Sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
I Semana do Tempo Comum, Ano Par, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Ergamos nos nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão
dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.
Hoje: Dia Internacional do Riso
Santos: Arquelaide, Tecla e Susana (virgens, mártires), Atenógenes do Ponto (mártir), Deícola de Lure (abade), Faustina e Liberata (virgens), Leobardo de Tours (eremita), Liberata de Como (virgem), Moseus e Amônio (mártires), Paulo e 36 soldados cristãos (mártires), Prisca de Roma (virgem, mártir), Volusiano de Tours (bispo, mártir), Beatriz d'Este (virgem de Ferrara, bem-aventurada), Cristina Ciccarelli (virgem, eremita agostiniana, bem-aventurada).
Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: I Samuel (1 Sm 8, 4-7.10-22a)
A introdução da monarquia em Israel
Naqueles dias, 4todos os anciãos de Israel se reuniram, foram procurar Samuel em Ramá,5e disseram-lhe: "Olha, tu estás velho, e teus filhos não seguem os teus caminhos. Por isso, estabelece sobre nós um rei, para que exerça a justiça entre nós, como se faz em todos os povos". 6Samuel não gostou, quando lhe disseram: "Dá-nos um rei, para que nos julgue". E invocou o Senhor. 7O Senhor disse a Samuel: "Atende a tudo o que o povo te diz. Porque não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, para que eu não reine mais sobre eles".
10Samuel transmitiu todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedira um rei, 11e disse: "Estes serão os direitos do rei que reinará sobre vós: Tomará vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. 12Fará deles chefes de mil, e de cinqüenta homens, e os empregará em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas e de seus carros. 13Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras. 14Tirará os vossos melhores campos, vinhas e olivais e os dará aos seus funcionários. 15Das vossas colheitas e das vossas vinhas ele cobrará o dízimo, e o destinará aos seus eunucos e aos seus criados. 16Tomará também vossos servos e servas, vossos melhores bois e jumentos, e os fará trabalhar para ele. 17Exigirá o dízimo de vossos rebanhos, e vós sereis seus escravos. 18Naquele dia, clamareis ao Senhor por causa do rei que vós mesmos escolhestes, mas o Senhor não vos ouvira'. 19Porém, o povo não quis dar ouvidos às razões de Samuel, e disse: "Não importa! Queremos um rei, 20pois queremos ser como todas as outras nações. O nosso rei administrará a justiça, marchará à nossa frente e combaterá por nós em todas as guerras". 21Samuel ouviu todas as palavras do povo e repetiu-as aos ouvidos do Senhor. 22aMas o Senhor disse-lhe: "Faze-lhes a vontade e dá-lhes um rei". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Clamareis ao senhor por causa do vosso
rei, mas o Senhor não vos ouvirá
A transformação política e social que os tempos exigiam não acarretava necessariamente o abandono de Deus por parte do povo. Tratava-se de duas concepções diversas a respeito de governo, ligadas a duas tradições diferentes. As profundas divergências que separam essas tradições encontram-se ainda hoje no plano cristão. Crer na presença de Deus em seu povo e em cada um dos membros deste povo consistirá porventura em oferecer-lhe oportunidade para uma intervenção direta, de cunho mais ou menos maravilhoso? Ou consiste, ao contrário, em considerar Deus presente justamente onde o homem assume a responsabilidade da ordem humana, social ou política? O seguidor de Cristo adquiriu o direito de chamar-se filho de Deus, e seu esforço em favor da ação política e social torna-se o sinal da ação de Deus para a salvação do mundo.
Salmo: 88(89), 16-17.18-19 (R/.cf 2a)
Quão feliz é aquele povo que conhece a alegria; seguirá pelo caminho, sempre à luz de vossa face! Exultará de alegria em vosso nome dia a dia, e com grande entusiasmo exaltará vossa justiça.
Pois sois vós, ó Senhor Deus, a sua força e sua glória, é por vossa proteção que exaltais nossa cabeça. Do Senhor é o nosso escudo, ele é nossa proteção, ele reina sobre nós, é o santo de Israel!
Evangelho: Marcos (Mc 2, 1-12)
A cura do Paralítico
1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 2E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar; nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a palavra. 3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados".
6Ora, alguns mestres da lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 7"Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus". 8Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu intimo, e disse: "Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil: dizer ao paralítico: 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te, pega a tua cama e anda'? 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, disse ele ao paralítico: 11eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!” 12O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim.” Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho
Fé e incredulidade
É chocante o contraste entre a fé do paralítico e dos que o traziam até Jesus, para ser curado, e a incredulidade de alguns escribas, presentes nesta ocasião.
