Sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Décima Nona Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Economista, dia dos Encarcerados e dia do Canhoto

 

Santos: Benildo Romancon (irmão lassalista), Cassiano de Ímola (mártir), Cassiano de Todi (bispo, mártir), Concórdia (mártir), Félix e Fortunato (mártires de Aquiléia), Gertrudes (virgem), Irene da Hungria (imperatriz), Máximo, o confessor (teólogo bizantino), Radegundes (rainha da França).

 

Antífona: Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca. (Sl 73, 20.19.22-23)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Ezequiel (Ez 16, 1-15.60.63)
Ezequiel assinala a relação entre Deus e o povo de Israel

 

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2"Filho do homem, mostra a Jerusalém suas abominações. 3Dirás: Assim fala o Senhor Deus a Jerusalém: Por tua origem e nascimento és do país de Canaã. Teu pai era um amorreu e Lua mãe uma hitita. 4E como foi o Leu nascimento? Quando nasceste, não te cortaram o cordão umbilical, não foste banhada em água, nem esfregada com salmoura nem envolvida em faixas. 5Ninguém teve dó de ti, nem te prestou algum desses serviços por compaixão. Ao contrário, no dia em que nasceste, eles te deixaram exposta em campo aberto, porque desprezavam a tua vida. 6Então, eu passei junto de ti e vi que te debatias no próprio sangue. E enquanto estavas em teu sangue, eu te disse: vive! 7Eu te fiz crescer exuberante como planta silvestre. Tu cresceste e te desenvolveste, e chegaste à puberdade. Teus seios se firmaram e os pelos cresceram; mas estavas inteiramente nua. 8passando junto de ti, percebi que tinhas chegado à idade do amor. Estendi meu manto sobre ti para cobrir tua nudez. Fiz um juramento, estabelecendo uma aliança contigo - oráculo do Senhor - e tu foste minha. 9Banhei-te na água, limpei-te do sangue e ungi-te com perfume. 10Eu te revesti de roupas bordadas, calcei-te com sandálias de fino couro, cingi-te de linho e te cobri de seda. 11Eu te enfeitei de joias, coloquei braceletes em teus braços e um colar no pescoço. 12Eu te pus um anel no nariz, brincos nas orelhas e uma coroa magnífica na cabeça. 13Estavas enfeitada de ouro e prata, tuas vestimentas eram de linho finíssimo, de seda e de bordados. Eu te nutria com flor de farinha, mel e óleo. Ficaste cada vez mais bela e chegaste à realeza. 14Tua fama se espalhou entre as nações por causa de tua beleza perfeita, devido ao esplendor com que te cobri - oráculo do Senhor. 15Mas puseste tua confiança na beleza e te prostituíste graças à tua fama. E sem pudor te oferecias a qualquer passante. 60Eu, porém, me lembrarei de minha aliança contigo, quando ainda eras jovem, e vou estabelecer contigo uma aliança eterna. 63É para que te recordes e te envergonhes, e na tua confusão não abras mais a boca, quando eu te houver perdoado tudo o que fizeste, - oráculo do Senhor Deus". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

A tua beleza era perfeita, devido ao esplendor com que te cobri

 

O uso do simbolismo matrimonial para indicar as relações entre Deus e Israel é muito difundida na literatura profética, a partir de Oséias. Ezequiel dedica-lhe duas grandes alegorias nos capítulos 16 e 23. No presente trecho de Ezequiel, a nação é acusada de haver sido infiel ao Senhor em sua história. Abandonada e privada de tudo como uma enjeitada (versículo 4 a 5), fora escolhida por Deus como esposa, por um ato de suprema predileção (versículo de 6 a 14), e, apesar disso, foi-lhe infiel (versículo 15), adorando falsos deuses (16, 16-36). O culto dos ídolos, por isso, é chamado prostituição e adultério (16,16). Mas o misterioso amor do Senhor, gratuito e fiel, não faltará. Deus ama sempre a esposa infiel (versículo 60) e prepara-lhe um futuro de conversão e de volta a ele (versículo 63). [Liturgia Cotidiana, Paulus, 1997]

 

Cântico: Is 12, 2-3.4bcd.5-6 (R/.1c)
Acalmou-se a vossa ira e enfim me consolastes

 

Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis no manancial da salvação e direis naquele dia: 11Dai louvores ao Senhor, invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

 

Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque e grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!"

