Sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Santos Cornélio e Cipriano (Papa e Bispo Mártires), Memória, 4ª do Saltério, cor Vermelha

 

Hoje: Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio

 

Santos: Cornélio,(bispo de Roma), Cipriano (bispo de Cartago), Eufêmia (virgem martirizada em 303 na Calcedônia), Rogério e Abdala (decapitados pelos mulçumanos em 852), Edith, Victor III (1087), Tomás de Foligno (confessor franciscano, ofs)

 

Antífona: Alegram-se nos céus os santos que a terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

 

Oração: Ó Deus, que em São Cornélio e São Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Timóteo (1Tm 6, 2c-12)

Pulo pede a Timóteo fidelidade à profissão de fé em Jesus

 

Caríssimo, 2censina e recomenda estas coisas. 3Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade, 4é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, 5porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade que fazem da piedade assunto de lucro. 6Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, mas quando acompanhada do espírito de desprendimento. 7Porque nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar.

 

8Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos. 9Os que desejam enriquecer, caem em tentação e armadilhas, em muitos desejos loucos e perniciosos que afundam os homens na perdição e na ruína, 10porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por se terem deixado levar por ela, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos. 11Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. Palavra do Senhor!

 

Comentando Hb 5, 7-9

Tu és um homem de Deus, procura a justiça

 

É falso evangelizador quem procura fama, dinheiro, confusão para os outros e tem escasso interesse pela fé. O verdadeiro evangelizador sabe bastar-se a si mesmo, vive a verdade, procura o bem dos outros, está todo entregue ao serviço da fé, tem coração pobre, desinteressado, aberto á justiça de Deus (v. 11). Com eleito, a pobreza é libertação interior, alegria, fraternidade e, em seu vértice, é humildade e total confiança em Deus. É sempre fruto de "nova criação". "O apego ao dinheiro é a raiz de todos os males" (v. 10), adverte-nos Paulo. A pobreza, ao contrário, une o evangelizador ao homem que sofre, com o qual quer alcançar libertação recíproca. A pobreza contém em si uma dinâmica: liberta de todas as prisões interiores e da necessidade de aprisionar os outros; é ao mesmo tempo luta com o homem pobre e comunhão com ele. É, sobretudo, busca de comunhão com Cristo ressuscitado, até à total transfiguração. [BÍBLIA DO PEREGRINO, ©Paulus, 2002]

 

 

Salmo: 48 (49), 6-7.8-10.17-18.19-20 (R/.Mt 5,3)

Felizes os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus

 

Por que temer os dias maus e infelizes, quando a malícia dos perversos me circunda? Por que temer os que confiam nas riquezas e se gloriam na abundância de seus bens? 

 

Ninguém se livra de sua morte por dinheiro nem a Deus pode pagar o seu resgate. A isenção da própria morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal. 

 

Não te inquietes, quando um homem fica rico e aumenta a opulência de sua casa; pois ao morrer não levará nada consigo, nem seu prestígio poderá acompanhá-lo. 

 

Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo: "Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida!" Mas vai-se ele para junto de seus pais, que nunca mais e nunca mais verão a luz! 

  

 

Evangelho: Lucas (Lc 8, 1-3)

Andava com ele várias mulheres que ajudavam a Jesus

 

Naquele tempo, 1Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a boa nova do reino de Deus. Os doze iam com ele; 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Colaboradores na missão

O Evangelho mostra-nos Jesus e sua comunidade itinerante a serviço da Boa Nova do Reino. O ministério do Mestre era exercido em comunhão com colaboradores e colaboradoras, todos voltados para a mesma missão.


É fácil de entender que Jesus tivesse colaboradores. Difícil é pensar um Mestre rodeado de discípulas, numa sociedade onde a dignidade das mulheres não era reconhecida. Diríamos, hoje: era uma sociedade machista! No entanto, Jesus mantinha-se imune destes esquemas, não permitindo que influenciassem suas opções.


As colaboradoras de Jesus são todas mulheres que o haviam procurado por padecer de doenças e ser vítimas dos espíritos malignos. Tendo sido beneficiadas pelo Mestre, acabaram por se colocar a serviço dele. Isto por que compreenderam a importância do ministério de Jesus. Como elas, havia tantas outras pessoas vítimas de enfermidades e possessões demoníacas, que precisavam ser curadas pelo Mestre. Por isso, pareceu-lhes sensato colocar seus bens a serviço desta causa nobre. Era a melhor forma de manifestar sua gratidão a Jesus e se mostrarem úteis.
Para o Mestre, pouco importava a condição feminina. Importava-lhe, sim, a disposição interior dessas mulheres. Afinal, como ele, elas estavam dispostas a ser servidoras da humanidade.
[O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

A Palavra se faz oração (Missal Cotidiano)

Concedei, Senhor, coragem e alegria aos que se comprometem com a comunidade. Senhor, ouvi-nos.

