Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Primeira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno

 

 

Santos do Dia: Antônio Maria Pucci (presbítero), Arcádio da Mauritânia (mártir), Bento Biscop (abade), Cesária de Arles (abadessa), João de Ravena (bispo), Martinho de León (agostiniano), Probo de Verona (bispo), Satiro da Acaia (mártir), Tatiana de Roma (mártir), Tígrio e Eutrópio (mártires de Constantinopla), Vitoriano de Asan (abade), Zótico, Rogato, Modesto, Catulo e Companheiros (mártires da África), Bernardo de Corleone (capuchinho, bem-aventurado), João Gaspar Cratz, Manuel d'Abreu, Bartolomeu Alvarez e Vicente da Cunha (jesuítas, mártires do Vietnam, bem-aventurados), Margarida Bourgeoys (virgem, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, bem-aventurada), Pedro Francisco Jamet (presbítero, bem-aventurado)

 

Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 4, 1-5.11)

Ouvir a palavra de Deus e acolhê-la na fé

 

Irmãos, 1tenhamos cuidado, enquanto nos é oferecida a oportunidade de entrar no repouso de Deus, não aconteça que alguém de vós fique para trás. 2Também nós, como eles, recebemos uma boa nova. Mas a proclamação da palavra de nada lhes adiantou, por não ter sido acompanhada da fé naqueles que a tinham ouvido, 3enquanto nós, que acreditamos, entramos no seu repouso. É assim como ele falou: “Por isso jurei na minha ira: jamais entrarão no meu repouso”. Isso, não obstante as obras de Deus estarem terminadas desde a criação do mundo. 4Pois, em certos lugares, assim falou do sétimo dia: “E Deus repousou no sétimo dia de todas as suas obras”, 5e ainda novamente: “Não entrarão no meu repouso”. 11Esforcemo-nos, portanto, por entrar neste repouso, para que ninguém repita o acima referido exemplo de desobediência. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Esforcemo-nos por entrar neste repouso

 

Podemos ouvir a palavra de Deus que nos anuncia a boa-nova, sem que esta traga a salvação. A epístola aos Hebreus explica a razão disso: a palavra ouvida de nada lhes adiantou. “por não ter sido acompanhada da fé naqueles que a tinha ouvido” (v.2). De fato, a fé cria comunhão.

 

São novamente aqui apresentada a ação de Deus que quer salvar e a colaboração do homem, necessária a esta salvação. Permanecer unidos pela fé é entrar no repouso de Deus, ou seja, aceitar ver as coisas como ele as vê, julgar como ele julga, agir como ele age.

 

Porque o “repouso de Deus” é essencialmente dinâmico. Deus é aquele  que “trabalha sempre” (Jo 5, 17). Neste sentido, o “repouso de Deus” a que somos convidados encontra-se na Igreja dinâmica e na constante busca de que falávamos ontem.

 

 

Salmo: 77 (78), 3.4bc.6c-7.8 (R/.cf.7c)

Não vos esqueçais das obras do Senhor!

 

3Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitiram para nós os nossos pais, 4bà nova geração nós contaremos: cas grandezas do Senhor e seu poder.


6cLevantem-se e as contem a seus filhos, 7para que ponham no Senhor sua esperança; das obras do Senhor não se esqueçam, e observem fielmente os seus preceitos.


8Nem se tornem, a exemplo de seus pais, rebelde e obstinada geração, uma raça de inconstante coração, infiel ao Senhor Deus, em seu espírito.

 

Evangelho: Marcos (Mc 2, 1-12)

“Meu filho, os teus pecados estão perdoados”

 

1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 2E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar; nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a palavra. 3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados".

