Segunda, 25 de janeiro de 2010

Conversão de São Paulo, Ano C,  3ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica branca

 

 

Hoje: Dia dos Correios e Telégrafos; dia do Carteiro

 

Santos: Paulo de Tarso, Juventino (363, Antioquia, mártir), Apolo, Festa da Conversão de São Paulo, Maximino (363, Antioquia, mártir), Bretânio (Séc. IV dC, Ásia Menor, bispo), Prício (bispo), Popônio (1048 DC, abade).

 

Antífona: Sei em quem acreditei; e estou certo de que o justo juiz conservará a minha fé até o dia de sua vinda. (2Tm 1, 12; 4,8)

 

Oração: Ó Deus, que instruístes o mundo inteiro pela pregação do apóstolo São Paulo, dai-nos ao celebra hoje sua conversão, caminhar para vós seguindo seus exemplos, e ser no mundo testemunhas do Evangelho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Atos dos Apóstolos (At 22, 3-16)
Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te

dos teus pecados, invocando o nome de Jesus

 

Naqueles dias, Paulo disse ao povo: 3"Eu sou judeu, nascido em Tarso na Cilícia, mas fui criado aqui nesta cidade. Como fui discípulo de Gamaliel, fui instruído em todo o rigor da lei de nossos antepassados, tornando-me zeloso da causa de Deus, como acontece hoje convosco. 4Persegui até a morte os que seguiam este caminho, prendendo homens e mulheres e jogando-os na prisão. 5Disso são minhas testemunhas o sumo sacerdote e todo o conselho dos ancião. Eles deram-me cartas de recomendação para os irmãos de Damasco. Fui para lá, a fim de prender os que encontrasse e trazê-los para Jerusalém, a fim de serem castigados.

 

6Ora, aconteceu que, na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou sobre mim. 7Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?' 8Eu perguntei: 'Quem és tu, Senhor?' Ele respondeu: 'Eu sou Jesus, o nazareno, a quem tu estás perseguindo'. 9Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava. 10Então perguntei: 'Que devo fazer, Senhor?' O Senhor respondeu: 'Levanta-te e vai para Damasco. Ali te explicarão tudo o que deves fazer'. 11Como eu não podia enxergar, por causa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pelas mãos dos meus companheiros.

 

12Um certo Ananias, homem piedoso e fiel à lei, com boa reputação junto de todos os judeus que aí moravam, 13veio encontrar-me e disse: 'Saulo, meu irmão, recupera a vista!' No mesmo instante, recuperei a vista e pude vê-lo. 14Ele, então, me disse: 'O Deus de nossos antepassados escolheu-te para conhecerdes a sua vontade, veres o justo e ouvires a sua própria voz. 15Porque tu serás a sua testemunha diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste. 16E agora, o que estás esperando? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o nome dele!" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando At 22, 3-16

Paulo, apóstolo de Jesus para todos

Os versículos da liturgia integram o segundo dos três relatos da conversão de Paulo em Atos (9,1-9; 22,1-21; 26,12-23). Neste segundo relato apresentado por Lucas, Paulo tinha acabado de ser preso no templo de Jerusalém, após uma agitação provocada pelos judeus, que viam nele um adversário e afirmavam que ele desprezava o templo de Jerusalém e a Lei de Moisés. Estavam a ponto de matá-lo quando ele escapa da morte ao ser preso pelo tribuno romano. Levado à fortaleza, Paulo pede ao tribuno para se dirigir ao povo e profere, em pé, ao estilo dos oradores gregos, este segundo relato de sua conversão, que nada mais é que uma defesa da sua missão.

 

Ao recordar o episódio de Damasco, Paulo quer defender e justificar sua missão como verdadeiro apostolado, já que também é apóstolo como os que tinham vivido com Jesus e aprendido diretamente dele. Na experiência da estrada de Damasco, de fato, Paulo vê e ouve o próprio Jesus ressuscitado, que o envia em missão.


Em seu discurso, começa recordando sua condição de judeu de nascimento e educação, bem como seu zelo por Deus. Zelo que o faz perseguir os cristãos com o incentivo e a autorização das autoridades judaicas (as mesmas que agora o queriam matar). Em meio à obstinação de “perseguir mortalmente o Caminho” (v. 4), estando para chegar a Damasco, Paulo é sacudido por uma experiência mística, quando a luz do sol do meio-dia é eclipsada por grande luz vinda do céu. Caindo por terra, ouve a voz de Jesus, que o faz pensar sobre o motivo de sua obstinação em persegui-lo. Uma pergunta, aliás, que já afirmava que perseguir os cristãos, significava perseguir o próprio Jesus: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (v. 7). Ao identificar a voz como a de Jesus, Paulo toma a atitude típica dos vocacionados que se põem à disposição: “Senhor, o que devo fazer?” (v. 10). É obedecendo à ordem de Jesus que se dirige a Damasco, ajudado por seus companheiros de viagem, pois a visão da luz celeste o havia deixado cego.


