Sexta-feira, 3 de junho de 2011

São Carlos Lwanga (Mártir e  e 2ª do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

Santos: Cecílio (248, mártir), Pergentino e Laurentino (251, mártires), Luciliano (273, mártir), Clotilde (545, viúva), Carlos Lwanga (1886, padroeiro celeste da juventude africana, mártir) e companheiros, Olívia, Lifardo e Urbício (Séc. VI, abade), Quevino (618, abade de Glendaloough), Genésio (660, bispo de Clermont),  Isaac (852, mártir, monge em Córdova), Davino (cristão armênio), Morando (1115, monge beneditino de Cluny, de origem germânica), André de Spello (1254, beato), João "Pecador" (1600), Mkasa (mártir de Uganda

 

Antífona: Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap  5.9-10)

 

Oração: Ó Deus, fazei que a pregação do evangelho por toda a terra realize o que prometestes ao glorificar o vosso verbo, para que possamos alcançar, vivendo plenamente como filhos e filhas, o que foi anunciado pela vossa palavra. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 18, 9-18 )

A palavra e o caminho que conduz a comunidade de Deus

 

Estando Paulo em Corinto, 9uma noite, o Senhor disse-lhe em visão: "Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, 10porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence". 11Assim Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando-lhes a palavra de Deus. 12Na época em que Galião era procônsul na Acaia, os judeus insurgiram-se em massa contra Paulo e levaram-no diante do tribunal, 13dizendo: "Este homem induz o povo a adorar a Deus de modo contrário à lei". 14Paulo ia tomar a palavra, quando Galião falou aos judeus, dizendo: "Judeus, se fosse por causa de um delito ou de uma ação criminosa, seria justo que eu atendesse a vossa queixa. 15Mas, como é questão de palavras, de nomes e da vossa lei, tratai disso vós mesmos. Eu não quero ser juiz nessas coisas". 16E Galião mandou-os sair do tribunal. 17Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e espancaram-no diante do tribunal. E Galião nem se incomodou com isso. 18Paulo permaneceu ainda vários dias em Corinto. Despedindo-se dos irmãos, embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila. Em Cencréia, Paulo rapou a cabeça, pois tinha feito uma promessa.  Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence 

 

Deus não chama à vida tranqüila. O pregador, como o profeta, é quase sempre sinal de contradição, a não ser que pactue com a falsidade e o compromisso. O relacionamento de Paulo com os judeus não é mais um relacionamento idílico. A partir deste momento, não lhe dão um mínimo de trégua. Estão sempre em seu caminho, para se lhe oporem com todos os meios. Mas o Apóstolo não perde a confiança. No meio de suas tribulações e contradições, dois fatos lhe infundem coragem e conforto; o êxito com que é aceita pelos pagãos a palavra de Deus, e a contínua assistência do Espírito que o acompanha, o encoraja e esclarece nos momentos cruciais e difíceis. Ele sabe que nenhuma perseguição, nenhuma força humana pode barrar o caminho da palavra de Deus, que doravante se prepara para ressoar até nos últimos confins da terra. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 46 (47), 2-3.4-5.6-7 (R/.8a)

O Senhor é o grande rei de toda a terra

 

Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, o soberano que domina toda a terra.  

 

Os povos sujeitou ao nosso jugo e colocou muitas nações aos nossos pés. Foi ele que escolheu a nossa herança, a glória de Jacó, seu bem-amado.  

 

Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso rei!

 

 

Evangelho: João (Jo 16, 20-23a)

Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20"Em verdade, em verdade vos digo, vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23aNaquele dia, não me perguntareis mais nada". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Enxugando o pranto 

 

Os discípulos foram alertados a respeito do perigo de ficarem muito abatidos com a morte do Mestre, e se entregarem ao pranto e às lamentações, esquecendo-se da missão que tinham pela frente.


Se, por um lado, justificava-se o choro momentâneo, seria insensato deixar-se vencer por ele. A tristeza deveria transformar-se em alegria, e o pranto em festa. A última palavra sobre a vida de Jesus competia ao Pai. Este responderia com a "vida" o que os inimigos do Reino votaram à "morte". Então teria fim a alegria efêmera do mundo, que se vangloriou de ter eliminado Jesus. Era tempo de colocar no Pai uma confiança inabalável.


As dores do parto são uma imagem do que os discípulos estavam vivendo. Uma criança vem à luz em meio a dores e sofrimentos, tanto dela quanto da mãe. Uma vez concluído o parto, é tempo de festejar.


Algo semelhante passa-se com Jesus: seu ministério de salvação da humanidade foi perpassado de rejeição e incompreensão que culminou na morte de cruz. Tudo isto foi necessário para que a salvação pudesse acontecer. Uma vez realizada, era tempo de alegrar-se, porque o Senhor ressuscitou. Ninguém jamais haveria de privar os discípulos dessa alegria pela presença do Ressuscitado.


