Sexta-feira, 12 de março de 2010

Terceira Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos do Dia: Ansovino de Camerino (bispo), Cristina da Pérsia (virgem, mártir), Eldrado de Novalese (abade), Eufrásia de Constantinopla (virgem), Geraldo de Mayo (abade), Macedônio, Patrícia e Modesta (mártires da Nicomédia), Nicéforo de Constantinopla (bispo, mártir), Pulquério de Liath-Mochoemoc (abade), Ramiro e Companheiros (monges, mártires de Leão, na Espanha), Rodrigo e Salomão (mártires de Córdova), Sabino do Egito (mártir), Teusita, Hórrio, Teodora, Ninfodora, Marcos e Arábia (mártires de Nicéia, na Bitínia), Agnelo de Pisa (franciscano, bem-aventurado), Pedro II de Cava (abade, bem-aventurado).

 

Antífona Senhor, não há entre os deuses nenhum que se vos compares, porque sois grande e fazeis maravilhas: só vós, Senhor, sois Deus. (Sl 85, 8.10)

Oração do Dia: Infundi, ó Deus, vossa graça em nossos corações, para que, fugindo aos excessos humanos, possamos, com vosso auxílio, abraçar os vossos preceitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Oséias (Os 14, 2-10)

A necessidade urgente da conversão do povo

 

Assim fala o Senhor Deus: 2"Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: 'Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais deuses nossos a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia'. 

 

5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-­se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 

 

10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles', andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Não chamaremos mais “deuses nossos” a produtos de nossas mãos

 

O profeta Oséias apresenta a culpa não mais como violação de tradições antepassadas e sacrais, mas como a recusa de encontrar a Deus nos acontecimentos cotidianos, quem não ver a Deus na história. Até conversão assume particular significação: não abluções rituais..., porém, interiorização, com que o homem faz calar o próprio orgulho para aceitar o desígnio de Deus manifestado nos acontecimentos, para permitir a correta aplicação dos recursos humanos, a partir do centro e da fonte, Deus que tudo vivifica. Só este aspecto, a conversão é a atitude fundamental do cristão solidário com o mundo. Cumpre reconhecer que a conversão de Israel não é muito desinteressada. Ele volta a Deus em nome de uma apaixonada busca de felicidade e abundância. É uma mentalidade que pode desaguar na moral da retribuição e do mérito. É possível, no entanto, olhar também para a recompensa prometida às boas ações. Dizer que uma ação é recompensada significa afirmar que o presente tem sempre uma dimensão histórica; nunca é isolado, mas forma parte de um devir guiado pela iniciativa de Deus. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 80 (81), 6c-8a. 8bc-9. 10-11ab. 14 e 17 (R/. cf. 11 e 9a)
Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

 

6cEis que ouço uma voz que não conheço: 7"Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. 8aNa angústia a mim clamaste, e te salvei.”

 

8bDe uma nuvem trovejante te falei, 8ce junto às águas de Meriba te provei. 9Ouve, meu povo, porque vou te advertir!  Israel, ah! se quisesses me escutar. 

 

10Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! 11aPorque eu sou o teu Deus e teu Senhor, 11bque da terra do Egito te arranquei". 

 

14Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos, 17eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com o mel que sai da rocha o fartaria".

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 28b-34)

O amor de Deus e o amor dos homens

 

Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" 29Jesus respondeu: "O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes".

 

32O mestre da lei disse a Jesus: "Muito bem, mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios". 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência e disse: "Tu não estás longe do reino de Deus". E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

Onde centrar nossa vida

 

A pergunta pelo primeiro dos mandamentos comporta uma preocupação: onde a vida humana deve centrar-se? A resposta a este problema é fundamental para a vida do discípulo. Mas não basta responder teoricamente. É mister que discípulo tome consciência onde efetivamente sua vida está centrada. O engano, aqui, pode ser fatal!

