Segunda, 26 de dezembro de 2011

SANTO Estêvão (Diácono e protomártir), Ofício de Festa, 1ª do Saltério, Cor Vermelha

 

 

Santos: Arquelau da Mesopotâmia (bispo), Cristina de Markgate (eremita), Dionísio (papa), Marino de Roma (mártir), Tadeu de Wales (eremita), Teodoro de Roma (sacristão da Basílica de São Pedro), Zenão de Gaza (bispo), Zózimo (papa), André Dung Lac (mártir do Vietnam, bem-aventurado), Daniel de Villiers (monge, bem-aventurado), Margarida de Hohenfels (virgem, bem-aventurada), Pagano de Lecco (mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: As portas do céu abriram-se para santo Estevão, que foi o primeiro dentre os mártires e por isso coroado, triunfa no céu.

 

Oração: Ensinai-nos, ó Deus, a imitar o que celebramos, amando os nossos próprios inimigos, pois festejamos santo Estevão, vosso primeiro mártir, que soube rezar por seus perseguidores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Atos dos Apóstolos (At 6, 8-10; 7, 54-59)
 Prisão e martírio de Estevão

 

Naqueles dias, 8Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Mas alguns membros da chamada sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos, e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estevão. 10Porém, não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. 7,54Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estevão. 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56E disse: "Estou vendo o céu aberto, e o Filho do homem, de pé, à direita de Deus". 57Mas eles, dando grandes gritos e, tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estevão; 58arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estevão clamou dizendo: "Senhor Jesus, acolhe o meu espírito". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura
Estevão levado a julgamento

 

O novo chefe, Estevão, logo se viu em conflito com judeus de língua grega que não acreditavam em Cristo (6, 8-9). Não estavam à altura da sabedoria e do Espírito de Estevão (6,10), como Jesus prometera em Lc 21, 15. Compare-se o desafio a Jesus pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos, enquanto ele ensinava o povo no Templo (Lc 20,1). Estevão foi arrastado diante do Sinédrio, como Jesus na paixão. O relato do julgamento de Jesus em Lc 22, 66-71 omitira um incidente importante realçado em Mc 14, 55-61 e Mt 25, 59-63: a falsa acusação por testemunhas mentirosas de que Jesus dissera que destruiria o Templo.

 

Repleto do Espírito, Estevão dá testemunho de que viu Jesus ressuscitado com Deus na glória (7, 55-56). A referência aos céus abertos indica uma visão, como para Jesus em Lc 3,21-22 e Pedro em At 10,11. A referência de Estevão ao Filho do Homem, à destra de Deus (7,56) é o único uso de "Filho do Homem" no Novo Testamento que não está nos lábios de Jesus. Arrastar Estevão para fora da cidade e matá-lo faz paralelo com lançar Jesus fora de Nazaré em Lc 4, 29 e sua crucifixão do lado de fora de Jerusalém. Lucas traça também muitos outros paralelos. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 30(31), 3cd-4.6 e 8ab.16bc e 17(R/.6a)

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu Espírito

 

Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-me e conduzi-me!

 

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel! Vosso amor me faz saltar de alegria, pois olhastes para as minhas aflições.

Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor! Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 10, 17-22)

Nos tribunais o Espírito vos inspirará

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: 17"Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Vide Mc 13, 9-13 e Lc 21, 12-17

 

 

Comentário o Evangelho

Os percalços da missão

 

Os apóstolos foram alertados, sem subterfúgios, para a realidade da missão. A imagem das ovelhas convivendo com os lobos não dava margem para ilusões. Eles tinham de contar com o ódio, as perseguições e o martírio. Nada de aspirar honras e reconhecimento, mas sim, preparar-se para enfrentar tudo com muita coragem. 

 

Uma consolação para eles foi a promessa de não serem largados à própria sorte. Teriam a assistência do Espírito de Deus, mormente nos momentos mais dramáticos de testemunho, quando a perseguição se abatesse sobre eles. Nesta hora, não deveriam temer, pois o Espírito é quem falaria através deles. 

 

Em meio a tantos percalços, os apóstolos foram exortados à perseverança. Talvez fosse este o dom principal que deveriam pedir ao Espírito. Vítimas de perseguição prolongada, poderiam acabar cedendo às pressões e renunciar à missão recebida. Evidentemente, Jesus não exigia que se entrassem voluntariamente, nas mãos de seus carrascos. Isso seria insensatez! Quanto possível, deveriam fugir e se proteger. Mas sem abrir mão da missão. 

 

A missão apostólica tem uma dimensão escatológica. Se o apóstolo persevera firme, até o fim, pode estar certo de que receberá o prêmio da salvação. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas]

 

 

Oração da Assembléia (Liturgia Diária)

Recompensai, Senhor, os que lutam pela justiça e pela igualdade, vos pedimos. Senhor, atendei nossa prece.

