Sexta-feira, 12 de setembro de 2008
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl 118, 137.124)
Santos: BV Maria Vitória Fornari, Guido de Anderlecht (1012, Bruxelas), Selésio, Autônomo (mártir), Macedônio, Teódulo e Taciano, Apolinário Franco, Tomás de Zumárraga, Peregrino de Falerone (confessor franciscano, 1ª ordem)
Oração: Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 9, 16-19.22b-27)
Pregar o evangelho, uma necessidade, uma imposição
Irmãos, 16pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, e sem usar os direitos que o evangelho me dá.
19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22bCom todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.
24Acaso não sabeis que os que correm no estádio correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. 25Todo atleta se sujeita a uma disciplina rigorosa em relação a tudo, e eles procedem assim, para receberem uma coroa corruptível. Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptível! 26Por isso, eu corro, mas não à toa. Eu luto, mas não como quem dá murros no ar. 27Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter proclamado a boa nova aos outros, eu mesmo seja reprovado. Palavra do Senhor!
Comentando 1Cor 8, 1b-7.11-13[1]
Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns
Paulo recebeu de Deus a tarefa de evangelizar como um servo pode receber a de vigiar uma casa. Não tem, pois, direito a "recompensa" alguma; é um "serviço" gratuito: "livre de tudo, fui feito servo de todos... fiz-me tudo para todos"; é um imperioso dever de fidelidade. "Ai de mim se não pregasse o evangelho!". A vida para ele seria sem sentido. Paulo quer fazer-nos compreender que só se entende a evangelização, se identificada com a pessoa do evangelizador; polarizando tudo nele para esse fim. Para aceitar o evangelho e assimilá-lo em profundidade, é necessário treino, exercício, domínio do corpo, capacidade de luta. Para evangelizar o cristão deve ser totalmente consagrado a Deus, no sentido paulino de "escravidão"; deve estar em continuo exercício de ascese, deve poder dominar o próprio corpo, para chegar a uma "existência verdadeiramente nova".
Salmo
Responsorial: 83(84), 3.4.5-6.12 (R/.2)
Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
3Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!
4Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! Vossos altares, ó meu rei e meu Senhor!
5Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar! 6Felizes os que em vós têm sua força, e se decidem a partir quais peregrinos!
12O Senhor Deus é como um sol, é um escudo, e largamente distribui a graça e a glória. O Senhor nunca recusa bem algum àqueles que caminham na justiça.
Evangelho: Mateus (Lc 6, 39-42)
O único mestre na vida cristã é Jesus Cristo
Naquele tempo, 39Jesus contou uma parábola aos discípulos: "Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? 42Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão". Palavra da salvação!
Comentando Lc 6, 27-38[2]
Cuidado com os falsos líderes
Jesus criticava a postura dos fariseus, mas também se preocupava com a mentalidade corrente entre os seus discípulos. Os fariseus pretendiam ser um exemplo consumado de piedade, só porque davam mostras de ser zelosos no cumprimento da Lei.
Muitos ficavam bem impressionados com o testemunho de fidelidade a Deus, que
eles davam. Jesus, porém, não se deixava enganar, pois conhecia a falta de solidez
do estilo de vida dos fariseus. Pouca coisa restava além de exibicionismo.
Portanto, era loucura deixar-se encantar por um testemunho de vida desse
quilate. Seria como se um cego pretendesse ser guiado, com segurança, por outro
cego.
Entre os discípulos, difundia-se, também, uma perigosa mentalidade. Havia os
que se mostravam severos com o irmão, censurando-lhe as mínimas faltas, sem
estarem dispostos a corrigir as próprias faltas pessoais, muito mais graves.
Eram hábeis para perceber um cisquinho no olho alheio, mas incapazes de dar-se
conta da trave que tinham no próprio olho.
Jesus não podia suportar tal hipocrisia. Para estar em condições de censurar o
próximo, era preciso dispor-se a corrigir as próprias faltas. Neste caso, a
severidade daria lugar à benevolência, e a impaciência, à compreensão. A
atitude de juiz dos pecados alheios seria substituída pela solidariedade com a
fraqueza humana.
São Guido de Aderlecht[3]
Nascido de uma família de camponeses, são Guido distribuiu seus poucos bens aos pobres e se consagrou inteiramente ao serviço de Deus. São Guido de Anderlecht viveu cerca de dois séculos antes de Francisco de Assis, mas tem uma trajetória muito semelhante a dele. Peregrinou durante sete anos visitando os principais santuários da Europa, Roma e depois retornou à sua região de origem, santificando-se no humilde ofício de sacristão de uma igreja. São Guido de Anderlecht viveu cerca de dois séculos antes de Francisco de Assis, mas tem uma trajetória muito semelhante a dele. Desenvolveu naturalmente um total desapego aos bens materiais. Doou tudo que tinha aos pobres e tornou-se peregrino. Após muito peregrinar, para se tornar útil à comunidade, sem abandonar a vida de prece e contemplação, hospedou-se na casa de um padre numa região próxima a Bruxelas, tornando-se sacristão. Mas sua vocação pra o crescimento espiritual falou mais alto e novamente viajou até Jerusalém em peregrinação. Pouco tempo depois falecia, sem ter se tornado popular, como outros santos, mas deixando uma marca indiscutível de liberdade espiritual e despojamento. Após ter morrido, muitos milagres e prodígios ocorreram em sua sepultura, e somente então foi glorificado aquele que, durante toda a vida, permanecera oculto e apagado.
Somos eternos nômades no caminhar para Deus. (Antoine de Saint-Exupéry)