Sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sagrado Coração de Jesus (Ano “C”), Ofício Solene,  2ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

Hoje: Dia do Educador Sanitário, Dia Mundial de Oração pela Santificação Sacerdotal

 

Santos: Barnabé (considerado também como um dos virtuais Apóstolos), Paula Frassinetti, Parísio (monge camaldulense), Maria Rosas Mola e Vallvé; Félix e Fortunato (Aquiléia), João de São Facundo (professor de Direito e de Teologia em Salamanca e eremita de Santo Agostinho).

 

Antífona: Eis os pensamentos do seu coração, eu permanecem ao longo das gerações: libertar da morte todos os homens e conservar-lhes a vida em tempo de penúria. (Sl 32, 11.19)

 

Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber, desta fonte de vida, uma torrente de graças. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Profeta Ezequiel (Ez 34, 11-16)
Como um pastor vela sobre o seu rebanho,

assim eu velarei sobre as minhas ovelhas

 

11Assim diz o Senhor Deus: "Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. 12Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que forem dispersadas num dia de nuvens e escuridão. 13Vou retirar minhas ovelhas do meio dos povos e recolhê-las do meio dos países para conduzi-las à sua terra.

 

14Vou apascentar as ovelhas sobre os montes de Israel, nos vales dos riachos e em todas as regiões habitáveis do país. Vou apascentá-las em boas pastagens e nos altos montes de Israel estará o seu abrigo. Ali repousarão em prados verdejantes e pastarão em férteis pastagens sobre os montes de Israel. 15Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar - oráculo do Senhor Deus. 16Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6  (+.1)
O Senhor é o pastor que me conduz;

não me falta coisa alguma

 

O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes, me encaminha, e restaura as minhas forças.

 

Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

 

Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

 

 

II Leitura: Carta de S.Paulo aos Romanos (Rm 5, 5b-11)

O amor de Deus foi derramado em nossos corações

 

Irmãos, 5bo amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado. 6Com efeito, quando' éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. 10Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! 11Ainda mais: nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação. Palavra do Senhor!

 

Evangelho: Lucas, (Lc 15, 3-7)

A ovelha perdida

 

Naquele tempo, 3Jesus contou aos escribas e fariseus esta parábola: 4"Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' 7Eu vos digo: assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão".  Palavra da Salvação!

 

Outras Leituras Relacionadas ao Evangelho: 1Sm 17, 34-36; Ez 34, 11-16; Is 40,11; 2Sm 12, 1-4  

 

 

Comentando o Evangelho

O amor pelos transviados

 

A parábola da ovelha desgarrada evidencia, de maneira excelente, o que se passa no coração de Jesus: seu extremo amor pelos pecadores e marginalizados.

 

O pretexto da parábola foi dado pela murmuração dos escribas e fariseus diante da liberdade com que Jesus convivia com os pecadores e gente de má fama. Parecia-lhes inconveniente que um rabi pudesse permitir-se tal comportamento. A prudência aconselhava distância e reserva em relação a este tipo de pessoas. Rejeitados por Deus, deviam sofrer também a rejeição de seus semelhantes. Este seria o preço do seu pecado!

 

Sem se importar com tais preconceitos, Jesus seguia na direção contrária. E se sentia bem, exatamente quando se encontrava na companhia dos excluídos, pois por causa deles tinha sido enviado pelo Pai. Sua ação pautava-se por princípios diferentes daqueles de seus adversários. Ele bem sabia que "o Pai não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva". E mais: e maior motivo de alegria no céu a conversão de apenas um pecador, do que a vida piedosa de noventa e nove pessoas, tidas como justas, sem necessidade de conversão". Sendo assim, a convivência com os pecadores corresponde a um dever de Jesus. Seu amor misericordioso deve ser manifestado a eles, de modo particular. E só quem se sabe carente do amor de Jesus, será capaz de conhecer a grandeza de seu coração. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Temos aqui a figura do rei pastor que vai à luta para resgatar uma ovelha (1Sm 17, 34-36) e a grande exposição de Ezequiel (em particular Ez 34, 11-16). As noventa e nove ficam em lugar seguro. Leva a ovelha nos ombros (como em Is 40, 11). É um por cento da sua propriedade; no entanto, alegra-se com uma alegria comunicativa e incontida, como se tivesse com a ovelha uma relação pessoal e não simplesmente econômica. É a alegria que sobre até o céus. A frase é audaz: no céu se festeja o acontecimento. (Bíblia do Peregrino)

 

 

 

 

O amor que salva os que não amam

 

A figura do pastor perdeu seu sentido no mundo moderno; para os antigos - e, para certas populações, ainda hoje - era cheia de significado e muito sugestiva. Nosso erro é o de nos determos mais nos elementos externos da figura do que naquilo que lhe é intimamente próprio. Ora, é nestes elementos que a Bíblia fixa seu olhar quando vê Deus como "pastor" do seu povo, do seu "rebanho". Alguns quadros nos parecem descritos com cores forçadas, porque neles Deus é mais diretamente representado sob os traços de pastor do que o pastor como figura de Deus. E este, particularmente, o caso dos trechos escolhidos para a solenidade do Coração de Cristo.

