Sexta-feira, 1º de abril de 2011

Terceira Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Melitão (bispo), Valarico ou Valerico (abade), Macário o Taumaturgo, Hugo de Grenoble (bispo), Hugo de Bonneveaux (abade), Gilberto de Caithness (bispo), Catarina de Palma (virgem), Ludovico Pavoni (beato)

 

Antífona Senhor, não há entre os deuses nenhum que se vos compares, porque sois grande e fazeis maravilhas: só vós, Senhor, sois Deus. (Sl 85, 8.10)

 

Oração: Infundi, ó Deus, vossa graça em nossos corações, para que, fugindo aos excessos humanos, possamos, com vosso auxílio, abraçar os vossos preceitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Oséias (Os 14, 2-10)

A necessidade urgente da conversão do povo

 

Assim fala o Senhor Deus: 2"Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: 'Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais deuses nossos a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia'. 

 

5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-­se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 

 

10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles', andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Não chamaremos mais “deuses nossos” a produtos de nossas mãos

 

O profeta Oséias apresenta a culpa não mais como violação de tradições antepassadas e sacrais, mas como a recusa de encontrar a Deus nos acontecimentos cotidianos, quem não ver a Deus na história. Até conversão assume particular significação: não abluções rituais..., porém, interiorização, com que o homem faz calar o próprio orgulho para aceitar o desígnio de Deus manifestado nos acontecimentos, para permitir a correta aplicação dos recursos humanos, a partir do centro e da fonte, Deus que tudo vivifica. Só este aspecto, a conversão é a atitude fundamental do cristão solidário com o mundo. Cumpre reconhecer que a conversão de Israel não é muito desinteressada. Ele volta a Deus em nome de uma apaixonada busca de felicidade e abundância. É uma mentalidade que pode desaguar na moral da retribuição e do mérito. É possível, no entanto, olhar também para a recompensa prometida às boas ações. Dizer que uma ação é recompensada significa afirmar que o presente tem sempre uma dimensão histórica; nunca é isolado, mas forma parte de um devir guiado pela iniciativa de Deus. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 80 (81), 6c-8a. 8bc-9. 10-11ab. 14 e 17 (R/. cf. 11 e 9a)
Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

 

6cEis que ouço uma voz que não conheço: 7"Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. 8aNa angústia a mim clamaste, e te salvei.”

 

8bDe uma nuvem trovejante te falei, 8ce junto às águas de Meriba te provei. 9Ouve, meu povo, porque vou te advertir!  Israel, ah! se quisesses me escutar. 

10Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! 11aPorque eu sou o teu Deus e teu Senhor, 11bque da terra do Egito te arranquei". 

 

14Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos, 17eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com o mel que sai da rocha o fartaria".

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 12, 28b-34)

O mandamento do amor.

 

Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" 29Jesus respondeu: "O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes".

 

32O mestre da lei disse a Jesus: "Muito bem, mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios". 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência e disse: "Tu não estás longe do reino de Deus". E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 22,34-40; Lc 10,25-28; Jo 13,33-35

 

Comentário do Evangelho

Onde centrar nossa vida

 

A pergunta pelo primeiro dos mandamentos comporta uma preocupação: onde a vida humana deve centrar-se? A resposta a este problema é fundamental para a vida do discípulo. Mas não basta responder teoricamente. É mister que discípulo tome consciência onde efetivamente sua vida está centrada. O engano, aqui, pode ser fatal!

 

A resposta de Jesus ao mestre da Lei aponta para os dois eixos vertebradores da vida do discípulo: Deus e o próximo. Considerando bem, ambos os eixos se exigem mutuamente, a ponto de um levar ao outro, e a ausência de um provocar a ausência do outro.

 

Quem está centrado em Deus, está necessariamente aberto ao amor e à solidariedade, está sempre pronto para lutar pela justiça, não suportando ver o próximo ser vilipendiado. Sobretudo, torna-se um lutador incansável pela causa do Reino, ansiando por vê-lo acontecer em sua própria vida e na de seus semelhantes.