Protegei os missionários que dão testemunho em terras estrangeiras.

Fortalecei as famílias que fazem parte de nossa comunidade.

Daí perseverança a todos os que estudam e transmitem a palavra de Deus.

Cumulai de bênçãos as mulheres generosas e acolhedoras.

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo, ao celebrarmos a paixão dos mártires Cornélio e Cipriano, para que a eucaristia nos torne firmes na adversidade como os fez corajosos na perseguição. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Fostes vós que permanecestes comigo nas minhas tribulações. E eu disponho do reino para vós, diz o Senhor. No meu reino comereis e bebereis à minha mesa. (Lc 22, 28ss)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, por esta eucaristia que recebemos e pelos exemplos de São Cornélio e São Cipriano, sejamos fortalecidos pelo vosso Espírito, para dar testemunho do evangelho. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: No desempenho da missão de Jesus, Lucas chama a atenção para a companhia dos Apóstolos e a presença de algumas mulheres. Os Doze serão chamados a ter parte na responsabilidade da missão. A presença de mulheres discípulas em torno de Jesus é um fato excepcional no ambiente palestinense. Maria chamada Madalena aparecerá junto à cruz, na sepultura de Jesus, junto ao túmulo aberto e será a primeira a ver Jesus ressuscitado e anunciá-lo. A ideia de ter sido possuída por sete demônios representa, no mundo judaico, o poder total da ação de Satanás sobre a pessoa. (Cf. Bíblia dos Capuchinhos)

 

Santos Cornélio e Cipriano

 

A liturgia une estes dois santos contemporâneos que morreram mártires no mesmo dia, mas com diferença de cinco anos. Cornélio foi papa nos anos 251-253. Durante seu pontificado surgiu um debate a propósito da conduta a seguir em relação àqueles que haviam negado a fé durante a perseguição. Os partidários de Novaciano acusaram-no de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé ("lapsos") e separaram-se da Igreja.

 

Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Cività-Vecchia, onde morreu. Foi sepultado no cemitério de São Calisto. São Cipriano dirigiu-lhe várias cartas confortando-o.

 

 

São Cipriano

 

Mais numerosas são as notícias deste santo que emerge como uma das figuras mais empolgantes do século III. Pertencia a uma das mais nobres e ricas famílias de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando ainda pagão, destacou-se como excelente advogado e mestre de retórica.

 

Sua conversão ao Cristianismo deu-se entre 35 a 40 anos de idade, comovido por observar a constância e serenidade dos mártires nas perseguições. A conversão modificou-o radicalmente. Decidiu praticar, sobretudo, as virtudes da caridade e da castidade. Fez voto de castidade e repartiu quase todos os bens entre os pobres.

 

O impacto social de sua conversão e de sua atitude foi enorme, dada sua fama anterior. Renunciou também a toda sua ciência profana, pois em seus escritos não cita nenhum dos autores pagãos que haviam alimentado seu pensamento até então.

 

Pouco tempo depois, foi ordenado sacerdote por sufrágio do clero e do povo e, ao morrer o bispo de Cartago, foi forçado a suceder-lhe no cargo.

 

Os anos de seu episcopado: 249-258, foram dos mais difíceis para a Igreja africana. Duas perseguições contra os cristãos, a de Décio e Valeriano, marcaram seu começo e seu fim e uma terrível peste grassou pelo norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

 

Quando em 249 o imperador Décio decretou a perseguição contra a Igreja, muitos católicos selaram a fé com o próprio sangue, outros, porém, fraquejaram. Não tardou que a perseguição chegasse a Cartago. Os pagãos reuniram-se no grande foro e, em altos e apaixonados gritos, exigiam a morte do bispo cristão, Cipriano. Este, em fervorosas orações, procurava conhecer a vontade de Deus. Para poupar o rebanho, embora dessa preferência ao martírio, achou mais acertado seguir o conselho do Evangelho: "Se vos perseguirem numa cidade, procurai outra". Do esconderijo pôde prestar grandes serviços à sua Igreja, exortando, consolando e animando os próprios fiéis.