 

A resposta de Jesus ao mestre da Lei aponta para os dois eixos vertebradores da vida do discípulo: Deus e o próximo. Considerando bem, ambos os eixos se exigem mutuamente, a ponto de um levar ao outro, e a ausência de um provocar a ausência do outro.

 

Quem está centrado em Deus, está necessariamente aberto ao amor e à solidariedade, está sempre pronto para lutar pela justiça, não suportando ver o próximo ser vilipendiado. Sobretudo, torna-se um lutador incansável pela causa do Reino, ansiando por vê-lo acontecer em sua própria vida e na de seus semelhantes.

 

Por outro lado, tem sua vida centrada no próximo quem é capaz de superar o egoísmo e romper as amarras das paixões, quem se esforça para se libertar da tirania do pecado, tornando-se livre para Deus. Em outras palavras, quem tem Deus no coração.

 

Todos os demais eixos são espúrios e devem ser rejeitados pelo discípulo do Reino. Basta considerar o modo de proceder de quem não ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São pessoas desumanizadas e desumanizadoras. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Leituras dos Evangelhos sinóticos: Mt 22, 34-40; Lc 10, 25-28 (O preceito mais importante)

 

Para sua reflexão: No AT há decálogos, dodecálogos, listas de preceitos, códigos legais, decisões de jurisprudência. Regulavam a conduta do israelita observante. A tradição rabínica contou até 613 preceitos, 365 proibições e 248 mandatos. Era preciso sabê-los todos para cumprir todos? Podiam ser sintetizados e reduzidos a poucos capítulos? A um só? Essa pode ser a força de “o primeiro”, que engloba tudo.  

 

São Luis Orione

 

Por quantos títulos este nobre santo era conhecido: "Apóstolo da caridade", "Pai dos pobres", "Benfeitor insigne da humanidade", "Fundador da Pequena Obra da Divina Providência". A mãe era analfabeta: pobre, porém boníssima e cristã. Sua mãe teve grande influência sobre os três filhos com sua piedade e sabedoria. Luís sentia chamado a vida sacerdote aos 10 anos de idade, mas via-se obrigado a ajudar ao pai como calceteiro de estradas. Aos 13 anos de idade foi recebido na Ordem franciscana mas logo teve que voltar para casa, por estar doente. Completou o ginásio no Oratório Salesiano, onde teve a graça de ter como confessor, são João Bosco. Em 1889, aos 17 anos de idade entrou no seminário de Tortosa. Após três anos seu pai veio a falecer e para que pudesse custear seus estudos foi-lhe dado o cargo de guardião da catedral. Mesmo ainda seminarista, fundou no bairro são Bernardino um colégio para vocações sacerdotais para pessoas pobres. Com 21 anos, ainda subdiácono, recebeu do bispo licença para pregar na Diocese. Ordenou-se sacerdote em 3 de abril de 1895, aos 23 anos de idade e sua atividade dirigiu-se a duas direções: escolas e colônias agrícolas. Muito querido por todos era bastante incentivado pelo Papa Pio X. Trabalhou nas obras de reconstrução pelos terremotos de Messina em 1908 e de Márcicas em 1915. Em 1916 iniciou a obra do Pequeno Cotolengo e fundou suas congregações religiosas, masculinas e femininas que ainda vivo viu se expandir continuamente. Em 1934-37, visitou suas obras no Chile, Uruguai, Argentina e Brasil. Atacado de angina pectoris foi obrigado a se retirar para casa de San Remo onde veio a morrer quase repentinamente. Seu corpo conserva-se até hoje incorrupto e encontra-se em Tortosa.

 

 

Às vezes Deus usa estranhos caminhos para levar-nos a suas metas. (Bogdan Janski)

 

 

Ama, acima de todas as coisas, a mim, seus pais, seus irmãos, seus semelhantes, seu país, sua empresa, seu time, a natureza, o desenvolvimento sustentável, você e todas as coisas, nessa ordem. (Os novos dez mandamentos do post-its)