 

Por outro lado, tem sua vida centrada no próximo quem é capaz de superar o egoísmo e romper as amarras das paixões, quem se esforça para se libertar da tirania do pecado, tornando-se livre para Deus. Em outras palavras, quem tem Deus no coração.

 

Todos os demais eixos são espúrios e devem ser rejeitados pelo discípulo do Reino. Basta considerar o modo de proceder de quem não ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São pessoas desumanizadas e desumanizadoras. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

 

Oração da assembleia (LITURGIA DIÁRIA)

-Dos ministros da Igreja e dos agentes de pastoral. Lembrai-vos, Senhor!

-Dos responsáveis da palavra de Deus.

-Dos responsáveis pelas leis de nosso país.

-Dos oprimidos e abandonados.

-Dos pecadores arrependidos.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Olhai com bondade, ó Deus, as oferendas que vos apresentamos para que vos sejam agradáveis e úteis nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo vale mais que todos os sacrifícios.

 

Oração Depois da Comunhão:

Senhor Deus, que a vossa força penetre em nossa vida párea que alcancemos em plenitude o que recebemos no sacramento. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: No AT há decálogos, dodecálogos, listas de preceitos, códigos legais, decisões de jurisprudência. Regulavam a conduta do israelita observante. A tradição rabínica contou até 613 preceitos, 365 proibições e 248 mandatos. Era preciso sabê-los todos para cumprir todos? Podiam ser sintetizados e reduzidos a poucos capítulos? A um só? Essa pode ser a força de “o primeiro”, que engloba tudo.  

 

São Francisco de Paula

 

São Francisco de Paula nasceu na Calábria (Itália) em 1416, ou seja, fins do século XV e inícios do século XVI. e foi o mais jovem fundador de Ordem religiosa. Aos 13 anos de idade vestiu o hábito franciscano e a fama de santidade e milagres atraiu muitos jovens desejosos de seguir seu exemplo. Aos 19 anos já era fundador de uma família religiosa, que existe até hoje e que é composta de grandes apóstolos, na cidade de São Paulo: os Mínimos, mosteiro de Cosenza de são Francisco de Assis. Fez uma peregrinação à Úmbria, aos lugares santificados por São Francisco e combatia o luxo e a corrupção dentro da Igreja, procurando novamente aquilo que São Francisco havia estabelecido, ou seja: a pobreza, a humildade e, sobretudo, a oração, o que o levava a morar durante certo tempo na solidão e na pobreza total. O próprio rei da França, Luís XI pediu ao Papa que lhe enviasse o santo jovem em Paris para curá-lo de uma grave doença. São Francisco de Paula fez com que o rei aceitasse serenamente a morte, reconciliando-o com Deus. Passou a ser diretor espiritual do sucessor, Carlos VIII. Aos três votos de pobreza, castidade e obediência, juntou o quarto: o do jejum quaresmal, da Quarta-feira de cinzas até o Sábado que antecede a Ressurreição, alimentando-se apenas de pão, peixe, verdura e água. Quem vai a Itália e atravessa o estreito de Messina verá que uma de suas balsas traz o nome de são Francisco de Paula. É que a cinco séculos passados, ele, muito magro pelos jejuns pediu aos barqueiros que o transportassem para o outro lado da margem. Como todos se recusassem cada um alegando um motivo diferente, o nosso santo estendeu o seu velho manto sobre a água e velejou para o outro lado até o porto de Messina! São Francisco de Paula partiu para o Céu em uma Sexta-feira santa, a 2 de abril de 1.507, com 91 anos de idade. Doze anos após sua morte, foi canonizado em 1519.

 

A oração, o jejum e a misericórdia

Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá - PR

 

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e a perseverança à virtude. São elas: a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

 

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse.

 

Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

 

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

 

Homem, se para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

 

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).

 

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

 

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia". (Carta de São Pedro Crisólogo, século IV)

 

 

A vitória sorri somente para aqueles que perseveram na luta. (Frei Anselmo Fracasso)

 

 

Aconteceu no dia 1º de abril de 1962:  A Suíça recusa, em referendo, a produção e importação de armas nucleares.