Sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, Memória, 3ª do Saltério, cor Verde

 

Hoje: Dia do Professor e Dia do Normalista

 

Santos: Agileu de Cartago (mártir), Antíoco de Lião (bispo), Aurélia de Estrasburgo (virgem), Calisto de Huesca (mártir), Canato de Marselha (bispo), Eutímio, o Tessalonicense (abade), Fortunato de Roma (mártir), Leonardo de Vandoeuvre (abade), Sabino de Catânia (bispo), Severo de Trèves (bispo), Tecla de Kitzingen ou Tecla da Inglaterra (abadessa).

 

Antífona: Como a corça que suspira pelas águas da torrente, assim minha alma suspira por vós, Senhor. Minha alma tem sede do Deus vivo. (Sl 41, 2-3)

 

Oração: Ó Deus, que pelo vosso Espírito fizestes surgir santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 1, 11-14)
 Glória de Deus é o homem que vive

 

Irmãos, 11em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo. 13Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, 14o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.  Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Os que colocaram a sua esperança em Cristo, nele

foram marcados com o selo do Espírito Santo

 

“Para ser louvor de sua glória”: é um estribilho insistente. Pode impressionar-nos mais ou menos, consoante as recordações que suscita em nós. A “glória” de Deus não está  evidentemente em proporção com nossas atitudes presunçosas, ou com os ruidosos cortejos que estamos habituados a ver em caso de vitória. A “glória” de Deus é a manifestação aos outros daquilo que ele é, portanto é “dom”, e dom de si. Sua “glória” é o êxito de seu plano em nosso favor por conseguinte nossa completa realização pessoal, nossa felicidade. “Glória de Deus é o homem que vive” (Agostinho). É a glória do Amor. Não uma glória à custa de adversários, porém triunfo da unidade de todas as criaturas com o Pai, paga pelo Cristo e por nós participada nele, por ele e com ele. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

 

 

Salmo: 32 (33), 1-2.4-5.12-13 (R/.12b)
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança

 

1Ó justos, alegrai-vos no Senhor! aos retos fica bem glorificá-lo. 2Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! 

 

4Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. 5Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.

 

12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! 13Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens. 

 

Evangelho: Lucas (Lc 12, 1-7)
Os cabelos de vossa cabeça estão todos contados

 

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. 3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. 4Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei. 6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 10, 19.26-33; 16,5-12; Mc 8, 14-15

 

 

Comentando o Evangelho

Liberdade corajosa

 

Os discípulos corriam um duplo risco: deixar-se fascinar pela atitude hipócrita dos fariseus, e assumi-la como projeto de vida, bem como ter medo de fazer-lhes frente, como fez Jesus, agüentando as conseqüências.


Foi necessário que o Mestre os alertasse a ter uma corajosa liberdade diante de seus adversários. Mesmo diante da perspectiva de morte, não deviam recuar. O que tinham ouvido de Jesus, estando à sós, deveriam proclamar aos quatro ventos. O que escutaram ao pé do ouvido, teriam a tarefa de levar ao conhecimento de todos.


Nada de se intimidar com a perspectiva de morte. Os adversários só têm o poder de matar o corpo, e nada mais. Temor só se deve a Deus, que é Senhor da sorte eterna do ser humano. A ele, sim, deve-se temer, não aos hipócritas fariseus.


Em última análise, os discípulos tinham diante de si uma dupla possibilidade: seguir as insinuações dos fariseus, ou deixar-se guiar por Jesus, por meio do qual se chega a Deus. Quem escolhe colocar-se do lado dele pode estar seguro de ser objeto de contínua proteção. Seu amor e interesse pelos que optaram pelo Reino supera todo limite. Jesus ilustra esta atitude divina, afirmando que "até os cabelos da cabeça (dos discípulos do Reino) estão todos contados". Por conseguinte, não se justifica o medo diante da perspectiva sombria de perseguição e morte, por causa do Reino.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: Hipocrisia pretende ser síntese das atitudes denunciadas; é dissimular o interior com o exterior, é inverter a escada de valores, é confundir ao invés de esclarecer. Mais que um delito específico é o arbítrio, um fermento que penetra e corrompe toda a massa. Diante da simulação e da hipocrisia, recomenda-se a sinceridade, tendo em conta o resultado. É convite e advertência. Convite a partilhar o bem aprendido; advertência de que um dia serão arrancadas máscaras e disfarce. A frase clássica de encorajamento “não temais” tem aqui uma explicação. O fogo aniquila o que a morte deixa; mata-se e depois se queima totalmente: “mataram a fera, esquartejaram-na e a atiraram no fogo” (Is 66, 24; Dn 7, 11). Correlativo de não temer e confiar. Curioso é que seja a mesma personagem a que pode ditar sentença de condenação e a que cuida dos desvalidos como de pássaros indefesos. Do paradoxo segue-se que o que se deve realmente temer é fazer-se merecedor da condenação; em outras palavras, a pessoa teme a si mesma, não os outros, cujo poder alcança só esta vida, não a “segunda morte” (Ap 21,8). (Bíblia do Peregrino)