 

6Ora, alguns mestres da lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 7"Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus". 8Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu intimo, e disse: "Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil: dizer ao paralítico: 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te, pega a tua cama e anda'? 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, disse ele ao paralítico: 11eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!” 12O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim.” Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos

Mt 9, 1-8; Lc 5, 17-26 (Cura do Paralítico)

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Sob o peso do pecado

 

A insistência sobre o tema do perdão dos pecados chama a atenção, na cena da cura do homem paralítico. Assim que Jesus o vê descer através de um buraco aberto no teto, declara que seus pecados estão perdoados. Esta declaração provoca alguns escribas que estavam por perto. Para eles, a palavra do Mestre soava como uma verdadeira usurpação de algo reservado exclusivamente a Deus. Portanto, Jesus era um blasfemo! A maneira como ele rebate a maledicência dos escribas é significativa: cura o paralítico para provar que “o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar os pecados”. O gesto poderoso de cura parece insignificante diante do poder maior de perdoar os pecados. E Jesus, de certo modo, parece sentir-se mais feliz por perdoar os pecados do que por curar. Por quê?


O perdão dos pecados tem, também, uma função terapêutica. Trata-se da cura do ser humano na dimensão mais profunda de sua existência, ali onde acontece seu relacionamento com Deus. Sendo esta dimensão invisível aos olhos, as pessoas tendem a se preocupar mais com as dimensões aparentes de sua vida, buscando a cura quando algo não está bem no âmbito corporal. Jesus vê além, preocupando-se por libertar quem pena sob o peso do pecado, mais do que sob o peso da doença. O primeiro é muito mais grave. Permanecer no pecado significa viver afastado de Deus e correr o risco de ser condenado. Este é o motivo por que o Mestre, antes de mais nada, quer ver o ser humano liberto de seus pecados.

 

Para sua reflexão pessoal[3]

 

Para chegar até Jesus o paralítico precisou de três elementos importantes: a fé, a solidariedade dos irmãos e a perseverança. Não foi fácil chegar lá! Mas ele chegou preso a uma cama e saiu levando-a nas suas mãos, livre do mal que o afligia. Para a nossos dias atuais o paralítico aqui representa o pecador, impuro, que toma a iniciativa de buscar a cura, a conversão, em Jesus; as pessoas que o ajudaram representam a mão amiga daqueles irmãos que querem nos ajudar por caminhos corretos; os mestres da lei simbolizam os incrédulos que estão a todo instante ao nosso redor, tirando-nos do caminho da salvação e levando-nos para a iniqüidade.

 

São Marcelo

 

Este foi um dos primeiros mártires da cristandade: tornou-se Papa num período terrível para Roma, logo após a queda do imperador Deocleciano. Sua função inicial foi reorganizar paróquias devastadas pelo terrível imperador de Roma. Marcelo impôs que o castigo deveria ser dado de acordo com o tamanho do crime. Essa sua decisão foi repudiada e todos ficaram contra ele, tanto que o imperador Maxentius mandou-o para o exílio. Não mais Papa e sim "escravo do Imperador" trabalhou em estábulos em grandes humilhações. Nove meses após, conseguiu fugir e foi encontrado aos trapos, machucado, por uma senhora muito piedosa que por sua vida veio a ser canonizada (santa Lucina) que cuidou dele, acolhendo-o em sua casa. Assim que se recuperou, Marcelo retornou às suas atividades sacerdotais, transformando o lar daquela senhora em uma igreja improvisada. Ali catequizava, celebrava Missas, ouvia confissões, batizava. Quando o Imperador soube disso, ordenou que alguns escravos invadissem o local e colocassem gados dentro daquela casa de orações, como uma forma de tirá-lo dali e assim Marcelo ficar sem lugar para viver. Mas Marcelo permaneceu até morte e ainda tomou conta dos animais. Embora não tenha sofrido uma morte cruel, foi considerado mártir e não por pouco. (www.asj.org.br)

 

Uma parte de mim, já se foi, seu outro neste instante e outro será

ainda se continuo a existir. (São Gregório Nazianzeno)

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1997

[3] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico