Sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Primeira Semana do Advento e do Saltério (Livro I), cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia Mundial da Luta Contra a AIDS (SIDA)

 

Santos: Adria, Aurélia, Eusébio, Hipólito, Marcelo, Máximo, Maria e Paulina (“Mártires Gregos”, martirizado em Roma), Aviciano de Rouen (bispo), Bibiana de Roma (virgem, mártir), Cromácio de Aquiléia (bispo), Elóquio de Lagny (abade), Evásio de Brescia (bispo), Lupo de Verona (bispo), Nono de Edessa (bispo), Ponciano e seus quatro companheiros (mártires de Roma), Roberto de Matallana (abade), Severo, Seguro, Januário e Vitorino (mártires da África), Silvano de Trôade (bispo), Valentim de Estrasburgo (bispo).

 

Antífona: O Senhor descerá com esplendor, para visitar o seu povo na paz e fazê-lo viver a vida eterna.

 

Oração: Despertai, Senhor, vosso poder e vinde, para que vossa proteção afaste os perigos a que nossos pecados nos expõem e a vossa salvação nos liberte. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaias (Is 29, 17-24)
Naquele dia, os mais pobres dos homens se rejubilarão

 

Assim fala o Senhor Deus: 17"Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta? 18Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. 19Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no santo de Israel. 20Fracassou o prepotente, desapareceu o trapaceiro, e sucumbiram todos os malfeitores precoces, 21os que faziam os outros pecar por palavras, e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade e atacavam o justo com palavras falsas".

 

22Isto diz o Senhor à casa de Jacó, ele que libertou Abraão: "Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se nem seu rosto terá que enrubescer; 23quando contemplarem as obras de minhas mãos, hão de honrar meu nome no meio do povo, honrarão o santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel; 24os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria e os maldizentes concordarão em aprender". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Naquele dia, os olhos dos cegos verão

 

Tudo mudará para melhor: a própria natureza será o cenário de um mundo liberto da dor e renovado também nas situações sociais. Deus realizará tudo para o homem que nele confia e sabe esperar firmemente colaborando quanto pode para concretizar suas expectativas. Isto promete a palavra de Deus.

 

Em um mundo que ainda hoje não é melhor do que o de Isaías, qual a nossa contribuição para a construção da nova sociedade? Desfalecemos nossa contribuição para a construção da nova sociedade? Desfalecemos em face de uma aparente impossibilidade? Cremos na força das bem-aventuranças? Confiamos corajosamente no Senhor, nossa salvação (Salmo)? OU acabamos de mãos vazias, deixando que os mais pobres continuem a pagar por nosso desinteresse e egoísmo? Cristo nos salva para nos fazer salvadores: para abrir os olhos aos cegos, aliviar os oprimidos, dar alegria aos mais pobres. [Missal Cotidiano, Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 26(27), 1.4.13-14 (+1a)

O Senhor é minha luz e salvação

 

O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? 

 

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. 

 

Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Evangelho: Mateus (Mt 9, 27-31)

Dois cegos, crendo em Jesus, são curados

 

Naquele tempo, 27partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: "Tem piedade de nós, filho de Davi!" 28Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: 'Vós acreditais que eu posso fazer isso?" Eles responderam: "Sim, Senhor". 29Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: "Faça-se conforme a vossa fé". 30E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: "Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo". 31Mas eles saíram e espalharam sua fama por toda aquela região. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 20, 29-34; Mc 8, 22-26; 10, 46-52; Lc 18, 35-43; Jo 9, 1-41

 

 

Comentando o Evangelho

Tem compaixão de nós!


O milagre que beneficiou os dois cegos prenuncia a experiência dos discípulos do Reino, à espera do Senhor. Urge que o próprio Mestre lhes abra os olhos, de modo a poderem discernir sua presença na história humana.


Ter os olhos abertos é sinal de libertação da tirania do egoísmo, que faz o ser humano centrar-se em si mesmo e ser incapaz de perceber a maravilhosa obra de Deus acontecendo a seu redor. Desfeitas as trevas do erro e do pecado, torna-se possível ao discípulo perceber a revelação divina em acontecimentos singelos, imperceptíveis ao olhar puramente humano. Sem perfeita visão espiritual fica-se impossibilitado de reconhecer o Senhor.


