Sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Depois das Cinzas, Início da Quaresma, Ano Ímpar, 4ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos do Dia: Álvaro de Córdoba (presbítero), Auxíbio de Chipre (bispo, foi batizado por São Marcos e consagrado por São Paulo como primeiro bispo de Soli), Barbato de Benevento (bispo), Beato de Liébana (monge), Belina de Troyes (virgem, mártir), Bonifácio de Lausanne (monge, bispo), Conrado de Piacenza (franciscano terciário), Gabino de Roma (presbítero, mártir), Jorge de Lodève (monge), Mansueto de Milão (bispo), Públio, Juliano, Marcelo e Companheiros (mártires da África), Valério de Antibes (bispo), Zambdas de Jerusalém (bispo), Isabel de Picenardi (virgem, bem-aventurada), Lúcia (virgem, mártir da China, bem-aventurada)

 

Antífona: O Senhor me ouviu e teve compaixão. O Senhor se tornou o meu amparo. (Sl 29,11)

 

Oração do Dia: Ó Deus, assisti com vossa bondade a penitência que iniciamos, para que vivamos interiormente as práticas externas da Quaresma. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaias (Is 58, 1-9a)

O jejum que prefiro é romper todo tipo de sujeição

 

Assim fala o Senhor Deus: 1"Grita forte, sem cessar, levanta a voz como trombeta e denuncia os crimes do meu povo e os pecados da casa de Jacó. 2Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus. Exigem de mim julgamentos justos e querem estar na proximidade de Deus: 3'Por que não te regozijaste, quando jejuávamos, e o ignoraste, quando nos humilhávamos?'

 

É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. 4É porque ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. 5Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se 'talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor?

 

6Acaso o jejum que prefiro não é outro: - quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? 7Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9aEntão invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui"'. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Acaso é este o jejum que aprecio?

 

Jejum, penitência e oração são totalmente destituídos de valor e de sentido se não forem vivificados pela caridade e acompanhados das obras de justiça. Assim, o jejum verdadeiramente agradável a Deus consiste em libertar-se do egoísmo e prestar alívio e ajuda ao próximo. A Igreja, abolindo quase inteiramente o preceito do jejum exterior; entendeu empenhar-se com maior força em favor dos pobres e humildes. Durante a Quaresma, o premente convite à prática da caridade está em estreita relação com o convite ao jejum. A Quaresma ajuda-nos a descobrir as necessidades do próximo e lembra-nos que podemos encontrar a maneira de ir-lhe ao encontro, renunciando a algo de pessoal. O jejum cumprido por amor de Deus e dos homens é sinal do desejo de conversão; neste sentido, conserva ainda hoje o seu valor. [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 50(51), 3-4.5-6a.18-19 (R/.19b)

Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 4Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

 

5Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. 6aFoi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

 

18Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. 19Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

 

Evangelho do dia: Mateus (Mt 9, 14-15)

Dias virão em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão

 

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?" 15Disse-lhes Jesus: "Por acaso os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão". Palavra da Salvação!

 

Contexto: A pregação do Reino dos Céus. Leituras paralelas: Mc 2, 13-17;

Lc 5, 27-32 (Chama Mateus); Mc 2, 18-22 e Lc 5, 33-39 (Discussão sobre o jejum)

 

 

 

Comentando o Evangelho

O esposo está para partir

 

Os discípulos de João, atrelados aos dos fariseus, ficavam incomodados com o comportamento dos discípulos de Jesus no tocante à prática do jejum. Ao supervalorizar este ato de piedade, imaginavam estar dando mostras de santidade e de seriedade de vida. Não acontecendo o mesmo com o grupo de Jesus, concluíam faltar-lhes profundidade. Quiçá os considerassem levianos e desregrados.

 

Estas considerações não chegaram a influenciar a pedagogia de Jesus, no trato com os discípulos. Servindo-se da metáfora da festa de casamento, estabeleceu uma clara distinção entre o tempo de alegrar-se e o tempo de jejuar. O primeiro corresponderia ao tempo de sua presença, qual um noivo, junto dos que escolhera para estar consigo. Seria o tempo de festejar, comemorar, desfrutar de uma presença tão querida. O segundo diz respeito ao tempo de sua ausência, a ser consumada por meio da morte de cruz. Figurativamente, seria o tempo da ausência do noivo, no qual todos se preparam para sua chegada, e se privam de alimentos, em vista do banquete que será oferecido.

 

Portanto, os discípulos não jejuavam simplesmente pelo fato de terem ainda Jesus junto de si. O tempo em que o esposo lhes seria tirado estava se aproximando. Aí, sim, o jejum seria uma exigência, em vista de preparar-se para acolher a segunda vinda do Senhor. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)

 

Para sua reflexão: Os discípulos de João estão centrados ainda na velha mentalidade, como que centrados na penitência, e não descobrem a festa que já começou. João não é o esposo e o Messias. Aos poucos Jesus segue abrindo a mente dos discípulos.

 

São Martiniano

São Martiniano foi eremita mas acabou por tornar-se andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo". Seu argumento é justificável, já que ele pôde comprovar pessoalmente como a carne é fraca e a vigilância tem que ser constante, principalmente para quem escolhe uma vida santa e sacrificada. Ele havia sucumbido ao prazer da carne, mas encontrou força na fé para se recuperar. Esse é seu exemplo maior.

 

Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, e ali viveu no século IV. Muito jovem, entregou-se à vida reclusa e passou a viver como eremita numa montanha próxima à sua cidade natal, onde permaneceu por vinte e cinco anos. Sua fama percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual e até a cura de doenças e expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santo e essa fama atraiu Cloé. Cloé era milionária e conhecida como uma mulher de maus costumes. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o santo se perder. Trocou suas roupas luxuosas por andrajos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, mas tratou de dormir longe dali. Mesmo assim, ao voltar pela manhã, Cloé trocara os farrapos por uma roupa muito sensual. Com argumentos espertos seduziu Martiniano, que só ao sair da caverna para atender discípulos, muitas horas depois, é que percebeu o que fizera. Arrependeu-se e converteu Cloé que, a partir de então, recolheu-se ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias. Santificou-se como consagrada. São Martiniano mudou-se dali para uma ilha. Mas, certa vez, nas águas que rodeavam a ilha, naufragou um navio e uma passageira donzela lhe pediu abrigo. Ele consentiu que ficasse, mas abandonou o lugar a nado, apesar de o continente ficar muito distante. Conta a lenda que Deus mandou dois delfins para apanhá-lo e levá-lo à terra firme. O fato é que, ao chegar, tomou outra decisão radical.

 

Tornou-se andarilho para nunca mais ter de abrigar ninguém e acabar abordado pelo pecado. Passou a viver da caridade alheia e morreu em Atenas, no ano 400, depois de parar a caminhada numa igreja da cidade. Sabia que o momento chegara, recebeu os sacramentos e partiu.

 

Se quiseres chegara possuir Cristo, jamais o busques sem a cruz. (S. João da Cruz)

 

A inspiração existe, porém tenho que encontrá-la trabalhando.(Pablo Picasso)