Sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sétima Semana da Páscoa,  3ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

Hoje: Dia da Artilharia

Santos: Olívia, Getúlio, Itamar, Luciliano, Astério (bispo da Arábia), Eduardo Poppe, João Dominici, Rogato (cristão da África), Timóteio (bispo da Ásia), Máximo (bispo de Nápoles, Itália), Bem-Aventurado Censúrio (bispo)

 

Antífona: Cristo nos amou e nos lavou dos pecados com seu sangue, e fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, seu Pai, aleluia! (Ap 1,5-6)

 

Oração: Ó Deus, pela glorificação do Cristo e pela iluminação do Espírito Santo, abristes para nós as portas da vida eterna. Fazei que, participando de tão grandes bens, nos tornemos mais dedicados a vosso serviço e cresçamos constantemente na fé.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 25, 13b-21)

É pelo testemunho que Paulo será decapitado

 

Naqueles dias, 13bo rei Agripa e Berenice chegaram a Cesaréia e foram cumprimentar Festo. 14Como ficassem alguns dias aí, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: "Está aqui um homem que Félix deixou como prisioneiro. 15Quando eu estive em Jerusalém, os sumos sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram acusações contra ele e pediram-me que o condenasse. 16Mas eu lhes respondi que os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação. 

 

17Eles vieram para cá e, no dia seguinte, sem demora, sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem. 18Seus acusadores compareceram diante dele, mas não trouxeram nenhuma acusação de crimes de que eu pudesse suspeitar. 19Tinham somente certas questões sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo. 20Eu não sabia o que fazer para averiguar o assunto. Perguntei então a Paulo se ele preferia ir a Jerusalém, para ser julgado lá. 21Mas Paulo fez uma apelação para que a sua causa fosse reservada ao juízo do Augusto imperador. Então ordenei que ficasse preso até que eu pudesse enviá-lo a César". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo

 

Paulo é cidadão romano. Hebreu e fariseu, opta por este privilégio, por ter visto no império maior respeito à dignidade pessoa humana (v. 16) e encontrando maior possibilidade de universalismo do que no particularismo judaico. Ora, dignidade da pessoa e universalismo são exatamente os dois pólos, os dois pressupostos humanos em que se apóia a evangelização. Os antigos Padres viram na realidade e na estrutura exterior do império romano um desígnio providencial para a difusão e fecundidade da mensagem cristã. Os profetas e pregadores modernos vêem na nova consciência da dignidade e dos direitos do homem, na redescoberta dos valores de liberdade, igualdade e fraternidade, nos esforços pela paz, na luta contra a opressão, a miséria, a injustiça, um fecundo terreno para a semente da palavra de Deus e uma válida aproximação para um diálogo e colaboração entre os homens, a fim de realizar os desígnios de Deus. [Missal Cotidiano, © Paulus ]

 

 

Salmo: 102 (103), 1-2.11-12. 19-20ab (R./19a)
O Senhor pôs o seu trono lá nos céus

 

Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.

 

O Senhor pôs o seu trono lá nos céus, e abrange o mundo inteiro seu reinado. Bendizei ao Senhor Deus, seus anjos todos, valorosos que cumpris as suas ordens.

 

 

Evangelho: João (Jo 21, 15-19)

Apascenta os meus cordeiros e minhas ovelhas

 

Jesus manifestou-se aos seus discípulos 15e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?" Pedro respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros". 16E disse de novo a Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas?" Pedro disse: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta as minhas ovelhas".

 

17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas?" Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: "Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingi­as e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir". 19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: "Segue-me". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Tu me amas?

 

Todo cristão deveria se defrontar com a tríplice pergunta que o Ressuscitado dirigiu a Pedro. Ela é bem precisa: "Tu me amas?", e não pode ser respondida com evasivas ou sem convicção. É sim ou não, com as respectivas conseqüências, tanto em termos pessoais - conversão interna -, quanto em termos sociais - testemunho público e seus riscos.


A melhor maneira de expressar nosso amor a Jesus é amar o próximo. E o ápice deste amor está em não poupar nada de si, quando se trata de servir, como fez Jesus.


