Segunda-feira, 30 de agosto de 2010

22ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Adauto, Ágilo (abade, 650 aC), Bonifácio (mártir), Bonônio de Locedio (abade, 1026), Bronislava da Polônia (bem-aventurada, virgem), Eduardo Shelley (bem-aventurado, mártir), Fantino da Calábria (abade), Félix e Adauto (mártires), Fiacro de Brie (eremita, séc VIII), Gaudência e Companheiras (virgens, mártires), João Roche (mártir, bem-aventurado), João Juvenal Ancina (bispo), Margarida Ward (mártir), Pamáquio (410), Pelágio, Arsênio e Silvano (mártires), Pedro de Trevi (presbítero),  Rosa de Santa Maria, Ricardo Leigh e Ricardo Martin (bem-aventurados, mártires), Tecla (mártir).

 

Antífona: Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam.

 

Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 2, 1-5)

As palavras de Paulo são fruto do seu amor a Jesus Cristo

1Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. 2Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. 3Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. 4Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Eu vos anuncio Jesus Cristo, e este, crucificado

 

Paulo relembra à comunidade de Corinto sua pregação: o anúncio de Cristo “crucificado”. Seu evangelho foi um “testemunho de Deus” (v.1), porque nele Paulo deixou que Deus mesmo falasse e contasse seu amor por nós em Cristo. Quando cai do rosto a máscara da sabedoria puramente formal, quando se extinguem os refletores da ideologia ou do êxito, e as coisas aparecem em sua simples e profunda realidade, emerge então o “poder” do Espírito (v.4). Nesse instante o Apóstolo irradia uma força: em sua pessoa fazem os outros a experiência do amor de Deus. Ele pode percorrer seu caminho no mundo com uma esperança jovem, criada pelo “poder” do Espírito, e na medida que permanece unido à fonte e dela bebe, pode também dirigir-se aos outros, aos acomodados. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 118 (119), 97.98.99.100.101.102

Quanto eu amo, ó Senhor, a vossa lei!

Quanto eu amo, ó Senhor, a vossa lei! Permaneço o dia inteiro a meditá-la.

Vossa lei me faz mais sábio que os rivais, porque ela me acompanha eternamente.

Fiquei mais sábio do que todos os meus mestres, porque medito sem cessar vossa aliança.

Sou mais prudente que os próprios anciãos, porque cumpro, o Senhor, vossos preceitos.

De todo mau caminho afasto os passos, para que eu siga fielmente as vossas ordens.

De vossos julgamentos não me afasto, porque vós mesmo me ensinastes vossas leis.

 

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 4, 16-30)

Jesus em Nazaré

 

Naquele tempo, 16veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaias. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor". 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir". 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saiam da sua boca. E diziam: "Não é este o filho de José?" 23Jesus, porém, disse: "Sem dúvida,  vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum". 24E acrescentou: "Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo, no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio . 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 13, 54-58; Mc 6, 1-6; Jo 4, 44

 

 

Comentando o Evangelho

Um projeto de vida

 

As profecias do Antigo Testamento ajudaram Jesus a compreender sua identidade e missão. Um texto do profeta Isaías foi-lhe extremamente útil. Nesse texto encontramos o monólogo de alguém que voltara do exílio babilônico e expressava a consciência de sua missão: reorganizar o povo, após sua total destruição por mãos de Nabucodonosor. Isaías tinha consciência de ser um profeta, nos moldes do Servo de Javé, cuja missão era a de infundir ânimo e esperança no povo, descortinando-lhe horizontes, e trazendo-lhe libertação.

 

Foi essa a trilha que Jesus seguiu. O evento de seu batismo constituiu-se numa verdadeira consagração por parte do Pai para a missão que estava prestes a ser iniciada. Os destinatários preferenciais de sua ação missionária foram os pobres, os humilhados e injustiçados, toda sorte de prisioneiros e oprimidos, as vítimas da cegueira física e espiritual. Sua ação, por ser ele o Filho

de Deus, era portadora de alegria semelhante à do ano jubilar, quando todas as dívidas e servidões eram abolidas e as pessoas tinham, novamente, sua dignidade reconhecida. O texto profético era um resumo perfeito do projeto de vida de Jesus.

 

Não possuímos informações a respeito do que se passou com o profeta vétero-testamentário. Com Jesus, sim. A história confirmou que nele se cumpriu plenamente o que o antigo profeta havia falado de si mesmo. [O Evangelho Nosso de Cada Dial, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

São Félix e Santo Adauto

 

 

São Felix era padre, um presbítero romano e vivia tranquilamente até a perseguição de Diocleciano, no início do século IV, por volta de 304. Foi condenado à morte no caminho para Óstia, e um grupo de soldados o conduziu ao local do suplício. Ao longo do percurso alguém se aproximou e também se declarou publicamente cristão, sem temer a morte: era o chamado Adauctus, que significa adjunto, daí o nome Adauto. Ambos foram decapitados. Seus túmulos foram encontrados em 1720 e sobre ele se erigiu uma basílica a mando do Papa Siricio.

 

Para sua reflexão: Jesus segue o rito habitual. No culto semanal da sinagoga se ora e se canta, se lê a Lei (Torá) e depois outra dos profetas. Ambas estão escritas em rolos de pergaminho, que se conservam na sinagoga, e um funcionário apresenta e guarda. Acrescenta-se um comentário. Qualquer assistente adulto pode solicitar o privilégio de ler e comentar. Lê-se de pé e se comenta sentado. Jesus se adapta ao ritual e lê Is 61, 1-2, citada por Lucas segundo a versão grega. A cena é programática: síntese e modelo da pregação de Jesus. Apresenta-se como Messias, provoca um entusiasmo passageiro, seguem-se a dúvida e a rejeição e a tentativa de homicídio. Sucede com os camponeses da terra natal, sucederá com o povo qual pertence.  (cf. comentários Bíblia do Peregrino)

 

Sabedoria é a recompensa que a gente recebe depois de passar

a vida  ouvindo, quando teria preferido falar. (Doug Larson)