Sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Semana da Epifania, Ano “B”, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Branca
Para os retos de coração surgiu nas trevas uma luz: o Senhor cheio de compaixão, justo e misericordioso. (Sl 111,4)
Santos do Dia: Alderico de Le Mans (bispo), Anastácio de Sens (bispo), Canuto Layard (rei, mártir), Clero (diácono, mártir da África), Crispim de Pavia (bispo), Emílio de Saujon (monge), Félix e Januário (mártires de Heracléia), Juliano de Cagliari (mártir), Luciano de Antioquia (presbítero, mártir), Nicetas de Rémésiana (bispo), Reinaldo de Colônia (monge, mártir), Teodoro do Egito (eremita), Tilo de Solignac (abade), Valentim de Rhaetua (bispo), Eduardo Waterson (mártir, bem-aventurado)
Oração: Ó Deus todo-poderoso, que o Natal do salvador do mundo, manifestado pela luz da estrela, sempre refulja e cresça em nossas vidas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
I Carta de São João (1Jo 5, 5-13)
Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho
Caríssimos, 5quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue). E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. 7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes. 9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho.
10Aquele que crê no Filho de Deus tem este testemunho dentro de si. Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho, não tem a vida. 13Eu vos escrevo estas coisas a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura
O espírito, a água e o sangue
O batismo de Jesus nas águas do Jordão e sua morte na cruz são a prova de sua messianidade. A presença de Cristo é continuamente atualizada nos sacramentos da Igreja, particularmente na água do Batismo que nos introduz na Igreja e nos comunica a vida divina, e na Eucaristia, carne e sangue de Cristo, que é "fonte e ápice da vida cristã". O Espírito, dom do Pai e do Filho, completa a obra de salvação: "Com o dom do Espírito, todo homem atinge, na fé, a contemplação e o gosto do mistério do plano da salvação". Do Batismo à Eucaristia, consagrados pelo Espírito Santo que habita em nós (1 Cor 3,16), é este o nosso itinerário para a fé e o mistério de Cristo, a fim de realizar nossa santificação e dedicar-nos à salvação de nossos irmãos. (MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997)
Salmo: 147 (147 B), 12-13.14-15.19-20 (R/.12a)
Glorifica o Senhor, Jerusalém!
12Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! 13Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.
14A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. 15Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz.
19Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. 20Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
Evangelho: Lucas (Lc 5, 12-16)
A cura do leproso
12Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, o homem caiu a seus pés, e pediu: "Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar". 13Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: "Eu quero, fica purificado". E, imediatamente, a lepra o deixou.
14E Jesus recomendou-lhe: "Não digas nada a ninguém. Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela purificação o prescrito por Moisés como prova de tua cura". 15Não obstante, sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava à oração. Palavra da Salvação!
Contexto: O ministério de Jesus na Galiléia. Leituras paralelas: Mt 8, 1-4; Mc 1, 40-45
Comentário o Evangelho
O apelo dos marginalizados
A ação taumatúrgica de Jesus orientou-se, de modo especial, para os marginalizados. Afinal, eram eles que, desprovidos de recursos e vítimas do abandono social, encontravam no Mestre uma tábua de salvação.
O episódio do leproso, prostrado por terra, e suplicando: “Senhor, se quiseres,
podes curar-me!” – é a imagem perfeita da expectativa dos pobres em relação ao
Messias Jesus. Os leprosos eram as maiores vítimas da marginalização. A doença
os obrigava a se manterem fora da cidade, afastados do convívio social. Sua
presença era motivo de pânico, porque ninguém queria correr o risco de ser
contagiado pela doença e incorrer na impureza ritual.
Jesus, pelo contrário, recusou-se a tratar o leproso como um excluído. Por
isso, desafiando tais preconceitos, aproximou-se dele e o tocou. Resultado: sua
exclusão social foi superada, a dignidade humana, reconquistada, e o opróbrio
imposto pela religião deixou de existir.
Portanto, o serviço de Jesus aos excluídos e marginalizados não se reduzia a
uma solidariedade teórica, limitada às boas intenções. Antes, era feito de
gestos concretos, mediante os quais as pessoas recuperavam o sentido da vida, a
alegria da convivência fraterna, a confiança no amor misericordioso de Deus.
Tratava-se de fazer com que tivessem vida, e a tivessem em abundância. (O
EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
Santo Adriano
Adriano nasceu no ano 635 no norte da África e foi batizado com o nome de Hadrian. Tinha apenas cinco anos de idade quando sua família imigrou para a cidade italiana de Nápolis, pouco antes da invasão dos árabes. Lá estudou no convento dos beneditinos de Nerida, onde se consagrou sacerdote.
Adriano
se tornou um estudioso da Sagrada Escritura, profundo conhecedor de grego e
latim, professor de ciências humanas e teologia. A fama de sua capacidade e
conhecimento chegou ao imperador Constantino II que em 663 o fez seu embaixador
junto ao papa Vitalino, função que exerceu duas vezes. Depois, este papa o
nomeou como um dos seus conselheiros.
Quando
morreu o bispo da Cantuária, Inglaterra, o papa Vitalino convidou Adriano para
assumir aquele cargo, mas ele recusou a indicação duas vezes, alegando não ter
suficiente competência para ocupar esse posto. O papa lhe pediu para que
indicasse alguém mais competente, pois ele mesmo não conhecia.
Nesta
ocasião Adriano havia se encontrado com seu grande amigo, o teólogo grego e
monge beneditino Teodoro de Tarso que estava em Roma. Adriano o indicou ao papa
Vitalino. Consultado, Teodoro disse que estava disposto a aceitar, mas somente
se Adriano concordasse em ir para a Inglaterra ajudá-lo na missão evangelizadora.
Adriano aceitou de imediato. O papa consagrou Teodoro, bispo da Cantuária e
nomeou Adriano seu assistente e conselheiro, em 668.
Ele
chegou na Inglaterra um ano depois, pois foi detido durante a viagem, na França
sob suspeita que tinha uma missão secreta do imperador Constantino II, para os
reis ingleses, mas foi solto ao atestarem a sua integridade de sacerdote.
Adriano
e Teodoro foram evangelizadores altamente bem sucedidos, junto ao povo inglês
cuja maioria era pagã. O bispo Teodoro, logo colocou Adriano como abade do
convento beneditino de São Pedro, depois chamado de Santo Agostinho, na
Cantuária. Sob sua liderança, esta escola se tornou um centro de aprendizagem e
formação de clérigos para a Igreja dos povos anglicanos.
Adriano
viveu neste país durante trinta e nove anos, totalmente dedicados ao serviço da
Igreja. Nele os ingleses encontraram um pastor cheio de sabedoria e piedoso, um
verdadeiro missionário e instrumento de Deus. Muitos se iluminaram com os seus
exemplos de vida profundamente evangélica.
Morreu
em 9 de janeiro de 710, foi enterrado no cemitério daquele convento, na
Inglaterra. A sua sepultura se tornou um lugar de graças, prodígios e
peregrinação. Em 1091, o seu corpo foi encontrado incorrupto e trasladado para
a cripta da igreja do mesmo convento. Adriano foi proclamado Santo pela Igreja,
que o festeja no dia em que morreu. (www.paulinas.org.br)
A vida se torna uma festa quando sabemos desfrutar das coisas normais do dia-a-dia. (Phil Bosman)