Sexta-feira, 2 de setembro de 2011

22ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

Santos: Ambrósio Agostinho Chevreux (Bem-Aventurado, 1792, Paris, mártir), Antonino (Séc IV, mártir, Apaméia, Síria), Zeno (ou Zenão, Nicomédia, mártir), Simeão Estilita (o Velho, 459 d.C.) e Guilherme (1070 d.C., bispo)

 

Antífona: Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam. (Sl 85, 3.5)

 

Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Colossenses (Cl 1, 15-20)

Eminência de cristo, imagem de deus primogênito

 

15Cristo Jesus é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17EIe existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. 18Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, 19porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude 20e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Tudo foi criado por meio dele e para ele

 

Paulo celebra no Ressuscitado a festa do universo. Cristo não só é o chefe de todos os que se aventuram com ele no caminho da libertação, mas é também o Senhor da criação, vindo para acender um fogo na terra. Este senhorio de Cristo não é alienante para o homem, porque Cristo é Senhor de uma criação coordenada e realizada pelo homem. Cada comunidade cristã que vive de Cristo ressuscitado torna-se criadora. Perseverando com o Ressuscitado, passo a passo, em luta ardente pelo homem e pela justiça, participa na caminhada do homem e da humanidade rumo àquele que foi “gerado antes de toda criatura”. A comunidade que se avizinha do fogo torna-se também fogo. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 99 (100), 2.3.4.5 (R/.2c)

Com canto apresentai-vos diante do Senhor!

 

Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!

 

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho.

 

Entrai por suas portas dando graças, e em seus átrios com hinos de louvor; dai-lhe graças, seu nome bendizei!

 

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

 

Evangelho: Lucas (Lc 5, 33-39)
Discussão sobre o jejum

 

Naquele tempo, 33os fariseus e os mestres da lei disseram a Jesus: "Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com freqüência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem". 34Jesus, porém, lhes disse: "Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? 35Mas dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão". 36Jesus contou-lhes ainda uma parábola: "Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; se não vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. 37Ninguém coloca vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. 38Vinho novo deve ser colocado em odres novos. 39E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mt 9, 14-17; Mc 2, 18-22

 

 

 

Comentando o Evangelho

O velho e o novo

 

Vivendo numa sociedade religiosa muito tradicional e conservadora, a pregação de Jesus colocou a novidade que trazia em conflito com os esquemas esclerosados, dos quais as lideranças religiosas não queriam abrir a mão.


A questão do jejum situa-se neste contexto. Os mestres da Lei e os fariseus, seguidos pelos discípulos de João, davam grande valor à prática do jejum, mostrando-se muito fiéis a esta tradição. Por isso, a orientação dada aos discípulos contrastava com o pensamento deles. Mesmo sem negar o valor do jejum, Jesus lhe dava pouca importância. Sua missão centrava-se em algo muito mais importante: levar as pessoas à prática do amor, a melhor forma de se mostrarem reconhecidas a Deus e ser-lhe agradáveis.


A compreensão e a aceitação do ponto de vista de Jesus supunha predisposição para abraçar a novidade que proclamava, sem colocar obstáculos. Querer misturar as coisas seria como remendar roupa velha com um pedaço de pano novo, ou depositar vinho novo em recipientes velhos. Ambas as situações seriam desastrosas: a roupa ganharia um rasgão ainda maior e o vinho se derramaria todo. Mais prudente seria fazer a roupa toda com pano novo, e guardar o vinho em recipientes novos.


Assim, os discípulos foram alertados sobre a incompatibilidade entre o novo, pregado por Jesus, e o velho defendido pelos líderes religiosos. A prudência exigia que fossem cautelosos. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: Eis o terceiros momento de confronto a propósito de jejuns voluntários como prática ascética de determinados grupos religiosos. O Messias se apresenta como esposo: título de Yhwh frequente no Antigo Testamento, aplicado a Jesus no Novo Testamento. O casamento é tempo de alegria partilhada. Mas Lucas conhece o tempo em que Jesus lhes foi arrebatado: o tempo da Igreja. Com a imagem do casamento podem-se conciliar a da roupa e do vinho. Ambas têm associações nupciais e servem para explicar a “novidade”. Quanto à imagem dos odres o Messias não vem para por remendos em panos gastos, traz um vinho que fermenta vida nova.  (cf. Bíblia do Peregrino)

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Por todo o povo de Deus que constitui a Igreja de Jesus Cristo, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

Pelos que têm dificuldade em aceitar a novidade do evangelho, rezemos.

Pelas comunidades que se reúnem para meditar a Bíblia e rezar com ela, rezemos.

Pelos noivos e noivas que se preparam para o casamento, rezemos.

