Sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Santa Águeda (Virgem e Mártir) - 4ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Litúrgica Vermelha

 

Hoje: Dia do Datiloscopista

 

Santos do Dia: Abraão de Arbela (bispo, mártir), Adelaide de Bellich (abadessa, virgem), Águeda Hildegarda de Caríntia (viúva), Agrícola de Tongres (bispo), Albino de Brixen (bispo), Avito de Viena (bispo), Bertulfo de Artois (abade), Genuíno de Brixen (bispo), Indrato e Domingas de Glastonbury (mártires), Jacó (Patriarca bíblico do Antigo Testamento), Modesto de Salzburgo (monge, bispo), Vodoaldo (eremita), João Morosini (abade, bem-aventurado).

 

Antífona: Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.

 

Oração: Ó Deus, que Santa Águeda, virgem e mártir, agradável ao vosso coração pelo mérito da castidade e pela força do martírio, implore vosso perdão em nosso favor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Eclesiástico/Sirac (Eclo 47, 2-13)
A história humana está envolta na história divina

 

2Como a gordura, que se separa do sacrifício pacífico, assim também sobressai Davi, entre os israelitas. 3Brincou com leões como se fossem cabritos e com ursos, como se fossem cordeiros. 4Não foi ele que, ainda jovem, matou o gigante e retirou do seu povo a desonra? 5Ao levantar a mão com a pedra na funda, ele abateu o orgulho de Golias. 6Pois invocou o Senhor, o altíssimo, e este deu força ao seu braço direito e ele acabou com um poderoso guerreiro e reergueu o poder do seu povo. 7Assim foi que o glorificaram por dez mil e o louvaram pelas bênçãos do Senhor, oferecendo-lhe uma coroa de glória. 8Pois esmagou os inimigos por toda a parte, e aniquilou os filisteus, seus adversários, abatendo até hoje o seu poder. 9Em todas as suas obras dava graças ao santo altíssimo, com palavras de louvor: 10de todo o coração louvava o Senhor, mostrando que amava a Deus, seu criador. 11Diante do altar colocou cantores, que deviam acompanhar suavemente as melodias. 12Deu grande esplendor às festas e ordenou com perfeição as solenidades até o fim do ano: fez com que louvassem o santo nome do Senhor, enchendo o santuário de harmonia desde a aurora. 13O Senhor lhe perdoou os seus pecados, e exaltou para sempre o seu poder; concedeu-lhe a aliança real e um trono glorioso em Israel. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Davi, de todo o coração, louvava o Senhor

 

De toda a atividade de Davi, o autor sagrado faz uma seleção e sublinha sua contribuição para o culto do Senhor. O Sirácida "relê" a figura de Davi, levando em conta a mentalidade dos contemporâneos, sensíveis ao valor da lei, lida e explicada toda semana na sinagoga, e às grandes liturgias do templo, onde eram alimentadas as esperanças messiânicas, reconstruída a identidade do povo na diáspora e onde se dava o encontro de Deus com o seu povo.

 

A palavra de Deus não está contida exclusivamente na história antiga escrita, e a exegese não pode ser suficiente para colhê-la em sua totalidade. Isto significa que, para apreender o conteúdo desta Palavra que nos questiona na Escritura, é necessário ter adquirido o hábito de ler a Palavra escrita no acontecimento de hoje. Não se pode ler a história de Davi (e a de Jesus também) sem descobrir o terreno em que Deus está presente agora para o homem. As nossas comunidades precisam de mestres que sejam ao mesmo tempo pessoas que rezam e profetas capazes de percorrer de novo espiritualmente o itinerário do povo de Deus, e de torná-lo visível no presente com o apoio da fé e da esperança. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 17(18), 31.47 e 50.51 (+ cf. 47b)

Louvado seja Deus, meu Salvador! (cf. 47b)

 

São perfeitos os caminhos do Senhor, sua palavra é provada pelo fogo; nosso Deus é um escudo poderoso para aqueles que a ele se confiam.

 

Viva o Senhor! Bendito seja o meu rochedo! E louvado seja Deus, meu salvador! Por isso, entre as nações, vos louvarei, cantarei salmos, ó Senhor, ao vosso nome.

 

Concedeis ao vosso rei grandes vitórias e mostrais misericórdia ao vosso ungido, a Davi e à sua casa para sempre.

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 6, 14-29)

A dificuldade da fé no filho de Deus

 

Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: "João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem". 15Outros diziam: "É Elias". Outros ainda diziam: "É um profeta como um dos profetas". 16Ouvindo isto, Herodes disse: "Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!" 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: "Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão". 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia.

 

20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galiléia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: "Pede-me o que quiseres e eu to darei". 23E lhe jurou dizendo: "Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino". 24Ela saiu e perguntou à mãe: "O que vou pedir?" A mãe respondeu: "A cabeça de João Batista". 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: "Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista". 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram. Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos

Mt 14, 1-2; Lc 9, 7-9 (Herodes e Jesus); Mt 14, 3-12; Lc 3, 19-20 (Execução de João Batista)

 

 

 

Comentário o Evangelho

Um exemplo de liberdade

 

O relato do destino trágico de João Batista serve de lição para os discípulos de Jesus, no exercício da missão. A liberdade, que o Precursor demonstrou, deverá ser imitada por quem está a serviço do Reino, e se defronta com tiranos e prepotentes, que intimidam e querem calar quem lhes denuncia as mazelas.

