Sexta-feira, 5 de março de 2010

Segunda Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia Mundial de Orações da Mulher, dia do Filatelista Brasileiro e  dia nacional da Música Clássica

 

Santos: Eusébio de Cremona, Virgílio (arcebispo de Arles), João José da Cruz (confessor franciscano da 1ª ordem), Domingos Sávio, Adriano e Eubulo (mártires), Focas da Antioquia (mártir), Gerasmo (abade), Cirano de Saighir, Pirano (Séc. VI, abade), Eustóquia Verzeri, Jeremias Stoica.

 

Antífona: Senhor, a vós recorro, que eu não seja confundido para sempre. Vós me tirais do laço que me armaram, vós sois meu protetor. (Sl 30,2.5)

 

Oração do Dia: Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sincero às festas da páscoa que se aproximam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Gênesis (Gn 37, 3-4.12-13a.17b-28)

Os irmãos, com ciúme e raiva de José, planejam eliminá-lo

 

3Israel amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice. E por isso mandou fazer uma túnica de mangas longas. 4Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não lhe podiam falar pacificamente.

 

12Ora, como os irmãos de José tinham ido apascentar o rebanho do pai em Siquém, 13adisse Israel a José: 'Teus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Vem, vou enviar-te a eles". 17bPartiu, pois, José atrás de seus irmãos e encontrou-os em Dotaim. 18Eles, porém, tendo-o visto ao longe, antes que se aproximasse, tramaram a sua morte. 19Disseram entre si: "Aí vem o sonhador! 20Vamos matá-lo e lançá-lo numa cisterna, depois diremos que um animal feroz o devorou. Assim veremos de que lhe servem os sonhos".

 

21Rúben, porém, ouvindo isto, disse-lhes: 22"Não lhe tiremos a vida"! E acrescentou: "Não derrameis sangue, mas lançai-o naquela cisterna do deserto, não o toqueis com as vossas mãos". Dizia isto, porque queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai. 23Assim que José chegou perto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica de mangas longas, pegaram nele 24e lançaram-no numa cisterna que não tinha água. 25Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, avistaram uma caravana de ismaelitas. Os camelos iam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que transportavam para o Egito.

 

26E Judá disse aos irmãos: "Que proveito teríamos em matar nosso irmão e ocultar o seu sangue? 27E melhor vendê-lo a esses ismaelitas e não manchar nossas mãos, pois ele é nosso irmão e nossa carne". 28Ao passarem os comerciantes madianitas, tiraram José da cisterna, e por vinte moedas de prata o venderam aos ismaelitas: e estes o levaram para o Egito. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Aí vem o sonhador! Vamos matá-lo

 

No meio da Quaresma, tempo de luta que leva à exaltação da ressurreição com Cristo, o tema da cruz que conduz à vida é anunciado pela misteriosa história de José, que nos fala do mistério de Cristo e, portanto, de nosso mistério.

 

A história humana. de Abel a José, a Cristo e, finalmente, a nós é cheia de violência e povoada por homens que tentam de todos os modos libertar-se de outros homens, porque estes têm mais privilégios, porque perturbam sua caminhada para o êxito... Mas os projetos dos homens não são decisivos. Tudo está nas mãos do Pai, que tudo encaminha para o bem, apesar do mal; servindo-se até, muitas vezes, do mal. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 104(105), 16-17.18-19.20-21 (R/.5a)
Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

 

16Mandou vir, então, a fome sobre a terra e os privou de todo pão que os sustentava; 17um homem enviara à sua frente, José que foi vendido como escravo.

 

18Apertaram os seus pés entre grilhões e amarraram seu pescoço com correntes, 19até que se cumprisse o que previra, e a palavra do Senhor lhe deu razão.

 

20Ordenou, então, o rei que o libertassem, o soberano das nações mandou soltá-lo; 21fez dele o senhor de sua casa, e de todos os seus bens o despenseiro.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 21, 33-43.45-46)

Este é o herdeiro, vinde, vamos matá-lo!