 

 

Santa Teresa de Jesus

 

 

 

 

Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu em Ávila, Espanha, numa família da baixa nobreza espanhola, no dia 28 de março de 1515 e morreu em Alba de Tormes, Salamanca, no dia 4 de outubro de 1582.  Seus pais se chamavam Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz Dávila y Ahumada. Teresa refere-se a eles com muito carinho. Alonso teve três filhos de seu primeiro casamento. Beatriz deu-lhe outros nove. A respeito de seus irmãos e meio-irmãos, nossa Santa não hesita em afirmar: “pela graça de Deus, todos se assemelham a meus pais nas virtudes, exceto eu”.

 

Aos sete anos, gosta muito de ler histórias dos santos. Seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isto costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam pensando na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. Assim sendo, fugiram de casa, pedindo a Deus que lhes permitisse dar a vida por Cristo. Em Adaja encontraram um dos tios que os devolveu aos braços da aflita mãe. Quando esta os repreendeu, Rodrigo  colocou  toda  a  culpa  na  irmã.  Com  o  fracasso  de seus planos, Teresa e Rodrigo decidiram viver como ermitães na própria casa e construíram uma cela no jardim, sem nunca conseguir terminá-la. Desde então, Teresa amava a solidão. Em seu quarto tinha um quadro que representava Jesus falando à Samaritana. Ela gostava de repetir diante do quadro: “Senhor, dá-me de beber para que eu não volte a ter sede”.

 

Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com frequência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, aos quais estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das “Confissões” de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: “Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro... e desde então muito progredi na vida espiritual”.  Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado na agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensanguentado, perguntou: “Senhor, quem vos colocou aí?” Pareceu-lhe ouvir uma voz: “Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa”. Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.

 

As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto. Os conventos eram lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram muito numerosas. O Convento da Encarnação possuía 140 religiosas.

 

Teresa comentará: “A experiência me ensinou o que é uma casa cheia de mulheres. Deus nos livre deste mal”. Já que esta situação era aceita como normal, as religiosas não se davam conta de que seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. Assim, quando uma sobrinha de Santa Teresa, também religiosa no convento da Encarnação, deu-lhe a idéia de fundar uma comunidade reduzida, a santa considerou este pensamento como uma revelação do céu. A Santa, que já estava há 25 anos naquele convento, resolveu colocar em prática o plano de fundar um convento reformado. Dona Guiomar de Ulloa, uma viúva rica, ofereceu-lhe uma generosa ajuda para este empreendimento.   

 

Dona Joana de Ahumada, irmã de Santa Teresa, iniciou com seu esposo a construção de um convento em Ávila em 1561, mas fazendo crer a todos que se tratava de uma casa para sua própria habitação. Durante a construção, uma parede do futuro convento caiu sobre o pequeno Gonzalo, filho de Dona Joana, que estava brincando por ali. Santa Teresa tomou o menino inerte em seus braços e começou a rezar. Alguns minutos depois o menino estava perfeitamente são, conforme consta do processo de canonização.

 

São Pedro de Alcântara, Dom Francisco de Salcedo e o Dr. Daza, conseguiram que o bispo tomasse a causa da fundação do novo convento para si. Eis que chega de Roma a autorização para se criar a nova casa religiosa, o que ocorreu no dia de São Bartolomeu, em 1562. Durante a missa receberam o véu a sobrinha da santa e outras três noviças.