Para que o homem fosse curado, pessoas de boa vontade superaram todos os obstáculos a fim de fazê-lo chegar até Jesus. Mas, a presença da multidão impedia-lhes o acesso. Por isso, resolveram abrir um buraco no teto, por onde puderam descer a maca do paralítico. Só uma fé profunda pode explicar este gesto quase desesperado. E Jesus o descobre, e o recompensa.
Por sua vez, 95 escribas ruminam, em seus corações, pensamentos malévolos a respeito da ação de Jesus. Tomam-no por usurpador de um poder exclusivo de Deus, porque perdoa os pecados daquele pobre homem, antes mesmo que lhe solicitassem a cura. Sua incredulidade leva-os a acusar Jesus de blasfemo. E que, no fundo, não suportavam conviver com a misericórdia que jorrava do coração do Mestre.
A incredulidade dos escribas não foi suficientemente forte para bloquear Jesus. Ele continuou a agir com absoluta liberdade, sempre conforme o querer do Pai. Não só perdoou todos os pecados do paralítico, como também, devolveu-lhe a saúde, recompensando-lhe a fé.
Os incrédulos podem até permanecer firmes em sua incredulidade. Só não podem dizer que não tinham motivos para crer. O milagre de Jesus não dava margem para dúvidas. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
Para sua reflexão pessoal[2]
Para chegar até Jesus o paralítico precisou de três elementos importantes: a fé, a solidariedade dos irmãos e a perseverança. Não foi fácil chegar lá! Mas ele chegou preso a uma cama e saiu levando-a nas suas mãos, livre do mal que o afligia. Para nossos dias atuais o paralítico aqui representa o pecador, impuro, que toma a iniciativa de buscar a cura, a conversão, em Jesus; as pessoas que o ajudaram representam a mão amiga daqueles irmãos que querem nos ajudar por caminhos corretos; os mestres da lei simbolizam os incrédulos que estão a todo instante ao nosso redor, tirando-nos do caminho da salvação e levando-nos para a iniqüidade.
Santo Suipício
Sulpício faz parte de um grupo seleto de santos que alcançaram importância teológica, cultural e política na história da Igreja, pois atuaram na formação política e religiosa de toda uma nação, no seu caso, a França. Além de serem venerados e chamados à interceder nas aflições diárias ou nas curas dos males físicos da população, à ele recorrem os que sofrem de males nos pulmões.
Para entender o alcance da atuação pastoral e política deste santo, é preciso
primeiro visualizar o contexto em que ela aconteceu. Era o século VII e a
França se consolidava como nação. Mas, ainda co-existiam vários grupos étnicos
que geravam muitos conflitos naqueles domínios e Sulpício, bispo de Burges,
impedia e controlava os choques, mediando e negociando entre eles as convivências
difíceis, sempre dentro dos preceitos da Igreja.
Pouco se sabe de sua vida antes de se tornar bispo, mas pode-se calcular que
tenha sido exemplar e trabalhosa, pois Burges era uma importante cidade,
situada bem no centro da França. Foi conquistada, pelo Império Romano, meio
século antes de Cristo, sendo anexada ao Império dos Francos no ano 507. O
cristianismo só chegou no século II. Como bispo, Sulpício, além de colocar a
Igreja como base da consolidação política do país, estruturou uma sólida formação
religiosa e humana do clero, através da vida monástica que implantou, para
garantir a maneira mais segura de evangelização do povo.
A diocese de Burges teve a felicidade de acrescentar seis santos ao corpo da
Igreja, todos bispos. Um deles foi Sulpício que morreu em 647. Em Paris, foi
erguida a igreja de São Sulpício de belíssima arquitetura, à esquerda do rio
Sena, onde foram depositadas as suas relíquias. Ao lado dela se estabeleceu um
seminário beneditino, que adotou o nome do santo, e se tornou, depois, no maior
centro de formação do clero francês. Esta comunidade deu origem à uma nova
família de religiosos, chamada de Ordem dos Padres Religiosos de São Sulpício.
Entretanto, São Sulpício se fixou no coração do povo antes mesmo do seu
transito, e é ainda o grande auxiliador e intercessor na cura das doenças
pulmonares. Segundo uma antiga tradição, o rei Clotário II, soberano da
primeira dinastia francesa, foi curado milagrosamente de uma severa pleurite,
pelo bispo Sulpício, cuja fama de santidade era muito grande. O rei ficou tão
contente que até diminuiu os impostos que cobrava da população de Burges.
(www.paulinas.org.br)