Sexta-feira, 8 de outubro de 2010

27º do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Nascituro e Dia do Direito à Vida

 

Santos: Lourença, Reparata, Tais, Ancião Simeão (Jerusalém), Pelágia (Séc. IV, Jerusalém), Ragenfreda (Séc. VIII), Demétrio, Etério

 

Antífona: Senhor, tudo está em vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que estes contêm; sois o Deus do universo! (Est 1, 9.10-11)

 

Oração: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis, no vosso imenso amor de Pai, mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Gálatas (Gl 3,7-14)
São Paulo sublinha a eficácia da fé

 

Irmãos, 7ficai cientes que os que creem é que são verdadeiros filhos de Abraão. 8E a Escritura, prevendo que Deus justificaria as nações pagãs pela fé, anunciou, muito antes, a Abraão: “Em ti serão abençoadas todas as nações”. 9Portanto, os crentes são abençoados com o crente Abraão.

 

10Aliás, todos os que põem sua confiança na prática da lei estão ameaçados pela maldição, porque está escrito: Maldito quem não cumprir perseverantemente tudo o que está escrito no livro da lei”. 11Pela lei ninguém se justifica perante Deus; isso é evidente porque o justo vive da fé. 12E a lei não se funda na fé mas no cumprimento: Aquele que cumpre a lei, por ela viverá. 13Cristo resgatou-nos da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no  madeiro!’ 14Assim a bênção de Abraão se estendeu aos pagãos em Cristo Jesus e pela fé recebemos a promessa do Espírito. Palavra do Senhor.

 

Comentando a I Leitura

Os crentes são abençoados com o crente Abraão

 

A solidariedade de Cristo com todos os homens e com todo o homem também com as “maldições” humanas – fez a lei cair a partir de dentro; ela explodiu pela força da cruz. Não com modificações externas na estrutura religiosa, obtidas com violência, mas levando as estruturas à própria crise interna, num processo de maturação na encarnação e na crua, é que se consegue sua “renovação”. A caridade é uma força revolucionária que, quando realmente existe, esmigalha as formas externas não consentâneas, e exprime-se na verdade. Pode-se discutir muito tempo sobre as formas externas, sem chegar a nenhum resultado positivo. Se, porém, se vai à medula e procura-se viver com Cristo o evangelho da cruz, esta vida encontrará formas para se manifestar. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 110 (111), 1-2.3-4.5-6 (R/.5b)

O Senhor se lembra sempre da aliança!

 

Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

 

Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas.

 

Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua aliança. Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 11, 15-26)

Jesus e Belzebu

 

Naquele tempo, Jesus estava expulsando um demônio. 15Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”.

 

16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o reino de Deus.

 

21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou.

 

23Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa. 24Quando o espírito mau sai de um homem, fica vagando em lugares desertos, à procura de repouso; não o encontrando, ele diz: Vou voltar para minha casa de onde saí. 25Quando ele chega, encontra a casa varrida e arrumada’. 26Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. E, entrando, instalam-se aí. No fim, esse homem fica em condição pior do que antes”. Palavra da Salvação.

 

Leituras paralelas: Mt 9, 32-34; 12, 22-30; Mc 3, 22-27

 

 

Comentando o Evangelho

O dedo de Deus na história humana

 

A interpretação maliciosa dos milagres oferece a Jesus a chance de explicar-lhes o verdadeiro sentido deles. Engana-se quem os atribui a um possível conluio do Mestre com Belzebu. Mas quem se recusa a sintonizar com ele, dificilmente aceitará sua explicação.


Os milagres indicam que o reinado de Deus implantou-se na história humana, de forma a neutralizar a ação do Demônio. Este adversário do Senhor procura manter o ser humano escravo de seus caprichos e impedi-lo de ser solidário e serviçal, impossibilitando-lhe viver a comunhão fraterna. Esta ação desumanizadora coloca a pessoa na contramão do projeto de Deus, dificultando a ação da graça.


Os milagres de Jesus são o sinal da atuação do dedo de Deus na história humana. Em outras palavras, as pessoas não estão entregues à própria sorte. Elas têm quem as defenda contra as investidas do inimigo. A ação divina é humanizadora, resgata o ser humano para o Reino.
Todos os milagres de Jesus tinham esta mesma orientação básica. Nos exorcismos, porém, esta vertente de sua ação ficava mais evidente. Os endemoninhados comportavam-se de modo tão anti-social, a ponto de tornar perigosa a convivência com eles.


