Sexta-feira, 17 de abril de 2009
Oitava da Páscoa, 1ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca
O Senhor conduziu o seu povo na esperança e recobriu com o mar seus inimigos, aleluia! (Sl 77,53)
Hoje: Dia Nacional do Livro Infantil
Santos: Sotero (papa, mártir), Caio (papa, mártir), Epipódio (mártir), Alexandre (mártir), Leônidas (mártir), Agapito I (papa), Teodoro de Sicélia (bispo), Oportuna (virgem e abadessa), Volfelmo (beato, abade), Francisco de Fabriano (beato, confessor franciscano da 1ª ordem), Bartolomeu de Cervere (beato, mártir), Miles
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que no sacramento pascal restaurastes vossa aliança, reconciliando convosco a humanidade, concedei-nos realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
Leitura: Atos (At 4, 1-12)
Em nenhum
outro há salvação
Naqueles dias, depois que o paralítico fora curado, 1Pedro e João ainda estavam falando ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o chefe da guarda do templo e os saduceus. 2Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam a ressurreição dos mortos na pessoa de Jesus. 3Eles prenderam Pedro e João e os colocaram na prisão até ao dia seguinte, porque já estava anoitecendo. 4Todavia, muitos daqueles que tinham ouvido a pregação acreditaram. E o número dos homens chegou a uns cinco mil. 5No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém os chefes, os anciãos e os mestres da lei. 6Estavam presentes o sumo-sacerdote Anás, e também Caifás, João, Alexandre, e todos os que pertenciam às famílias dos sumos sacerdotes. 7Fizeram Pedro e João comparecer diante deles e os interrogavam: "Com que poder ou em nome de quem vós fizestes isso?"
8Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: "Chefes do povo e anciãos: 9hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado. 10Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, - aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos - que este homem está curado, diante de vós. 11Jesus é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular. 12Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos". Palavra do Senhor!
Comentando a Leitura[1]
Em nenhum outro há salvação
Se a presença gloriosa de Cristo continua nos prodígios e milagres operados pelos apóstolos também a presença de recusa, perseguição e sofrimentos continua na carne de sua Igreja. Testemunho-perseguição é outro binômio inseparável da comunidade eclesial. A perseguição é selo de autenticidade da mensagem e fonte de crescimento. Perseguição quer dizer que a verdade da mensagem não se mede pela acolhida do mundo, mas só pela fidelidade ao Cristo ressuscitado. A coragem e as palavras para dar testemunho na perseguição vêm do Espírito.
O motivo da perseguição e o objetivo do testemunho é Cristo ressuscitado, único salvador do homem. Esta afirmação, contudo, é uma revolução radical: é o fim da velha religião-de-Israel, para quem a salvação era a lei. Afirmar que Cristo ressuscitou não quer dizer que ele vive num mundo abstrato, em lugar “distante”, de onde não pode incomodar, mas que está “presente e ativo” no mundo.
Salmo: 117 (118), 1-2 e 4. 22-24. 25-27a
(+22)
A pedra
que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" Os que temem o Senhor agora o digam: "Eterna é a sua misericórdia!"
"A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!
Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação; ó Senhor, dai-nos também prosperidade!" Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!
Evangelho: João (Jo 21, 1-14)
Jesus
aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles
Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3Simão Pedro disse a eles: "Eu vou pescar". Eles disseram: "Também vamos contigo". Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite.
4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: "Moços, tendes alguma coisa para comer?" Responderam: "Não". 6Jesus disse-lhes: "Lançai a rede à direita da barca, e achareis". Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros.
9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10Jesus disse-lhes: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes 11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12Jesus disse-lhes: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
A refeição com o ressuscitado
O texto evangélico alude a dois níveis de comunhão na vida dos discípulos: entre si e com o Ressuscitado. Isto perfaz uma experiência característica do discipulado cristão.
A comunhão dos
discípulos entre si expressa-se na disposição a trabalharem juntos. Quando
Pedro revela sua decisão de ir pescar, imediatamente outros seis companheiros
dispõem-se a ir com ele. Embora a pescaria tenha sido infrutífera, o simples
fato de estarem pescando juntos já era significativo. Cada qual poderia ir
pescar sozinho, pensando em si mesmo e no lucro que obteria com a pesca. A
disposição de partilharem o trabalho dava à pescaria uma nova dimensão.
A comunhão com o Ressuscitado expressa-se no convite para a refeição. Primeiramente, Jesus pede aos sete pescadores algo para comer. Uma vez que nada tinham pescado, ordena-lhes que lancem novamente a rede, à direita da barca. Resultado: recolhem-na abarrotada de enormes peixes. Entretanto, quando atingem a margem do lago, deparam-se com uma surpresa: a refeição preparada pelo próprio Mestre! Este lhes oferece peixe assado e pão, como gesto de bondosa solicitude, saciando-lhes a fome, após uma noite inteira de fadiga e de trabalho inútil.
A comunhão com o Senhor dava consistência à comunhão dos discípulos entre si.
