Sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia da Unidade Nacional

 

Santos: Angilberto de Cêntula (abade), Bernadete Soubirous (religiosa, vidente de Lourdes), Charalampias e Companheiros (mártires da Magnésia, na Ásia Menor), Colmano de Lindisfarne (bispo), Eládio de Toledo (bispo), Flaviano de Constantinopla (bispo, mártir), Leão e Paregório (mártires de Patara, Lícia), Lúcio, Silvano e Companheiros (mártires da África), Máximo, Cláudio, Praepedigna, Alexandre e Cutia (mártires de Óstia), Simeão de Jerusalém (bispo, mártir), Teotônio de Coimbra (abade).

 

Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 11, 1-9)

As relações amistosas entre Deus e as pessoas

 

1Toda a terra tinha uma só linguagem e servia-se das mesmas palavras. 2E aconteceu que, partindo do oriente, os homens acharam uma planície na terra de Senaar, e ali se estabeleceram. 3E disseram uns aos outros: "Vamos, façamos tijolos e cozamo-los ao fogo." Usaram tijolos em vez de pedra, e betume em um lugar de argamassa. 4E disseram uns aos outros: "Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja o céu. Assim, ficaremos famosos, e não seremos dispersos por toda a face da terra".

 

5Então o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. 6E o Senhor disse: "Eis que eles são um só povo e falam uma só língua. E isto é apenas o começo de seus empreendimentos. Agora, nada os impedirá de fazer o que se propuserem. 7Desçamos e confundamos a sua língua, de modo que não se entendam uns aos outros."

 

8E o Senhor os dispersou daquele lugar por toda a superfície da terra, e eles cessaram de construir a cidade. 9Por isso, foi chamada Babel, porque foi lá que o Senhor confundiu a linguagem de todo o mundo, e de lá dispersou os homens por toda a terra. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Desçamos e confundamos a sua língua

 

O resultado do pecado original é a desintegração universal da humanidade, como nos é apresentada na confusão de Babel. É uma avalanche que se desencadeia a cada momento dentro de cada homem, e cada vez destrói a humanidade. É desse modo que a Bíblia, nos onze primeiros capítulos do Gênesis, apresenta e contesta os males do mundo. Há um estreito liame entre o mal pessoal e o mal coletivo. Na origem dos males sociais está o pecado pessoal de ruptura do homem com Deus. E os males sociais, por sua vez, provocam esta ruptura.

 

A Bíblia não crê que se possa lutar contra a confusão da torre de Babel, contra a destruição causada pelo dilúvio ou contra a violência assassina, a não ser colocando o homem em seu justo lugar diante do Criador. E não o homem sozinho: a reforma pessoal não pode ser separada da vida da sociedade.

[Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 32(33), 10-11. 12-13. 14-15 (R/. 12b)
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança

 

O Senhor desfaz os planos das nações e os projetos que os povos se propõem. Os desígnios do Senhor são para sempre, e os pensamentos que ele traz no coração, de geração em geração, vão perdurar.

 

Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens.

 

Ele contempla do lugar onde reside e vê a todos os que habitam sobre a terra. Ele formou o coração de cada um e por todos os seus atos se interessa.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 8, 34-9,1)

Condições para seguir Jesus

 

Naquele tempo, 34chamou Jesus a multidão com seus discípulos e disse: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 35Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, vai salvá-la. 36Com efeito, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? 37E o que poderia o homem dar em troca da própria vida?

 

36Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos anjos". 9,1Disse-lhes Jesus: "Em verdade vos digo, alguns dos que aqui estão, não morrerão sem antes terem visto o reino de Deus chegar com poder". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 16,24-28; Lc 9,23-27; Jo 12,25-26

 

Comentário do Evangelho

O caminho da cruz

 

O discipulado comporta três atitudes radicais. Tudo começa com a renúncia de si mesmo. E preciso abrir mão dos projetos pessoais e submetê-los às exigências do Reino. Romper com o próprio egoísmo, que faz o indivíduo ensimesmar-se, e colocar o próximo e suas carências no centro de suas preocupações. Deixar de lado os preconceitos e as formas de pensar que não estão de acordo com o projeto do Reino. Positivamente, d renúncia do discípulo supõe aceitar a liberdade própria do Reino, que lhe descortina um horizonte infinito de possibilidades de amar e fazer o bem.

 

O passo seguinte consiste em tomar a sua cruz. Ou seja, ser capaz de enfrentar as consequências de sua opção, sem se intimidar ou deixar arrefecer o entusiasmo inicial. A cruz do discípulo é a cruz do testemunho verdadeiro de sua fé que, ao defrontar-se com a iniquidade, provoca reações de hostilidade, cujo ápice é a morte cruel e violenta. E também a cruz do desprezo, da rejeição, da zombaria e da exclusão, por causa da fidelidade ao Reino e pela coragem de não pactuar com as solicitações do mal.

 

Por fim, o discípulo está em condições de aceitar o convite "siga-me", e fazer do caminho de Jesus seu próprio caminho e do projeto dele seu próprio projeto. Quem perde a própria vida, acaba encontrando a verdadeira vida, a que Jesus tem para oferecer. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Pe. Jaldimir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-A fim de que todas as causas de divisão entre as pessoas sejam superadas, rezemos. Senhor, escutai-nos e atendei-nos.

