Sexta-feira, 13 de março de 2009
Segunda Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa
Senhor, a vós recorro, que eu não seja confundido para sempre. Vós me tirais do laço que me armaram, vós sois meu protetor. (Sl 30, 2.5)
Santos do Dia: Ansovino de Camerino (bispo), Cristina da Pérsia (virgem, mártir), Eldrado de Novalese (abade), Eufrásia de Constantinopla (virgem), Geraldo de Mayo (abade), Macedônio, Patrícia e Modesta (mártires da Nicomédia), Nicéforo de Constantinopla (bispo, mártir), Pulquério de Liath-Mochoemoc (abade), Ramiro e Companheiros (monges, mártires de Leão, na Espanha), Rodrigo e Salomão (mártires de Córdova), Sabino do Egito (mártir), Teusita, Hórrio, Teodora, Ninfodora, Marcos e Arábia (mártires de Nicéia, na Bitínia), Agnelo de Pisa (franciscano, bem-aventurado), Pedro II de Cava (abade, bem-aventurado).
Oração: Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sincero às festas da páscoa que se aproximam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Gênesis (Gn 37, 3-4.12-13a.17b-28)
Os irmãos, com ciúme e raiva de José, planejam eliminá-lo
3Israel amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice. E por isso mandou fazer uma túnica de mangas longas. 4Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não lhe podiam falar pacificamente.
12Ora, como os irmãos de José tinham ido apascentar o rebanho do pai em Siquém, 13adisse Israel a José: 'Teus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Vem, vou enviar-te a eles". 17bPartiu, pois, José atrás de seus irmãos e encontrou-os em Dotaim. 18Eles, porém, tendo-o visto ao longe, antes que se aproximasse, tramaram a sua morte. 19Disseram entre si: "Aí vem o sonhador! 20Vamos matá-lo e lançá-lo numa cisterna, depois diremos que um animal feroz o devorou. Assim veremos de que lhe servem os sonhos".
21Rúben, porém, ouvindo isto, disse-lhes: 22"Não lhe tiremos a vida"! E acrescentou: "Não derrameis sangue, mas lançai-o naquela cisterna do deserto, não o toqueis com as vossas mãos". Dizia isto, porque queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai. 23Assim que José chegou perto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica de mangas longas, pegaram nele 24e lançaram-no numa cisterna que não tinha água. 25Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, avistaram uma caravana de ismaelitas. Os camelos iam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que transportavam para o Egito.
26E Judá disse aos irmãos: "Que proveito teríamos em matar nosso irmão e ocultar o seu sangue? 27E melhor vendê-lo a esses ismaelitas e não manchar nossas mãos, pois ele é nosso irmão e nossa carne". 28Ao passarem os comerciantes madianitas, tiraram José da cisterna, e por vinte moedas de prata o venderam aos ismaelitas: e estes o levaram para o Egito. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Aí vem o sonhador! Vamos matá-lo
No meio da Quaresma, tempo de luta que leva à exaltação da ressurreição com Cristo, o tema da cruz que conduz à vida é anunciado pela misteriosa história de José, que nos fala do mistério de Cristo e, portanto, de nosso mistério.
A história humana. de Abel a José, a Cristo e, finalmente, a nós é cheia de violência e povoada por homens que tentam de todos os modos libertar-se de outros homens, porque estes têm mais privilégios, porque perturbam sua caminhada para o êxito... Mas os projetos dos homens não são decisivos. Tudo está nas mãos do Pai, que tudo encaminha para o bem, apesar do mal; servindo-se até, muitas vezes, do mal.
Salmo: 104(105), 16-17.18-19.20-21
(R/.5a)
Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!
16Mandou vir, então, a fome sobre a terra e os privou de todo pão que os sustentava; 17um homem enviara à sua frente, José que foi vendido como escravo.
18Apertaram os seus pés entre grilhões e amarraram seu pescoço com correntes, 19até que se cumprisse o que previra, e a palavra do Senhor lhe deu razão.
20Ordenou, então, o rei que o libertassem, o soberano das nações mandou soltá-lo; 21fez dele o senhor de sua casa, e de todos os seus bens o despenseiro.
Evangelho: Mateus (Mt 21, 33-43.45-46)
Este é o herdeiro, vinde, vamos matá-lo!
Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 33"Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.
34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: 'Ao meu filho eles vão respeitar'. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!' 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?"
41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo". 42Então Jesus lhes disse: "Vós nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tomou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?" 43Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos. 45Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. 46Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Quando se age de forma insensata
A relação entre Jesus e a liderança judaica de sua época foi muito tensa e problemática. O Mestre se dava conta da profunda rejeição de que era vítima. Percebia que seus adversários opunham-se à sua pregação. Diante disto, era inútil esperar deles uma mudança de mentalidade que os direcionasse para o Reino.
Jesus questionou a indisposição dos sacerdotes e dos anciãos do povo contra
ele. A parábola da vinha mostra que eles herdaram uma mentalidade muito antiga
em Israel. Há muito tempo, Deus vinha esperando de seu povo atitudes
compatíveis com sua fé. Os servos, enviados para receberem o lucro devido
aludem aos que, ao longo dos tempos, tinham vindo em nome de Deus, para
conclamar o povo para a conversão e exigir uma mudança radical de vida.
Contudo, foram rejeitados. O envio do filho, identificado com Jesus, foi a
última tentativa por parte do dono da vinha. O fato de ser o herdeiro da vinha
teve seu peso: também ele foi assassinado.
A recusa resultou em aniquilação dos primeiros arrendatários e a cessão da
vinha a outro povo que a fizesse frutificar. A insensatez dos líderes do tempo
de Jesus custou-lhes caro. Eles não perceberam que era preciso agir logo e dar
frutos, antes que fosse tarde demais. A tolerância divina teve seus limites.
São Nicéforo[3]
Íntegro, dedicado à caridade e bom teólogo, embora não fosse sacerdote e sim secretário do Imperador durante o Império Bizantino e em 806, nomeado Patriarca de Constantinopla, sua elevação espiritual fora sempre notada pela sua dignidade e religiosidade, mostrando-se inflexível às intromissões dogmáticas dos imperadores, os quais tentavam subordinar a Igreja à soberania real, causando grandes discussões teológicas. Nessa época se prenunciava a separação da Igreja Oriental da comunhão com Roma. Por ter sido inflexível, não trair sua consciência diante de sua fidelidade à Igreja, foi desterrado em 815 até o ano de 829.
O pregador deve estar abrasado pelo fogo interior, de outro modo não pronunciará senão palavras frias. (S.Francisco de Assis)