Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quinta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94, 6-7)

 

Santos do Dia: Benigno de Todi (presbítero, mártir), Catarina de Ricci (virgem), Ermenilda de Ely (viúva, monja), Estêvão de Lião (bispo), Estêvão de Rieti (abade), Fulcrano de Lodève (bispo), Fusca e Maura (mártires de Ravena), Gilberto de Meaux (bispo), Gosberto de Osnabruck (monge, bispo), Huna de Ely (monge), Juliano de Lião (mártir), Licínio de Angers (bispo), Martiniano de Cesaréia (eremita), Poliêucto de Melitene (mártir), Arcângela Girlani (virgem, bem-aventurada), Beatriz de d'Ornacieux (virgem, bem-aventurada), Cristina de Spoleto (penitente, bem-aventurada), Eustóquia de Pádua (virgem, bem-aventurada), João Lantrua (franciscano, mártir da China, bem-aventurado), Jordão de Saxônia (presbítero dominicano, bem-aventurado), Paulo Lieou (leigo chinês, mártir, bem-aventurado), Paulo Loc (presbítero da China, mártir, bem-aventurado).

 

Oração: Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 3, 1-8)

Vos sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal

 

1A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: 'Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?"' 2E a mulher respondeu à serpente: "Do fruto das árvores do jardim, nós podemos comer. 3Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: 'Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis"'. 4A serpente disse à mulher: "Não, vós não morrereis. 5Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal".

 

6A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para obter conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. 7Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira. 8Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava pelo jardim à brisa da tarde, Adão e sua mulher esconderam-se do Senhor Deus no meio das árvores do jardim. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

O Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão

 

O amor humano entre marido e mulher, valor to sublime e grande, tem-se tornado freqüentemente instrumento de dominação e causa de ódio e divisão. Mas “no princípio não era assim”: Não é esta a intenção de Deus. O homem deve contestar a realidade presente, e construir uma nova conforme o desígnio de Deus. Diz o Vaticano II: “Justamente porque ato eminentemente humano, realizando-se diretamente de pessoa para pessoa com um sentimento que nasce da vontade, o amor entre marido e mulher abrange o bem de toda a pessoa e, por isso, tem a possibilidade de enriquecer com particular dignidade os sentimentos do espírito e suas manifestações físicas, e de nobilitá-las como elementos e sinais especais da amizade conjugal. O Senhor mesmo corrigiu e elevou este amor com um dom especial de graça a caridade”.

 

 

Salmo: 31 (32), 1-2.5.6.7 (R/.1a)

Feliz aquele cuja falta é perdoada!

 

Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade!

 

Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: "Eu irei confessar meu pecado!" E perdoastes, Senhor, minha falta.

 

Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais.

 

Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.  

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 7, 31-37)

Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar

 

Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galiléia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele.

 

34Olhando para o céu, suspirou e disse: "Efatá!", que quer dizer: "Abre-te!" 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: "Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar".  Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Ele fez tudo bem

 

Jesus "fazia bem todas as coisas". Isto revela o empenho que colocava no exercício de sua missão. Ele não fazia as coisas pela metade, não concedia benefícios parcelados e condicionados, nem se contentava com ações malfeitas. Pelo contrário, seus gestos poderosos traziam a marca da plenitude.

 

No caso do surdo-mudo, a plenitude do gesto de Jesus deve ser entendida para além da cura física. O fato de abrir-lhe os ouvidos, possibilitando-lhe ouvir perfeitamente, e da libertação da mudez, de modo a poder falar sem dificuldade, já é, por si, formidável. Contudo, isto ainda seria insuficiente para que a ação de Jesus fosse declarada bem-feita. Era necessário possibilitar ao surdo-mudo um "abrir-se" ainda mais radical: desfazer-lhe as outras prisões, e num nível tal de profundidade, de forma a colocá-lo em plena sintonia com Deus e com os seus semelhantes.

 

Sem esta passagem da cura física à cura espiritual, a primeira não teria muita importância. Vale a pena alguém ser curado da surdez e da mudez para levar uma vida egoísta, sem solidarizar-se com os necessitados? Tem sentido ser privilegiado com um gesto de misericórdia de Jesus, e recusar-se a ser misericordioso com o próximo?

 

Só uma cura radical possibilitaria àquele homem ser misericordioso com os demais. E era isto que interessava a Jesus.

 

 

Santa Catarina de Ricci[3]

 

Com apenas doze anos ingressou na Ordem Dominicana. Ainda bem jovem, foi nomeada mestra das noviças, e pouco depois, vice-prioresa de seu convento. Aos trinta anos exerceu vitalicamente a função de prioresa. Era grande mística, freqüentemente era arrebatada em êxtase a propósito da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Correspondeu-se com São Felipe Néri, São Carlos Borromeu, e com o Papa São Pio V. Foi conselheira espiritual de bispos e cardeais.

 

Amar não consiste em sentir que se ama, mas em querer amar. (Charles de Foucauld)

 

 



[1] Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, p-297, ©Edições Loyola, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br