A cura operada por Jesus restituía-lhes a dignidade humana. Só por obra de Deus isto era possível.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: Belzebu é um dos nomes do príncipe dos demônios. Para os judeus, o Céu era um modo de designar Deus, para não pronunciar o seu nome inefável. “Mão de Deus” é uma expressão própria de Lucas, que alude a Jesus, novo Moisés, que expulsa os demônios pelo seu próprio poder. Só Lucas fala aqui de “um mais forte”, atributo dado pelo Batista ao Messias. A sentença do v.23 é severa e reflete um contexto polêmico. Jesus adverte os convertidos do perigo de Satanás, que os ameaça. Mt 12,45 aplica a admoestação a esta geração má. Os lugares áridos, ou deserto, são morada dos demônios. “Outros sete espíritos”: o plural e o número sete indicam a força do ataque e a total possessão da pessoa. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

 

São João Calábria

 

João Orestes Maria Calábria, seu nome de batismo, nasceu em 8 de outubro de 1873, em Verona, Itália, sétimo filho de uma família cristã muito humilde. O pai, Luís, era sapateiro e a mãe, Ângela, uma empregada doméstica e cristã exemplar. Desde pequeno, João teve uma saúde frágil, agravada ainda pela grande fome que atingira a região do Vêneto, norte da Itália, em sua infância, deixando-o subnutrido.


Quando o pai faleceu, teve de interromper o quarto ano do ensino básico para trabalhar como garçom. Com a ajuda de padres amigos da família, começou a estudar para entrar no seminário e, em 1892, conseguiu ingressar no de Verona. Muito preocupado com os necessitados, desde o início teve a preocupação de visitar os doentes, mas desdobrava-se na catequese das crianças abandonadas, suas prediletas.


Em 1894, foi chamado para o serviço militar. Esta fase, segundo seus orientadores, seria interessante para colocar à prova sua verdadeira vocação sacerdotal. Logo foi escalado para a enfermaria do hospital militar, onde se dedicou de corpo e alma a cuidar dos enfermos.


Após dois anos, retornou ao seminário, onde foi aprovado como noviço. Mas o seminarista Calábria nunca mais deixaria de visitar o hospital militar. Em 1901, recebeu sua ordenação sacerdotal.


Designado para o ministério na diocese de Verona, deixou sua marca de bom pastor em várias paróquias onde atuou. Em 1907, foi nomeado vigário da Reitoria de São Benedito ao Monte. Lá, devido à sua especial atenção para com as crianças abandonadas, criou, no mesmo ano, uma casa de acolhida para elas, chamada "Casa dei Buoni Fanciulli", isto é, "Casa dos Bons Meninos", cuja sede depois foi transferida para a próxima cidade de São Zeno, onde hoje está a Casa-mãe. Em breve, os lares para as crianças abandonadas foram se estendendo por toda a Itália.


Em decorrência dessa obra, ele acabou fundando também duas congregações religiosas. Primeiro a masculina: dos Pobres Servos da Divina Providência; logo depois o ramo feminino: das Pobres Servas da Divina Providência. A orientação básica que o fundador costumava repetir aos seus religiosos, colaboradores leigos e aos jovens dos lares que criou era muito simples, como foi toda a sua vida: "Sejam evangelhos viventes". Com isso lhes pedia para encontrarem o amor de Deus vendo o irmão necessitado como a única fonte para poder sentir e demonstrar a verdadeira Paixão de Jesus Cristo pela humanidade.


João Calábria faleceu no dia 4 de dezembro de 1954, na Casa-mãe de suas obras, em São Zeno. O papa Pio XII, que na ocasião também estava doente, quando recebeu a notícia da morte de padre Calábria, cuja vida acompanhou e admirava, assim o definiu: era um "campeão de evangélica caridade".


Canonizado pelo papa João Paulo II em 1999, a data comemorativa oficial da memória de são João Calábria ocorre no dia 8 de outubro, em vez de 4 de dezembro, por uma especial autorização concedida, a pedido das congregações, pela Santa Sé. Expandidas por toda a Itália, atravessaram oceanos, estabelecendo-se no Uruguai, Brasil, Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Angola, Filipinas, Índia, Rússia, Romênia e Quênia. Além disso, floresceu um ramo na América Latina: as Irmãs Missionárias dos Pobres, dando vigor e continuidade à obra do santo fundador.
[paulus.com.br]

 

Saiba colocar a sua vida nas mãos do Senhor, pois Ele assim entregou

a sua vida nas mãos do Pai. (Frei João Podes da Silva)