Doravante, as tribulações infligidas pelo mundo podem ser vividas de maneira diferente, pois, em Jesus Ressuscitado, temos a certeza de que o poder da morte foi vencido definitivamente. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Santos Carlos Lwanga e companheiros

 

O povo africano talvez tenha sido o último a receber a evangelização cristã, mas já possui seus mártires homenageados na história da Igreja Católica. O continente só foi aberto aos europeus depois da metade do século XIX. Antes disso, as relações entre as culturas davam-se de forma violenta, principalmente por meio do comércio de escravos. Portanto, não é de estranhar que os primeiros missionários encontrassem, ali, enorme oposição, que lhes custava, muitas vezes, as próprias vidas.

 

A pregação começou por Uganda, em 1879, onde conseguiu chegar a "Padres Brancos", congregação fundada pelo cardeal Lavigérie. Posteriormente, somaram-se a eles os padres combonianos. A maior dificuldade era mostrar a diferença entre missionários e colonizadores. Aos poucos, com paciência, muitos nativos africanos foram catequizados, até mesmo pajens da corte do rei. Isso lhes causou a morte, quase sete anos depois de iniciados os trabalhos missionários, quando um novo rei assumiu o trono em 1886.

 

O rei Muanga decidiu acabar com a presença cristã em Uganda. Um pajem de dezessete anos chamado Dionísio foi apanhado pelo rei ensinando religião. De próprio punho Muanga atravessou seu peito com uma lança, deixou-o agonizando por toda uma noite e só permitiu sua decapitação na manhã seguinte. Usou o exemplo para avisar que mandaria matar todos os que rezavam, isto é, os cristãos.  


Compreendendo a gravidade da situação, o chefe dos pajens, Carlos Lwanga, reuniu todos eles e fez com que rezassem juntos, batizou os que ainda não haviam recebido o batismo e prepararam-se para um final trágico. Nenhum desses jovens, cuja idade não passava de vinte anos, alguns com até treze anos de idade, arredou pé de suas convicções e foram todos encarcerados na prisão em Namugongo, a setenta quilômetros da capital, Kampala. No dia seguinte, os vinte e dois foram condenados à morte e cruelmente executados.

 

Era o dia 3 de junho de 1886, e para tentar não fazer tantos mártires, que poderiam atrair mais conversões, o rei mandou que Carlos Lwanga morresse primeiro, queimado vivo, dando a chance de que os demais evitassem a morte renegando sua fé. De nada adiantou e os demais cristãos também foram mortos, sob torturas brutais, com alguns sendo queimados vivos.

 

Os vinte e dois mártires de Uganda foram beatificados em 1920. Carlos Lwanga foi declarado "Padroeiro da Juventude Africana" em 1934. Trinta anos depois, o papa Paulo VI canonizou esse grupo de mártires. O mesmo pontífice, em 1969, consagrou o altar do grandioso santuário construído no local onde fora a prisão em Namugongo, na qual os vinte e um pagens, dirigidos por Carlos Lwanga, rezavam aguardando a hora de testemunhar a fé em Cristo. (paulinas.org.br)

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pela perseverança de nossos ministros ordenados e leigos rezemos. Senhor, escutai nossa prece.

Pelas pessoas perseguidas e incompreendidas e pelos que sofrem por causa do evangelho, rezemos.

Pelas autoridades de nosso país e pelas lideranças dos movimentos sociais, rezemos.

Pelos grupos que se reúnem em preparação à solenidade de Pentecostes, rezemos.

Pelo apostolado da oração e pelos devotos do sagrado Coração de Jesus, rezemos.

(preces espontâneas)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Recordando a morte preciosa dos santos, nós vos oferecemos, ó Deus, o sacrifício de Cristo, do qual nascem o ideal e a força dos mártires. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Darei ao vencedor o fruto da árvore da vida que está no paraíso de meu Deus, aleluia! (Ap 2,7)

 

Oração Depois da Comunhão:

Celebrando, ó Deus, neste sagrado convívio, a vitória dos santos mártires Carlos e seus companheiros, nós vos pedimos que, comendo neste mundo o pão da vida, sejamos vitoriosos e, como vencedores, nos deis comer do fruto da vida no paraíso. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

 

Ascensão do Senhor

John Nascimento

A Liturgia da Palavra da Solenidade da Ascensão do Senhor, nos três Ciclos A,B e C, é um convite para refletirmos no Destino do Homem Novo.  Completando a obra de reconciliação dos homens com Deus, Jesus começa uma vida nova, junto do Pai. A Sua peregrinação pela Terra atingiu assim o seu termo de triunfo e de glória. Com efeito, Aquele que no “madeiro da Cruz”, entrega a Sua vida nas mãos do Pai, para a retomar na Ressurreição, entra agora na glória definitiva. A Ascensão é, portanto, a exaltação suprema de Jesus, a  Sua glorificação plena pelo Pai, constituído Senhor e centro da História do Mundo. Como celebração do triunfo e da vitória de Cristo, a Ascensão celebra, ao mesmo tempo, o triunfo da humanidade que, unida ao sofrimento de Cristo, será também unida à Sua glória.