Aos que o acusam em Jerusalém de abandonar o templo e a Lei, Paulo recorda que foi pelas mãos de Ananias, um judeu piedoso e fiel à Lei, que ele recuperara a visão. E foi por meio de Ananias, também, que lhe viera a afirmação de seu apostolado: “O Deus de nossos antepassados o destinou a conhecer a sua vontade, a ver o Justo e a ouvir a sua própria voz” (v. 14). Paulo é verdadeiro apóstolo que viu e conversou com o Senhor e recebeu dele a missão universal de ser a “testemunha de todas as coisas que viu e ouviu, diante de todos os homens” (v. 15).


O que exatamente aconteceu no episódio de Damasco, não o sabemos diretamente do próprio Paulo, pois ele nada escreveu a esse respeito em suas cartas. Quando Lucas, nos Atos, apresenta Paulo recordando por três vezes esse episódio, certamente quer defender o apóstolo daqueles que o acusavam de querer acabar com as tradições judaicas. O que aconteceu em Damasco, em todo caso, tem que ver com toda uma vida de zelo, dedicada ao “Deus dos antepassados”, o Deus da Lei, do templo e do povo judeu. Por isso, em vez de “conversão”, muitos preferem falar de “vocação” de Paulo, pois ele não deixou uma religião para seguir outra, nem sequer vivia sem orientação ou sem religião antes de passar a seguir Jesus. Paulo era judeu fervoroso e fiel e, exatamente por isso, compreendeu que seu zelo, levado às últimas consequências, o direcionava ao seguimento de Jesus, o Senhor que veio libertar da Lei e estender as fronteiras do povo escolhido para toda a humanidade. Por isso o episódio remete, simbolicamente, ao cair por terra e à cegueira como um processo: Paulo precisa deixar cair as ideias prontas, o pensamento único, os preconceitos, precisa cair por terra com toda a sua formação e atitude farisaica, precisa passar pela cegueira de não conseguir compreender com clareza as coisas, para depois, deixando-se guiar por outros, recuperar a visão e ver claramente um Justo e Inocente que havia sido crucificado, mas estava vivo, ressuscitado em meio às comunidades dos seguidores. Caindo e ficando cego, Paulo recupera a vista, e a perseguição dos cristãos se transforma em anúncio do Ressuscitado a todos os povos.


Neste seu discurso, ao recordar o acontecimento fundamental para sua vocação, Paulo atesta a todos os ouvintes o verdadeiro sentido da sua missão: ele é o apóstolo que Jesus ressuscitado envia a todos, também aos pagãos. O apóstolo que, com a mesma obstinação e coragem de fariseu que perseguia os cristãos, permitirá ao cristianismo romper as barreiras do mundo judaico.


O que define, portanto, toda a missão apostólica de Paulo é a experiência pessoal que ele faz de Jesus ressuscitado. Experiência que se narra no episódio de Damasco, mas, como processo de conversão, de compreensão da vida e da missão de Jesus, vai transformando Paulo ao longo de todos os anos subsequentes de sua vida. Experiência cujos frutos ele vai colhendo e distribuindo, por meio de seu apostolado, a todas as nações. Experiência direta de Jesus e missão que o próprio Paulo recorda, escrevendo aos Gálatas: “O evangelho anunciado por mim não é segundo os homens, porque não o recebi nem aprendi de nenhum homem, mas por revelação de Jesus Cristo” (Gl 1,11-12). (Fonte: VIDA PASTORAL nº 264, Paulus)

 

Leitura alternativa: At 9, 1-22 (Conversão de Paulo) cujo texto também será visto na sexta-feira (23/04/2010) na III Semana da Páscoa

 

 

Salmo: 116(117), 1.2 (+ Mc 16,15) 
Ide, por todo o mundo, a todos pregai o evangelho

 

1Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

2Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

 

Evangelho: Marcos  (Mc 16, 15-18)

Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho

 

Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados" Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

A missão de Jesus é a missão dos fiéis para todos


Os versículos da liturgia de hoje pertencem ao bloco final do Evangelho de Marcos (16,9-20), bloco esse que é uma segunda conclusão, acrescentada posteriormente. A conclusão original (16,1-8) era desconcertante, com o medo e o silêncio das mulheres diante da ordem que lhes é transmitida, de anunciar aos discípulos que voltem à Galileia para encontrar Jesus ressuscitado. Entre as várias conclusões que foram aparecendo para encerrar adequadamente o Evangelho de Marcos, uma, escrita antes da metade do século II, harmonizava perfeitamente com todo o evangelho, sintetizando as narrativas dos outros evangelhos, sobretudo Lucas e João. Este final, ainda que acrescentado posteriormente, é reconhecido oficialmente pela Igreja, desde o Concílio de Trento (1546), como inspirado e canônico.


