Sexta-feira, 18 de março de 2011

Primeira Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Cirilo de Jerusalém (arcebispo e doutor da Igreja), Alexandre de Jerusalém (bispo e mártir), Fridiano (bispo), Eduardo (o mártir), Anselmo de Lucca (bispo), Cristiano (beato, abade), Salvador de Horta (confessor franciscano, 1ª ordem), Trófimo, Eucarpo e Tetrico.

 

Antífona: Livrai-me, Senhor, das minhas aflições, vede minha dor; perdoai todos os meus pecados. (Sl 24, 17-18)

 

Oração: Concedei, ó Deus, que vossos filhos e filhas se preparem dignamente para a festa da Páscoa, de modo que a mortificação desta Quaresma frutifique em todos nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Ezequiel (Ez 18, 21-28)

Arrependendo-se de todos os pecados, viverá

 

Assim fala o Senhor: 21"Se o ímpio se arrepender de todos os pecados cometidos, e guardar todas as minhas leis, e praticar o direito e a justiça, viverá com certeza e não morrerá. 22Nenhum dos pecados que cometeu será lembrado contra ele. Viverá por causa da justiça que praticou. 23Será que eu tenho prazer na morte do ímpio? - oráculo do Senhor Deus. Não desejo, antes, que mude de conduta e viva? 24Mas, se o justo se desviar de sua justiça e praticar o mal, imitando todas as práticas detestáveis feitas pelo ímpio, poderá fazer isso e viver? Da justiça que ele praticou, nada mais será lembrado. Por causa da infidelidade e do pecado que cometeu, por causa disso morrerá.

 

25Mas vós andais dizendo: 'A conduta do Senhor não é correta'. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta? 26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá.” Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Será que eu tenho prazer na morte do ímpio?

 

Ezequiel levanta um problema candente: o problema da responsabilidade em lace do pecado e do sofrimento que dele resulta. Existe certamente um pecado coletivo: a Bíblia fala especialmente do pecado do povo. Jesus é "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). O mal da humanidade é considerado como uma só e enorme pecaminosidade. Mas o profeta acautela contra o perigo que se pode esconder nesta visão: o risco de lançar sobre a coletividade ou sobre Deus toda a responsabilidade, ficando surdo a todo apelo à conversão individual; o risco de esquecer que a luta profunda entre o bem e o mal se trava no coração do homem. Afirmam os bispos latino-americanos que, no contexto de injustiça institucionalizada que gera uma "situação de pecado social", "não teremos um continente novo sem novas estruturas, mas sobretudo não existirá ali um continente novo sem homens novos que, à luz do Evangelho, saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis". [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 129(130), 1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R/.3)
Se levardes em conta nossas faltas, que haverá de subsistir?

 

1Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, 2escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece!

 

3Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? 4Mas em vós se encontra' o perdão, eu vos temo e em vós espero.

 

5No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. 6A minh´alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora.

 

7Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. 8Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 20-26)

Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20"Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos céus.

 

21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno.

 

23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc12,57-59

 

Comentário do Evangelho

A exigência da comunhão fraterna

 

O ensinamento de Jesus foi sempre incisivo na questão da comunhão fraterna. Este tema aparece já nas primeiras páginas da Bíblia que relatam o terrível episódio do assassinato de Abel pelas mãos de seu irmão Caim, nos primórdios da humanidade. Este fratricídio brutal e injustificado abriu a porta para todos os demais homicídios que mancharam de sangue a história da humanidade. Quando o Decálogo declarou, de maneira inequívoca, “Não matarás”, estava visando a preservação da humanidade. Sem respeito à vida, a sobrevivência dos seres humanos estaria comprometida.


Os discípulos de Jesus foram confrontados com uma exigência superior à da Lei mosaica. Era preciso dar um passo adiante e assumir a comunhão fraterna como imperativo. Dela decorria a capacidade de ser compreensivo com o outro, evitando irritar-se com ele ou jogar-lhe em rosto palavras ofensivas. O relacionamento com Deus deveria ser vivido juntamente com o relacionamento com o próximo. A oferenda a Deus seria inútil, se o coração do oferente fosse contaminado pela inimizade, e o seu relacionamento com alguém estivesse rompido. A reconciliação tem prioridade em relação ao culto.


O discípulo sensato apressa-se a cumprir a ordem do Mestre, mesmo reconhecendo que deverá superar inúmeras barreiras, para chegar à reconciliação e acontecer a comunhão. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)

 

Oração da assembleia: (DEUS CONOSCO)

-Por toda a igreja, principalmente quando presente em lugares mais difíceis, para que anuncie com firme a bondade e a misericórdia do céu, supliquemos ao Senhor. Senhor, atendei-nos por vossa bondade!

-Para que a vida seja amada e respeitada, e as pessoas se relacionem com sinceridade e amor, supliquemos ao Senhor.