Amparai as comunidades que passam por dificuldades, vos pedimos.

Fortalecei a fé das famílias que vivenciaram os mistérios natalinos, vos pedimos.

Daí alegria e perseverança a todos os diáconos, vos pedimos.

A exemplo de santo Estêvão, tornai-nos fortes e perseverantes, vos pedimos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, recebei de nossas mãos as oferendas que hoje apresentamos, comemorando com alegria o glorioso martírio de santo Estêvão. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Enquanto o apedrejavam, Estêvão dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. (At 7,58)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nós vos damos graças, ó Deus, por tanta bondade para conosco, pois nos salvais pelo natal do vosso Filho e nos alegrais com a festa de santo Estêvão. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Santo Estevão

Santo Estêvão, a quem a Sagrada Escritura chama de "homem cheio de fé e de Espírito Santo", foi o primeiro que teve a sorte de derramar seu sangue em testemunho da fé em Jesus Cristo. Esta circunstância fez com que fosse honrado com o título de protomártir.

 

Seu nome em grego significa "coroa", e evoca a idéia de martírio, porque nos séculos a seguir a coroa foi símbolo do martírio. Sua paixão é de fundamental importância porque não tem nada de fabuloso ou lendário. Ela é descrita com fidelidade histórica pelo livro inspirado, os Atos dos Apóstolos, que é a primeira história da Igreja. Este mesmo livro nos narra a eleição de Estêvão ao número dos diáconos, com estas palavras: "Como aumentasse o número dos discípulos de Cristo, surgiram murmurações entre os de origem hebraica e os gregos, porque no serviço cotidiano eram esquecidas as suas viúvas. Os apóstolos, então, convocaram a assembléia dos cristãos e disseram: 'Não nos convém abandonar a Palavra de Deus para servir à mesa. Procurai, antes, entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, repletos de Espírito Santo e sabedoria, e nós os colocaremos na direção deste ofício. Quanto a nós, permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da palavra". A proposta agradou a toda a assembléia, e foram escolhidos: Estêvão, homem cheio de fé e de Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Eles foram apresentados aos apóstolos e, depois de terem orado, impuseram-lhes as mãos" (cf. At 6,1-6).

 

Logo em seguida, o escritor sacro diz que Estêvão, cheio de graça e de força, operava grandes prodígios e sinais entre o povo. Vieram então alguns da sinagoga chamados libertos, dos cirenenses e alexandrinos, e puseram-se a discutir com Estêvão. Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava. Pelo que subornaram homens que atestassem: "Ouvimo-lo pronunciar blasfêmias contra Moisés e contra Deus". Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, chegando de improviso, arrebataram-no e levaram-no à presença do Sinédrio. Lá prepararam falsas testemunhas que depuseram: "Este homem não cessa de falar contra o lugar santo e contra a Lei. Ouvimo-lo dizer que Jesus Nazareno destruiria este lugar e modificaria as tradições que Moisés nos legou". Ora, todos os membros do Sinédrio estavam com os olhos fixos nele e viram-lhe o rosto semelhante ao de um anjo.

 

O sumo pontífice perguntou: "É isto exato?" Estêvão respondeu em longo e enérgico discurso dando prova da messianidade de Cristo conforme o testemunho dos profetas, começando por Moisés que falou dele. Em seguida verberou a incredulidade dos judeus, que chamou de homens de dura cerviz e de corações e ouvidos incircuncisos, e que sempre resistiram à voz do Espírito Santo. Terminou elevando os olhos para o alto e afirmando: "Eis que estou vendo os céus abertos, e o Filho do Homem sentado à direita de Deus" (At 7,56).

 

Então os acusadores, levantando um grande clamor, arremeteram unanimemente, com fúria, contra Estêvão e o apedrejaram. O livro sagrado nota que estava presente ao crime também Saulo, o futuro Paulo, apóstolo dos gentios, que guardava as vestes dos apedrejadores.

 

As últimas palavras do mártir Estêvão, durante o martírio, foram: "Senhor Jesus Cristo, recebe o meu espírito". E estando de joelhos, clamou em alta voz dizendo: "Senhor, não lhes imputes este pecado". Tendo dito isso, adormeceu no Senhor. Alguns cristãos piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grandes lamentações por causa dele.