 

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 33"Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.

 

34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: 'Ao meu filho eles vão respeitar'. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!' 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?"

 

41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo". 42Então Jesus lhes disse: "Vós nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tomou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?" 43Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos. 45Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. 46Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta. Palavra da Salvação!

 

Leituras nos Evangelhos Sinóticos:  Mc 12, 1-12; Lc 20, 9-19 (Parábola dos vinhateiros homicidas)

 

 

 Comentário do Evangelho

Quando se age de forma insensata

 

A relação entre Jesus e a liderança judaica de sua época foi muito tensa e problemática. O Mestre se dava conta da profunda rejeição de que era vítima. Percebia que seus adversários opunham-se à sua pregação. Diante disto, era inútil esperar deles uma mudança de mentalidade que os direcionasse para o Reino.


Jesus questionou a indisposição dos sacerdotes e dos anciãos do povo contra ele. A parábola da vinha mostra que eles herdaram uma mentalidade muito antiga em Israel. Há muito tempo, Deus vinha esperando de seu povo atitudes compatíveis com sua fé. Os servos, enviados para receberem o lucro devido aludem aos que, ao longo dos tempos, tinham vindo em nome de Deus, para conclamar o povo para a conversão e exigir uma mudança radical de vida. Contudo, foram rejeitados. O envio do filho, identificado com Jesus, foi a última tentativa por parte do dono da vinha. O fato de ser o herdeiro da vinha teve seu peso: também ele foi assassinado.


A recusa resultou em aniquilação dos primeiros arrendatários e a cessão da vinha a outro povo que a fizesse frutificar. A insensatez dos líderes do tempo de Jesus custou-lhes caro. Eles não perceberam que era preciso agir logo e dar frutos, antes que fosse tarde demais. A tolerância divina teve seus limites.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: O Evangelho do Dia não é bem uma “parábola”, mas sim uma “alegoria”, porque cada pormenor da narrativa tem sua significação: o proprietário é Deus; a vinha é o povo eleito, Israel; os servos são os profetas; o filho é Jesus, morto fora dos muros de Jerusalém; os vinhateiros homicidas são os judeus infiéis; outro povo, a quem será entregue a vinha, são os pagãos e os judeus fiéis.  

 

São José da Cruz

 

São José da Cruz ingressou na Ordem de São Pedro de Alcântara por sentir que por esses ordem chegaria muito mais próximo ao Céu. Fugiu das dignidades eclesiásticas e levou uma vida eremítica para se exercitar unicamente na penitência e na oração, tal o fundador de sua congregação. Era profundamente austro, comia pouco e uma só vez ao sai, dormi apoucas horas, levantando-se a meia noite para agradecer a Deus pelo novo dia. Em 1647 foi enviado para fundar um convento em Ávila, em Piemonte. Juntou pedras com suas próprias mãos, usou cal e madeira e com um enxadão fez os alicerces. Não tinha ninguém para ajudá-lo. O povo começou a achar que ele era louco mas logo perceberam que estavam errado e começaram a prestar-lhe ajuda, de forma que um grande convento foi edificado em poucos tempo. Em 1702 foi nomeado vigário provincial da Reforma de São Pedro de Alcântara na Itália e a ordem, abençoada por Deus, desceu de Norte a Sul, adquirindo um bem espiritual tão grande que chegou ao Vaticano. João José da Cruz viveu até 85 anos de idade e na última etapa de sua vida foi favorecido com o dom de fazer milagres. De todo Piemonte vinham ao Convento de Ávila numerosas caravanas que se tivessem fé e merecimentos eram curadas. O santo foi beatificado em 17989 e canonizado em 1839,no centenário de sua morte.

 

 

Só o livro é capaz de fazer a eternidade de um povo. (Marquês de Maricá)