 

As duas primeiras Leituras são comuns aos três Ciclos, sendo apenas o Evangelho diferente para cada Ciclo. Na 1ª Leitura, dos Atos dos Apóstolos, Jesus anuncia que vai enviar o Espírito Santo, no qual os discípulos serão batizados.          

 

- “Mas quando o Espírito Santo vier sobre vós, recebereis uma força e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém”.(1ª Leitura).

 

A Ascensão  inaugura o tempo da Igreja, na qual, de futuro, o céu e a terra se vão encontrar. Na Igreja, embora não vejamos Jesus, fisicamente,  temos a possibilidade de viver de Cristo e com Cristo. Na Igreja de hoje, pelos Seus Apóstolos, testemunhas da Ressurreição, anunciadores do perdão e portadores da força do Espírito, Jesus continua a Sua Obra de Salvação. A Igreja aclama a obra de Deus como canta o Salmo Responsorial :

 

 - “Deus sobe por entre aclamações, o Senhor, ao som de trombetas”.

 

Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Efésios, e hoje também a cada um de nós, que Jesus, com a Sua Ascensão, foi plenamente glorificado pelo Pai, que O fez sentar a Sua direita, Lhe deu todo o poder e O constituiu chefe do Novo Povo de Deus e Senhor de todo o Universo.

 

- “Assim o mostra  a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, ao ressuscitá-l’O dos mortos e ao sentá-l’O à Sua direita, lá nos Céus(...). Pô-l’O acima de todas as coisas  como Cabeça da Igreja”.(2ª Leitura).

 

É d’Ele que jorra, continuamente, sobre o imenso Corpo que é a Igreja, a Vida Nova, recebida no Batismo, para desabrochar, em toda a sua força e beleza no Céu.

 

O Evangelho é de S. Lucas e diz-nos que a glorificação de Jesus começou na manhã de Páscoa quando, triunfando do pecado e da morte, nos alcançou a vida plena.

 

Porém, a subida de Jesus ao Céu, descrita de modo humano, de harmonia com a concepção antiga do universo, é a posse definitiva e total da glória, que já Lhe pertence pela Paixão e Ressurreição.

 

- “Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que, em nome d’Ele, se havia de pregar a todas as nações, a começar por Jerusalém, o arrependimento e o perdão dos pecados”. (Evangelho).

 

A glorificação de Jesus é também a glorificação da humanidade.

 

Com efeito, pelo perdão dos pecados, prometido a todos os povos, nós participamos da vida do Ressuscitado, tornamo-nos membros do Seu Corpo Místico, destinados à mesma glória da Cabeça.

 

Para Jesus, o céu é a participação plena na vida de Deus, de um homem verdadeiro, possuindo a mesma matéria e a mesma história de todos nós;  uma relação nova entre o Criador e a criatura numa total transparência, livre dos limites e das  dificuldades da condição terrena.

 

Para nós será assim um dia (excetuando o caráter único da relação entre o Pai e o Filho), quando se manifestar abertamente aquilo que já somos ; quando, pelo conhecimento e o amor, o corpo não for mais obstáculo, mas perfeito meio de comunicação.

 

Um céu assim não é simplesmente a “recompensa” de uma vida justa e boa, segundo o que nos diz S. Paulo:

 

- “Tenho como coisa certa que os sofrimentos do tempo presente, não se comparam com a glória que se há de revelar em nós”. (Rm 8,18).

 

Nem é tampouco um narcótico para pessoas passivas e resignadas, um álibi para o compromisso de trabalhar neste mundo pela realização (ainda que imperfeita), daqueles valores de liberdade, de justiça, de paz, de fraternidade, de comunhão, de vida, de amor e de alegria que constituem a bem-aventurança do homem completo segundo o plano de Deus. Uma comunidade dos que crêem e caminham nesta direção – isto é, aberta ao mundo, ao serviço de todos – torna-se a testemunha da nova humanidade realizada em Jesus Cristo.  Reconfortados por esta certeza, fortificados pelo Espírito Santo, daremos a nossa colaboração para que a obra de Cristo atinja todos os homens.  Só nas promessas de Deus no Proto-Evangelho do Antigo Testamento, e da Palavra de Cristo no Novo Testamento, assenta a garantia do cumprimento do plano da História da Salvação.

 

Diz o Catecismo d Igreja Católica sobre a subida de Jesus ao Céu:

659. – “Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi levado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus”(Mt 16,19). A humanidade de Cristo foi glorificada desde o momento da Sua Ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, o Seu Corpo goza permanentemente. Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos e instruí-los sobre o Reino, a Sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal. A última aparição de Jesus termina pela entrada irreversível da Sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem e pelo Céu, onde a partir de então, está sentado à direita de Deus. Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, “como que a um aborto” (1 Cor 15,8), numa última aparição que o constitui Apóstolo.

 

 

Apaixonar-se, apesar de tudo, é uma prova de santidade mental, pois

no amor descobrimos uma generosidade ilimitada. (Saul Bellow)