se da palavra dos homens: pode-se combatê-la, encontrar álibis e escapatórias. Da de Deus, não. Por isso tem-se medo de ouvi-la, de deixar-se penetrai; tem-se medo de ter que mudar a si mesmo. E quando não podemos refutá-la ou sufocá-la, tomamos o caminho do compromisso, tentamos mitigar a sua força revolucionária, relativizá-la sob pretexto de humanizá-la e torná-la mais aceitável. Mas se a palavra de Deus é "amarga" por vezes, também é cheia de doçura para quem a aceita e se esforça por vivê-la. Garante a liberdade, a segurança, a paz, a salvação; dá-nos a coragem de atualizá-la e transmiti-la aos outros como o mais precioso dom. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo Responsorial: 118(119), 14.24.72.103.111.131 (R/.103b)
Como é doce ao paladar vossa palavra, ó Senhor!

 

Seguindo vossa lei me rejubilo muito mais do que em todas as riquezas.

 

Minha alegria é a vossa Aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos.

 

A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata.

 

Como é doce ao paladar vossa palavra, muito mais doce do que o mel na minha boca!

 

Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração!

 

Abro a boca e aspiro largamente, pois estou ávido de vossos mandamentos.

 

Evangelho: Lucas (Lc 19, 45-48)
Purificação do templo

 

Naquele tempo, 45Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. 46E disse: "Está escrito: 'Minha casa será casa de oração'. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões". 47Jesus ensinava todos os dias no Templo. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matá-lo. 48Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 21, 12-17; Mc 11, 15-19; Jo 2, 13-18

 

Comentando o Evangelho

Um covil de ladrões

 

A situação em que se encontrava o templo de Jerusalém fez Jesus relembrar as palavras dos profetas do passado a respeito da sua função e da corrupção que se abateu sobre ele. O profeta Isaias havia anunciado a finalidade do templo:

 

"casa de oração para todos os povos", por conseguinte, lugar do encontro dos filhos com o Pai, e não só de Israel mas também dos povos espalhados por toda a extensão da Terra. O profeta Jeremias, horrorizado com as abominações cometidas no espaço sagrado, comparou com um "covil de ladrões" o lugar onde o nome de Deus era invocado.

 

Sendo "casa de oração" não se justificava o comércio instalado no templo, no tempo de Jesus. Seria ingênuo pensar que, por se desenvolver no recinto do templo e ter a finalidade de prestar um serviço aos peregrinos vindos de longe, o comércio ai fosse imune das mazelas próprias desta atividade. Pelo contrário, auferiam-se lucros abusivos, o ideal de serviço desaparecera dando lugar ã exploração, a sacralidade do templo foi violada pelo afã de fazer comércio. Por conseguinte, o culto prestado a Deus pelos peregrinos de boa-fé desenrolava-se em meio a toda sorte de vilipêndio dos seus sentimentos mais sagrados.

 

A atitude firme de Jesus, que chegou às raias da indignação, justifica-se pelo seu empenho de recuperar a verdadeira imagem de Deus, da antiga tradição teológica de Israel, e o verdadeiro sentido do espaço sagrado: ser lugar de oração. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C, ©Paulinas, 1996]

 

 

Para sua reflexão: Com, este episódio, Jesus completa a entrada solene na cidade e manifesta o sentido da sua realeza messiânica, assegurando ao templo o culto digno. O ensinamento de Jesus em Jerusalém ultrapassa os três dias citados em Mc 11, 12.20 e os dois de Mt 21,18. Entre os responsáveis da morte de Jesus, Lucas refere as três classes que faziam parte do Conselho ou Sinédrio. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

São Roque Gonzalez

 

Canção Nova

Com "orgulho santo" celebramos a santidade dos Latinos- Americanos que deram a vida pela fé, amor e esperança em Jesus Cristo, são eles: Roque Gonzalez, Afonso Rodrigues e João de Castinho. Roque nasceu em Assunção do Paraguai e estudou com os padres Jesuítas, que muito o ajudaram a desenvolver seus dotes humanos e espirituais


No coração de Roque Gonzalez sempre se compadeceu com a realidade dos indígenas oprimidos, por isso ao se formar e ser ordenado Sacerdote do Senhor, foi logo trabalhar como Padre Diocesano numa aldeia carente. São Roque sempre obediente a vontade do Pai do Céu, entrou no noviciado da Companhia de Jesus, com 33 anos, e acompanhado com outros ousados missionários, aceitou a missão de pacificar terríveis indígenas.

 

São Roque González fez de tudo para ganhar a todos para Cristo, portanto aprendeu além das línguas indígenas, aprofundou-se em técnicas agrícolas, manejo dos bois e vários outros costumes da terra. Os Jesuítas - bem ao contrário do que muitos contam de forma injusta - tinham como meta a salvação das almas, mas também a promoção humana, a qual era e é a consequência lógica de toda completa evangelização. Certa vez numa dessas reduções que levavam os indígenas para a vida em aldeias bem estruturadas e protegidas dos colonizadores, Roque Gonzalez com seus companheiros foram atacados, dilacerados e martirizados por índios ferozes, fechados ao Evangelho e submissos a um feiticeiro, que matou o corpo e não a alma destes que desde 11680 estão na Glória Celeste.

