Sexta-feira, 11 de abril de 2011

Quinta Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia do Desenhista e dia da Conservação do Solo

 

Santos: Basilissa e Anastácia (mártires de Roma), Crescêncio de Myra (mártir), Êutico de Ferentino (mártir), Huna da Alsácia (mãe de família), José de Veuster (também conhecido como Padre Damião de Molokai), Maron, Êutico e Vitorino (mártires de Roma), Máximo e Olimpíades (mártires de Córdova), Mundo de Argyle (abade), Ortário de Landelle (abade), Paterno de Vannes (bispo), Ruadan de Lothra (abade),Silvestre de Réome (abade), Teodoro e Pausilipo (mártires de Trácia), Laurentino Sossius (mártir, bem-aventurado), Nidger de Ausburgo (monge, bispo, bem-aventurado).

 

Antífona: Tende piedade de mim, Senhor, a angústia me oprime. Libertai-me das mãos dos inimigos e livrai-me daqueles que me perseguem. Não serei confundido, Senhor, porque vos chamo. (Sl 30, 10.16.18)

 

Oração do Dia: Perdoai, ó Deus, nós vos pedimos, as culpas do vosso povo. E, na vossa bondade, desfazei os laços dos pecados que em nossa fraqueza cometemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Jeremias (Jr 20, 10-13)

Confissões de Jeremias

 

10Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor: "Denunciai-o, denunciemo-lo". Todos os amigos observam minhas falhas: "Talvez ele cometa um engano e nós poderemos apanhá-lo e desforrar-nos dele".

 

11Mas o Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha. Eterna infâmia, que nunca se apaga! 12Ó Senhor dos exércitos, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração, rogo-te me faças ver tua vingança sobre eles; pois eu te declarei a minha causa.

 

13Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus. Palavra do Senhor.

 

 

Comentando a I Leitura

O Senhor está no meu lado, como forte guerreiro

 

Em meio aos ataques injustos dos inimigos (versículo 10), Jeremias nutre uma fé vitoriosa (versículos de 11 a 13) e experimenta que Deus "está com ele", é um "Deus forte", que vê, "sonda os rins e o coração"; vale a pena deixar-se seduzir por ele, "confiar-lhe a própria causa". Deus, o "destemido", sustenta seu profeta enquanto os adversários, com as armas da vileza, procuram tirar-lhe a tenra de sob os pés e cavar-lhe a sepultura. É um sistema antigo denunciar os que causam incômodo e criar para si a consciência de viver retamente, de pertencer à categoria dos "bons". Só que a bondade de Deus é muito diferente: não consiste em colocar-se na classe dos "bons", mas em lutar em favor de quem é marginalizado, excomungado, condenado. O salmo 17, por sua vez, descreve a paixão e furor com que Deus combate contra os inimigos para salvar o inocente perseguido. A bondade de Deus não pode ser aprisionada em nenhuma categoria, nem é monopólio de nenhuma classe ou casta. Habitualmente, ela permanece dentro do curso dos acontecimentos; contudo, quem é pobre, abandonado, calcado por todos, constatará seu poder e eficácia. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 17 (18), 2-3a.3bc-4.5-6.7 (R/.cf.7)

Ao Senhor eu invoquei na minha angústia e ele escutou a minha voz

 

2Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e Salvador!

 

3bÓ meu Deus, sois o rochedo que me abriga, 3cminha força e poderosa salvação, sois meu escudo e proteção: em vós espero! 4Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! e dos meus perseguidores serei salvo!

 

5Ondas da morte me envolveram totalmente, e as torrentes da maldade me aterraram; 6os laços do abismo me amarraram e a própria morte me prendeu em suas redes!

 

7Ao Senhor eu invoquei na minha angústia e elevei o meu clamor para meu Deus; de seu Templo ele escutou a minha voz, e chegou a seus ouvidos o meu grito.

 

 

Evangelho: João (Jo 10, 31-42)

A festa da dedicação

 

Naquele tempo, 31os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. 32E ele lhes disse: "Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?" 33Os judeus responderam: "Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!"

 

34Jesus disse: "Acaso não está escrito na vossa Lei: 'Eu disse: vós sois deuses'? 35Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, 36por que então me acusais de blasfêmia, quando eu digo que sou Filho de Deus, eu a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? 37Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. 38Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai".

 

39Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. 40Jesus passou para o outro lado do Jordão, e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. 41Muitos foram ter com ele, e diziam: "João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem, é verdade". 42E muitos, ali, acreditaram nele. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

Um homem fazendo-se Deus?