 

Deus cuidará dos pequeninos e dos fracos como um dedicado pastor Que significa um povo mal governado, indefeso, desnutrido?  Não é fácil percebê-lo, porque muitos males são encobertos com pudor  pelos  que deles sofrem, outros são como que sufocados por quem os provoca. E mais fácil ver isso num símbolo. E aí está a imagem do rebanho, explorado pelos que deveriam ser seu guia e sua defesa.

 

Deus faz saber, pelos lábios de Ezequiel, que irá cuidar ele mesmo do seu povo, como um pastor dedicado e prudente; reunirá os dispersos, irá conhecê-los um por um, cuidar das suas feridas, curar os enfermos, afastar os maus pastores; garantirá boas e abundantes pastagens, ovil seguro e repousante, vigiará na defesa, irá em busca dos desgarrados e os reconduzirá ao redil, apascentará seu rebanho com justiça (1ª leitura).

 

A imagem é transparente; sob seus traços é representado o Deus, bom pastor, que cuida do seu povo, para salvá-lo das explorações dos que o oprimem em lugar de governá-lo, para conduzi-lo ao bem-estar a que tem direito o povo amado por Deus. O quadro tem um valor simbólico perene; não é apenas representada a passagem da antiga para a nova aliança, mas a cena viva é uma admoestação, uma mensagem de como deve agir quem, em qualquer grau ou modo, é colocado como guia dos outros. Do "rebanho" bem conduzido e apascentado ergue-se o canto de agradecimento ao seu pastor (salmo responsorial).

 

O amor de Deus manifestou-se quando os homens lhe eram inimigos

 

Esta é a grande "esperança" que não decepciona, afirma são Paulo. Deus nos amou precisamente quando éramos pecadores; Cristo morreu pelos ímpios. Pensemos bem, diz o apóstolo: jamais se viu coisa semelhante. Será bem difícil encontrar quem faça um ato de heroísmo em favor de uma pessoa boa, até chegar a morrer por ela. Isto ainda poderá acontecer; mas que alguém morra por um malvado?! No entanto, Deus nos deu esta prova de amor, porque Cristo morreu precisamente quando os homens eram pecadores; morreu para libertá-los do pecado.

 

E agora, que dizer? Podemos ainda ter medo de Deus? Se fomos reconciliados quando éramos inimigos, e reconciliados pelos sacrifícios voluntários de Cristo, agora que estamos "reconciliados", sua vida é a nossa salvação. Cristo "ressuscitou" para comunicar-nos a sua vida. Ainda mais, tudo isto é uma glória para nós.

 

A manifestação de Cristo num século de indiferentismo e frivolidade, de ostentação de riquezas e desprezo da pobreza não perdeu absolutamente a força de seu discreto apelo: "Eis o coração que tanto amou os homens!" Não estamos convencidos? Que importa isto para a vida? Cabe a cada um de nós dar a resposta; não uma resposta individual apenas, mas coletiva, eclesial. Há perigo hoje de se considerar sentimental uma devoção que tem por objeto o amor do coração de Cristo por nós; para tirar-nos a ilusão seria preciso considerar como é forte o amor de Paulo e de João por Cristo.

 

Deus busca com amor os extraviados, os pecadores

 

O homem traído, em geral se vinga. Deus também o faz, mas a seu modo. Mostra o maior amor misericordioso, isto é, um amor que se derrama exatamente onde há mais miséria, vai em busca de quem o abandonou, o ultrajou e traiu. Só Deus sabe avaliar o mal que é o pecado, e só ele, que é bondade e tudo pode, quer e pode libertar-nos. Tomando para si a imagem do pastor, Jesus afirmou que ele mesmo vai solicitamente em busca da ovelha desgarrada e a reconduz ao ovil com alegria (evangelho). No evangelho de Lucas, depois desta parábola segue-se a da moeda perdida e encontrada pela mulher que possuía apenas dez moedas, e em seguida a cena do filho pródigo. A conclusão é sempre a mesma: Deus faz festa por um pecador que se converte, mais do que por muitos justos que não têm necessidade de converter-se. É o amor que se alegra em salvar, se alegra por ter salvo. Assim é o amor de Deus que se encarnou em Cristo Devemos perguntar-nos a nós mesmos se procuramos nos aproximar daquele que nos ofendeu, apertar a mão de quem nos maltratou, abraçar como amigo alguém que nos traiu. [MISSAL DOMINICAL, pp 540-541, ©Paulus, 1995]

 

 

O coração de Jesus é largo, grande, mais que suficiente: deixa-nos

abarcar no seu amor e ser abraçados por Ele. (Frei Edrian Pasini)