Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

São Paulo Miki (Mártir), Memória, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Vermelha

 

 

Alegram-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

 

Santos do Dia: Amando de Maastricht (abade, bispo), Amando de Nantes (abade), André de Elnon (abade), Anatoliano de Auvergne (mártir), Dorotéia de Cesaréia (virgem, mártir), Gastão de Arras (bispo), Geraldo de Óstia (monge, bispo), Guerino de Palestrina (bispo), Hildegunda de Meer (viúva, monja), Renilda de Eyck (abadessa), Saturnino, Teófilo, Revocata e Antoniano (mártires), Silvano, Lucas e Múcio (mártires), Teófilo de Cesaréia (mártir), Ângelo de Furci (agostiniano, bem-aventurado), Diego de Azevedo (monge, bispo, bem-aventurado)

 

Oração do Dia: Ó Deus, força dos santos, que em Nagasaki chamastes à verdadeira vida São Paulo Miki e seus companheiros pelo martírio da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, perseverar até a morte na fé que professamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Hebreus (Hb 13, 1-8)

Perseverai no amor fraterno

 

Irmãos, 1perseverai no amor fraterno. 2Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. 3Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! 4O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros. 5Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. 6De modo que podemos dizer, com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” 7Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. 8Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura[1]

Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade

 

Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre! Esta afirmação convida à firmeza na fé, à compreensão do plano de Deus e a sermos disto testemunhas luminosas para os homens. “A Igreja crê que Cristo, morto e ressuscitado por todos, dá sempre ao homem, mediante o seu Espírito, luz e força para responder à sua vocação suprema; e nem foi dado na terra outro nome aos homens pelo qual possam ser salvos. Crê igualmente encontrar em seu Senhor e Mestre a chave, o centro e o fim de toda a história humana. Além disto a Igreja afirma que, apesar de todas as mudanças, há muitas coisas que não mudam; ontem, hoje e nos séculos. Assim à luz de Cristo, imagem do Deus invisível, primogênito de todas as criaturas, o Concílio pretende dirigir-se a todos, para esclarecer o mistério do homem e para cooperar na busca de uma solução para os principais problemas do nosso tempo”

Salmo: 26 (27), 1.3.5.8b-9abc (R/.1a)

O Senhor é minha luz e salvação!

 

1O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?


3Se contra mim um exército se armar, não temerá meu coração; se contra mim uma batalha estourar, mesmo assim confiarei.


5Pois um abrigo me dará sob o seu teto nos dias da desgraça; no interior de sua tenda há de esconder-me e proteger-me sobre a rocha.


8bSenhor, é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! 9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo, 9bsois vós o meu auxílio! 9cNão me esqueçais nem me deixeis abandonado.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 6, 14-29)

É João Batista, a quem mandei cortar a cabeça, que ressuscitou

 

Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. 16Ouvindo isto, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia.


20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galiléia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”.
24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram. Palavra da Salvação!

 

Comentário do Evangelho[2]

O apóstolo não se intimida

 

A violência de Herodes, digno filho de um outro Herodes conhecido por seu caráter violento e cruel, despontou no horizonte de Jesus como uma terrível ameaça.


A fama dos feitos operados pelo Mestre chegou ao conhecimento desse rei desumano. Fato explicável, se considerarmos que ela corria de boca em boca. Como Herodes habitava em Tiberíades, junto ao lago da Galiléia, não muito distante dos lugares por onde Jesus atuava, era impossível não saber o que lá se passava.


Dentre as muitas hipóteses acerca da identidade de Jesus, Herodes identificava-o com João Batista reencarnado. Aquele a quem mandara decapitar, havia ressurgido e realizava gestos poderosos. Embora, em vida, o Batista não tenha realizado milagres, a crença popular atribuía-lhe esse poder, quando ressuscitasse. Teria sido inútil tê-lo punido, já que ressuscitara e começara novamente a agitar o povo?, perguntava-se o rei.


O movimento de Jesus não podia passar despercebido à autoridade romana. A atividade do Mestre – súdito do império – podia ser motivo para uma insurreição popular. Um levante do povo suscitaria imediatamente a intervenção do imperador.


Além da pressão sofrida por parte das lideranças judaicas, Jesus viu-se também às voltas com a hostilidade da autoridade romana. Em todo o caso, isso não foi suficiente para amedrontá-lo e desviá-lo de sua missão. Afinal, um apóstolo jamais se intimida!

