Sexta-feira, 9 de setembro de 2011

XXIII Semana do Tempo Comum , Ano Ímpar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia do Veterinário e Dia do Administrador de Empresas

 

Santos: Abraão (Patriarca do Antigo Testamento), Andrônico e Atanásia sua esposa (monges do Egito), Bernardo de Rodez (abade de Montsalvy),  Cirano, Clarano (549), Corbiniano, Dionísio Areopagita (bispo), Estratão,Gorgônio (mártir em Roma), Jacinto (mártir na Sabina), João de Lobedeau (franciscano), João Leonardi (presbítero), Luís Bertran (dominicano), Omero, Públia de Antioquia (abadessa), Sara (personagem do Antigo Testamento, esposa de Abraão), Cirilo Bertrán, Marciano José, Pedro Claver (1654, jesuíta espanhol), Augusto Andrés, Aniceto Adolfo e Vilfrido (mártires de Turón, bem-aventurados), Inocêncio da Imaculada e Companheiros (mártires, bem-aventurados), Serafina Sforza (franciscana da 2ª Ordem) Tiago Laval, Tibúrcio, Rufiniano, Rufo, Serafina, Ulfácio

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Timóteo (1Tm 1, 1-2.12-14)

A graça e a misericórdia de Cristo permitiram a conversão de Paulo

 

1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança, 2a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. 12Agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim ao designar-me para o seu serviço, 13a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé. 14Transborciou a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Eu, que antes blasfemava, encontrei misericórdia

 

"Mas obtive misericórdia" (v. 13). Com estas palavras Paulo descreve a Timóteo sua esperança em Deus. Sua vocação não nasce simplesmente dos apelos sociopolíticos dos irmãos, mas da comunhão com Deus. "Nisto consiste o amor: nós não amamos a Deus, mas ele nos amou e enviou seu Filho, vitima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10). Esta experiência de amor é cheia de ardor. Em íntima relação de comunhão com Deus, a fé impele o cristão ao amor do próximo. Toda a luta do homem encontra nesta experiência, escrita no mais profundo de nós mesmos, a sua fonte. A vida do cristão está inteiramente situada entre estes dois pólos: a experiência da misericórdia de Deus e a solicitude misericordiosa pelos irmãos. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

Salmo: 15 (16), 1-2a e 5.7-8.11 (R/ cf. 5a)

O Senhor é a porção da minha herança!

 

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor. Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos!”

 

Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me ad­verte o coração. Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo.

 

Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 39-42)
É preciso seguir o mestre e ter um olhar misericordioso

 

Naquele tempo, 39Jesus contou uma parábola aos discípulos: "Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?

 

42Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

A falta de autocrítica

Falta, muitas vezes, o senso de autocrítica às lideranças eclesiais. São incapazes de reconhecer suas fraquezas e limitações, e se arrogam o direito de ser juízes impiedosos da comunidade. Em geral, são mestres em reconhecer os defeitos alheios e subestimar as virtudes que encontram nos outros. Como é possível exercer bem a liderança nestas circunstâncias? Trata-se de uma situação semelhante à do cego que se predispõe a guiar outro cego. Conseqüência inevitável: ambos cairão no primeiro buraco que encontrarem.


O bom líder tem um agudo senso de autocrítica, sabendo detectar seus pontos positivos e seus pontos negativos. Não se recusa a deixar-se corrigir, pois se reconhece carente de ajuda. E quando deve censurar a falta de alguém, age com mansidão e misericórdia, sem querer usurpar o lugar que cabe a Deus. Por isto, está sempre pronto a perdoar e a contemporizar, tendo em vista ganhar para o Pai o irmão ou a irmã faltosos.


Portanto, é preciso banir a hipocrisia do meio das lideranças eclesiais, quaisquer que sejam. Estas não podem aparentar o que não são, nem se servir da religião para acobertar suas mazelas. Quanto mais o líder for transparente tanto mais estará capacitado para ajudar o próximo. E quanto mais estiver disposto a corrigir suas faltas pessoais, mais condições terá para corrigir as faltas alheias.
[MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pela Igreja e seu compromisso com o projeto de Jesus, rezemos. Senhor, atendei a nossa prece.

Pelos evangelizadores e agentes de pastoral, rezemos.

Pelos missionários e ministros ordenados, rezemos.

Pelos que têm a responsabilidade de julgar e decidir, rezemos.

