Segunda-feira, 27 de setembro de 2010

São Vicente de Paulo, Presbítero, Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

Hoje: Dia da Caridade, dia do Encanador, dia Mundial do Turismo, dia Internacional do Idoso, dia Nacional do Surdo.

 

Santos: Vicente de Paulo (sacerdote, morto em 1660, fundador do Instituto dos Padres da Missão), Fidêncio, Florentino, Adérito, Florenciano, Bem-Aventurados Adolfo e João, Hiltrude (monja), Eleazário, Bem-Aventurada Delfina, Elzear de Sabran (confessor franciscano, ofs)

 

Antífona: Repousa sobre mim o Espírito do Senhor; ele me ungiu para levar a boa nova aos pobres e curar os corações contritos. (Lc 4, 18)

 

Oração: Ó Deus, que, para socorro dos pobres e formação do clero, enriquecestes o presbítero São Vicente de Paulo com as virtudes apostólicas, fazei-nos, animados pelo mesmo espírito, amar o que ele amou e praticar o que ensinou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Jó (Jó 1, 6-22)
Mesmo perdendo tudo, Jó não se volta contra Deus

 

6Um dia, foram os filhos de Deus apresentar-se ao Senhor; entre eles também satanás. 7O Senhor, então, disse a satanás: "Donde vens?" "Venho de dar umas voltas pela terra", respondeu ele. 8O Senhor disse-lhe: "Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e correto, teme a Deus e afasta-se do mal". 9Satanás respondeu ao Senhor: "Mas será por nada que Jó teme a Deus?

 

10Porventura não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Tu abençoaste tudo o que ele fez, e seus rebanhos cobrem toda a região. 11Mas estende a mão e tocam todos os seus bens; e eu garanto que ele te lançará maldições no rosto!" 12Então o Senhor disse a satanás: "Pois bem, de tudo o que ele possui, podes dispor, mas não estendas a mão contra ele". E satanás saiu da presença do Senhor.

 

13Ora, num dia em que os filhos e ilhas de Jó comiam e bebiam vinho ia casa do irmão mais velho, 14um mensageiro veio dizer a Jó: "Estavam os bois lavrando e as mulas pastando a seu lado, 15quando, de repente, apareceram os sabeus e roubaram tudo, passando os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia 16Estava ainda falando, quando chegou outro e disse: "Caiu do céu o fogo de Deus e matou ovelhas e pastores, reduzindo-os a cinza. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia". 17Este ainda falava, quando chegou outro e disse: "Os caldeus, divididos em três bandos, lançaram-se sobre os camelos e levaram-nos consigo, depois de passarem os criados ao fio da, espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia".

 

18Este ainda falava, quando chegou outro e disse: "Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho 19quando um furacão se levantou das bandas do deserto e se lançou contra os quatro cantos da casa, que desabou sobre os jovens e os matou. só eu consegui escapar para trazer-te a notícia". 20Então, Jó levantou-se, rasgou o manto, rapou a cabeça, caiu por terra e, prostrado, disse: 21"Nu eu saído ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!" 22Apesar de tudo isso, Jó não cometeu pecado nem se revoltou contra Deus. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

O Senhor deu, o Senhor tirou.

 

A prece de Jó revela o mistério profundo de toda tentação. Na provação sempre há que distinguir a mão do diabo da de Deus. Há que resistir e submeter-se": resistir ao demônio só é possível na completa submissão à mão de Deus. Ninguém está seguro de poder ser poupado da tentação e da prova. "O diabo ronda como leão rugidor procurando a quem devorar" (1Pd 5,8). Nesta vida, não está o cristão de modo algum isento, um instante que seja, de tentações e quedas. Estas, porém, podem ser superadas, porque Deus conhece nossas forças e não permite que as tentações as superem. O homem encontra força na comunhão com Deus. Jó é modelo em toda provação e tentação. Satã tira-lhe tudo, para que maldiga a Deus. Ele sente ter razão de se rebelar contra a dor; como se a provação o ferisse por causa de suas culpas. Esta razão termina, entretanto, quando se encontra diante de Deus. Isso o leva à paciência, enche-o de gratidão: quanto mais perece o velho homem, com tanto maior certeza nasce e vive o novo. Exatamente porque Satã privou Jó de tudo, lançou-o aos braços de Deus. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 16 (17), 1.2-3.6-7 (R/.6b)  
Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

 

1Ó Senhor, ouvi a minha justa causa, escutai-me e atendei o meu clamor! Inclinai o vosso ouvido à minha prece, pois não existe falsidade nos meus lábios!

 

2De vossa face é que me venha o julgamento, pois vossos olhos sabem ver o que é justo. 3Provai meu oração durante a noite, visitai-o, examinai-o pelo fogo, mas em mim não achareis iniquidade.

 

6Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! 7Mostrai-me vosso amor maravilhoso, vós que salvais e libertais do inimigo quem procura a proteção junto de vós.