-A fim de que os vocacionados à vida religiosa e sacerdotal sejam perseverantes, rezemos.

-A fim de que as nações se unam em favor da paz e da igualdade entre os povos, rezemos.

-A fim de que os missionários sejam recompensados por sua doação ao evangelho, rezemos.

-A fim de que os meios de comunicação sejam instrumentos éticos a serviço da verdade, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que este sacrifício nos purifique e renove e seja fonte de eterna recompensa para os que fazem a vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho único; quem nele crê não perece, mas possui a vida eterna. (Jo 3,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

Santa Bernadete Soubirous

 

Santa Bernadete nasceu em Lourdes, na França, em 1844. Chamava-se Maria Bernarda. Filha de gente simples, mas a educaram dentro dos preceitos da Igreja Católica. Aos treze anos foi viver na pequena povoação. Analfabeta, acostumada aos trabalhos rudes do campo, Bernadete conhecia apenas as principais orações dos cristãos: o pai-nosso, a ave-maria, o credo etc. As aparições tiveram início no dia 11 de fevereiro de 1858, em que Nossa Senhora se proclamava: "Eu sou a Imaculada Conceição".Após as aparições, Bernadete ingressou no Convento das Irmãs de Nevers, onde viveu 13 anos, muitas vezes incompreendida e tratada com dureza pelas superioras e co-irmãs. Acometida de tuberculose, aos poucos consumida por uma cárie óssea. Viveu sua vida em sua cela de freira orando pelas almas das pessoas que ainda não encontraram o caminho de Deus, sempre com humildade e resignação, rezando menos para que a dor que sentia diminuísse e que o Céu lhe dessa paciência e força para suportar calada as provações de Deus. Bernadete morreu no dia 16 de abril de 1879. Morreu pronunciando oração de súplica a Maria: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora" Em 1925, Pio XI proclamou-a bem-aventurada e, em 1937, foi canonizada.

 

 

Relacionamento, solidão e aproximação

 

 

Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá

 

Nestes tempos de ativismo exagerado, onde não se tem tempo, nem para deliciar um jantar com os amigos, desta forma, coloca-se em cheque também o valor bonito do encontro e de relações amigáveis duradouras. Entre idas e vindas, a solidão e a aproximação jogam um papel definitivo na busca de um relacionamento verdadeiro.

 

Tanto uma como a outra são carregadas de significados positivos e negativos. Nem sempre se consegue o equilíbrio exigido, que pode ser comparado ao de um malabarista ao transpor um espaço vazio pisando em corda bamba. Quantas vezes tudo termina em frustrações e desencantos como também em alegrias e satisfações.

 

A relação humana é uma arte em que aprendemos viver juntos com os outros. Toda relação humana é fonte de problemas, conflitos e realizações. Buscamos o outro porque temos solidão, o frio inverno da angústia.

 

Queremos sair do silêncio ensurdecedor do isolamento, na pretensão de satisfazer as carências do amor/gratidão. Muitas vezes falta a pedagogia do saber esperar. Assim a busca demasiada de aproximação pode provocar sufocamento, ou seja, um exagerado esperar do outro pelo excesso de apego. Por isso que relar demais machuca e dói. Relar nunca foi relacionar-se.

 

Relacionar-se com certa distância por sua vez, aquece. Solidão e isolamento constituem uma experiência essencial para o relacionamento humano. A solidão é a experiência que potencializa e proporciona o encontro e a comunicação com o outro.

 

A experiência de solidão remete à individuação e a uma ruptura com o estado de fusão com o outro. Somos seres separados e não colados. A experiência da solidão é a capacidade de amar com independência e autonomia, elaborando a dor da ausência entre o eu e o outro.

 

O mundo das relações vem carregado do medo de estar só. Ao mesmo tempo a aprendizagem na solidão e no isolamento, quando vividos intensamente não como fuga e sim como encontro consigo mesmo é capaz de fecundar o nascer de relações reveladoras do divino presente em cada ser humano.

 

Na medida em que revelamos o que realmente somos e temos, não com a razão, mas com o coração capaz de amar e ser amado, teremos a certeza de construir a base firme de uma vida de relações realizadoras, plenificando toda existência.

 

Acredito que a realização pessoal está em construir pontes entre corações que sabem curtir e assumir juntos os conflitos. Enquanto não estabelecer o direito de ser feliz junto, na busca constante de revelar o mais profundo do ser humano, do meu ser gente, nunca a gratuidade do amor de Deus encontrará espaço para transformar o humano em divino.

 

Quantas situações poderiam ser resolvidas de maneira simples e direta se o coração humano soubesse que jamais está sozinho. “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”, diz o Senhor. Preciso viver a solidão, não como fuga e sim como graça. Preciso me aproximar, não como compensação e sim como complemento. Preciso de relações com o outro e com o totalmente outro para revelar o que sou e compreender o que Deus fez e faz em mim cada dia.. [CNBB]

 

 

Aconteceu no dia 18 de fevereiro:

1986: Morte do compositor Nélson Cavaquinho

 

 

A fama é um vapor; a popularidade, um acidente; a riqueza tem

asas; só uma coisa perdura: o caráter. (H. Greeley)