Sexta-feira, 3 de setembro de 2010

São Gregório Magno (Papa e Doutor) Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica branca

 

Hoje: Dia das Organizações Populares, dia Nacional do Biólogo e dia do Guarda Civil

 

Santos: Ambrósio Agostinho Chevreux (Bem-Aventurado, 1792, Paris, mártir), Antonino (Séc IV, mártir, Apaméia, Síria), Zeno (ou Zenão, Nicomédia, mártir), Simeão Estilita (o Velho, 459 d.C.) e Guilherme (1070 d.C., bispo)

 

Antífona: O Senhor o escolheu para plenitude do sacerdócio e, abrindo seus tesouros, o cumuloou de bens.

 

Oração: Ó Deus, que cuidais do vosso povo com indulgência e o governais com amor, daí, pela intercessão de São Gregório Magno, o espírito de sabedoria àqueles a quem confiastes o governo da vossa igreja, a fim de que o progresso das ovelhas contribua para a alegria eterna dos pastores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 4, 1-5)
Paulo alerta os coríntios contra o preconceito!

 

Irmãos, 1que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. 2A este respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. 3Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. 4É verdade que a minha consciência não me acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo. 5Quem me julga é o Senhor. Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

O Senhor manifestará os projetos dos corações

 

Os pregadores são tão somente "depositários" do evangelho, "administradores" que não têm o direito de alterar a boa nova. Não são "donos" do anúncio, como não o é a comunidade que, entretanto, a seu modo, é responsável por ele, a saber; pela transmissão do anúncio que é Cristo Jesus.

 

Cristo, antes da morte, ora para que haja na comunidade uma exigente comunhão, como ele está em comunhão com o Pai. Tem esta extrema intuição: a credibilidade da comunidade vem da comunhão que une a todos num só corpo. Se os cristãos procuram estar visivelmente em comunhão, é para serem verdadeiros diante dos homens, para oferecerem a todos um lugar de comunhão em que até o não crente se sinta à vontade, sem imposições de classe. A palavra brota deste foco de comunhão. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo Responsorial: 36(37), 3-4.5-6.27-28.39-40 (R/.39a)
A salvação de quem é justo vem de Deus

 

Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração.

 

Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; confia nele, e com certeza ele agirá. Fará brilhar tua inocência como a luz, e o teu direito, como o sol do meio-dia.

 

Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Porque o Senhor Deus ama a justiça, e jamais ele abandona os seus amigos.

 

A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios, e os guarda porque nele confiaram.

 

Evangelho: Lucas (Lc 5, 33-39)
A novidade revelada por Cristo provoca mudanças

 

Naquele tempo, 33os fariseus e os mestres da lei disseram a Jesus: "Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações Mas os teus discípulos comem e bebem". 34Jesus, porém, lhes disse: "Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? 35Mas dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, jejuarão". 36Jesus contou-lhes ainda uma parábola: "Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. 37Ninguém coloca vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. 38Vinho novo deve ser colocado em odres novos. 39E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 9, 14-17; Mc 2, 18-22

 

 

Comentário o Evangelho

O velho e o novo

Vivendo numa sociedade religiosa muito tradicional e conservadora, a pregação de Jesus colocou a novidade que trazia em conflito com os esquemas esclerosados, dos quais as lideranças religiosas não queriam abrir a mão.

 

A questão do jejum situa-se neste contexto. Os mestres da Lei e os fariseus, seguidos pelos discípulos de João, davam grande valor à prática do jejum, mostrando-se muito fiéis a esta tradição. Por isso, a orientação dada aos discípulos contrastava com o pensamento deles. Mesmo sem negar o valor do jejum, Jesus lhe dava pouca importância. Sua missão centrava-se em algo muito mais importante: levar as pessoas à prática do amor, a melhor forma de se mostrarem reconhecidas a Deus e ser-lhe agradáveis.

 

A compreensão e a aceitação do ponto de vista de Jesus supunha predisposição para abraçar a novidade que proclamava, sem colocar obstáculos. Querer misturar as coisas seria como remendar roupa velha com um pedaço de pano novo, ou depositar vinho novo em recipientes velhos. Ambas as situações seriam desastrosas: a roupa ganharia um rasgão ainda maior e o vinho se derramaria todo. Mais prudente seria fazer a roupa toda com pano novo, e guardar o vinho em recipientes novos.

 

Assim, os discípulos foram alertados sobre a incompatibilidade entre o novo, pregado por Jesus, e o velho defendido pelos líderes religiosos. A prudência exigia que fossem cautelosos. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: Eis o terceiros momento de confronto a propósito de jejuns voluntários como prática ascética de determinados grupos religiosos. O Messias se apresenta como esposo: título de Yhwh frequente no Antigo Testamento, aplicado a Jesus no Novo Testamento. O casamento é tempo de alegria partilhada. Mas Lucas conhece o tempo em que Jesus lhes foi arrebatado: o tempo da Igreja. Com a imagem do casamento podem-se conciliar a da roupa e do vinho. Ambas têm associações nupciais e servem para explicar a “novidade”. Quanto à imagem dos odres o Messias não vem para por remendos em panos gastos, traz um vinho que fermenta vida nova.  (cf. Bíblia do Peregrino)

 

São Gregório Magno

 

O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

 

Nascido em Roma por volta do ano 540, de família senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo, Gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em Deus a quem procurava com amor. Quis ser radical na vivência do Evangelho que diz: "Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me".

 

Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.

 

Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla. Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.

 

Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590) ficou sendo a data de sua festa.

 

Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.

 

Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência. Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.

 

Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.

 

"Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o 'ideal do pastor'. O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores'”

 

Gregório passou seus últimos anos doente, acamado mas continuando a dirigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em 604, com 65 anos de idade. [O Santo do Dia, Don Servilio Comti, ©Vozes, 1997]

 

A raposa muda de pelame, não de caráter. (Sietônio)