 

Evangelho: Mateus (Mt 19, 3-12)
Quem puder entender, entenda

 

Naquele tempo, 3alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e perguntaram, para o tentar: "E permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?" 4Jesus respondeu: "Nunca lestes que o criador, desde o início os fez homem e mulher? 5E disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne'? 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe". 7Os fariseus perguntaram: "Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?" 8Jesus respondeu: "Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher - a não ser em caso de união ilegítima - e se casar com outra, comete adultério". 10Os discípulos disseram a Jesus: "Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se". 11Jesus respondeu: "Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do reino dos céus. Quem puder entender, entenda". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas sobre o divórcio (Mt 19, 3-9):: Mc 10, 1-12, Lc 16, 18; sobre casamento e celibato (Mt 19, 10-12): 1Cor 7, 1-9

 

 

 

Comentando o Evangelho

Superando uma mentalidade

 

Jesus recusou-se a pactuar com a mentalidade de certas correntes rabínicas de sua época, no tocante à indissolubilidade do matrimônio. O modo superficial como colocavam o problema levava-os a se desviarem do projeto original de Deus.


A introdução do divórcio, na Lei mosaica, era uma forma de concessão divina à dureza de coração do povo. “No começo não foi assim.” Isto é, o divórcio não estava, originalmente, nos planos de Deus. Se a humanidade fosse menos obstinada e mesquinha, seria desnecessário prever o direito de o homem repudiar sua mulher.


No projeto divino, o matrimônio corresponderia a uma união tão profunda entre os esposos, a ponto de se tornarem uma só carne. A comunhão, assim pensada, exclui qualquer possibilidade de separação. Esta corresponderia a privar o corpo humano de um de seus membros. O esposo separado da esposa e, vice-versa, seria, pois, um corpo mutilado.


O discípulo do Reino sabe precaver-se da mentalidade divorcista leviana, esforçando-se por comungar com o pensar de Deus. E se recusa a agir como os fariseus, preocupados em conhecer os motivos pelos quais o marido pode repudiar sua mulher. O casal cristão, pelo contrário, interessa-se por conhecer aquilo que pode uni-lo mais ainda, de forma a consolidar a união realizada por Deus. E nada poderá separá-lo. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Os fariseus apresentam este assunto como pergunta capciosa. Jesus sobe de uma lei positiva, concessão mais que imposição, para a ordem primordial estabelecida por Deus. Naquela sociedade, dominada pelos homens, uma mulher repudiada devia retornar para a casa de seu pai levando consigo a desonra que afetaria toda a sua família de origem. A ameaça do divórcio era uma arma implacável para assegurar a submissão da mulher a seu marido. Neste contexto, as palavras de Jesus são sumamente libertadoras. A proibição do divórcio é, eminentemente, uma defesa da mulher e uma recuperação do desígnio de Deus estabelecido desde o princípio. Os discípulos surpreendem-se diante da exigência de um vínculo indissolúvel (os fariseus já não intervêm). Jesus não retira o que foi dito, e sim dá outro passo, propondo outra situação que terá sua razão de ser em sua comunidade: o celibato voluntário. O celibato cristão é compreensível unicamente a partir do mistério do reino. Por isso Jesus acrescenta: “Quem puder compreender, compreenda” (Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria)

 

 

 

Santos Hipólito e Ponciano

 

 

 

Presbítero e teólogo, Roma, Itália, mátir, 235 d.C. Ele é padroeiro dos defensores da fé. Exercia sua vida religiosa com austeridade. Combatia as heresias e até mesmo declarando-se anti-papa contra Calisto e Ponciano que depois foi declarado como santo. Porém o papa conseguiu tirar a dureza de coração de Hipólito, pouco inclinado ao perdão, que já se encontrava em exílio numa região da Sardenha com poucas condições de sobrevivência e também acabou sendo deportado para lá após ter renunciado ao pontificado para beneficiar os cristãos. Tratava-se daquele que viria ser são Ponciano. Tal atitude comoveu a Hipólito que se reconciliou com a Igreja e passou a aceitar a figura do Papa como seu legítimo representante. O Papa Dâmaso declarou, sobre são Hipólito: "Na hora da prova, no tempo em que a espada cortava as vísceras da santa Mãe Igreja, com fidelidade a Cristo ele caminhou para o reino dos santos". Hipólito também foi bispo e escritor, além de mártir juntamente com Ponciono, foram sepultados em Roma. Hipólito na via Tuburtina e Ponciano nas catacumbas de são Calisto.

 

Não faça de uma derrota sua razão de viver e o coração de sua vida. (Frei Neylor Tonin)