Sexta-feira, 4 de novembro de 2011

São Carlos Borromeu (Bispo e Amigo dos Pobres, 3ª Semana do Saltério (Livro III) cor Branca

 

Hoje: Dia do Inventor

 

Santos: Carlos Borromeu (arcebispo), Vital e Agrícola (mártires), Piério, João Zedazneli e seus companheiros, Claro (mártir), Joanício, Emerico (beato), Francisco d'Amboise (viúva).

 

Antífona: O Senhor firmou com ele uma aliança de paz, fazendo-o chefe do seu povo e sacerdote para sempre. (Eclo 45,30)

 

Oração: Conservai, ó Deus, no vosso povo o espírito que animava são Carlos Borromeu, para que a vossa Igreja, continuamente renovada e sempre fiel ao evangelho, possa mostrar ao mundo a verdadeira face do Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Carta de S. Paulo aos Romanos (Rm 15, 14-21)
A ação missionária e pastoral de Paulo

 

14Meus irmãos, de minha parte, estou convencido, a vosso respeito, que vós tendes bastante bondade e ciência, de tal maneira que podeis admoestar-vos uns aos outros. 15No entanto, em algumas passagens, eu vos escrevo com certa ousadia, como para reavivar a vossa memória, em razão da graça que Deus me deu. 16Por esta graça eu fui feito ministro de Jesus Cristo entre os pagãos e consagrado servidor do evangelho de Deus, para que os pagãos se tornem uma oferenda bem aceita santificada no Espírito Santo.

 

17Tenho, pois, esta glória em Jesus Cristo no que se refere ao serviço de Deus: 18Não ouso falar senão daquilo que Cristo realizou por meu intermédio, para trazer os pagãos à obediência da fé, pela palavra e pela ação, 19por sinais e prodígios, no poder do Espírito de Deus. Assim, eu preguei o evangelho de Cristo, desde Jerusalém e arredores até à Ilíria, 20tendo o cuidado de pregar somente onde Cristo ainda não fora anunciado, para não acontecer eu construir sobre alicerce alheio. 21Agindo desta maneira, eu estou de acordo com o que está escrito: "Aqueles aos quais ele nunca fora anunciado, verão; aqueles que não tinham ouvido falar dele, compreenderão" Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Fui feito ministro de Jesus entre os pagãos

 

A metodologia apostólica é válida, se apoia numa clara consciência, constantemente renovada, de ser o apóstolo enviado a levar uma mensagem que não é sua. Cumpre guardar certa distância de si próprio, uma vez que "a honra de levar o evangelho" comporta "falar unicamente daquilo que Cristo operou por nosso intermédio". Não é algo que se possa encontrar nos livros. O evangelho que temos a graça de anunciar não é um curso de arrebatamento por correspondência. Cristo existe ou não existe. Se não há certa familiaridade com ele, a palavra soa no vácuo. Podemos não ter desejo de ouvir falar de Deus, mas Deus é sempre necessário. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 97(98), 1.2-3ab.3cd-4 (R/.cf.2b)

O senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações

 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. 

 

O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.

 

Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 16, 1-8)

A praticidade para resolver problemas

 

Naquele tempo, 1Jesus disse aos discípulos: "Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. 2Ele o chamou e lhe disse: `Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens'. 3O administrador então começou a refletir: `O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. 4Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração'.

 

5Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: `Quanto deves ao meu patrão?' 6Ele respondeu: `Cem barris de óleo!' O administrador disse: `Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!' 7Depois ele perguntou a outro: `E tu, quanto deves?' Ele respondeu: `Cem medidas de trigo'. O administrador disse: `Pega tua conta e escreve oitenta'. 8E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz". Palavra da Salvação!

 

Comentário o Evangelho

Aprendendo de um escândalo

Um autêntico caso de corrupção ofereceu a Jesus a chance de ensinar aos discípulos, mediante uma parábola, a importância de ser esperto em relação ao Reino de Deus.


Naquele tempo, os gerentes de propriedades alheias agiam com muita liberdade, sem um controle imediato. O patrão confiava na responsabilidade do empregado. Este era recompensado pelo que produzia: quanto mais os bens se multiplicavam, tanto maior era o seu salário.