Na conclusão tardia, temos três aparições de Jesus: a primeira a Maria Madalena, a segunda a dois dos discípulos e a terceira aos onze discípulos. Os versículos da liturgia apresentam Jesus enviando os discípulos para uma missão, bem como os frutos e os sinais da ação evangelizadora.


No final original do evangelho, os discípulos já tinham sido convidados a retornar à Galileia, ou seja, ao local do início da atividade missionária de Jesus. Ali os discípulos encontrariam Jesus ressuscitado, para recomeçar com ele o caminho do discipulado. A proposta do segundo final de Marcos é que, após voltar à Galileia e encontrar Jesus ressuscitado, os discípulos recomecem sua missão, mas de modo universal, eliminando barreiras geográficas, nacionais, religiosas ou de raça: “Ide por todo o mundo, proclamando a boa notícia a toda a humanidade” (v. 15). Assim, o envio que Jesus faz retoma o processo de iniciação cristã das primeiras comunidades: proclamação da mensagem de Jesus, maturação da fé e ingresso na comunidade pelo batismo. Os discípulos, portanto, têm a missão de proclamar a todo o mundo a boa notícia que é Jesus e sua missão. O resultado desse anúncio é a fé, que leva à salvação: é conhecendo Jesus e sua missão que outros podem acreditar e orientar a própria vida, inserindo-se, pelo batismo, na comunidade dos seguidores.


Jesus envia os discípulos, portanto, a uma atividade missionária: uma missão que vai formando comunidades de seguidores, que continuam na História a ação libertadora e salvadora de Jesus. Uma missão que se propõe gratuitamente ao mundo, como testemunho de vida, e não uma imposição que condena. Quem se condena são as próprias pessoas que, ao conhecerem a vida e a missão de Jesus, não as reconhecem como liberdade, vida e salvação, e não se comprometem com os valores do evangelho. Não crer, ademais, não é simplesmente ignorar a mensagem do evangelho, mas fazer-lhe resistência ativa.


Os vv. 17-18 falam de cinco sinais que acompanharão os que acreditarem. O primeiro e segundo sinais (expulsar demônios em nome de Jesus e falar novas línguas) indicam que a missão dos discípulos continua e atualiza a missão libertadora do mestre (o primeiro milagre de Jesus em Mc é a expulsão de um espírito mau, em 1,21-28), criando nova forma de se relacionar e se comunicar. Quando, pela ação dos discípulos, as pessoas são resgatadas na sua dignidade de filhas e filhos de Deus, quando se expulsa delas tudo o que as aliena, paralisa e impede de agir em primeira pessoa, de andar com as próprias pernas e agir com as próprias mãos, então o próprio Jesus está agindo, também nas comunidades de todo o mundo, que se entendem mesmo falando línguas diferentes, baseadas e renovadas que estão no amor.


O terceiro e quarto sinais (pegar serpentes e beber veneno sem sofrer nenhum mal) indicam que a missão dos seguidores traz desafios e conflitos: os discípulos sofrerão perigos, oposições, investidas perigosas e inesperadas (serpentes), bem como oposição aberta e mortal (representada pela tentativa de envenenamento). Com esses sinais, Jesus garante aos fiéis que o Pai continuará agindo em favor deles em meio aos conflitos, tal como agiu acompanhando o Filho, que, aliás, teve a morte decretada já no início do evangelho (3,6). O quinto sinal (imposição das mãos e cura dos doentes), por fim, reforça que a ação dos fiéis continua a ação libertadora de Jesus. Como Jesus curou os doentes, os seguidores têm a missão de trabalhar pela saúde física e psíquica de todos, agindo em favor de estruturas que favoreçam o saneamento básico, o acesso aos serviços de saúde, à educação e, em termos gerais, a condições de vida digna para todos
. (Fonte: VIDA PASTORAL nº 264, Paulus)

 

A gente coloca as cartas na caixa do correio com certa

inveja das viagens que farão. (Eno Teodoro Wanke)

 

 

 

Nós geralmente descobrimos o que fazer percebendo aquilo que não devemos fazer.

 E provavelmente aquele que nunca cometeu um erro nunca fez uma descoberta. (Samuel Smiles)