Sexta-feira, 6 de maio de 2011

Segunda Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II),  cor  litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia do Taquígrafo, dia do Cartógrafo e dia do Ex-Combatente da FEB

 

Santo: André Kim (e companheiros, mártires coreanos), Benta, Heliodoro, Edberto (Bispo de Lindisfarne), Evódio (Bispo da Antioquia), Protógeno (bispo), Teódoto (bispo), Petronace (Abade de Monte Cassino), Prudência (Beata, virgem), Eduardo Jones e Antônio Middleton (beatos, mártires); Gerard de Lunel (Bem-Aventurado, confessor franciscano da 3ª ordem).

 

Antífona: Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós, um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap 5, 9-10)

 

Oração: Concedei, ó Deus, aos vossos servos e servas a graça da ressurreição, pois quisestes que o vosso Filho sofresse por nós o sacrifício da cruz para nos libertar do poder do inimigo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Atos (At 5, 34-42)     
 Por causa do nome de Jesus

 

Naqueles dias, 34um fariseu, chamado Gamaliel, levantou-se no sinédrio. Era mestre da lei e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante. 35Depois disse: "Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. 36Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto e todos os que o seguiam debandaram, e nada restou. 37Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele morreu e todos os seus seguidores se dispersaram.

 

38Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se este projeto ou esta atividade é de origem humana será destruído. 39Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!" E os membros do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel. 40Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. 42E cada dia, no templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Eles saíram muito contentes por causa de nome de Jesus

 

Gamaliel raciocina como homem de fé; os perseguidores, como homens do poder. A fala de Gamaliel vai às raízes das relações entre Igreja e Sinagoga. O antigo povo de Deus deve combater todo desvio da verdadeira fé, mas deve também reconhecer a ação livre e gratuita de Deus, que escolhe e reúne o novo povo. Ora, para fazer este discernimento, cumpre dar tempo ao tempo e ler com humildade os sinais. Assim, Gamaliel dá o critério último de reconhecimento e autenticidade da vida da Igreja. Se esta nasce exclusivamente de um esforço humano de libertação, assim como nasce, morre. Se, porém, na nova comunidade, em seu corajoso testemunho é Deus quem opera a salvação do povo, é inútil combatê-la: seria o mesmo que lutar contra Deus. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 26 (27), 1.4.13-14 (R/.cf.4ab)
Ao Senhor eu peço apenas uma coisa:

habitar no santuário do Senhor

 

O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

 

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu tempo.

 

Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor.

 

 

Evangelho: João (Jo 6, 1-15)

Distribuiu-os aos que estavam sentados

 

Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. 4Estava próxima a páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?"

 

Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um". 8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9"Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?" 10Jesus disse: "Fazei sentar as pessoas". Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.

 

11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!" 13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o profeta, aquele que deve vir ao mundo". 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas nos Evangelhos Sinóticos: Mt 14, 13-21, Mc 6, 30-44, Lc 9, 10-17

 

 

Comentário o Evangelho

É tempo de Páscoa

 

O milagre da partilha do pão está inserido num contexto pascal. Seu simbolismo ajuda-nos a compreendê-lo.

 

O Evangelho observa que “a páscoa, a festa dos judeus, estava perto". A páscoa era a festa principal do calendário judaico. Recordava a libertação da escravidão egípcia e a entrada na Terra Prometida. Este episódio era considerado como a experiência fundante da fé do povo de Israel, pois nele Deus se revelara como protetor e libertador do povo eleito.

 

Outros elementos recordam a experiência do antigo Israel: o fato de Jesus se encontrar às margens do mar da Galiléia e ter subido a uma alta montanha, onde se sentou com os discípulos. O Mar Vermelho e o Monte Sinai são, aqui, evocados. O lugar deserto, onde se encontravam os ouvintes do Mestre, bem como a carência de alimentos e a posterior providência de Jesus para saciar a multidão também têm a ver com o fato de outrora.