O Evangelho fala de um administrador que, agindo com irresponsabilidade e imprudência, estava desperdiçando os bens que lhe tinham sido confiados. Quando o patrão começa a cobrá-lo por isso, esse administrador arquiteta um plano para garantir seu futuro e sua segurança. Com uma ação fraudulenta, busca granjear a benevolência dos devedores, prejudicando o patrão. Uma vez despedido, teria quem se sentisse na obrigação de recebê-lo, como sinal de gratidão.


Comparando com o Reino, os discípulos são instruídos a serem tão hábeis e espertos como o administrador desonesto. Este, no trato com as coisas humanas, obstinou-se em buscar caminhos para alcançar os seus objetivos. Do mesmo modo, o discípulo do Reino, com relação às realidades celestes, deve ter claro o fim a ser atingido e a maneira mais conveniente de fazê-lo. Neste caso, basta ser obstinado na prática da misericórdia. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

A palavra se faz oração (Liturgia Diária)

Protegei, Senhor, a nossa Igreja, povo de Deus. Senhor, vinde em nosso socorro.

Abençoai os ministros e agentes de nossa comunidade.

Dai aos que se desviaram do vosso caminho a coragem de retomá-lo.

Cumulai de ânimo a todos os desanimados.

Iluminai os caminhos dos que, na sociedade, se põem a serviço da vida.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Considerai, ó Deus, as oferendas trazidas ao vosso altar ao comemorarmos são Carlos Borromeu. Assim como fizestes dele um grande bispo, pela vigilância pastoral e esplêndidas virtudes, concedei que, pelo poder deste sacrifício, frutifiquemos em boas obras. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo! (Jo 21, 27)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Pai, que esta comunhão nos conceda a fortaleza de ânimo que tornou são Carlos Borromeu fiel ao vosso serviço e fervoroso na caridade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Para Sua Reflexão:

A parábola do administrador sagaz apresenta-o como exemplo, não pela sua atuação injusta, mas pela sua habilidade. Os discípulos são convidados a ser tão diligentes ao serviço do Reino como os sagazes deste mundo. O senhor é o dono a quem o administrador servia. Os filhos deste mundo são os que não conhecem senão o mundo presente. Os filhos da luz são os que se deixam guiar pelos critérios do Evangelho. [Bíblia dos Capuchinhos]

 

 

São Carlos Borromeu

 

 

 

São Carlos Borromeu nasceu em Arona, Lombardia, no dia 2 de outubro de 1538. Em 1559 formou-se em Direito Civil e Direito Canônico. Pio IV (1559-1565) era seu tio, o que favoreceu sua elevação a cardeal e arcebispo de Milão, quando tinha apenas 22 anos e sem sacerdote era. Além disso, era também secretário particular do papa, tudo isso devido mais ao nepotismo que a suas qualidades e competência. Foi, entretanto, justamente por meio desse jovem que as reformas tridentinas serão impostas à Igreja. Seminários foram criados, a pastoral foi renovada, organizações apostólicas tiveram grande incremento. O povo começou a ser doutrinado e instruído nas verdades da fé. O apostolado da imprensa e dos leigos começou a se desenvolver. São Carlos Borromeu foi um pastor exemplar. Sempre esteve ao lado do povo, especialmente nos momentos mais difíceis. Durante os anos 1576-1577, quando a peste avassalava a cidade, saía em procissão pelas ruas da cidade com uma corda no pescoço e uma cruz às costas, implorando a misericórdia de Deus. Morreu em 4 de novembro de 1584, com apenas 46 anos de idade. No seu túmulo está inscrito: Carlos, cardeal com o título de São Praxedes, arcebispo de Milão, que implora o socorro das orações do clero, do povo e dos devotos em geral, escolheu esta tumba, quando em vida. [Cf. ALVES, José Benedito. Os Santos de cada dia, São Paulo, Paulinas, 1998]

 

 

Código florestal: esconjurando

equívocos e preconceitos

Dom Luiz Demétrio Valentini, Bispo de Jales - SP

 

Os debates em torno do Código Florestal estão proporcionando uma safra abundante de manifestações, onde por vezes emergem equívocos, que precisam ser esclarecidos, e preconceitos, que convém desfazer.