 (outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, fonte da paz e da verdadeira piedade, concedei-nos por esta oferenda render-vos a devida homenagem, e fazei que nossa participação na Eucaristia reforce entre nós aos laços da amizade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; aquele que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.! (Jo 8, 12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nutris e fortificais vossos fiéis com o alimento da vossa palavra e do vosso pão, concedei-nos, por estes dons do vosso Filho, viver com ele para sempre. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O discípulo é chamado a viver uma vida radicalmente comprometida com a proposta de Jesus. Por intermédio da série de comparações da primeira parte dessa passagem, Jesus faz ver que, em seu seguimento, a mediocridade e a falta de autocrítica constituem o obstáculo principal para a instauração real e efetiva do reino. Com muita facilidade, desde os tempos primitivos até hoje, proclama-se Jesus como “Senhor, Senhor”, mas sem nenhum compromisso, nem mesmo com o mínimo de sensibilidade para com suas exigências; esses são os que enchem salões, templos e estádios, e proclamam aos quatros ventos sua fé no “poder” de Cristo, mas quando chegam as exigências, as renúncias, o testemunho e os compromissos, desmoronam como a casa que foi construída sobre a areia.  (Bíblia Ave-Maria, Novo Testamento)

 

 

São Pedro Claver

 

 

 

Os escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.

 

Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.

 

Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, hoje cidade da Colômbia, na América do Sul. Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. E assim, foi enviado para Carque, evangelizar os escravos que chegavam da África. Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.

Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de quatrocentos mil negros durante os quarenta anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.

 

Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As conseqüências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. Depois de quatro anos de sofrimento, Pedro de Claver morreu aos setenta e três anos de idade, em 8 de setembro de 1654, no dia na festa da Natividade da Virgem Maria.

 

Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte. [paulinas.org.br]

 

 

Bíblia e Catequese

Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

 

Estamos no mês da Bíblia e refletindo, de maneira especial, sobre a travessia do povo de Deus no deserto e o consequente encontro com Ele. Falamos hoje da animação bíblica de toda pastoral e do retorno da “lectio divina”, ou leitura orante da Bíblia, em nossas reuniões de grupo e círculos bíblicos. Nesta semana a nossa Arquidiocese esteve reunida por Vicariatos nas Assembleias dos Círculos Bíblicos. Também na catequese tivemos um bom trabalho para que o aprofundamento da fé tivesse como grande fonte a Palavra de Deus. A Iniciação Cristã nos trouxe a figura dos “introdutores” para a primeira acolhida dos que chegam às nossas comunidades e que devem ser pessoas que transmitam a “palavra de Deus” pelo seu testemunho. Vivemos em tempos muito ricos e que supõem de cada um a abertura para escutar o Senhor que nos fala.

 

Costuma-se dizer que a Bíblia é o principal livro da catequese, a mais importante fonte do processo de evangelização. Isso é fácil de entender, pois sabemos que a Bíblia é, para nós, Palavra de Deus. Se, na catequese, o que se pretende é ajudar o catequizando a realizar o seu encontro com Deus, fica clara a importância da Palavra de Deus por meio da qual se realiza esse encontro. A catequese é, sem dúvida, centrada na Palavra de Deus. O catequizando deve aprender a escutar a Bíblia e deve ser incentivado a vivenciá-la. Por meio da Palavra, Deus se comunica conosco e nós nos comunicamos com Ele.

 

É impossível compreender exatamente o que seja a catequese sem compreender profundamente a Palavra de Deus. O Diretório Nacional de Catequese nos fala que é preciso que a catequese seja alimentada e dirigida pela Sagrada Escritura. É tão grande a força e virtude da Palavra de Deus que fornece à Igreja a solidez da fé, o alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual. A própria Escritura testemunha: A "Palavra de Deus é viva e eficaz" (Hb 4,11).

 

A Bíblia é, pois, o primeiro livro de catequese. Antes de a Bíblia ser escrita, Israel encontrou-se com seu Deus e alimentou sua vida de fé numa longa experiência comunitária de luta pela sua sobrevivência e dignidade. Nessa experiência vai despontando o jeito catequético de Deus, através do qual Israel foi aprendendo a ver Deus no centro de sua história e da vida de cada um.

 

Por meio dessa longa experiência, podemos comparar a Bíblia com uma antiga “máquina de costura”, que vai costurando a aliança de Deus com o povo e do povo com Deus. O “carretel de linha” é o mistério do amor de Deus que vai penetrando os orifícios de nossa vida. A “canelinha” somos nós, que devemos corresponder à penetração da agulha de Deus em nossa vida. O importante é “firmar o ponto” e não afrouxar a costura, senão vamos “franzir” a nossa vida cristã. Através de nossa liberdade podemos cortar a linha e quebrar a aliança com Deus. A catequese é, portanto, a constante “costura” que fazemos com Deus. Não se faz roupa apenas em alguns momentos da vida. Daí a importância da catequese e de sua formação permanentes.