-Pelos que trabalham com justiça e tudo fazem para que ela se firme em nossa sociedade, supliquemos ao Senhor.

-Por este tempo da Quaresma, para que nos conduza à ressurreição, supliquemos ao Senhor.

-(Intenções próprias da Comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, acolhei com bondade estes dons para o sacrifício que nos reconcilia convosco e, como Pai todo-poderoso, dai-nos de novo a salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Por minha vida, diz o Senhor Deus; não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva. (Ez 33,11)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que este sacramento da vossa ceia nos restaure, para que, purificados da antiga culpa, alcancemos o vosso convívio no mistério da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Jesus se apresenta como autoridade soberana. Neste caso Ele é maior que Moisés. “Inútil e louco” são insultos graves que negam ao outro a capacidade de compreender: expressam desprezo e talvez rancor, inveja, e podem conduzir a ações graves; até por brincadeira maliciosa deve ser evitado. O Castigo está escalonado: o tribunal local, o Conselho nacional, o próprio Deus. O preceito negativo “não matar” estende-se à exigência positiva da reconciliação, posta para dar ênfase em relação com o culto. Por fim a reconciliação com o seu irmão ou irmã, em Cristo, é de suma importância para o equilíbrio de uma comunidade, de um ambiente de trabalho. Manter um clima de brigas, de discussões, de disputas até por coisas fúteis não constrói um equilibro fraterno; pelo contrário, quem planta guerra, só colhe o infortúnio. Dos dez mandamentos elencados nas duas tábuas de Moisés Jesus praticamente os reduz a um mandamento: o do amor. Quem ama ao próximo só colhe o amor, eis o desafio dos novos tempos!

 

São Cirilo de Jerusalém

 

Da vida de São Cirilo, anterior ao episcopado, sabe-se apenas que era sobrinho do bispo de Alexandria, o qual, provavelmente, o encaminhou aos estudos e o ordenou sacerdote.

 

Em 412 foi escolhido bispo e patriarca de Alexandria, no Egito, apesar de certa oposição de um partido contrário. Cirilo tornou-se conhecido sobretudo por sua posição firme em defesa da fé na controvérsia contra Nestório Pois bem, no século IV, tinha-se aberto o debate teológico sobre a pessoa de Cristo com o arianismo, que negava a Jesus Cristo, Verbo encarnado, a igualdade com Deus Pai. Santo Atanásio, patriarca de Alexandria, foi então o principal defensor da doutrina católica no Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325, cujo marco doutrinal é o credo que nós rezamos.

 

Um século depois, reabriu-se outro debate, sobre a pessoa de Cristo. Um monge de nome Nestório de Antioquia da Síria tinha sido elevado à cátedra de Constantinopla, e seu ensinamento vinha escandalizando os fiéis. Segundo ele, em Jesus Cristo havia duas pessoas: a pessoa divina habitava no homem, Jesus, como alguém numa tenda; em consequência não havia unidade pessoal das duas aturezas, divina e humana, em Cristo, e as ações de Cristo, mesmo a paixão e morte, não eram próprias de Jesus Deus, mas de Jesus simples homem. Nestório combatia também o título que tradicionalmente o povo dava a Maria, chamando-a Mãe de Deus. A reação entre os próprios fiéis era grande e esta novidade doutrinal ficou conhecida por todo o Oriente.

 

Desde o início da difusão desta doutrina, levantaram-se no Oriente teólogos e pastores que se lhe opuseram. O mais decidido foi Cirilo, patriarca de Alexandria. Primeiro, tentou os meios pacíficos para conseguir que Nestório retirasse sua afirmação que Nossa Senhora não devia ser chamada Mãe de Deus. Cirilo dizia a Nestório: "Os fiéis com o próprio bispo de Roma, Celestino, estão muito escandalizados; concedei, rogo-vos, a Maria o título de Mãe de Deus. Não é doutrina nova a que vos peço professar; é a crença de todos os Padres até aqui Nestório respondeu com insultos e calúnias. Cirilo então consultou o Papa Celestino e, ao receber resposta favorável, foi reunido um novo Concílio Ecumênico, em Éfeso, em 431. Aquele movimentado concilio aberto, num clima de profunda animosidade popular contra Nestório, acabou rejeitando a doutrina nestoriana e proclamando a doutrina ortodoxa em favor da maternidade divina de Maria Santíssima.

 

A tradição diz que ao saírem os bispos da sala do concílio foram recebidos por estrondosas aclamações do povo, que organizou entusiasticamente uma procissão à luz de tochas.

