Sexta-feira, 16 de abril de 2010

Segunda Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II),  cor  litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia Nacional da Voz

 

Santos: Optato e seus companheiros (mártires), Engrácia (virgem e mártir), Turíbio de Astorga (bispo), Paterno ou Pair (bispo), Frutuoso de Braga (arcebispo), Magno de Órcades (mártir), Dgógão ou Drão, Contardo, Joaquim de Sena (beato), Guilherme de Polizzi (beato), Arcângelo de Bolonha (beato), Benedito José Labre (confessor franciscano) , Maria Bernadete Soubirous (virgem franciscana), Calisto de Corinto, Júlia, Marçal

 

Antífona: Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós, um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap 5, 9-10)

 

Oração: Concedei, ó Deus, aos vossos servos e servas a graça da ressurreição, pois quisestes que o vosso Filho sofresse por nós o sacrifício da cruz para nos libertar do poder do inimigo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 5, 34-42)     
 Por causa do nome de Jesus

 

Naqueles dias, 34um fariseu, chamado Gamaliel, levantou-se no sinédrio. Era mestre da lei e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante. 35Depois disse: "Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. 36Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto e todos os que o seguiam debandaram, e nada restou. 37Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele morreu e todos os seus seguidores se dispersaram.

 

38Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se este projeto ou esta atividade é de origem humana será destruído. 39Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!" E os membros do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel. 40Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. 42E cada dia, no templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Eles saíram muito contentes por causa de nome de Jesus

 

Gamaliel raciocina como homem de fé; os perseguidores, como homens do poder. A fala de Gamaliel vai às raízes das relações entre Igreja e Sinagoga. O antigo povo de Deus deve combater todo desvio da verdadeira fé, mas deve também reconhecer a ação livre e gratuita de Deus, que escolhe e reúne o novo povo. Ora, para fazer este discernimento, cumpre dar tempo ao tempo e ler com humildade os sinais. Assim, Gamaliel dá o critério último de reconhecimento e autenticidade da vida da Igreja. Se esta nasce exclusivamente de um esforço humano de libertação, assim como nasce, morre. Se, porém, na nova comunidade, em seu corajoso testemunho é Deus quem opera a salvação do povo, é inútil combatê-la: seria o mesmo que lutar contra Deus. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 26 (27), 1.4.13-14 (R/.cf.4ab)
Ao Senhor eu peço apenas uma coisa:

habitar no santuário do Senhor

 

O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu tempo.

 

Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor.

 

 

Evangelho: João (Jo 6, 1-15)

Distribuiu-os aos que estavam sentados

 

Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. 4Estava próxima a páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?"

 

Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um". 8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9"Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?" 10Jesus disse: "Fazei sentar as pessoas". Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.

 

11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!" 13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o profeta, aquele que deve vir ao mundo". 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas nos Evangelhos Sinóticos: Mt 14, 13-21, Mc 6, 30-44, Lc 9, 10-17

 

 

Comentário o Evangelho

É tempo de Páscoa

 

O milagre da partilha do pão está inserido num contexto pascal. Seu simbolismo ajuda-nos a compreendê-lo.

 

O Evangelho observa que “a páscoa, a festa dos judeus, estava perto". A páscoa era a festa principal do calendário judaico. Recordava a libertação da escravidão egípcia e a entrada na Terra Prometida. Este episódio era considerado como a experiência fundante da fé do povo de Israel, pois nele Deus se revelara como protetor e libertador do povo eleito.

 

Outros elementos recordam a experiência do antigo Israel: o fato de Jesus se encontrar às margens do mar da Galiléia e ter subido a uma alta montanha, onde se sentou com os discípulos. O Mar Vermelho e o Monte Sinai são, aqui, evocados. O lugar deserto, onde se encontravam os ouvintes do Mestre, bem como a carência de alimentos e a posterior providência de Jesus para saciar a multidão também têm a ver com o fato de outrora.

