Sexta-feira, 14 de maio de 2010

São Matias (Apóstolo), Ofício de Festa, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Vermelha

 

 

Santos: Dionísia, Pedro, André e Paulo (mártires); Cássia, Torquato (mártir), Pacômio (abade); Ctésifo, Segundo, Indalécio, Cecílio, Esíquio e Eufásio (primeiros apóstolos da Espanha); Pedro, André, Paulo e Denise (mártires), Primaclo; Cássio, Vitorino, Máximo e seus companheiros (mártires), Isidoro "O Lavrador" (Espanha), João Batista de La Salle (fundador dos Irmãos das Escolas Cristãs), Isidoro de Quios (mártir, Alexandria), Hilário de Galeata (Abade), Dimpna (mártir), Gereberno (mártires), Berta, Ruperto, Halvardo (mártir), Isaías (Bispo de Rostov), Madalena Albrizzi (virgem), Miguel Garicoïts (Fundador dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Bétharram, confessor franciscano da 3ª Ordem).

 

Antífona: Não fostes vós que me escolhestes. Fui eu que vos escolhi e vos enviei para produzirdes fruto e o vosso fruto permaneça. (Jo 15, 16)

 

Oração: Ó Deus, que associastes São Matias ao colégio apostólico, concedei, por sua intercessão, que, fruindo da alegria do vosso amor, mereçamos ser contados entre os eleitos.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 1,15-17.20-26)

A sorte caiu em Matias, o qual foi

juntado ao numero dos onze apóstolos

 

15Naqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse: 16"Irmãos, era preciso que se cumprisse o que o Espírito Santo, por meio de Davi, anunciou na escritura sobre Judas, que se tornou o guia daqueles que prenderam Jesus. 17Judas era um dos nossos e participava, do mesmo ministério. 20De fato, no livro dos salmos está escrito: 'fique deserta a sua morada, nem haja quem nela habite!' E ainda: 'Que outro ocupe o seu lugar!' 21Há homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, 22a começar pelo batismo de João, até o dia em que foi elevado ao céu. Agora, é preciso que um deles se junte a nós para ser testemunha da sua ressurreição". 

 

23Então eles apresentaram dois homens: José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de justo, e Matias. 24Em seguida, fizeram esta oração: "Senhor, tu conheces os corações de todos. Mostra-nos qual destes dois escolheste 25para ocupar, neste ministério e apostolado, o lugar que Judas abandonou para seguir o seu destino!" 26Então tiraram a sorte entre os dois. A sorte caiu em Matias, o qual foi juntado ao número dos onze apóstolos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Matias é escolhido para completar os doze

 

Os nomes dos 11 apóstolos que restaram depois da traição de Judas estão em uma ordem diferente da encontrada em Lc 6, 14-16. A lista do Evangelho parece seguir a ordem da lista como Lucas a recebeu. Entretanto, os Atos arrumam a lista por ordem de importância. Citam Pedro em primeiro lugar, depois João (seu “par” em At 3-5), em seguida Tiago e, em quarto lugar, André. Lc 6,14 trazia “Pedro”, André, Tiago, João”.

 

Havia pelo menos três homens importantes chamados Tiago. O irmão de João, um dos Doze, esteava com Jesus na transfiguração e na agonia no jardim e foi morto em At 12, 2. é conhecido também como “Tiago, o Grande”. O filho de Alfeu também fazia parte dos Doze. A tradição o chama de “Tiago, o Menor”. E há o irmão ou parente de Jesus que se tornara líder da Igreja de Jerusalém (cf. At 12, 17; 15; 21).

 

Pouco se conhece sobre a maioria dos Doze, além das listas com seus nomes. Muitos não aparecem fora delas no Novo Testamento. São menos importantes como personalidade individuais do que como membros dos Doze. Jesus prometeu que as 12 tribos de Israel seriam restauradas e os Doze as julgariam no Reino de Deus (Lc 22, 29-30). Para haver 12 juízes, Judas teria de ser substituído. At 1m 15-36 mostra que todos os 12 estão no seu lugar em Pentecostes, quando o Espírito Santo lhes deu poder para ser os novos líderes do povo de Deus em nome de Jesus.

 

A comunidade encontrou dois homens que preenchiam todos os requisitos para se juntar aos Doze. Deixaram a escolha final a Deus. Depois de rezar para que Deus escolhesse o que queria, tiraram a sorte entre os dois. O selecionado pela sorte foi considerado a escolha divina. [Comentário Bíblico, Vol.3, Bergant, Dianne. Karris, Roberto. ©Edições Loyola, 1999 ]

 

 

 

Salmo: 113 (112), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R/.cf.8)
O Senhor fez o indigente assentar-se com os nobres

 

Louvai, louvai, ó servos do Senhor, louvai, louvai o nome do Senhor! Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

 

Do nascer do sol até o seu ocaso, louvado seja o nome do Senhor! O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus.