Caso contrário, não passariam de um grupo de amigos, sem maiores compromissos.
A presença do Senhor fazia frutificar o esforço da comunidade de atrair para a
fé muitas outras pessoas. Isto é o que simboliza a rede repleta com 153 grandes
peixes.
Santa Maria Encarnação[3]
Nascida em Paris em 1565, Santa Maria da Encarnação, religiosa carmelita, cujo nome anterior era Acaria, nasceu em Paris, no dia 1º de Janeiro de 1565. Seu nome de batismo era Bárbara. Casou-se aos 16 anos com um rico senhor, chamado Pedro Acário, e foi mãe de seis filhos. Passou por várias atribulações e aflição de espírito. Seu marido foi exilado, seus bens confiscados. Tomou a defesa do marido, não se detendo até provar a inocência dele. Educou os filhos no amor à verdade, no respeito e no serviço aos mais pobres e desvalidos. Ensinou-os a viver de maneira simples, sóbria, modesta e temente a Deus. Ensinou-lhes também o espírito de sacrifício e a força de vontade perante as dificuldades. E o fez mais com seu exemplo do que com palavras: os infelizes, os aflitos, os doentes, os encarcerados encontraram nela amparo e proteção. Assentou na França as Carmelitas e apoiou a obra das vocações. Morto seu esposo em 1613, ingressou ela na Ordem das Carmelitas, jurando obediência à própria filha, eleita abadessa do convento de Amiens. Terminou os seus dias num leito de dor no convento carmelita de Pontoise. E ao morrer no dia 7 de fevereiro de 1618, recitou várias vezes os Salmos 21 e 101. Era quinta-feira santa do ano 1618.
Dom José Alberto Moura
O termo e a festa da Páscoa são usados muito comercialmente e muitos, então, podem ficar na superficialidade da comemoração. Jesus queria ardentemente celebrar a festa da Páscoa com os discípulos. A razão disso conglobava todo o sentido e a aplicação de sua missão. O Pai O enviara para libertar o ser humano da escravidão de si mesmo e dar-lhe condição de viver a grande alteridade do amor oblativo. Isto vem a ser o achado do grande segredo da vida realizadora, ou seja, o mergulho no amor de Deus para a vida de amor ao semelhante. Somente ganha a vida quem der a própria em bem do outro. Jesus faz e ensina isso. Quem quiser segui-lo deve estar disposto a imitá-lo. Caso contrário, a Páscoa não tem aplicação em nossa vida. A pura celebração da festa sem o condimento fundamental da mesma não atinge o significado e a realidade da própria transformação.
Na última ceia, Jesus apresentou o grande tesouro de seu amor, dando de si, totalmente, não só um pedaço, através da Eucaristia. Ato contínuo, derramou até a última gota de sangue e água do coração, indicando a oferta cabal de sua pessoa, em nome da humanidade. Depois, mostrando sua divindade, superou o limite humano da morte física. Ressuscitou!
O ser humano tem a tendência e ação contínua de absolutizar a própria vontade, a ponto de relativizar valores dos outros e de Deus. A regra do jogo, então, são o próprio pensamento e o próprio desejo. A história do pecado, desde o início, tem sido justamente isto. Jesus veio realizar e nos ensinar a realidade da Páscoa. Ela é aplicada em nós quando aceitamos a verdade dele e realizamos a obediência total a Deus. Ele teve a tentação ou o desejo de fazer a própria vontade, mas sempre se dominou e realizou a vontade do Pai, mesmo tendo que se sujeitar à condenação, à morte e sofrer os mais terríveis açoites, finalizando com a crucifixão, morte e sepultura. Mas sabia previamente do desfecho. Por causa dele também vivemos a esperança da Páscoa definitiva com a ressurreição e a vida eterna.
Se estamos na convivência de grande insegurança, violência e injustiça generalizada, é justamente por não pautarmos nossa vida em obediência a Deus. O Filho dele vai à nossa frente indicando-nos o caminho. Sua Páscoa nos dá garantia de que vencemos e somos capazes de conseguir a paz duradoura dentro de nossas consciências e no relacionamento familiar e social. Basta nos convertermos para superarmos a pior das escravidões: a do aprisionamento em nosso egoísmo. Libertamo-nos através de uma vida iluminada pelo Ressuscitado! Com ele, somos capazes de implantar o reino da justiça misericordiosa e do amor que produz verdadeira liberdade!
Com a celebração da Páscoa, em sua realidade original de aceitarmos as coordenadas de Jesus, somos impulsionados, a exemplo dos apóstolos, a ser “testemunhas de tudo o que Jesus fez” (At 10, 39) e também com eles “testemunhar que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos” (At 10, 42). Vale a pena celebrar a Páscoa de Jesus, que dá fundamento absoluto à nossa própria Páscoa. Assim viveremos como pessoas ressuscitadas para a vida nova, ou seja, com a nova perspectiva dele. (CNBB)
Aquele que se esquece da misericórdia recebida, não se
compadece de ninguém. (S. Antonio)