Segunda, 22 de novembro de 2010

Santa Cecília (Virgem e Mártir), Memória, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Vermelha

 

 

Hoje: Dia da Música e Dia do Músico

 

Santos: Marcos e Estêvão (mártires de Antioquia da Pisídia), Filêmon e Apia (a Filêmon São Paulo escreveu a mais breve de suas cartas; mártires), Leonardo Kimura e Companheiros (mártires do Japão), Mauro de Roma (mártir), Pragmácio de Autun (bispo), Saviniano de Ménat (abade), Tigrídia de Oña (abadessa), Bento de Ponte (dominicano, bem-aventurado), Cristiano de Auxérre (bispo, bem-aventurado), Eugênia de Matera (abadessa, bem-aventurada), Salvador Lilli (franciscano, bem-aventurado)

 

Antífona: Louvem as virgens o nome do Senhor, porque só ele é excelso; sua glória excede a terra e o céu. (Sl 148, 12ss)

 

Oração: Ó Deus, sede favorável às nossas súplicas e dignai-vos atender as nossas preces pela intercessão de santa Cecília. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Apocalipse (Ap 14, 1-3.4b-5)
O cordeiro estava de pé sobre o monte de Sião

 

Eu, João, 1tive esta visão: O Cordeiro estava de pé sobre o monte de Sião. Com ele, os cento e quarenta e quatro mil que tinham a fronte marcada com o nome dele e o nome do seu Pai. 2Ouvi uma voz que vinha do céu; parecia o barulho de águas torrenciais e o estrondo de um forte trovão. O ruído que ouvi era como ó som de músicos tocando harpa. 3Estavam diante do trono, diante dos quatro Seres vivos e dos Anciãos, e cantavam um cântico novo. Era um cântico que ninguém podia aprender; só os cento e quarenta e quatro mil marcados, que foram resgatados da terra. 4bEles seguem o Cordeiro aonde quer que vá. Foram resgatados do meio dos homens, como primeira oferta a Deus e ao Cordeiro. 5Na sua boca nunca foi encontrada mentira. São íntegros! Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Tinham a fronte marcada com o nome de Cristo e do seu Pai

 

Os salvos, aqui em número simbólico, celebram uma liturgia celeste diante do Cordeiro. Eles não se contaminaram amando o mundo que se opõe a Cristo. Trazem impressos na fronte os nomes de Cristo e do Pai, ou seja, a marca batismal. O cântico é a sinfonia da caridade, segundo a palavra de Inácio de Antioquia: "Deveis formar um só corpo, recebendo de Deus o sinal...; ele reconhecerá por vossas obras que sois o Cântico de seu Filho". Essa liturgia celeste é já um desenvolvimento. Não a imobilidade, mas poderoso dinamismo anima a vida eterna. Desde já os remidos caminham em seguimento do Cordeiro, que aparece em contínuo movimento: é o movimento de Deus. Cristo é quem leva a humanidade a descobrir as maravilhas sempre novas do amor em seu reino. Santo Agostinho nos exorta: "Desde agora, irmãos, prestemos atenção aos cânticos da cidade (de Deus) de que somos cidadãos". [Missal Cotidiano, Paulus]

 

 

Salmo Responsorial: 23 (24),  1-2.3-4ab.5-6 (R/.cf.6)  
É assim que a geração dos que buscam

vossa face, ó Senhor, Deus de Israel

 

1Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; 2porque ele a tomou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

 

3"Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?" 4a"Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime.

 

5Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador". "E assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face".

Evangelho: Lucas (Lc 21, 1-4)
Oferta da viúva pobre

 

Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos e viu pessoas ricas depositando ofertas no tesouro do Templo. 2Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas. 3Diante disso, ele disse: "Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. 4Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver". Palavra da Salvação!

Leitura paralela: Mc 12, 41-44

 

 

Comentando o Evangelho

Um modo diferente de avaliar

 

O templo de Jerusalém tornara-se lugar de altas transações econômicas, tendo-se transformado numa espécie de banco central do país. Os ricos tornaram-no lugar de exibição de poder, competindo entre si e pensando valer mais que os pobres. Na prática, comportavam-se como ateus, sob capa de piedosos, pois o deus deles nada tinha a ver com o verdadeiro Deus de Israel.

 

A observação de Jesus, contemplando as atividades em torno da caixa de ofertas do templo, corresponde ao modo divino de considerar aquela situação. Enganava-se quem pensava poder "comprar" o beneplácito divino, fazendo ofertas vultosas. Deus considera a qualidade da oferta e não sua quantidade; a disposição do coração, não o exibicionismo exterior; o grau de desapego dos bens deste mundo, não a busca inútil de aplausos.