 

Tendo como pano de fundo esta ambientação pascal, a cena evangélica significa que é missão do Ressuscitado ser o guia da comunidade cristã a caminho da Terra Prometida - a casa do Pai. O povo congregado em torno de Jesus é chamado a ser um povo de irmãos e irmãs para os quais a partilha solidária é uma exigência irrenunciável. Mesmo sendo muitos, ninguém será vítima do abandono ou da fome. Aqui, o egoísmo não pode ter vez! A Páscoa de Jesus convida-nos, pois, a renovar nossa condição de povo de Deus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A multiplicação dos pães aparece em todos os Evangelhos, pois se refere ao milagre do maná no Êxodo e à celebração da Eucaristia na comunidade cristã. Jesus é fonte de vida, o pão da vida, que alimentou cinco mil e que continuará alimentando milhões de crentes. Felipe e André representam a visão humana, de um realismo impotente, forçada a calcular sem resolver; ao mesmo tempo dão voz à necessidade humana. Como na primeira multiplicação dos pães de Marcos, sobram doze cestos, o suficiente para alimentar um novo Israel. A resposta entusiasta do povo visando proclamar Jesus rei faz que o Mestre se afaste deles, pois buscam milagres e não fé.

 

 

Santa Bernadete Soubirious I

 

Bernarda, era o nome a filha de Francisco Soubirous e Luisa Casterot, nascida em 7 de janeiro de 1844, em Lourdes, uma região montanhosa da França, os famosos Pirineus. Mas era chamada pela forma carinhosa do nome no diminutivo: Bernadete. A família de camponeses era numerosa, religiosa e muito pobre. Desde a infância, a pequena tinha problemas de saúde em consequência da asma. Era analfabeta, mas tinha aprendido a rezar o terço, o que fazia diariamente enquanto cuidava dos afazeres da casa.


Numa tarde úmida e fria, Bernadete foi, junto com a irmãzinha e algumas companheiras, procurar gravetos. Tinham de atravessar um riacho, mas ela se atrasou porque ficou com receio de molhar os pés, quando ouviu um barulho nos arbustos, ergueu os olhos e viu uma luz, dentro da gruta natural na encosta da montanha. Olhando melhor, viu Nossa Senhora vestida de branco, faixa azul na cintura, terço entre as mãos, que a chamou para rezar. Era o dia 11 de fevereiro de 1858. Quando chegaram em casa, a sua irmãzinha contou o ocorrido para os pais, que a proibiram de sair de casa. Bernadete chorou muito e adoeceu, então os pais deixaram que ela voltasse para lá. A aparição se repetiu, sete dias depois, quando Nossa Senhora lhe disse: "Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no outro". Voltou mais dezoito vezes, até 16 de julho, na gruta de Massabielle, nos montes Pirineus.


O pároco da diocese, no início, mostrou-se incrédulo quanto às aparições, por isso disse a Bernadete: "Peça a essa senhora que diga o seu nome". A resposta foi: "Eu sou a Imaculada Conceição". O que mais se admirou em Bernadete foi a sua modéstia, autenticidade e simplicidade. Compreendeu que tinha sido escolhida como instrumento para a mensagem que a Virgem queria transmitir ao mundo, que era a conversão, a necessidade de rezar o terço e o seu próprio nome: "Imaculada Conceição".


Bernadete sofreu muitas e pesadas provações para ser acreditada em suas visões, que só os numerosos milagres confirmaram como obra divina. Enquanto o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes se tornava um dos lugares mais visitados pelos peregrinos do mundo e a água da fonte era considerada milagrosa pelos devotos, Bernadete se recolhia na sombra.


Ingressou na Congregação das Irmãs de Caridade de Nevers, sendo admitida no noviciado seis anos depois por motivo de saúde. Ao tomar o hábito definitivo, recebeu o nome de Maria Bernarda. Mas nunca recebeu um privilégio das irmãs, parecia que essa frieza fazia parte de sua provação. Sempre bem-humorada, trabalhou como enfermeira no interior do convento, depois foi sacristã. Contudo sua doença se agravou e ela viveu nove anos numa cama, entre a vida e a morte.


Rezava não para livrar-se do sofrimento, mas para ter paciência e forças para tudo suportar, pois queria purificar-se para poder rever Nossa Senhora. Bernadete morreu em 16 de abril de 1879. O papa Pio XI canonizou-a em 8 de dezembro de 1933, dia da Imaculada Conceição, designando sua festa para o dia de sua morte.
[paulinas.org.br]

 

Sem Cristo, a luz da razão não basta para iluminar o ser humano e o mundo. (Papa Bento XVI)