 

Embora, Jesus jamais tivesse afirmado “Eu sou Deus!”, seus adversários acusavam-no de, sendo apenas um homem, pretender passar por Deus. E chegavam a esta conclusão, não por causa de uma declaração peremptória de Jesus, e sim pelo modo como ele falava e agia. Suas palavras tinham uma autoridade desconhecida, e pareciam ir de encontro a tudo quanto, até então, era ensinado como Palavra de Deus. Esta liberdade diante da tradição religiosa revelava, no pensar dos inimigos, que Jesus estava pretendendo ocupar o lugar de Deus. Quanto aos sinais que realizava, eram de tal modo portentosos que só das mãos de Deus poderiam provir. Quem, a não ser Deus, pode curar os doentes, ressuscitar os mortos, transformar a água em vinho? Este poder criador é prerrogativa divina.


Essas falsas acusações foram rebatidas com dois argumentos. O primeiro foi tirado das Escrituras, precisamente do Salmo que, referindo-se aos juízes deste mundo, declara: “Vocês são deuses!”. Eles, ao julgar, exercem um poder divino. Se as Escrituras fazem tal declaração, é possível aplicá-la também a Jesus. O segundo é tirado da própria pregação do Mestre. Suas palavras exatas foram “Eu sou o Filho de Deus”. Esta consciência de ser Filho era o pano de fundo de tudo quanto fazia e ensinava. Sem isto, suas palavras cairiam no vazio e seriam sem sentido. Ele é, sim, o Filho santificado e enviado ao mundo para fazer as obras do Pai. E elas são as primeiras a testemunhar em seu favor. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (DEUS CONOSCO)

-Para que nossa fé seja sincera e humilde, supliquemos ao Senhor. Senhor, nós cremos, mas aumentai nossa fé!

-Por todos os que praticam a fé nas obras de caridade, supliquemos ao Senhor.

-Pelos que dão testemunho de caridade nos lugares mais difíceis, supliquemos ao Senhor.

-Por nossas Comunidades, para que todos sejam solidários pela fé e pela caridade, supliquemos o Senhor.

-Intenções próprias da comunidade

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus de misericórdia, que sempre sirvamos dignamente o vosso altar, de modo que, participando dele, alcancemos a eterna salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Jesus carregou nossos pecados, em seu corpo, sobre a cruz, a fim de que, mortos para nossas faltas, vivamos para a justiça; fomos curados pelas suas chagas. (1Pd 2, 24)

 

Oração Depois da Comunhão:

Sejamos sempre protegidos, ó Deus, pelo sacrifício que recebemos; que ele afaste sempre de nós toda espécie de pecado. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Para os judeus, o problema já não são as obras realizadas por Jesus no sábado, mas as suportas blasfêmias, na visão deles. Ora, Jesus não “se faz Deus”, mas a Palavra é Deus, ou ainda, Deus se “fez homem”.  

 

Cesar de Bus

 

Cesar de Bus, que desejava seguir a carreira militar, estava quase embarcando para atender ao chamado de seu irmão, capitão a serviço do rei Carlos IX, da França, quando foi impedido por uma enfermidade que o atingiu de maneira fulminante. Foi essa ocasião que o aproximou do bispo de Cavaillon, cidadezinha da Provença, onde ele tinha nascido em 3 de fevereiro 1544.

Os jesuítas de Avignon, um humilde capelão e uma camponesa, que o assistiam durante a convalescença, com as suas palavras e os seus exemplos o reconduziram para a religião cristã, da qual ele havia se afastado. Não perdeu tempo: tão logo se curou, trocou de vida e se pôs a estudar para tornar-se sacerdote. Enquanto se preparava, começou a percorrer os sítios e fazendas ensinando o catecismo. Fundou, com o auxilio de um primo, Romillon, centros de instrução religiosa nos cantos mais escondidos e esquecidos, nos quais começou a experimentar novos métodos de ensino da doutrina às crianças do meio rural.


Cesar de Bus tornou-se sacerdote aos trinta e oito anos de idade e já reunia em torno de si muitos jovens, formando, com a ajuda dos bispos e dos sacerdotes da região, uma numerosa comunidade, que tomou o nome de Congregação dos Padres da Doutrina Cristã, ou Doutrinários, os quais, por não terem pronunciado os votos, viviam todos juntos. Foi neste ponto que surgiu a divergência entre os dois fundadores: Cesar de Bus queria que eles pronunciassem finalmente os votos e Romillon queria que se mantivessem apenas padres. Assim, esse último se transferiu para a casa de Aix-en-Provance, enquanto Cesar permaneceu na sede de Avignon.