 

Por isso, a oferta da pobre viúva - duas moedinhas sem muito valor -, aos olhos de Deus valeu mais que as grandes quantias depositadas pelos ricos. Enquanto estes ofereciam de seu supérfluo, a viúva partilhava com Deus, o pouco de sua indigência, o que lhe restava para viver. Seu coração desapegado e sua total confiança na providência divina deram á sua oferta uma consistência tal que a fez superar a esmola dos ricos. Diferentemente destes, entregara tudo o que tinha a Deus, pois dele esperava tudo. Os bens deste mundo não eram suficientes para oferecer-lhe segurança. Sabia existir alguém maior em quem se apegar! [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

 

Para Sua Reflexão:

A cena das oferendas que eram lançadas no cofre do templo pelos ricos, em contraste com o que depositou a viúva, que era o único que tinha, serve também a Jesus para ilustrar outro aspecto mais das relações que devem surgir na nova sociedade inaugurada pelo reino. Já não é o valioso, o aparentemente grande nem o poderoso a medida para julgar a nova sociedade, e sim o desprendimento, a generosidade e, sobretudo, a fé e a convicção de que entregando tudo pelo reino, isto é, por um modo de vida solidário, fraterno e igualitário, ninguém ficará na realidade desprovido nem desprotegido. [Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria]

 

Santa Celília

 

 

 

"Santa Cecília nasceu no princípio do século III de uma das mais gloriosas e ilustres famílias de Roma, conhecida por Gens Cecília, cuja linhagem provém do tempo da República. São desconhecidos os nomes de seus pais que se julga serem cristãos. Comemora-se o dia de Santa Cecília no Dia 22 de Novembro. Santa Cecília é considerada a padroeira dos músicos."



Advento

Do Latim ad-venio significa chegar. Conforme o uso atual [1910], o Advento é um tempo litúrgico que começa no Domingo mais próximo à festa de Santo André Apóstolo (30 de Novembro) e abarca quatro Domingos. O primeiro Domingo pode ser adiantado até 27 de Novembro, e então o Advento tem vinte e oito dias, ou atrasar-se até o dia 3 de Dezembro, tendo somente vinte e um dias. Com o Advento começa o ano eclesiástico nas Igrejas ocidentais. Durante este tempo, os fiéis são exortados a se prepararam dignamente para celebrar o aniversário da vinda do Senhor ao mundo como a encarnação do Deus de amor, de maneira que suas almas sejam moradas adequadas ao Redentor que vem através da Sagrada Comunhão e da graça, e em consequência estejam preparadas para sua vinda final como juiz, na morte e no fim do mundo.

 

Simbolismo

A Igreja prepara a Liturgia neste tempo para alcançar este fim. Na oração oficial, o Breviário, no Invitatório das Matinas, chama a seus ministros a adorar "ao Rei que vem, ao Senhor que se aproxima", "ao Senhor que está próximo", "ao que amanhã contemplareis sua glória". Como Primeira Leitura do Ofício de Leitura introduz capítulos do profeta Isaías, que falam em termos depreciativos da gratidão da casa de Israel, o filho escolhido que abandonou e esqueceu seu Pai; que anunciam o Varão de Dores ferido pelos pecados de seu povo; que descrevem fielmente a paixão e morte do Redentor que vem e sua glória final; que anunciam a congregação dos Gentis em torno ao Monte Santo. As Segundas Leituras do Ofício de Leitura em três Domingos são tomadas da oitava homilia do Papa São Leão (440-461) sobre o jejum e a esmola, como preparação para a vinda do Senhor, e em um dos Domingos (o segundo) do comentário de São Jerônimo sobre Isaías 11,1, cujo texto ele interpreta referido a Santa Maria Virgem como "a renovação do tronco de Jessé". Nos hinos do tempo encontramos louvores à vinda de Cristo como Redentor, o Criador do universo, combinados com súplicas ao juiz do mundo que vem para proteger-nos do inimigo. Similares idéias são expressadas nos últimos sete dias anteriores à Vigília de Natal nas antífonas do Magnificat. Nelas, a Igreja pede à Sabedoria Divina que nos mostre o caminho da salvação; à Chave de Davi que nos livre do cativeiro; ao Sol que nasce do alto que venha a iluminar nossas trevas e sombras de morte etc. Nas Missas é mostrada a intenção da Igreja na escolha das Epístolas e Evangelhos. Nas Epístolas é exortado ao fiel que, dada a proximidade do Redentor, deixe as atividades das trevas e se vista com as armas da luz; que se conduza como em pleno dia, com dignidade, e vestido do Senhor Jesus Cristo; mostra como as nações são chamadas a louvar o nome do Senhor; convida a estar alegres na proximidade do Senhor, de maneira que a paz de Deus, que ultrapassa todo juízo, custodie os corações e pensamentos em Cristo Jesus; exorte a não julgar, a deixar que venha o Senhor, que manifestará os segredos escondidos nos corações. Nos Evangelhos, a Igreja fala do Senhor, que vem em sua glória; dAquele no qual e através do qual as profecias são cumpridas; do Guia Eterno em meio aos Judeus; da voz no deserto, "Preparai o caminho do Senhor". A Igreja em sua Liturgia nos devolve no espírito ao tempo anterior à encarnação do Filho de Deus, como se ainda não tivesse ocorrido. O Cardeal Wiseman disse: estamos não somente exortados a tirar proveito do bendito acontecimento, como também a suspirar diariamente como nossos antigos pais, "Gotejai, ó céus, lá do alto, derramem as nuvens a justiça, abra-se a terra e brote a salvação". As Coletas nos três dos quatro Domingos deste tempo começam com as palavras, "Senhor, mostra teu poder e vem" - como se o temor a nossas iniquidades previsse seu nascimento.