 

Duas grandes questões disciplinares agitavam a Igreja naquele tempo e que ocasionaram escritos polêmicos: a primeira era a conduta a ser seguida em relação aos que nas ameaças e torturas da perseguição tinham fraquejado, apostatando. Eram chamados os "lapsos". Em Roma, havia surgido uma corrente rigorosa chefiada por Novaciano, que recusava terminantemente a reconciliação dos apóstatas; na África um certo Felicíssimo seguia uma praxe diametralmente oposta. O Papa Cornélio era propenso à demência, depois de salutar penitência. Cipriano teve que reagir contra Felicíssimo, inclinando-se por certo rigorismo, mais tarde mitigado por exigências pastorais. A segunda controvérsia era relativa ao valor do batismo administrado por hereges. O papa, seguindo a tradição, reconhecia válido o batismo dos hereges, contanto que tivessem sido observadas as condições de matéria e forma. Cipriano. que por formação tinha tido poucos contatos com a tradição, seguia uma lógica muito humana: "Não pode dar a fé, quem não a tem". A questão ficou sem solução, devido às dificílimas complicações da perseguição, em vigor.

 

Com a morte de Cipriano, a tradição de Roma tomou pé também na África e assim continuou sempre através dos séculos. No ano 258, a perseguição contra a Igreja recrudesceu: Cipriano foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo e martírio escritas por testemunhas presentes à morte e que são de uma franqueza comovedora. O procônsul o interrogou: "Tu és Tácio Cipriano?" O bispo respondeu: "Sim, sou". "Tu viveste por muito tempo nesta sacrílega idéia e reuniste muitos homens na ímpia conspiração dos cristãos. Tu te fizeste inimigo dos deuses romanos. Por esta razão, com tua morte, serás uma advertência para aqueles que associaste a ti". Dito isso, leu a sentença: "Tácio Cipriano seja degolado a espada". O bispo Cipriano respondeu: "Graças a Deus!" Era o dia 14 de setembro do ano 258.

 

São Cipriano deixou-nos numerosos escritos doutrinais de grande importância. A coleção de suas 81 cartas é obra-prima da literatura latina e constitui preciosa fonte de informação sobre a vida eclesiástica daquele tempo. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

Ser generoso

Dom Paulo Mendes Peixoto, Bispo de São José do Rio Preto - SP

 

Os nossos critérios de ação devem ultrapassar a realidade unicamente humana. Na origem das atitudes há os dados da ética e da moral, mas também as questões divinas que estão relacionadas com as questões da fé.

 

Ser generoso não é simplesmente ser justo, mas atender as necessidades de quem está em jogo. Não é fato apenas de merecimento e de justiça, mas de solidariedade e de partilha de forma fraterna, para que todos tenham vida digna.

 

O mundo é como um terreno onde se planta de tudo. É daí que tiramos os alimentos. Mas todos devem trabalhar uns mais e outros menos, dependendo das condições de cada pessoa. Os frutos são para sustento da coletividade e de forma solidária.

 

Para o trabalho, há pessoas que chegam cedo, outras trabalham menos, mas ambos têm necessidade de vida e de alimento. Na partilha, ninguém pode ser injustiçado, mesmo que alguém receba além do que é justo por não ter trabalhado o tempo todo.

 

Jesus conta a parábola do patrão que combinou o salário do dia com um trabalhador. Outros foram chegando ao transcorrer do dia, havendo até quem chegasse ao final da tarde. A ambos o patrão pagou o mesmo valor. Ele agiu com justiça e com generosidade.

 

No mundo capitalista as atitudes são diferentes, mesmo sabendo da existência de quem partilha com os trabalhadores os lucros da empresa. No mundo de Deus, a ternura e a generosidade ultrapassam as nossas, a lógica é diferente do que fazemos.

 

A prática da vida cristã deve ser a do amor, com capacidade de doação maior do que aquilo que merecemos. É a misericórdia, a paciência, a compaixão, a bondade e a justiça, tendo como objetivo viver bem, tendo uma vida que faça sentido.

 

Para Deus, a partilha não é matemática e nem mesquinha, porque Ele olha a necessidade da pessoa. A sua bondade ultrapassa os critérios humanos e seus dons são sem medida. O que importa não é o que fazemos, mas a forma como fazemos as coisas. [CNBB]

 

Desafio pessoal: doe exemplares de Bíblia a um amigo ou amiga; evangelize através da Palavra!

 

 

 

 

 

A pessoa certa é a que está no seu lado nos momentos incertos. (Pablo Neruda)