 

Depois de muito tempo, por inspiração de Deus, Israel vai pondo por escrito aspectos marcantes dessa experiência vivida à luz da fé. A vivência suscita os escritos. Na catequese de Deus os fatos precedem as escritas. É a grande pedagogia da Bíblia. Os escritos que vão surgindo mantêm viva e aprofundam a fé através de releituras posteriores provocadas pelos fatos novos.

 

Assim, o Diretório Nacional de Catequese afirma: "O texto sagrado nasceu em experiência comunitária: foi o processo que o próprio Deus escolheu para se comunicar. É função do texto bíblico alicerçar e vivificar a comunidade dos que creem, fazendo crescer a unidade da Igreja, que não é uniformidade, mas deriva de um espírito básico de comunhão... A Bíblia nasceu na e para a comunidade de fé. Ela será vista em suas perspectivas mais importantes só quando relacionada com a comunidade" (DNC 177-185).

 

Uma das características da Catequese renovada e ratificada no Diretório Nacional de Catequese é a "Interação fé-vida”: O conteúdo da catequese compreende dois elementos que se interagem: a experiência da vida e a formulação da fé. A interação entre fé e vida é a tarefa principal, a arte do catequista e seu constante desafio diante das situações concretas (DNC 26). Esta interação não pode ser de palavra, igual óleo no copo de água: só se mistura quando é remexido. Deve ser a interação do óleo e da água na panela quente para cozinhar o arroz. Uma vez misturados, não se separam mais. Toda a Palavra de Deus é esta grande interação entre fé e vida.

 

A Bíblia nos traz valiosos testemunhos de mulheres e homens que declararam o quanto tiveram consciência de que Deus é parceiro e está no centro da caminhada. De tudo isto, a Bíblia é fruto e história. A Sagrada Escritura é, ao mesmo tempo, testemunho oficial e orientação autorizada do período fundador da nossa comunidade de fé. Por isso mesmo, a Bíblia é livro catequético por excelência.

 

Na Bíblia não existem textos sem valor, banais, mesmo que às vezes se tenha esta impressão. Eles têm seus valores, ainda que ocultos. Daí a necessidade de boa formação bíblica para perceber qual catequese está por trás de tais textos. Para isto é importante dar bastante atenção ao texto. Evitar a ânsia de nos servirmos do mesmo texto para expor nossas ideias, não prestando atenção ao que ele tem a nos dizer.

 

A pedagogia de Deus é a revelação progressiva através de palavras e acontecimentos na caminhada do povo. Nada pronto de cima para baixo. Na medida em que o povo caminhava, ia reavaliando suas reflexões e ações numa linha progressiva. A pedagogia bíblica é a reflexão na caminhada. Nada de receitas prontas. Na medida em que a comunidade caminha, reavalia reflexões e soluções do passado, às vezes corrigindo-as. É o caso, por exemplo, da responsabilidade pessoal.

 

A pedagogia bíblica nos ajuda a ver problemas e nos mostra que suas soluções estão na comunidade de fé, onde aprendemos a traduzir em oração e em catequese tudo o que acontece: alegria, dores, esperanças. Neste sentido, é importante o uso de uma linguagem simbólico-cultural, que situa catequista e catequizando em sua cultura.

 

Contudo, é preciso valorizar ainda mais a importância da Bíblia a nível pessoal e comunitário, e promover uma catequese que seja fundada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, vivificando os programas catequéticos e os próprios catecismos, a pregação e a piedade popular. Em todas as catequeses integrais devem estar sempre presentes, inseparavelmente unidos, o conhecimento da Palavra de Deus, a celebração da fé nos sacramentos e a profissão da fé na vida quotidiana. Deste modo, estaremos fazendo e vivendo uma catequese pautada na Palavra de Deus e tendo a certeza de que estamos no caminho certo, e que nossa catequese hoje possa responder aos anseios de nossos catequizandos.

         

Que em nossas comunidades, neste mês da Bíblia, seja valorizada a leitura orante da Bíblia, e que todas as nossas paróquias, iluminadas pela Palavra de Deus, se coloquem na escola da Palavra, que é alimento diário para a nossa caminhada de fé neste mundo tão conturbado em que vivemos, onde somente a Palavra de Deus nos ilumina a viver a santidade.

 

Quando tudo o mais estiver perdido, ainda restará o futuro. (Bovec)