 

Os Santos Padres tecem grandes elogios a Santo Estêvão, pondo em relevo sua pureza, zelo apostólico, firmeza e constância. Antes de tudo, porém, lhe enaltecem o amor ao próximo, verdadeiramente heróico, que o levou a rezar pelos próprios assassinos. Esta oração, com certeza, mereceu a conversão de São Paulo. Pois, no dizer de Santo Agostinho: "Se Estêvão não tivesse rezado, a Igreja não teria o grande São Paulo!" [O SANTO DO DIA, Don Servilio Conti,  ©Vozes, 1997]

 

 

Dá-me a sabedoria

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

É grande a movimentação do comércio neste tempo do Natal. São muitos os comentários a respeito da condição desnorteada de quem vende e de quem compra. Há quem até considere insuportável o “vai e vem” de multidões nas ruas, o barulho ensurdecedor nos shoppings e o aumento exagerado do desejo de comprar.

 

No meio de tudo isso, é verdade, está o gesto nobre e fraterno de presentar. Dar um presente é manifestação de amor, uma linguagem do coração reunindo razões, valores e sentimentos que sustentam a vida e expressam agradecimento. É um gesto que transforma. Derruba a soberba e abranda o vento terrível do orgulho que cega os olhares para a compaixão e a solidariedade.

 

Contudo, ainda mais nesta época do ano, é grande o risco de ser arrastado pela avalanche de novidades, que instiga um desejo descontrolado de ter mais e provoca a patologia de só ganhar e guardar pra si. O impulso e o desejo sem limites desfiguram a nobreza do presentear no tempo em que a humanidade celebra a oferta do maior presente que ela já recebeu: o Natal de Cristo, o Salvador do mundo.

 

Bem às vésperas do Natal, em meio a vozes, músicas, confraternizações e tantas coisas outras, vale o esforço de resgatar no fundo do coração o desejo da sabedoria. A celebração do Natal é oportunidade, na ação de graças e na alegria da festa, para conhecer mais. É oportuno ler, meditar e assumir a súplica na prece de Salomão pela sabedoria, como narra o livro homônimo no capítulo nove: “Ó Deus de meus pais antepassados, Senhor de misericórdia, que tudo fizeste com a tua Palavra e com tua sabedoria criaste o ser humano para dominar as criaturas que fizeste, para governar o mundo com santidade e justiça e exercer o julgamento com retidão de coração! Dá-me a sabedoria que se assenta contigo no teu trono e não me excluas do número de teus filhos. Pois sou teu servo, filho de tua serva, homem frágil e de vida breve, e incapaz de compreender a justiça e as leis. Por mais que alguém entre os mortais seja perfeito, se lhe faltar a tua sabedoria, será considerado como nada. Contigo está a sabedoria que conhece as tuas obras e que estava presente quando fazias o mundo; ela sabe o que é agradável aos teus olhos e o que é correto, conforme os teus preceitos. Manda-a dos teus sagrados céus e faze com que ela venha do teu Trono glorioso, para que me acompanhe e trabalhe comigo e eu saiba o que é agradável diante de ti. Pois ela tudo conhece e compreende, e me guiará com prudência em meus trabalhos, protegendo-me com a sua glória.”

 

Entre presentes incontáveis, recebidos e ofertados, o mais precioso é o dom da sabedoria, única dádiva cuja luminosidade esclarece o enigma da condição humana. O Natal é a revelação plena do diálogo de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E cada pessoa é convidada a participar deste diálogo. É nele que está a fonte da sabedoria

 

Natal é mais do que tempo de alvoroço. É o momento de fixar os olhos no menino Deus e escutar a sua voz, que amorosamente fecunda no coração da humanidade o chamamento interior para fazer o bem, e, consequentemente, evitar o mal. Compreende-se que a celebração do Natal é festa para acolher de coração o mais importante e completo presente dado à humanidade: Jesus Cristo. N’Ele, unicamente, está a fonte da sabedoria. Suplicar a graça de recebê-la e, de fato, possuí-la, no tempo do Natal, deve ser o mais importante desejo de todo coração humano.

 

Se o governante pedir sabedoria, seguindo exemplo de Salomão, poderá discernir prioridades, intuir empreendimentos novos e escolher o que mais conta no bem de todos. Se o parlamentar, de qualquer esfera, alcançar esse dom, não votará em causa própria. Ficará envergonhado de ganhar mais, no tempo do Natal, quando muitos ainda têm tão pouco. Com sabedoria, servirão com amor. Na família, os pais que buscarem a sabedoria conhecerão os caminhos que educam nos valores fundamentais. Essa sabedoria é remédio que cura a mesquinhez das disputas e o entender como natural tudo que é absurdo.

 

É Natal! Que todos almejem a sabedoria. No silêncio do coração, ou nas preces da comunidade, que se aproveite este tempo, fixando o olhar em Cristo, para suplicar-lhe o que é Ele mesmo: a sabedoria, caminho para refazer propósitos no sustento da vida cidadã. [CNBB]

 

Meus Deus, estou contente porque sois a minha luz nas trevas do caminho. (Henri de ourville)