A superação da cegueira começa quando o discípulo volta-se confiante para o Senhor, de quem implora compaixão. É a humildade de quem se reconhece carente da misericórdia divina.
Outro pressuposto é a fé. Ela é, em última análise, o princípio de tudo. Porque crê em Jesus, o discípulo deseja ter "olhos" para vê-lo, quer ser curado de sua cegueira, predispõe-se a fazer tudo quanto for necessário para ver realizado o seu desejo, deixa-se tocar por Jesus e sabe aproveitar do encontro com ele.


Jesus sempre está disposto a curar a cegueira de quem o desejar. Afinal, um dos sinais da presença do Messias na história humana, conforme os profetas anunciaram, consiste exatamente na restituição da vista aos cegos. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B ©Paulinas, 1996]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Cristo, fortaleza dos cristãos, vinde fortalecer nossa vida. Vinde Senhor Jesus.

Cristo, luz verdadeira, vinde iluminar nossa caminhada.

Cristo, amado do Pai, vinde revelar as maravilhas do amor de Deus.

Cristo, enviado do Pai, vinde nos ensinar a cumprir a vontade de Deus.

Cristo, alegria dos pobres, vinde tornar-nos comprometidos com os necessitados.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, com bondade, nossas humildes preces e oferendas, e, como não podemos invocar os nossos méritos, venha em nosso socorro a vossa misericórdia. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Esperamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo; ele transformará, segundo a sua condição gloriosa, a nossa humilde condição. (Fl 3, 20-21)

 

Oração Depois da Comunhão:

Alimentados pelo pão espiritual, nós vos suplicamos, ó Deus, que, pela participação nesta Eucaristia, nos ensineis a julgar com sabedoria os valores terrenos e colocar nossas esperanças nos bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Cromácio

Hoje a Igreja nos apresenta São Cromácio, Bispo de Aquileia (Itália). Esta cidade da Europa, por um tempo foi muito importante para o Império Romano, que a tinha como centro político e principalmente para o Cristianismo, pois São Jerônimo a chamou: "Comunidade de santos".


Neste contexto que, no século IV, Cromácio aparece como pertencente do Clero de Aquileia e ajudante fiel do Bispo Valeriano. Cromácio nasceu em Aquileia no ano 345. São Cromácio colaborou na organização da diocese e na luta contra o Arianismo, que semeava a mentira em que Jesus Cristo seria criatura escolhida, e não Deus.


A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração e encontro de amigos sacerdotes e leigos, dispostos a cresceram para Deus. Quando Valeriano morreu, todos - Clero e o povo - não tiveram dúvida em aclamar Cromácio para Bispo de Aquileia. Isto em 388.


Como Bispo, foi santo e sábio pastor, culto, enérgico na defesa da doutrina e incansável na evangelização dos povos, o próprio São Cromácio se destacou como pregador e escritor, além de cooperar para que São Jerônimo e Rufino trabalhassem cada um na sua tradução das Sagradas Escrituras. São Cromácio faleceu em sua cidade - Aquileia - no ano de 408, local que jamais esqueceu deste santo Bispo. [Canção Nova]

 

Advento nas comunidades

Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares - PE

 

A liturgia católica introduz e acompanha os fiéis na celebração do mistério de Cristo que é vivenciado, ao longo do Ano Litúrgico. Na sua sábia pedagogia, a liturgia faz o percurso da vida natural e divina de Jesus. Daí iniciar-se o Ano Litúrgico, precisamente, com o Ciclo do Natal, que compreende o período do Advento e o tempo de Natal que inclui a Epifania (Festa dos Reis Magos) e a celebração do Batismo de Jesus. Dessa maneira, constituem traços da vida humana de Jesus a sua viagem de Nazaré a Belém, no ventre de Maria, seu nascimento, sua apresentação ao Senhor no templo de Jerusalém, a visita dos Reis do Oriente, a perseguição de Herodes, o infanticídio de inocentes (Santos Inocentes) e a fuga para o Egito; na verdade, a liturgia celebra a face humano-divina de Cristo, no mistério do Natal.

 

Na teologia cristã, o ponto de referência do mistério celebrado é a Páscoa, a Ressurreição de Jesus. São Paulo tinha plena certeza da centralidade do mistério pascal: “E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé. E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados.” (1Cor 15,14.17) A Páscoa também é vivenciada, liturgicamente, com seu momento de preparação, a Quaresma, e na sua expressão maior, a celebração do Tríduo Pascal e do tempo da Páscoa. A vida natural do Cristo adulto e a condição divina do Cristo missionário do Pai são celebradas no mistério da Páscoa. Com a celebração de Pentecostes, a liturgia celebra o mistério de Cristo, com a significação que tem para a Igreja, na sua trajetória peregrina. Cada tempo litúrgico tem um perfil próprio, por seu significado, seu fundamento bíblico, sua espiritualidade e sua linguagem pastoral.