 

 

O Ano Litúrgico

Dom Orani João Tempesta

 

Estamos chegando ao final do Ano Litúrgico! Com o Domingo de Cristo Rei, no 34º domingo do Tempo Comum estaremos iniciando a última semana do calendário eclesiástico. Quanto melhor participamos da liturgia mais aprofundamos a nossa vida de fé.

 

No decorrer do ano, a Santa Igreja comemora em dias determinados a obra salvífica de Cristo. A cada semana, no dia chamado domingo (dia do Senhor), ela recorda a Ressurreição do Senhor, que celebra também, uma vez por ano, com a bem-aventurada paixão na solenidade máxima da Páscoa. Durante o ciclo anual desenvolve-se todo mistério de Cristo e, a partir dele, comemora-se as festas da Igreja e demais festas dos santos. Contudo, não devemos ver o ciclo anual da liturgia como um círculo onde os fatos tornam a acontecer a cada ano, se repetem continuamente, mas como uma espiral onde os fatos são únicos e irrepetíveis e que sempre e cada vez mais nos conduzem, a cada momento com mais clareza, para a compreensão do Mistério de Cristo.

 

Também os judeus tinham as festa durante o ano que, na experiência anual do tempo, celebravam os benefícios de Deus em favor do povo escolhido, sobretudo sua libertação do Egito, a marcha pelo deserto e a Aliança do Sinai. Assim também a consciência cristã foi assumindo as festas principais da nossa fé, as ações salvíficas de Cristo, e distribuindo-as durante um ano. Durante o tempo litúrgico o centro é o Mistério Pascal, que ilumina todos os demais momentos do ano.  Nos vários tempos do ano litúrgico, a Igreja vive os mistérios da fé à luz da Palavra de Deus e participando dos sacramentos que nos santificam.

 

O Concílio Vaticano II recorda que a santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano, na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão. Distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Encarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor. Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de torná-los como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham de graça (cf. SC 102).

 

Além disso, no ano litúrgico se celebram as festas da Bem Aventurada Virgem Maria, dos Mártires e dos Santos: “Na celebração deste ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com especial amor, porque indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho, a Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em quem vê e exalta o mais excelso fruto da Redenção; em quem contempla, qual imagem puríssima, o que ela, toda ela, com alegria deseja e espera ser.

 

A Igreja inseriu também no ciclo anual a memória dos Mártires e outros Santos, os quais, tendo pela graça multiforme de Deus atingido a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós. Ao celebrar o “dies natalis”, ou verdadeiro dia do nascimento, (dia da morte) dos Santos, proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, e propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo, e implora pelos seus méritos as bênçãos de Deus (cfr. SC 103-104).

 

O Ano Litúrgico contém as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não coincide com o ano civil, que começa no dia primeiro de janeiro e termina no dia 31 de dezembro. Ele começa e termina quatro semanas antes do Natal. Tem como centro a Páscoa, que é marcada conforme o calendário lunar. Compõe-se de dois grandes ciclos: o Natal e a Páscoa, além do Tempo Comum. São como dois pólos em torno dos quais gira todo o Ano Litúrgico.

 

O Natal tem um tempo de preparação, que é o Advento; e a Páscoa tem também um tempo de preparação, que é a Quaresma. Ao lado do Natal e da Páscoa está um período longo, de 34 semanas, chamado Tempo Comum. O Ano Litúrgico começa com o Primeiro Domingo do Advento e termina com o último sábado do Tempo Comum, que é na véspera do Primeiro Domingo do Advento.

 

No final de um Ano litúrgico e no início doutro, somos convidados a tomar a mais profunda consciência do papel que a Liturgia tem na vida da Igreja. Ela assinala o seu caminho no tempo, alimentando incessantemente a sua fé, a esperança e o amor. O ano litúrgico é delineado com amplo respiro teológico e espiritual o culto público da Igreja, distinguindo entre o que nele há de imutável e o que, ao contrário, está sujeito a evoluções e modificações.

 

Confiamos à Bem Aventurada Virgem Maria, em ação de graças e reconhecidos, o Ano litúrgico que se encerra e o próximo já às portas. O seu exemplo nos ajude a viver os dias, as semanas e os anos que passam abertos e dóceis à ação da graça divina, para sermos no final partícipes da eterna Liturgia do Céu, aonde não haverá nem doença, nem dor e nenhuma manifestação de morte, mas a festa permanente da liturgia divina da vida eterna.

 

 

Sonho com o dia em que a  justiça correrá como água e a retidão

como um caudoso rio. (Martin Luther King)