 

A inauguração causou grande reboliço em Ávila. Nesta mesma tarde, a superiora do convento da Encarnação mandou chamar Teresa e a santa a procurou com certo temor, “pensando que iam encarcerar-me”. Teve que explicar sua conduta à superiora e ao Pe. Angel de Salazar, provincial da Ordem. A Santa reconhece que não faltava razão a seus superiores por estarem desgostosos. Mesmo assim, o Pe. Salazar lhe prometeu que ela poderia retornar ao convento de São José logo que se acalmassem os ânimos da população.

 

A fundação não era bem vista em Ávila, porque as pessoas desconfiavam das novidades e temiam que um convento sem recursos se transformasse em um peso para a cidade. O prefeito e os magistrados teriam mandado demolir o convento, se não tivessem sido dissuadidos pelo dominicano Bañez. Santa Teresa não perdeu a paz em meio às perseguições e prosseguiu colocando a obra nas mãos de Deus.

 

Francisco de Salcedo e outros partidários à fundação enviaram à corte um sacerdote que defendesse a causa diante do rei. Os dois dominicanos Báñez e Ibáñez acalmaram o bispo e o provincial. Pouco a pouco a tempestade foi-se acalmando. Quatro meses depois, o Pe. Salazar permitiu que Santa Teresa e suas quatro religiosas retornassem ao convento de São José.

Teresa estabeleceu em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade vivia na maior pobreza. As religiosas vestiam hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas “descalças”) e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A fundadora, a princípio, não aceitou comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que possuíam alguma renda, aceitou que residissem vinte monjas.

 

A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as coisas materiais para o serviço de Deus. Certa ocasião disse: “Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”.

 

O forte gênio e a franqueza de Teresa jamais saíram das medidas. Numa ocasião um cavalheiro indiscreto louvou a beleza de seus pés descalços. Teresa começou a rir e disse-lhe para olhá-los bem porque assim jamais quereria vê-los.

 

Em 1580, quando estabeleceu-se a separação entre os dois ramos do Carmelo, Santa Teresa tinha 65 anos e sua saúde estava muito debilitada. Nos últimos anos de sua vida fundou outros dois conventos. As fundações da Santa não eram simplesmente um refúgio das almas contemplativas, mas também uma espécie de reparação pelos destroços causados nos mosteiros pelo protestantismo, principalmente na Inglaterra e na Alemanha.

 

Teresa é uma das personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém urna doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Suas cartas no-la mostram absorvida com os problemas mais triviais. Sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita,  que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir,  não apenas a seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas à toda Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja".

 

Foi canonizada em 1662. No dia 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.

[http://geocities.yahoo.com.br/monjascarmelitas/teresa.html em 14/10/2008]

 

Oração de Santa Teresa de Jesus

 

Ó Santa Teresa de Jesus, vós sois a mestra da genuína oração e nos ensinais a rezar conversando com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Ó Santa Teresa, ajudai-nos a rezar com fé e confiança, sem nunca duvidar da bondade divina. Ajudai-nos a rezar com inteira conformidade de nossa vontade com a vontade de Deus, com insistente perseverança até alcançarmos aquilo que necessitamos.

 

Ó Santa Teresa de Jesus, fazei-nos fiéis a nossa oração da manhã e da noite e a transformar em oração o cumprimento de nossas tarefas de cada dia. Que a oração seja para nós a porta de nossa conversão e santificação e a chave de ouro que nos abrirá a porta do Céu. Amém. Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!

 

Santa Teresa, virgem esposa, especialmente amada do Crucificado, doutora da Igreja, permiti que, imitando-vos perfeitamente, eu possa cumprir a vontade e ganhar a amizade do Sumo Bem, antes de buscar as alegrias do mundo. Apesar de todas as minhas contradições e defeitos, dai-me força para seguir vosso exemplo e seguir plenamente a Cristo com aquela perfeição que Ele pede. Com o vosso auxílio eu possa superar as dificuldades desta vida e merecer o repouso sem fim no céu. Amém.

 

 

Oração do Professor


Obrigado, Senhor, por atribuir-me à missão de ensinar e por fazer de mim um professor no mundo da educação. Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons. São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na graça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento. Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir. Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar. Senhor! Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir. Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho. Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim um educador hoje e sempre. Amém!

 

O professor se liga à eternidade. Ele nunca sabe quando cessa a sua influencia. (Henry Adams)