Sexta-feira, 16 de maio de 2008

6ª Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Sede o rochedo que me abriga, a casa bem definida que me salva. Sois minha fortaleza

e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

 

Hoje: Dia do Gari

 

Santos: Ubaldo de Gúbio (bispo), Peregrino de Auxèrre (bispo e martir), Possídio (bispo), Germério (bispo), Bernardo (abade), Dônolo (bispo), Carantoco (ou Caranoco, abade), Honorato de Amiens (bispo), Simão Stock, João Nepomuceno (martir), Margarida de Cortona.

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Tiago (Tg 2, 14-24.26)
O corpo precisa do espírito e a fé precisa das obras

 

14Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? 15Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; 16se então alguém de vós lhes disser: "Ide em paz, aquecei-vos", e: "Comei à vontade", sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso? 17Assim também a fé: se não se traduz em obras, por si só está morta. 18Em compensação, alguém poderá dizer: "Tu tens a fé e eu tenho a prática!" Tu, mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras! 19Tu crês que há um só Deus? Fazes bem! Mas também os demônios crêem isso, e estremecem.

 

20Queres então saber, homem insensato, como a fé sem a prática é vã? 21O nosso pai Abraão foi declarado justo: não será por causa de sua prática, até ao ponto de oferecer seu filho Isaac sobre o altar? 22Como estás vendo, a fé concorreu para as obras, e, graças às obras, a fé tornou-se completa. 23Foi assim que se cumpriu a escritura que diz: "Abraão teve fé em Deus, e isto lhe foi levado em conta de justiça", e ele foi chamado amigo de Deus. 24Estais vendo, pois, que o homem é justificado pelas obras e não simplesmente pela fé. 26Assim como o corpo sem o espírito é morto, assim também a fé, sem as obras, é morta. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura[1]

Assim como o corpo sem o espírito é morto,

assim também a fé sem as obras, é morta

 

Para o cristão, a fé não é simples adesão às fórmulas de um credo, mas deve abraçar a própria vida e transformá-la. Tiago e Paulo estão de acordo sobre a necessidade das "obras", entendidas como "atividades que se baseiam na fé", de modo particular a caridade para com os necessitados. Em consonância com isto, o Concilio estimula os cristãos de hoje às multiformes obras de caridade. Exorta particularmente os religiosos a destinar "alguma parte dos seus bens às outras necessidades da Igreja e ao sustento dos pobres..." (PC 13) e recorda a todos os fiéis: "Não se salva, ainda que incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja com o corpo, mas não com o coração... sua condição privilegiada não se deve aos seus méritos, mas a uma especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com o pensamento, com as palavras e com as obras, não só não se salvarão, como também serão mais severamente julgados" (LG 14).

 

 

Salmo: 111 (112), 1-2.3-4.5-6 (+ cf. 1b)

Feliz é todo aquele que ama com carinho a lei do Senhor Deus

 

Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

 

Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.

 

Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

 

Evangelho do dia: Marcos (Mc 8, 34-9,1)

Seguir a Jesus requer nossa doação total aos outros

 

Naquele tempo, 34chamou Jesus a multidão com seus discípulos e disse: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 35Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, vai salvá-la. 36Com efeito, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? 37E o que poderia o homem dar em troca da própria vida?

 

38Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos anjos". 9,1Disse-lhes Jesus: "Em verdade vos digo, alguns dos que aqui estão, não morrerão sem antes terem visto o reino de Deus chegar com poder". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho[2]

Cruz e seguimento

 

O pré-requisito para o seguimento de Jesus consiste na disposição a renunciar-se a si mesmo e aos projetos pessoais, e assumir a cruz decorrente desta opção. A cruz desponta na vida do discípulo desde o momento em que opta pelo Reino. Ela não é um fato isolado em sua experiência de seguidor, nem se situa apenas no fim da caminhada. Pelo contrário, acompanha-o ao longo de todo o percurso de fidelidade ao compromisso assumido.

 

A ordem - "Tome sua cruz" - alude à morte de Jesus. Esta experiência só tem explicação a partir de sua fidelidade radical ao Pai. Porque não aceitou desviar-se do caminho traçado por ele, Jesus foi punido por seus inimigos com a morte de cruz. Desta forma, tentaram caracterizá-lo como amaldiçoado por Deus e malfeitor.

 

Ao tomar sua cruz, o discípulo aceita, como Jesus, pautar sua vida pela absoluta fidelidade ao Pai e a seu Reino, embora devendo pagar um alto preço. Se o discípulo imagina poder ser fiel, sem atrair as iras do anti-Reino, está enganado.

 

Por isso, ao propor o seguimento, logo Jesus adverte o discípulo, que deverá passar pela experiência de cruz. Se não está disposto a submeter-se a esta exigência, é melhor recusar o convite. Num momento de dificuldade, é possível que venha a se envergonhar de Jesus. Mas este também envergonhar-se-á dos que assim agem, quando vier na glória do Pai.

 

Portanto, quem estiver disposto a seguir o Mestre, deverá também estar disposto a aceitar a cruz.

 

 

São João Nepomuceno[3]

 

 

 

De família pobre, nasceu quando seus pais já estavam em avançada idade. Daí ser "João" o seu nome, numa alusão ao nascimento de João Batista que também nascera quando Santa Isabel já era bastante idosa. Estudou na universidade de Praga, onde se formou em Direito Canônico e doutorou-se em teologia. Ordenado sacerdote, sua grande eloqüência levou-o à corte, e ali tornou-se capelão e confessor. A própria rainha e imperatriz Joana tomou-o para diretor espiritual. Pouco se sabe da realidade dos fatos que culminaram no seu cruel martírio. Alguns afirmaram que São João tornou-se um obstáculo às pretensões do rei, desejoso de controlar a Igreja. A opinião mais comum, entretanto, é que na impossibilidade de arrancar-lhe o segredo da confissão concernente à vida de sua esposa, o rei mandou torturá-lo. Primeiramente queimaram em fogo lento suas partes íntimas. Como continuasse firme na decisão de manter o segredo da confissão, sem que ninguém percebesse foi lançado nas águas do rio Moldava. Seu corpo foi, entretanto, descoberto e recebeu digna sepultura na Igreja de Santa Cruz. Em seu túmulo foi gravado este epitáfio: Aqui jaz o venerabilíssimo João Nepomuceno, doutor, cônego desta igreja e confessor da rainha, ilustre pelos seus milagres, o qual por ter guardado o sigilo sacramental foi cruelmente torturado, e lançado de cima da ponte de Praga, no rio Moldava, por ordem de Venceslau IV, no ano de 1383.

 

Ó que glorioso, santo e grande é ter um Pai no céu! (S. Francisco de Assis)

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998

[3] www.asj.org.br