 

Evangelho: Lucas (Lc 9, 46-50)
O maior no Reino

 

Naquele tempo, 46houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48e disse-lhes: "Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior". 49João disse a Jesus: "Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco". 50Jesus disse-lhe: "Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 18, 1-5; Mc 9, 33-37; Jo 13,20.

 

 

Comentando o Evangelho do Dia

A grandeza dos pequeninos

 

Os discípulos de Jesus tardaram em perceber que o Reino pertence aos pobres, aos famintos, aos pequeninos, e que estes são os grandes do Reino, exatamente por serem desprovidos de poder e de manias de grandeza. Sua excelência se deve ao amor que o Senhor do Reino lhes devota, e não a méritos humanos.

 

O menino que Jesus colocou junto de si tornou-se o centro das considerações. Contemplando-o, seria possível compreender o que significa ser o maior no Reino". Ele era absolutamente necessitado de ajuda. Faltava-lhe condições para impor-se ao mundo dos adultos. Carecia de ser acolhido e amado. Disto dependia a sua subsistência.

 

No contexto do Reino, maior é quem compreende que depende de Deus e assume a postura de um pequenino. Nesta condição, toma-se solidário com os pequenos e fracos deste mundo, fazendo-se deles amigo e servidor. O maior do Reino recusa-se a se colocar entre os primeiros da escala social ou hierárquica. Pelo contrário, encontra seu lugar entre os que foram relegados aos níveis inferiores, por serem vítimas da discriminação. Sendo avesso às glórias mundanas, obtidas à custa de fraude e desonestidade, busca conquistar a glória que provém do amor aos pequeninos. Glória duradoura por ter sua origem no Pai!

 

Por conseguinte, quem se torna pequenino, fazendo-se servidor dos mais necessitados, possuí o espírito do verdadeiro discípulo que dispensa toda disputa a respeito de quem é o maior. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Encontramos duas instruções nesta passagem. A primeira tem a ver com a forma de compreender o que seja o reino. Os discípulos não entenderam nada do que Jesus lhes tinha ensinado e ilustrado com suas ações sobre a realidade do reino e sua dinâmica. Eles ainda acham que se trata de uma realidade na qual continuam valendo os títulos, a posição social e os postos burocráticos. A segunda instrução está em relação com os que pregavam e realizavam sinais em nome de Jesus. O critério de Jesus é claro e terminante: “Não o proibais”; ninguém que faça o bem pode ser molestado só “porque não é dos nossos”; Deus, seu amor, sua misericórdia, sua paternidade são maiores do que qualquer grupo ou comunidade seja qual for sua denominação. (Bíblia Ave-Maria, Novo Testamento, Edição de Estudos)

 

 

São Vicente de Paulo

 

 

 

 

A França no século XVII se elevava à categoria de primeira potência na Europa, impulsionada por um ideal de grandeza nacional, mas devastada pelas guerras e revoluções internas. Apesar de ter sido o século de Luís XIV, o Reio Sol, foi de fato o século das grandes misérias: crianças abandonadas, prostituição, pobreza e ruínas ocasionadas por revoluções e guerras, além da ignorância religiosa das populações rurais e o estado lamentável de boa parte do clero.

 

Neste triste quadro da situação social e religiosa da França, Deus suscitou um grande apóstolo, um dos santos mais extraordinariamente fecundos na Igreja: São Vicente de Paulo.

 

Nasceu ele de família pobre, em 1581. O pai, observando com satisfação as excelentes qualidades de espírito do filho, fez os maiores sacrifícios para lhe favorecer os estudos eclesiásticos, como era desejo de Vicente.

 

Ordenado sacerdote, trabalhou como vigário numa pequena paróquia rural; ai viveu em contato com tantas misérias materiais e morais, que lhe abriram o espírito para sua futura vocação de apóstolo e organizador de grandiosas obras sociais.

 

Numa viagem entre Marselha e Narbone, Vicente caiu em poder dos piratas que o venderam como escravo em Túnis, na África. Com grande humildade, o santo aceitou esta provação e sujeitou-se aos pesados trabalhos que lhe impuseram. Pela força de sua bondade e oração, conseguiu converter do islamismo ao cristianismo seu próprio patrão que o colocou em liberdade. Dois anos durou seu cativeiro e voltou para sua pátria com ânimo novo para colocar-se à disposição das misérias humanas.

 

É difícil sintetizar em poucas linhas a múltipla operosidade de São Vicente. Destaquemos, porém, algumas de suas iniciativas de maior relevância: a evangelização dos colonos, a reforma do clero, as obras assistenciais, a luta contra o jansenismo.

 

Pastor sensível aos problemas pastorais, deu-se com empenho à pregação nos meios rurais, onde grassava lamentável a ignorância religiosa. Com um grupo de colaboradores, instituiu a Congregação da Missão ou dos Lazaristas. Estes padres eram obrigados a emitir o voto especial de se consagrarem à evangelização dos pobres. Contudo, além das missões populares, tornaram-se beneméritos por sua obra de direção dos seminários para formação do clero.