Depois de um longo período de sofrimento causado por uma enfermidade, Cesar de Bus morreu no dia 15 de abril de 1607. Foi beatificado, em 1975, pelo papa Paulo VI, que autorizou sua celebração litúrgica para o dia do seu trânsito. [paulinas.org.br]

 

 

Semana Santa: a Celebração do Amor de Deus

 

Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora - MG

 

Inicia-se novamente a celebração da Paixão de Cristo. Ramos nas mãos, os fiéis repetem a cena da entrada em Jerusalém, de dois mil anos atrás, com hosanas e louvores próprios dos reis. Mas o reino de Cristo não é um reino político nem terreno. Interrogado sobre isto ele dirá a Pilatos: “Meu reino não é daqui. Se meu reino fosse daqui, certamente meus súditos haveriam de me defender.” (Jo.18,36).

 

Os ramos de oliveira e o caráter festivo são sinais de vida, a vida verdadeira, aquela que não tem fim. Não sendo daqui o reino, há de ser de outro lugar. Outra realidade não puramente terrena, iniciando-se aqui, terá sua plenitude na eternidade. O Senhor Jesus anuncia o reino, o inicia, o realiza. Ensina a respeito das diretrizes e regras, que na verdade se resumem em uma única: amar a Deus e ao próximo. Ao aproximar-se o dia de sua prisão e condenação à morte, conclui todos os seus ensinamentos nestas palavras: “dou-vos o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo.15,12).

 

O evangelista João, em carta à sua comunidade de fé, define: “Deus é amor” I Jo.4,7).

 

A paixão, morte e ressurreição do Senhor, que celebramos todos os anos na Semana Santa só podem ser compreendidas no prisma do amor. O Senhor, Filho do Deus Altíssimo, sofre porque nos ama; dá sua vida por nós. Consente em ser humilhado, condenado injustamente e sacrificado qual cordeiro imolado, por amor. Sendo o amor força de vida, não permanece na morte, mas vence-a e ressuscita. Pelos mistérios que celebramos, buscamos criar a civilização do amor. Podemos compreendê-la em dois níveis: o individual e o comunitário. Individualmente, devemos nos reger pela lei do amor ao próximo, sabendo renunciar-nos em favor do outro, colocar a vida do outro sempre em primeiro lugar. Comunitariamente, devemos construir leis e estabelecer sistemas de relações sociais cujas bases sejam a justiça, a paz, a solidariedade, o respeito incondicional pela vida e não o egoísmo e a ganância. São dois níveis que se completam e se entrelaçam, pois a comunidade nada mais é que a união dos indivíduos, amalgamados por um ideal positivo e bom.

 

Certamente, um fato nos ajudará a entender. Conta-se que num mosteiro, certo dia chegou à porta um homem pobre que recebia dos monges ajudas frequentes. Trazia um lindo cacho de uvas que ele havia colhido de sua pequena plantação e desejava oferecê-lo ao porteiro, pela amabilidade com que o recebia. O monge o recebeu com alegria, admirado pela beleza das uvas. Ao se distanciar o doador, pensou o monge porteiro: vou dar este lindo cacho de uvas ao Abade. Ele o merece mais do que eu. O Abade o recebe maravilhado. Partindo o porteiro, o Abade ofereceu as uvas ao monge mais velho e doente.  Ao se distanciar o Abade, o doente as dá ao monge enfermeiro, como prova de gratidão pela sua caridade. Mas ao sair do quarto, o enfermeiro presenteia o monge cozinheiro, agradecido pelos humildes serviços. O cozinheiro, já quase ao fim do dia, toma cuidadosamente as uvas e as dá ao monge mais jovem para que não se desanimasse diante das dificuldades. Este, com os olhos brilhantes de admiração, toma as usas e as oferece ao monge porteiro que o recebeu com tanta bondade. O porteiro recebe novamente as uvas, certo agora de que vivia verdadeiramente num lugar de Deus, onde reinava exclusivamente a lei o amor e todo sinal de egoísmo havia já desaparecido. Ah! Se o mundo inteiro fosse assim! Eis o jeito de se viver os dias santos da semana que se inicia e que culminará com o Tríduo Sagrado da Páscoa, quando se cantará convictamente “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão” e , mais uma vez, se proclamará a palavra de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente”. Feliz Páscoa! [CNBB]

 

 

Acreditar em Deus é labuta por um mundo melhor. (Fernando Dias Paes)

 

Aconteceu no dia 15 de abril de 1923: A insulina se torna disponível para uso em larga escala por pacientes que sofrem de diabetes