 

Um primeiro equívoco se refere à suposição de que não se deve mexer na atual legislação florestal, pois toda mudança seria um “retrocesso”.  Ora, é bom saber que a legislação em vigor é fruto de uma “medida provisória”, de 1996, (MP nº 1511) que foi sendo reeditada sucessivamente, e nunca foi aprovada pelo Congresso. Por isto, em vez de exigir que não se mexa no atual código florestal, o certo é analisar o assunto, uma vez por todas, para se identificar os motivos que levaram esta lei a patinar tanto, e nunca sair de sua condição de “medida provisória”.

 

Em vez de desautorizar o Congresso, achando que ele não tem a incumbência de legislar sobre este assunto, o certo é urgir a responsabilidade dos congressistas, sem nos eximir de acompanhar o debate e de apresentar nossas sugestões.

 

Ainda no contexto da medida provisória de 1996, se nos perguntamos por que ela trouxe tantos atritos e insatisfações, um dos motivos evidentes está nas disposições sobre a largura das matas ciliares. O código anterior, que datava de 1965, estabelecia cinco metros para rios de até dez metros de largura, e cem metros para rios acima de duzentos.

 

A Lei de 1986 (7803/86) multiplicou estas medidas por seis, tanto na ponta de baixo como na ponta de cima, de tal modo que todo pequeno rio de até dez metros de largura deveria ter trinta metros cada lado de mata ciliar, e para rios mais largos de cem metros deveriam ter uma proteção de seiscentos metros de mata ciliar.  Entretanto, a medida provisória a que nos referimos, passou a excluir toda essa área já multiplicada por seis, do cômputo de 20% que cada imóvel deve ter de vegetação nativa.  Estudos da EMBRAPA, dentre outros (ex.: Esalq/USP), mostram que isso passou a tomar aproximadamente outros 20% do imóvel rural ( 17%).  Portanto, se dobrou de um dia para outro as obrigações.  Seria o mesmo que dobrar o valor do imposto de renda de uma só vez.

 

Ora, basta um mínimo de conhecimento e de vivência concreta de agricultura, para perceber os graves problemas trazidos por esta decisão autoritária e injustificada. Podemos dizer que, no mínimo, faltou bom senso para o legislador. Bastaria este episódio, para de uma vez por todas o Congresso tomar a iniciativa de redigir um outro Código Florestal, que não reincida em propostas disparatadas.

 

Outro equívoco, que acaba assumindo ares de preconceito, se refere à relação entre agricultura e meio ambiente.

 

Sobretudo pela maneira como foram tratados os pequenos agricultores. Eles pareciam ser vistos como inimigos do meio ambiente. Chegou-se a uma espécie de “criminalização” dos pequenos agricultores, como se eles fossem os responsáveis pela degradação ambiental.

 

Costuma-se citar os milhões de hectares de terras degradadas, e ninguém lembra o esplêndido trabalho de correção dos solos, que antes não eram produtivos, e graças ao trabalho sábio e competente dos agricultores agora se transformaram em terras férteis, aumentando ainda mais o patrimônio do país.

 

Muitos agricultores foram acusados de crimes ambientais, e multados severamente, em episódios em que os agentes do Estado usaram de prepotência contra pessoas simples, com atitudes que nem nos tempos da ditadura militar se via.

 

Ora, uma lei florestal sábia tem todo o interesse em ter os agricultores como aliados na preservação do meio ambiente, eles que estão cotidianamente em contato com a terra, por quem sentem um carinho todo especial.

 

Há outros equívocos que também deveriam ser exorcizados. Como a pretensão de impor medidas iguais para situações tão diferentes, como é, por exemplo, a situação da floreta amazônica, que merece um tratamento todo especial.

 

Mas este novo código só terá legitimidade se levar em conta as incidências sobre os pequenos agricultores, que são mais afetados por esta lei que os atinge tão diretamente.

 

Para ir ao encontro desta necessidade, a CNBB resolveu propor algumas emendas, visando a situação peculiar dos pequenos agricultores. Esperamos que o Senado as acate.  Inclusive porque são eles que produzem a maioria dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. [CNBB]

 

Sua mente é um espaço sagrado  na qual nada de mal pode

entrar,exceto com a sua permissão. (Arnold Bennett)