Portanto, a pergunta do Ressuscitado poderia ser respondida assim: "Tu sabes que eu nutro profundo amor pelo meu próximo; podes ver como minha vida é toda vivida como doação; podes, igualmente, verificar como minha existência é tecida de gestos concretos de oblação. Esta é a prova de que, realmente, eu teu amo".


O Mestre não pode confiar no discípulo, cujo amor não é entranhado. Por isso, antes de confiar a Pedro a missão de presidir a comunidade dos cristãos, quis se assegurar do seu amor. Este procedimento de Jesus é plenamente acertado. O exercício do ministério, na Igreja, pressupõe o amor que ele exigiu de Pedro, quando lhe confiou a missão de conduzir o seu rebanho. Arrisca-se a descambar para a tirania a liderança de quem se põe à frente da Igreja sem amar, autenticamente, a Jesus.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

A fim de que a solenidade de Pentecostes traga novo vigor à Igreja, rezemos. Atendei, Senhor, nossa oração!

A fim de que o amor sincero nos comprometa com o projeto de Jesus, rezemos.

A fim de que os cristãos sejam cada vez mais unidos e fraternos, rezemos.

A fim de que os evangelizadores suportem com fé as provações e dificuldades, rezemos.

A fim de que o anúncio da boa-nova contribua para a construção da paz e da justiça, rezemos.

(preces espontâneas)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, considerai compassivo as oferendas do vosso povo e, para que elas possam agradar-vos, purificai os nossos corações com a vinda do Espírito Santo. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quando vier o Espírito da verdade, ele vos ensinará toda a verdade, diz o Senhor, aleluia! (Jo 16, 13)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos purificais e alimentais com os vossos sacramentos, fazei que encontremos a vida eterna na refeição que nos concedestes. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O diálogo com Pedro desperta várias ressonâncias. As mais fortes e óbvias são a da tríplice negação, que é preciso cancelar com a tríplice declaração, humilde, de amor: “ao entardecer sereis examinados no amor” (João da Cruz). Pedro recebe um encargo especial e único para a comunidade, que continua sendo rebanho de Jesus. O destino de Pedro se expressa em imagens que apontam para o martírio, talvez para a cruz com o “estender os braços”. O “cingir-se” da tarefa cotidiana transforma-se em “ser cingido” ou atado à força e conduzido a morrer. Depois da ressurreição e reconciliado com Jesus, Pedro o seguirá até a morte. O martírio “glorifica” a Deus. (Bíblia do Peregrino)

 

Beato João Dominici

 

 

 

Entre os registros do Beato João Dominici que nos chegaram, há uma breve biografia escrita por São Antonino, Arcebispo de Florença, assim como um retrato pintado do famoso Fra Angélico, nos muros da catedral de São Marcos. São João era um florentino de origem humilde que veio ao mundo em 1376. Aos 18 anos recebeu o hábito dos dominicanos, na priorado de Santa Maria Novella, apesar da certa oposição causada por sua falta de educação e sua tendência a gaguejar. Porém aquelas carências ficaram compensadas por sua extraordinária capacidade de reter na memória o que aprendia. O Santo converteu-se, em pouco tempo, em um dos melhores teólogos de sua época e em um pregador eloquente. Escreveu os ´laudio´ o hinos na língua vernácula. Após terminar seus estudos na Universidade de Paris, dedicou 12 anos ao ensinamento e à pregação em Veneza. Foi nomeado prior em Santa Maria Novella. Em Fiésole e em Veneza, fundou novas casas para monges e estabeleceu um convento para monjas dominicanas, chamado Corpus Christi. A partir daí trabalhou para introduzir ou restabelecer a estrita regra de Santo em vários priorados. Também preocupou-se muitíssimo para que compartilhassem uma educação cristã à juventude e foi o primeiro a combater as perniciosas tendências da nova heresia que já começava a ser um perigo: o humanismo. Em 1406, assistiu ao conclave que escolheu ao Papa Gregório XII. Depois foi o confessor e conselheiro do Pontífice e este, sagrou-o Arcebispo de Ragusa e Cardeal de São Sixto. Seu culto foi confirmado em 1832.