 

Quem pode comparar-se ao nosso Deus, ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono e se inclina para olhar o céu e a terra?

 

Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho, para fazê-lo assentar-se com os nobres, assentar-se com os nobres do seu povo. 

 

 

Evangelho: João (Jo 15, 9-17)

Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9"Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11E eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai­-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros. Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Este é o meu mandamento

 

Enquanto nos sinóticos o mandamento de Jesus é o amor ao próximo, entendido como amor a todos os homens, inclusive os inimigos, em João exprime-se como amor recíproco entre os discípulos de Jesus, amor que, aparentemente, não transpõe os restritos limites da comunidade. A razão desta insistência de João (que aliás não exclui o amor universal) é porque ele vê este amor em seu fundamento, por assim dizer, metafísico: a íntima participação na corrente de amor que une o Pai ao Filho. Ora, esse amor, que parece consumar-se e exaurir-se dentro da comunidade, torna-se motivo de abertura e dinamismo apostólico, porque por ele os demais (os de fora) conhecerão quem são os discípulos de Cristo. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Para sua reflexão: O amor referenciado é paterno, filial, e os frutos são amor fraterno. Não é um amor simplesmente humano, porque recebe sua seiva de Jesus. Funda e engloba tudo o que abrange a justiça e o direito.  O amor filial de Jesus se traduz em cumprir o mandamento do Pai, o amor do fiel para com Jesus se traduzirá em cumprir seu mandamento. Quando há amor, o cumprimento é gozoso, até os sacrifícios pode ser alegre. A morte de Jesus fica definida como ato supremo de amor, “até o extremo”. Jesus diz que o amor vale mais que esta vida, porque lhe dá sentido e a transcende.  (Bíblia do Peregrino)

 

 

São Matias

 

 

 

"Matias foi discípulo do Senhor tão constante que o acompanhou durante os três anos de vida pública, sem separar-se nunca dele. Não chegou, contudo, a pertencer ao grupo mais íntimo dos doze apóstolos. Mas, após a traição de Judas Iscariotes, Matias foi eleito para ocupar seu cargo no Colégio Apostólico". Assim narram este fato os Atos dos Apóstolos: "Poucos dias depois (da ascensão de Jesus), eles fizeram uma reunião com mais ou menos cento e vinte seguidores de Jesus. Então Pedro se levantou e disse: 'Meus irmãos, tinha que acontecer aquilo que o Espírito Santo, por meio de Davi, falou nas Escrituras a respeito de Judas. Pois foi Judas o guia daqueles que prenderam a Jesus. Era ele do nosso grupo, porque havia sido escolhido para tomar parte do nosso trabalho...´ E Pedro continuou: 'Isto é o que está escrito nos livros dos Salmos: Que a casa dele fique abandonada e mais ninguém more nela. E também diz: Que outra pessoa ocupe o lugar dele e faça o trabalho que ele fazia. Portanto, precisamos escolher outro homem para pertencer ao nosso grupo e ser testemunha da ressurreição do Senhor Jesus. Deve ser um daqueles que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, desde quando João anunciava o batismo até ao dia em que Jesus foi levado ao Céu'" (At 1,16-22).

 

Assim apresentaram dois homens: José, chamado Barsabás, apelidado O Justo e também Matias. Em seguida oraram dizendo: "Tu conheces, Senhor; os corações de todos. Agora, mostra qual dos dois tu escolheste para trabalhar como apóstolo..." Depois disto, fizeram sorteio para escolher um dos dois. O nome escolhido foi o de Matias, que se juntou ao grupo dos apóstolos (At 1,26).

 

Notícias posteriores dizem que Matias era provavelmente natural de Belém. Pregou o Evangelho na Palestina, na Ásia Menor e, enfim, foi apedrejado pelos judeus.

 

A mãe de Constantino Magno, Santa Helena, trouxe as relíquias de São Matias para Roma. Uma parte destas relíquias é venerada na Igreja antiqüíssima de Treves, na Alemanha, e outra na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.  A festa de São Matias nos relembra a triste apostasia de Judas, a quem Matias substituíra no Colégio dos Apóstolos. Foi o amor desordenado ao dinheiro que o levou à perdição. Com muito acerto nos diz São Paulo: "Os que querem fazer-se ricos, caem na tentação e no laço do demônio, em muitos desejos inúteis e perniciosos que submergem os homens no abismo da morte e da perdição. Porque a raiz de todos os males é a avareza, a qual cobiçando, alguns se desencaminharam da fé e se enredaram em muitas tribulações" (1Tm 6,9).

 

Que o exemplo do apóstolo São Matias nos estimule à fidelidade no seguimento de Cristo, nosso Mestre.  [Extraído do livro O SANTO DO DIA de Dom Servilio Conti, páginas 210/211,  ©Editora Vozes, 1997]

 

Se a Igreja perder os pobres, perderá sua identidade e vã será sua presença na história. (Frei Neylor Tonin)