Pelos que se dedicam a promover a dignidade do povo brasileiro, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer nos traga sempre a graça da salvação, e vosso poder leve à plenitude o que realizamos nesta liturgia.  Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Como é grande, ó Senhor, vossa bondade, que reservastes para aqueles que vos temem! (Sl 30,20)

 

Oração Depois da Comunhão:

Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir com vossos irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor.

Santa Ingrid

 

 

Ingrid nasceu perto da metade do século XIII, na nobre família Elovsdotter, na Suécia. Cristãos fervorosos, os pais deram a ela e aos outros filhos uma educação digna dos fidalgos e no rigoroso seguimento de Cristo. A menina, desde os primeiros anos de vida, mostrou-se muito virtuosa, amável, caridosa e pia, surpreendendo a todos com seu cândido ideal religioso.

 

No início da adolescência, como era costume da época, teve de contrair um riquíssimo casamento. Mesmo contrariando sua vocação, ela aceitou tudo com humilde resignação, mas não deixou que o mundo de luxo, futilidades e poder contaminassem sua alma, apesar de ter de conviver nele. Continuou, serenamente, a cuidar das obras de caridade que fundara para os pobres e doentes abandonados, os quais atendia pessoalmente. Possuindo dons especiais de profecia e cura, gozava, entre a população, da fama de santidade.

 

Ingrid enviuvou pouco tempo depois. Assim, decidiu fazer uma longa peregrinação para a Terra Santa, acompanhada por sua irmã mais velha e algumas damas da corte. Ali seu amor ao Senhor Jesus aumentou ainda mais, alimentando o seu desejo de consagrar-se à vida religiosa. Da Palestina viajou para Roma, onde visitou os túmulos dos apóstolos e dos primeiros mártires e de lá foi para Santiago de Compostela, na Espanha, rezar junto às relíquias do apóstolo Tiago.

 

Só então Ingrid retornou para a Suécia. Logo depois, em 1281, seguindo seu confessor e orientador espiritual, padre dominicano Pedro de Dacia, e com a autorização do bispo e do rei, ela fez seus votos perpétuos e fundou um mosteiro, sob as Regras de são Domingos, em Skanninge, Suécia. Nele, junto com um grande número de jovens da corte, dedicou-se, totalmente, às orações contemplativas e à vida de rigorosa austeridade.

 

Morreu como priora, com fama de santidade, no dia 2 de setembro de 1282, no seu convento em Skanninge. Seu culto se espalhou depressa entre as populações vizinhas e difundiu-se entre os devotos. O papa Alexandre VI confirmou o culto à bem-aventurada Ingrid e o dia de sua morte para sua celebração. (www.paulinas.org.br)

 

 

Setembro, mês de bíblia

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida - SP

 

Estamos em setembro, e no Brasil já é uma tradição que este mês seja lembrado como o “Mês da Bíblia”.  Setembro foi escolhido pelos Bispos do Brasil como o mês da Bíblia, em razão da festa de São Jerônimo, celebrada no dia 30.  São Jerônimo, que viveu entre 340 e 420, foi o secretário do papa Dâmaso e por ele encarregado de revisar a tradução  latina da Sagrada Escritura. Essa versão latina feita por São Jerônimo recebeu o nome de Vulgata, que, em latim, significa popular e o seu trabalho é referência nas traduções da Bíblia até os nossos dias.

 

Ao celebrar o mês da Bíblia, a Igreja nos convida a conhecer mais a  fundo a Palavra de Deus, a amá-la, cada vez mais, e a fazer dela, cada dia, uma leitura meditada e rezada.  É essencial ao discípulo missionário o contato com a Palavra de Deus para ficar solidamente firmado em Cristo e poder testemunhá-lo no mundo presente, tão necessitado de sua presença. “Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Se queremos ser discípulos e missionários de Jesus Cristo  é indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus. É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida cristã na rocha da Palavra de Deus” (DA 247).

 

A Bíblia contém tudo aquilo que Deus quis nos comunicar em relação a nossa salvação. Jesus é  o centro e o coração da Bíblia. Em Jesus se cumprem todas as promessas feitas no Antigo Testamento para o Povo de Deus.

 

Ao lê-la, não devemos nos esquecer que Cristo é o ápice da revelação de Deus. Ele é a Palavra viva de Deus. Todas as palavras da Sagrada Escritura tem seu sentido definitivo Nele, porque é no mistério de sua morte e ressurreição que o plano de Deus para a nossa salvação se cumpre plenamente.[Fonte: CNBB]

 

O verdadeiro cristão é aquele que mergulha na águas profundas do Evangelho e depois emerge para ir de encontro ao irmão. (Papa Paulo VI)