 

 

São Paulo Miki e companheiros[3]

 

A pregação do Evangelho feita por São Francisco Xavier no Japão nos anos 1549-1551 deu, 30 anos depois, seus frutos mais preciosos na pessoa dos 26 mártires, representados, sobretudo, pela figura empolgante de São Paulo Miki. O motivo da inserção deles no Calendário Litúrgico é para dar ênfase à universalidade da Igreja; ela é universal geograficamente, porque onde é lançada a Palavra de Deus, aí brota a fé e, portanto, cristãos dispostos ao martírio; universal nos tipos de pessoas que aderem à fé e dão seu testemunho no sangue: leigos ou sacerdotes, crianças ou velhos, casados ou solteiros, japoneses ou de outra raça qualquer.

 

Paulo Miki nasceu em Kioto, capital da arte e da cultura no país do sol levante. Batizado ainda criança, assimilou com tal fervor a doutrina e espiritualidade cristã a ponto de desejar tornar-se sacerdote e missionário. E assim aconteceu, tendo ingressado na Companhia de Jesus.

 

Ordenado sacerdote, passou logo à atividade missionária, procurando a conversão de seus compatriotas. Conhecedor da língua, cultura e costumes budistas, pôde penetrar em todos os ambientes sociais, realizando apostolado muito eficiente e obtendo numerosas conversões.

 

Foi ótimo pregador e conferencista. Sempre acolhedor e bondoso a ponto de ter sido dito dele que mostrava seu zelo mais com os sentimentos afetuosos do que com as palavras.

 

Com o deflagrar da perseguição, Paulo Miki foi capturado em Osaka, com dois companheiros de apostolado. A reação dos católicos japoneses foi surpreendente: em vez de se mostrarem atemorizados pela ameaça da morte, proclamavam publicamente a fé, acompanhavam os cristãos presos, e ofereciam-se espontaneamente ao martírio.

 

Aqui apresentamos um relato do martírio destas pessoas, conforme foi narrado por um contemporâneo.

 

"Pregados na cruz, que espetáculo maravilhoso foi ver a constância de todos a que os exortava ora o Padre Pásio, ora o Padre Rodriguez. O padre comissário mantinha-se sempre quase imóvel com os olhos fitos no céu. Irmão Martinho, dando graças à divina bondade, cantava salmos com o versículo: 'Em tuas mãos, Senhor'. Também o Irmão Francisco Blanco agradecia a Deus com voz clara. Irmão Gonçalo dizia muito alto a oração dominical e a saudação angélica.

 

Paulo Miki, nosso irmão, vendo-se colocado no mais honroso e elevado púlpito que jamais tivera, começou por declarar aos circunstantes ser japonês e jesuíta e morrer por ter anunciado o Evangelho; e dava graças a Deus por tão excelente beneficio. Em seguida, pronunciou estas palavras: 'Tendo chegado a este momento, julgo que nem um de vós acredita que desejo faltar à verdade. Declaro-vos, pois, que não há outro caminho de salvação fora daquele que os cristãos seguem. Este caminho me ensina a perdoar aos inimigos e a todos que me ofenderam, por isto de boa mente perdôo ao rei e a todos os responsáveis por minha morte e suplico-lhes queiram ser iniciados pelo batismo cristão'.

 

Volvendo, em seguida, os olhos para os companheiros, começou a animá-los neste combate extremo. No rosto de todos, podia-se ver certa alegria, mas no de Luis (onze anos) era extraordinária; um cristão gritou-lhe que, em breve, estaria no paraíso. Então fez sinal afirmativo com os dedos, atraindo para si os olhares de todos os presentes.

 

Antônio (treze anos), ao lado de Luis, os olhos voltados para o céu depois de invocados os santíssimos nomes de Jesus e Maria, cantou o Salmo 'Louvai, meninos, o Senhor', que aprenderam no curso de catecismo em Nagasaki. Como previsão do martírio, ensinava-se às crianças a recitação de alguns Salmos. Outros, exortavam os circunstantes a uma vida digna de cristãos; com estes e outros atos provaram sua disposição de morrer". O martírio se deu no dia 5 de fevereiro de 1595.

 

 

 

O tempo cura e a experiência ensina que o segredo da felicidade

está em ajudarmos os outros. (Charles Chaplin)

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997, pp.66-67