 

Tendo como pano de fundo esta ambientação pascal, a cena evangélica significa que é missão do Ressuscitado ser o guia da comunidade cristã a caminho da Terra Prometida - a casa do Pai. O povo congregado em torno de Jesus é chamado a ser um povo de irmãos e irmãs para os quais a partilha solidária é uma exigência irrenunciável. Mesmo sendo muitos, ninguém será vítima do abandono ou da fome. Aqui, o egoísmo não pode ter vez! A Páscoa de Jesus convida-nos, pois, a renovar nossa condição de povo de Deus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

Por todos que buscam o bem e a paz, roguemos. Ajudai-nos Senhor, Deus de amor!

Pelos que defendem a vida, roguemos.

Para que haja mais partilha entre nós, roguemos.

Pelos que se fazem solidários, roguemos.

Pelos que cuidam das crianças e dos jovens abandonados, roguemos.

Por todos os que são misericordiosos, roguemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, com bondade, as oferendas da vossa família da vossa proteção, sem perder o que nos destes, alcançarmos os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Cristo Senhor foi entregue por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, aleluia! (Rm 4, 25)

 

Oração Depois da Comunhão:

Guardai, ó Deus, no vosso constante amor, aqueles que salvastes, para que, redimidos pela paixão do vosso Filho, nos alegremos por sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: A multiplicação dos pães aparece em todos os Evangelhos, pois se refere ao milagre do maná no Êxodo e à celebração da Eucaristia na comunidade cristã. Jesus é fonte de vida, o pão da vida, que alimentou cinco mil e que continuará alimentando milhões de crentes. Felipe e André representam a visão humana, de um realismo impotente, forçada a calcular sem resolver; ao mesmo tempo dão voz à necessidade humana. Como na primeira multiplicação dos pães de Marcos, sobram doze cestos, o suficiente para alimentar um novo Israel. A resposta entusiasta do povo visando proclamar Jesus rei faz que o Mestre se afaste deles, pois buscam milagres e não fé.

 

 

Santa Madre Maria Catarina Troiani

 

 

 

No batismo recebeu o nome de Constância. Aos 5 anos de idade por acontecimentos na família, foi confiada Às Clarissas de Ferentino, passando a se interessar muito pela vida religiosa. Em 8 de dezembro de 1829, aos 16 anos de idade, iniciou o noviciado e após um ano fez sua profissão. Pe. José Môdena, vendo seu carisma missionário planejou levar algumas Clarissas de Ferentino para o Egito na finalidade de abrir uma escola. E seis religiosas partiram em 14 de setembro de 1859 (Catarina com 46 anos de idade) para o Cairo onde conquistaram a simpatia geral. Por causa da seca que adveio, não puderam chamar mais irmãs, tornando-se assim uma Casa Mãe de uma nova Congregação: "Franciscanas Missionárias do Imaculado Coração de Maria" conhecidas popularmente como Franciscanas missionárias do Egito. E Irmã Catarina Troiani, que desde que se consagrara perpetuamente a Deus concebera o nome de Irmã Catarina de Santa Rosa tornou-se a superiora da Congregação. Incansável em suas atividades, adquirira muita confiança do governador muçulmano do Egito, Kedivé) que declarou-se "pai" da obra. Com um ardor cada vez maior ao trabalho, as casas foram aumentando no Egito, Palestina e em outras regiões. Em 1983 a congregação de Madre Maria Catarina contava com 126 casas e mais se 1200 religiosas. Foi beatificada em Roma a 14 de abril de 1985 ao som do hino composto em sua homenagem.