 

Mesmo Espírito

Dom José Alberto Moura, CSS, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

 

Jesus, enviado pelo Pai com a ação do Espírito Santo, não veio fundar uma religião a mais do tipo puramente humano ou super-religião. Aliás, ele faz o contrário da religião humana. Esta é a tentativa de fazer o humano se unir ao divino. Jesus é o divino que veio ao humano. Veio sim fundar uma nação santa, com nova mentalidade e novo modo de convivência, para todos se unirem no amor e construir uma sociedade realmente justa. Aliás, Deus não nos vai avaliar pelos atos de religiosidade e sim pela vivência do amor. Se quisermos caminhar sozinhos, cada um com seu barquinho para atravessar o oceano da vida, pode arriscar-se a não atingir seu objetivo realizador. Jesus não quer construir sozinho o grande navio. Ele vai nos guiando e nos ensinando, através da história de todos os tempos,  a desenvolver esse veículo na conjunção do esforço de todos para sermos solidários, ajudando, uns aos outros, a colocar as próprias peças em união e no entrelaçamento dos elos. Assim, fazemos a grande nave funcionar. Ele é como o piloto. Garante que seu navio não pode ser afundado. A força do motor é a do Espírito Santo. Se nos entendermos com a vida do amor, somos capazes de formar a família humana, para nela, construirmos a identidade de cada pessoa, que se irmana às outras, com a ternura, a compaixão, a doação de si, o perdão, o reerguimento após as quedas, a força dos mais fortes ajudando os menos favorecidos...

 

Jesus convidou seus discípulos, dando-lhes poder, força e missão para iniciarem um processo novo de caminhada humana. Formou um grupo para formar o grande navio com meios eficazes para seu desenvolvimento. Trata-se do núcleo fundamental de sua família. Deu-lhe a missão de convidar a todos para essa construção maravilhosa da história, com a perspectiva do Reino de amor, justiça e solidariedade. Não deixou faltar, com esse grupo, meios ou instrumentos de grande força de propulsão: sua Palavra, sua autoridade para servir, seus dons especiais como os sacramentos, oração, penitência, prática das virtudes humanas e sobrenaturais... Tal grupo familiar não é finalidade. É meio de ajuda à humanidade, indicando a todos um caminho com instrumentais especiais e eficientes para a promoção da vida, da dignidade humana, do respeito à obra criada por Deus. Quem dá força a cada um é o Espírito Santo. Ele não é prisioneiro de nenhuma pessoa, estrutura e nenhum grupo. Age em todos, com efeitos diferenciados, para tornar cada um apto a se unir direta ou indiretamente ao instrumental por Jesus deixado com seus discípulos. Quem corresponder à sua ação coopera com o todo da humanidade e com a construção do grande navio da caminhada humana. Aliás, vemos na história tantos ungidos pelo Espírito Santo, que fizeram e fazem um bem enorme à humanidade, com os valores humanos, éticos, morais, sociais, religiosos e comunitários.

 

Nosso seguimento a Jesus necessariamente nos faz ver a ação do Espírito Santo no ser dos outros, na Igreja e na sociedade. Precisamos nos abrir para enxergar essa ação e valorizarmos sua presença no semelhante. Vêmo-lo em nós mesmos. Por isso, vamos mostrá-lo também aos demais. Na mútua compreensão reforçamos os laços de nossa humanidade, de nossa fé, de nosso amor. Este é abrangente e pode se manifestar mais tênue ou fortemente, conforme nossos laços humanos, religiosos e sociais. Os valores  que o Espírito Santo inocula em nós precisam ser desenvolvidos para o bem comum. Nossa Igreja deve explicitá-los, a ponto de serem realmente de ajuda à promoção da vida. Não podemos nos fechar como tendo tudo e de modo absoluto, não querendo enxergar a ação do mesmo Espírito com os valores dos outros.

 

Não é a adversidade, mas a falta de comunhão entre as igrejas

que provoca o escândalo (Juan Bosh Navarro)