 

Prevalecendo-se de sua condição, Herodes seduziu a mulher do irmão para se casar com ela. João Batista não teve medo de enfrentá-lo, e dizer-lhe não ser permitido conservar como esposa, quem não lhe pertencia. Sua condição real não lhe dava o direito de praticar tamanha arbitrariedade.

 

O profeta João sabia exatamente com quem estava falando. Ele um "Zé ninguém", questionando uma autoridade estabelecida pelo imperador, com direitos quase absolutos sobre os cidadãos. Por isso, não lhe parecia errado atropelar o direito sagrado de seu irmão, de ter uma esposa.

 

Por outro lado, todos conheciam muito bem o espírito violento da família de Herodes. Mesmo assim, João não hesitou em denunciá-lo publicamente.

 

Quiçá não contasse com a ira de Herodíades, atingida também pela denúncia. Foi ela quem instigou Herodes a consumar sua maldade: decapitar a quem mandara colocar na prisão, por ter-lhe lançado em rosto o seu pecado.

 

O testemunho de João Batista inspira a quem se tornou discípulo da verdade. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulina, 1998]

 

Para sua reflexão: Pedir a cabeça de alguém tornou-se um ditado popular através dos tempos. Foi assim que Herodíades aproveitou da empolgação do rei Herodes, em seu aniversário, ante a bem sucedida apresentação da filha dela para os convidados. A filha de Herodíades, instruída por sua mãe, pediu exatamente a cabeça do Batista porque ele havia admoestado Herodes por viver em adultério exatamente com a mulher do seu irmão. Ser justo e fortemente comprometido com a verdade não é uma atitude para muitos, sobretudo na hora da forte provação. Com o passar do tempo Jesus é confundido com João ressuscitado ou até com Elias. Para alguns há dificuldade de acreditar em Jesus como Filho de Deus, o Messias.

 

 

 

Santa Águeda

 

As cidades de Palermo e Catânia, na Sicília, disputam a honra de ser o berço de Santa Águeda, mas concordam em que a santa recebeu a coroa do martírio em Catânia. Suas atas, que existem com muitas variações em latim e grego mas carecem de valor histórico, afirmam que ela pertenceu a uma rica e ilustre família e que, tendo se consagrado a Deus, desde os mais tenros anos, venceu muitos assaltos contra sua pureza. Em sua posição de cônsul, Quintiano pensava que ia poder realizar seus maus desígnios em relação a Águeda, aproveitando-se do edito do imperador contra os cristãos. Ordenou, pois, que ela fosse trazida à sua presença. Vendo-se nas mãos de seus perseguidores, Águeda orou: "Jesus Cristo, Senhor de tudo, tu vês meu coração e conheces meus desejos. Faze com que só por ti eu seja toda possuída. Sou tua ovelha: que eu mereça vencer o diabo". Quintiano mandou que ela fosse entregue a Afrodísia, uma perversa mulher que com suas seis filhas mantinha uma casa de ma' fama. Neste lugar pavoroso, Águeda sofreu contra sua honra assaltos e artimanhas mais terríveis do que a tortura e a morte, mas permaneceu firme. Passado um mês, Quintiano tentou amedrontá-la com ameaças, mas ela continuou sem medo e declarou que por ser serva de Jesus Cristo estava verdadeiramente em liberdade. Ofendido por suas respostas resolutas, o juiz ordenou que ela fosse açoitada e lançada na prisão. No dia seguinte, ela foi submetida a novo interrogatório e respondeu que Jesus Cristo era sua luz e salvação. Quintiano então ordenou que ela fosse estirada na catasta - tortura geralmente acompanhada de açoite, dilaceramento por meio de ganchos de ferro, e queimadura com chamas de tochas. Furioso por vê-la sofrer tudo isso com alegria, o governador ordenou cruelmente que os seios dela fossem esmagados e arrancados. Mais tarde reencarcerou-a, e determinou que nenhum alimento ou socorro médico lhe fosse concedido. Deus porém confortou-a: na visão que ela teve, S. Pedro encheu o calabouço de uma luz celestial, a confortou e curou. Quatro dias depois, Quintiano mandou que ela fosse arrastada nua por cima de carvões acesos misturados com cacos de vasos. Ao ser levada de volta para a prisão, ela orou: "Senhor, meu Criador, tu me tens protegido sempre desde meu nascimento; tu me tens livrado do amor ao mundo, e me tens dado paciência para sofrer. Recebe agora minha alma". Após dizer essas palavras, entregou sua vida.

 

Existe boa prova de culto antigo de Santa Águeda. Seu nome ocorre no Calendário de Cartago (c. 530), e no "Hieronymianum", e seus louvores são cantados por Venâncio Fortunato (Carmina, VIII, 4), mas não podemos afirmar com segurança coisa alguma sobre sua história. Ela aparece na procissão dos santos pintada em Sant'Apollinare Nuovo em Ravena. Lembrando que seus seios foram arrancados, na arte eles são muitas vezes mostrados em um prato. Na Idade Média, foram muitas vezes confundidos com pães, e daí é que parece ter surgido a prática de benzer no dia de Santa Águeda os pães levados num prato até o altar. Como na Sicília se acreditava que ela podia deter as erupções do monte Etna, ela é invocada contra qualquer catástrofe de fogo. [John Nascimento]

 

Existe algo no homem que supera ao homem, existe nele um reflexo

que tem algo de mistério, de divino. (Papa Paulo VI)

 

 

O perdão é maior que a vingança. (José, filho de Jacó ou Israel)