 

Com Santa Luisa de Marillac, Vicente enfrenta o problema da miséria, fundando a sociedade das Filhas da Caridade, conhecidas popularmente como Irmãs Vicentinas. Com esta instituição, a caridade tão múltipla de São Vicente se tornou organizada. A Congregação Vicentina dedica-se ao serviço dos abandonados, dos órfãos, dos velhos, dos inválidos, das moças em perigo, dos doentes. Talvez seja esta a instituição cristã dedicada à pura prática da caridade de maior extensão na geografia e no tempo. As 37 mil Irmãs de Caridade que trabalham hoje em leprosários, orfanatos, hospitais, manicômios, escolas, asilos, etc. continuam a presença de São Vicente até ao dia de hoje.

 

O livre acesso de São Vicente nos palácios dos grandes foi-lhe de imensa ajuda no seu apostolado. Ele sabia tirar do rico para dar aos pobres, não pela força mas pela persuasão.

 

Por fim, não se pode avaliar o empenho de São Vicente em opor um dique à triste corrente espiritual de seu século, o jansenismo, que com seu rigorismo e pessimismo resfriava a espiritualidade católica. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

 

Dia do Idoso

 

Em outros países a data é comemorada no dia 1º de outubro, mas, no Brasil, a data é comemorada no dia 27 de setembro. O Dia Nacional do Idoso foi estabelecido em 1999 pela Comissão de Educação do Senado Federal e serve para refletir a respeito da situação do idoso no País, seus direitos e dificuldades. A velhice como é natural não é algo novo. A expectativa de vida tem aumentado no decorrer dos séculos, mas sempre houve pessoas idosas. Mesmo nos tempos bíblicos as pessoas mais velhas aparentemente enfrentavam a rejeição. Embora fosse reconhecido que a sabedoria crescia com a idade, é interessante notar que o salmista orou: “Não me desampares, pois ó Deus, até na minha velhice e que chegue os meus cabelos brancos”. Ele aparentemente sabia que os velhos são às vezes rejeitados. Mas devemos enfatizar que para milhões de pessoas esta é uma época feliz. Nem todos que tem mais de 65 anos são solitários, tem saúde, sentem tédio, são pobres ou explorados. É naturalmente verdade que muitas dificuldades surgem quando a idade vem chegando. Algumas vezes a pessoa idosa é respeitada pela sua sabedoria, mas na maioria das vezes é vista como uma figura tremula e tola- cujo o ponto de vista é reforçada pelas comédias na televisão. Não é de se surpreender por tanto, que muitas pessoas idosas ocultem a idade, procurando parecer que ainda estão na meia-idade e frequentemente se considerem de maneira negativa, perpetuando assim o estereótipo moderno de que “ser velho é ser feio”. No geral se supõe que a velhice comece entre os 60 a 65 anos. As pessoas, porém envelhecem em idade diferente, tanto física como psicologicamente. É importante então lembrar que pode haver grandes diferenças nas condições de saúde, atitudes, capacidade e aparência física. Alguns parecem velhos aos 40 anos enquanto outros se mostram jovens e vigorosos mesmo ao entrar na casa dos 80. A falta de respeito pelo idoso, a crescente ênfase sobre os adolescentes e jovens e a substituição de mão de obra pela tecnologia deixou milhares de pessoas de mais idade sem um papel a desempenhar na sociedade. Recebemos a ordem de honrar nossos pais para que sejamos de longa vida sobre a terra, (Efésios 6,2). A Bíblia, portanto, é realista em sua descrição sobre os problemas da velhice, positiva em sua atitude quanto ao valor da mesma e especifica em seus mandamentos sobre como devemos tratar os idosos. Fica perfeitamente claro que as pessoas de idade devem ser respeitadas, cuidadas e amadas como seres humanos, pois é mandamento. [pt.shvoong.com]

 

A caridade na Bíblia

Não deve ser confundida com o simples dar esmolas. No Antigo Testamento a caridade ao próximo se restringia, sobretudo ao povo israelita (cf. Lv 19,18; Eclo 12,1-17 e notas). A caridade, os carismas e a fé tornam os cristãos participantes da plenitude de Cristo (Ef 4,11-13; 1,17-19; 3,17-19; 4,10-13). A caridade é a plenitude de todas as virtudes (Rm 13,8-10; Ef 1,10; Cl 3,14). O zelo cristão é animado pela caridade e paciência (Tg 3,14-18; Lc 9,51-56; Mt 13,24-30.36-43). Gesto de caridade cristã (Rm 12,13; 1Tm 3,2; Tt 1,8; Hb 13,2; 1Pd 4,9; 3Jo 5-8). Paulo fala longamente na 1Cor 12–15 dos carismas, cuja importância foi muito grande para a difusão do cristianismo. Menciona, entre outros, os dons da sabedoria, da cura, dos milagres, da pregação e do ensino. O mais importante de todos é a caridade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É a instrução a melhor provisão de viagem para a paragem da velhice. (Sólon)