 

Viver com nobreza

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - MG

A vida só é vida se for vivida com nobreza. Nobreza que revela sua compreensão no mais exato sentido. Ora, a vida é dom e não simplesmente um tempo com suas circunstâncias ou uma oportunidade para desfrutar benesses e conveniências que satisfaçam, embora de maneira efêmera, o desejo de felicidade radicado no coração humano. A realidade da vida guarda uma complexidade que exige redobrada atenção e uma inteligente capacidade de sistematizar informações. De produzir uma lucidez indispensável e tornar cada indivíduo capaz de viver a vida com nobreza. Não se trata apenas de apossar-se de muitas informações como a cultura, neste tempo cibernético da atualidade, proporciona.

 

O conhecimento é determinante na conquista da capacidade de viver a vida com nobreza, isto é, vivê-la como dom. Para alcançar esta sabedoria é fundamental compreender que ela é dom de Deus. Há de se aceitar a referência ao Criador. Não se pode correr o risco de banir a dimensão da transcendência, própria do existir humano, o que se faz, muitas vezes, por inexata e estreita compreensão da laicidade, ou até mesmo por interesses. E, também, pelos resultados que a questão de Deus põe, hoje, à realidade existencial humana. A perda da referência última e fundamental compromete o sentido fecundo de viver, ou apenas permite viver a vida ancorada em muitos equívocos comprometedores dos rumos da própria vida e dos dias da sociedade contemporânea. É fundamental investir na análise da realidade para identificar e enfrentar, com novas propostas, tais equívocos, que comprometem perspectivas importantes da sociedade e da política; bem como abrir caminhos para avanços culturais significativos, alavancando mudanças individuais, hábitos sociais e políticos. É preciso superar desvarios como a corrupção e outros elementos deletérios, que impedem a sociedade brasileira de alcançar patamares de desenvolvimentos igualitários com mais rapidez, numa visão mais global das necessidades da população, particularmente dos mais pobres.

 

Uma consideração simples desta questão faz contemplar um cenário de absurdos que atrasam o aproveitamento da sociedade, no que diz respeito à oportunidade de superar a miséria que, de forma desumana, deixa grande parte da população sem saída. É necessário elencar, discutir e propor soluções, amplas e pontuais, globais e locais, com atuação determinante e audaciosa, em diferentes níveis; para que a justiça e a paz sejam itens permanentes da pauta de noticiários. E também dos empenhos de governantes na tarefa primeira de atender as necessidades do povo que representam. Não menos significativa é a responsabilidade individual de cada cidadão e sua articulação em rede social e política, na comunidade. Neste âmbito está uma alavanca determinante de mudanças, considerando-se a responsabilidade de cada um no exercício de suas funções, na garantia de compromissos e na sustentação de perspectivas que não causem prejuízos irreversíveis. E outros prejuízos, como se pode constatar nos comprometimentos da vida e nas opções de instâncias governamentais, e outras da sociedade, apontando na direção de derrotas que abrem buracos enormes e comprometem, no presente, o futuro de todos.

 

Há um entendimento desafiador da cultura na atualidade como exigência para a busca de respostas e configurações novas para esta mesma cultura que sustenta as direções e as metas do viver. Oscila-se de um extremo ao outro quando se dá grande importância - como se fosse uma necessidade - aos faustos tradicionais. Dizendo pouco para a vida contemporânea nas cortes e nos palacetes dos que têm dinheiro para esbanjar, até a lentidão inaceitável, quando se trata de encontrar soluções. Por exemplo, no que diz respeito à infraestrutura defasada em muitos âmbitos da sociedade brasileira. É um absurdo, entre outros, saber de estatísticas e vidas ceifadas nas estradas, e comparar este desafio com a lentidão de encaminhamentos. E também com o envolvimento mais decisivo de autoridades e órgãos responsáveis, presos em burocracias e sem competência para respostas mais rápidas, como comprovadamente conseguem alhures. Não basta, portanto, estar na vez de uma economia emergente ou deleitando-se com o que parece confortável. É urgente retomar e partir, sempre, de raízes e princípios que cultivem o viver a vida com nobreza.

 

Sem Cristo, a luz da razão não basta para iluminar o ser humano e o mundo. (Papa Bento XVI)