 

Duração e Ritual

Todos os dias de Advento devem ser celebrados no Ofício e Missa do Domingo ou Festa correspondente, ou ao menos deve ser feita uma Comemoração dos mesmos, independentemente do grau da festa celebrada. No Ofício Divino o Te Deum, jubiloso hino de louvor e ação de graças, se omite; na Missa o Glória in excelsis não se diz. O Alleluia, entretanto, se mantém. Durante este tempo não pode ser feita a solenização do matrimonio (Missa e Bênção Nupcial); incluindo na proibição a festa da Epifania. O celebrante e os ministros consagrados usam vestes violeta. O diácono e subdiácono na Missa, no lugar das túnicas usadas normalmente, levam casulas com pregas. O subdiácono a tira durante a leitura da Epístola, e o diácono a muda por outra, ou por uma estola mais larga, posta sobre o ombro esquerdo entre o canto do Evangelho e a Comunhão. Faz-se uma exceção no terceiro Domingo (Domingo Gaudete), no qual as vestes podem ser rosa, ou de um violeta enriquecido; os ministros consagrados podem neste Domingo vestir túnicas, que também podem ser usadas na Vigília do Natal, ainda que fosse no quarto Domingo de Advento. O Papa Inocêncio III (1198-1216) estabeleceu o negro como a cor a ser usada durante o Advento, mas o violeta já estava em uso ao final do século treze. Binterim diz que havia também uma lei pela qual as pinturas deviam ser cobertas durante o Advento. As flores e as relíquias de Santos não deviam ser colocadas sobre os altares durante o Ofício e as Missas deste tempo, exceto no terceiro Domingo; e a mesma proibição e exceção existia relacionada com o uso do órgão. A idéia popular de que as quatro semanas de Advento simbolizam os quatro mil anos de trevas nas quais o mundo estava envolvido antes da vinda de Cristo não encontra confirmação na Liturgia.

 

Origem Histórica

Não pode ser determinada com exatidão quando foi pela primeira vez introduzida na Igreja a celebração do Advento. A preparação para a festa de Natal não deve ser anterior à existência da própria festa, e desta não encontramos evidência antes do final do século quarto quando, de acordo com Duchesne [Christian Worship (London, 1904), 260], era celebrada em toda a Igreja, por alguns no dia 25 de Dezembro, por outros em 6 de Janeiro. De tal preparação lemos nas Atas de um sínodo de Zaragoza em 380, cujo quarto cânon prescreve que desde dezessete de Dezembro até a festa da Epifania ninguém devesse permitir a ausência da igreja. Temos duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas "In Adventu Domini", mas não fazem referência a nenhum tempo especial. O título pode ser a adição de um copista. Existem algumas homilias, provavelmente a maior parte de São Cesáreo, Bispo de Arles (502-542), nas quais encontramos menção de uma preparação antes do Natal; todavia, a julgar pelo contexto, não parece que exista nenhuma lei geral sobre a matéria. Um sínodo desenvolvido (581) em Macon, na Gália, em seu nono cânon, ordena que desde o dia onze de Novembro até o Natal o Sacrifício seja oferecido de acordo ao rito Quaresmal nas Segundas, Quartas e Sextas-feiras da semana. O Sacramentário Gelasiano anota cinco domingos para o tempo; estes cinco eram reduzidos a quatro pelo Papa São Gregório VII (1073-85). A coleção de homilias de São Gregório o Grande (590-604) começa com um sermão para o segundo Domingo de Advento. No ano 650, o Advento era celebrado na Espanha com cinco Domingos. Vários sínodos fizeram cânones sobre os jejuns a observar durante este tempo, alguns começavam no dia onze de Novembro, outros no quinze, e outros com o equinócio de outono. Outros sínodos proibiam a celebração do matrimônio. Na Igreja Grega não encontramos documentos sobre a observância do Advento até o século oitavo. São Teodoro, o Estudita (m. 826), que falou das festas e jejuns celebrados comumente pelos Gregos, não faz menção deste tempo. No século oitavo encontramos que, desde o dia 15 de Novembro até o Natal, é observado não como uma celebração litúrgica, mas como um tempo de jejum e abstinência que, de acordo com Goar, foi posteriormente reduzido a sete dias. Mas um concílio dos Rutenianos (1720) ordenava o jejum de acordo com a velha regra desde o quinze de Novembro. Esta é a regra ao menos para alguns dos Gregos. De maneira similar, os ritos Ambrosiano e Moçárabe não têm liturgia especial para o Advento, mas somente o jejum. [www.enciclopediacatolica.com]

 

 

 

Partilhar é o gesto sem cálculo de duas mãos abertas que não sabem mais se dão ou recebem. [D. Ecchegaray]