 

A memória do Concílio de Éfeso ficou gravada nos mosaicos que o Papa Sisto III mandou colocar no arco triunfal da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, e que ainda hoje se podem admirar. A doutrina ortodoxa foi enunciada com estas palavras: "Há um só Cristo, um só Filho de Deus, um só Senhor; e pela união, não confusão, das duas naturezas, divina e humana em Cristo, a santa Virgem Maria é chamada Mãe de Deus”

 

O nestorianismo, porém, não morreu logo, e São Cirilo teve que sofrer perseguições e calúnias pela sua ação enérgica em defender a fé. No entanto, ele procurou criar um clima de união e paz, mesmo com seus adversários. Cirilo faleceu em 444, e a Igreja, como reconhecimento de seus méritos, declarou-o Doutor.

 

 

Nosso pai terreno

Dom Bruno Gamberini, Arcebispo Metropolitano de Campinas - SP

 

Prezados irmãos e irmãs

 

Acabo de ler a notícia que o comissário da Comissão Europeia de Energia, Günther Oettinger, qualificou o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, como um “apocalipse”, pois, segundo ele, as autoridades perderam o controle da situação. O comissário não descartou o pior para o Japão, embora a Cruz Vermelha Internacional diga que a situação está controlada. Estamos todos ainda assustados e atônitos pelas consequências dramáticas do terremoto e dos tsunamis que aconteceram na última sexta-feira e, mais ainda, os acidentes que se seguiram nas usinas atômicas, com o temor de um desastre nuclear.

 

Nós estamos unidos em oração ao povo japonês, rogando a misericórdia de Deus para que amenize tanto sofrimento. São milhares de mortos, machucados e desaparecidos em cidades totalmente devastadas. É sempre importante lembrarmos que não é vontade de Deus que desastres aconteçam e que não se trata de castigos ou afins. Tenho a plena certeza que o povo japonês vai, novamente, dar provas de sua grandeza, na sua plena recuperação psicológica e do país.

 

O terremoto e os tsunamis foram um desastre natural, mas o acidente nuclear tem, sim, a responsabilidade humana. Diz-nos o texto da Campanha da Fraternidade que a humanidade recebeu de Deus a superioridade para cumprir a missão de cuidar da Mãe Terra para que ele seja fecunda e gere Vida para todos. Nós estamos fazendo como muitos filhos que, para se verem livres dos pais, por várias razões, os abandonam à própria sorte.

 

Embora muitos homens tenham a pretensão de serem deuses, jamais deixarão de ser homens, criatura, criada à semelhança de Deus, mas não seu igual. Ouvi várias entrevistas de cientistas que diziam que “dominavam a atividade atômica” e que nada poderia ocorrer de errado nas usinas instaladas pelo mundo afora. Aqui no Brasil, as autoridades de Angra dos Reis garantem que existe um planejamento adequado para várias hipóteses de acidentes. Espero que não seja necessário colocar à prova!

 

Quem dera pudéssemos todos nos espelhar nos exemplos de santidade de São José, santo querido que celebramos memória no próximo sábado, dia 19 de março. O Papa Leão XIII, em 1889, na Encíclica Quamquam pluries nos lembra alguns detalhes simples, mas interessantes da vida de José, que o levaram a ser o Patrono da Igreja Católica Apostólica Romana. José era casado com Maria e pai adotivo de Jesus. Pelo casamento, foi o ser humano que mais se aproximou da sublime dignidade da Mãe de Deus, que ultrapassa todas as criaturas.

 

Pela tradição cabia aos filhos obediência, honra e reverência aos seus pais e, certamente, foi essa a atitude de Jesus. Como “cabeça” da família, José “era o legítimo e natural guardião, chefe e defensor da Sagrada Família”. Diz o Papa Leão XIII que foi essa a atitude de José. Conseguia através de seu trabalho o sustento para Maria e Jesus. Nos momentos de perigo à vida de seu Filho, não titubeou e partiu para o exílio, encontrando refúgio seguro. Enfim, no seu silêncio, foi o protetor, o educador, o exemplo de vida para sua esposa e filho.

 

Leão XIII diz que “a casa divina que José governou com autoridade de um pai, continha em si a Igreja nascente. Da mesma forma que a Santíssima Virgem é a Mãe de Jesus, ela é a Mãe de todos os cristãos, a quem deu à luz no Monte Calvário, em meio às dores supremas da Redenção. Jesus Cristo é, pois, primogênito dos cristãos, que por adoção e Redenção são seus irmãos. E por essas razões, o Santo Patriarca referiu-se à multidão de cristãos que compõem a Igreja, como confiados especialmente ao cuidado de José, essa ilimitada família estendida por toda a terra, sobre a qual, uma vez que é o marido de Maria e pai de Jesus Cristo, mantém paternal autoridade”.

 

Por isso, peçamos confiantes ao nosso pai terreno, José, a proteção contra tanta dor e sofrimento que acometem o mundo, principalmente aos nossos irmãos e irmãs do Japão.

 

Paciência e perseverança têm o efeito mágico de fazer as dificuldades

desaparecerem e os obstáculos sumirem. (John Quincy Adams)

 

Aconteceu no dia 18 de março de 1945: Abertura do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro no Parque da Quinta da Boa Vista.