 

Essas notas distintivas são muito visíveis no Ciclo do Natal, a começar pelo significado do Advento: “Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.” O Advento tem um rosto especial também em razão do que revela a Sagrada Escritura: o Messias prometido, concebido no seio de uma virgem (cf. Is 7,14), segundo a profecia (cf. Mq 5, 1), nasce em Belém (cf. Lc 2, 1-20). A espiritualidade do Advento na Igreja Católica fala “sobre a vinda hoje do Senhor em nossas vidas. Por isso, seria muito importante termos algumas atitudes neste tempo: Atitude de ESPERA: Alegre chegada e amorosa acolhida. (...). Atitude de RENOVAÇÃO: O Advento é tempo de conversão e penitência. (...). Atitude de ORAÇÃO: A oração é elemento primordial da espiritualidade cristã. (...). Atitude de CARIDADE FRATERNA: A caridade é a essência do nosso ser e agir cristão.” A linguagem pastoral do Advento está muito presente nas comunidades e se expressa de muitas maneiras; sem dúvida, no Brasil, destaca-se uma que é praticada pelos católicos, há muitos anos: a Novena do Natal. As famílias se encontram para a oração em comum, para a reflexão, a partilha da Palavra de Deus, o olhar sobre fatos vividos por pessoas e comunidades e para o testemunho da fraternidade, através de gestos de solidariedade.

 

Quando bem celebrado nas comunidades, o Advento é certeza de um Natal bem vivido nas famílias! [Fonte: CNBB]

 

O Advento no Catecismo

1.  Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: "É preciso que Ele cresça e que eu diminua" (Jo 3,30).

 

2.  O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: "Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós" (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre "o príncipe deste mundo". E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser definitivamente estabelecido: "Regnavit a ligno Deus - Deus reinou do alto do madeiro".

 

3.  Já presente em sua Igreja, o Reino de Cristo ainda não está consumado "com poder e grande glória" (Lc 21, 17) pelo advento do Rei na terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Páscoa de Cristo. Enquanto tudo não for submetido a ele, "enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa, e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus" Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para apressar a volta de Cristo, dizendo-lhe: "Vem, Senhor" (Ap 22,20).

 

4.  A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At 1,7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há de precedê-lo.

 

5.  Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra" desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne.

 

6.  Cabe ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação de seu Pai. Este é o motivo de sua "missão". "O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa Nova, isto é, o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos." Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos Céus na terra. A Igreja "é o Reino de Cristo já misteriosamente presente"'.

 

7.  "A Igreja... só terá sua consumação na glória celeste quando do retomo glorioso de Cristo. Até aquele dia, "a Igreja avança em sua peregrinação por meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus". Aqui na terra, sabe que está em exílio, longe do Senhor e aspira ao advento pleno do Reino, "a hora em que ela será, 'na glória, reunida a seu Rei". A consumação da Igreja e, por meio dela, a do mundo, na glória, não acontecerá sem grandes provações. Só então "todos os justos, desde Adão, em seguida Abel, o justo, até o último eleito, serão congregados junto do Pai na Igreja universal"

 

8.  É por isso que a Igreja, particularmente no advento, na quaresma e sobretudo na noite de Páscoa, relê e revive todos esses grandes acontecimentos da história da salvação no "hoje" de sua liturgia. Mas isso exige também que a catequese ajude os fiéis a se abrirem a esta compreensão "espiritual" da economia da salvação, tal como a liturgia da Igreja a manifesta e no-la faz viver.

 

9.  O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte.

 

10.  Seja este testemunho público, como no estado religioso, ou mais discreto, ou até secreto, o advento de Cristo permanece para todos os consagrados a origem e a orientação de sua vida: Como o povo de Deus não possui aqui na terra morada permanente, o estado religioso manifesta já aqui neste mundo a todos os crentes a presença dos bens celestes, dá testemunho da vida nova e eterna adquirida pela redenção de Cristo, prenuncia a, ressurreição futura e a glória do Reino celeste.

 

Pergunte-se em cada coisa: “Que teria feito o Senhor?”, e faça-o.

É sua única regra, a regra absoluta. (Charles de Foucauld)