Segunda, 20 de abril de 2009
Segunda Semana da Páscoa, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca
Cristo, ressuscitado dos motos, já não morre; a morte não tem mais poder sobre ele, aleluia! (Rm 6, 9)
Hoje: Dia do Diplomata
Santos: Marcelino de Ambrun (bispo), Marciano (ou Mariano), Caedwalla, Hugo de Anzy (beato), Hildegunda (virgem), Inês de Montepulciano (virgem), Simão de Todi (beato), Tiago Bell (beato, mártir), João Finch (beato, mártir), Roberto Watkinson (beato), Francisco Page (beato, mártir), Antonino, Sulpício, Ângelo de Chiavasso (bem aventurado confessor franciscano da 1ª ordem)
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos para alcançarmos a herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
Leitura: Atos (At 4,
23-31)
Cheios
do Espírito Santo, anunciavam a Palavra de Deus
Naqueles dias, 23logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para junto dos irmãos e contaram tudo o que os sumos sacerdotes e os anciãos haviam dito. 24Ao ouvirem o relato, todos eles elevaram a voz a Deus, dizendo: "Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 25Por meio do Espírito Santo, disseste através do teu servo Davi, nosso pai: 'Por que se enfureceram as nações, e os povos imaginaram coisas vás? 26Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu messias'.
27Foi assim que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se com os pagãos e o povo de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste, 28a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade haviam predeterminado que sucedesse. 29Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. 30Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus". 31Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. Palavra do Senhor!
Comentando a Leitura[1]
Todos ficaram cheios do Espírito Santo
A comunidade cristã acolhe com a oração Pedro e João postos em liberdade. Uma oração que revela a consciência que a comunidade tem de si mesma. Encontramos aqui uma norma perene para a Igreja: os acontecimentos da comunidade são interpretados e iluminados pela Palavra de Deus, que é “lida circularmente” e compreendida à luz da vida e da fé dos crentes. Como a comunidade primitiva, também nós devemos “crer” que em nossa existência e na de nossas comunidades se repete o destino de Jesus. A prece inspirada no Salmo 2 é modelo de toda prece cristã. Nela não se dá uma “evasão” do mundo em busca de um contato com o divino, porém à luz da palavra se lê a própria existência e se procura força e coragem para uma vida de testemunho.
Salmo: 2, 1-3. 4-6. 7-9 (+.cf. 12d)
Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor
Por que os povos agitados se revoltam? Por que tramam as nações projetos vãos? Por que os reis de toda a terra se reúnem, e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu ungido? 'Vamos quebrar suas correntes", dizem eles, "e lançar longe de nós o seu domínio!"
Ri-se deles o que mora lá nos céus; zomba deles o Senhor onipotente. Ele, então, em sua ira os ameaça, e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: "Fui eu mesmo que escolhi este meu rei, e em Sião, meu monte santo, o consagrei!"
O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los, e quebrá-los como vaso de argila!"
Evangelho: João (Jo 3, 1-8)
Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito
1Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: "Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele". 3Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o reino de Deus".
4Nicodemos disse: "Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?" 5Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". 6Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7Não te admires por eu haver dito: "Vós deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito". Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
Nascer do Espírito
Nicodemos representa uma categoria de pessoas que se aproximam de Jesus com o desejo de conhecê-lo e de se fazer discípulo dele. Num primeiro momento, a aproximação acontece no escondimento. Por isso, ele vem falar com Jesus na calada da noite, para não ser flagrado por nenhum de seus companheiros, com o risco de se tornar objeto de zombaria e perseguição.
De início, uma simples admiração pelo Mestre, e um desejo sincero de ouvir-lhe
os seus ensinamentos. Quando, porém, se põe a ouvi-lo, começa a descobrir o
longo caminho que deverá percorrer até sintonizar com o Mestre. O diálogo entre
Jesus e Nicodemos é cheio de mal-entendidos. Assim, quando o Mestre lhe afirma
a necessidade de "nascer de novo", ou "nascer do alto",
Nicodemos entende isso no sentido superficial, imaginando deve voltar ao ventre
materno e retomar a vida a partir daí.
O discipulado exigia do discípulo secreto nascer do Espírito. O que significa
isto, na prática? Jesus propunha a Nicodemos romper os laços que o ligavam à
sinagoga, para aderir, de todo coração, à comunidade cristã. Em outras
palavras, deveria renunciar à sua condição de fariseu e de alto dignitário dos
judeus, e confessar-se abertamente discípulo de Jesus. Esta opção resultaria em
desprezo e perseguição por parte de seus antigos correligionários. Seria
necessário começar uma vida nova, na pobreza e no despojamento, e confiar
totalmente, apenas, em Deus. Isto seria nascer de novo!
São Teodoro[3]
O significado de seu nome, "dom de Deus", tem tudo a ver com os talentos especiais que Teodoro demonstrou durante toda a vida. O religioso, nascido na segunda metade do século VI na Galícia, hoje França, desde pequeno demonstrou ter realmente vindo ao mundo para a edificação da Igreja, terminando seus dias como instrumento dos prodígios e graças que brotavam à sua volta.
Diz a tradição que, já aos oito anos, procurava lugares escondidos e solitários
para rezar. Depois, quando adolescente, chegou a cavar uma gruta na capela de
São Jorge, especialmente para ali entregar-se à oração e a contemplação.
É preciso esclarecer que, além de tudo, seus pais pediram para o filho a
proteção de são Jorge desde o instante do seu nascimento, pois sua mãe teve um
parto muito difícil. Teodoro foi agradecido ao santo, que tinha como padrinho,
pelo resto de seus dias.
Todavia seus pais também não esperavam que ele se dedicasse tanto assim à
religião e se preocupavam, pois ele era muito diferente dos outros meninos da
sua idade, principalmente por ter cavado "sua" caverna na capela.
Dizem os devotos que o próprio são Jorge apareceu num sonho a sua mãe, para que
ficasse tranqüila quanto ao futuro de Teodoro. Logo depois alguns prodígios e
graças começaram a acontecer na gruta, pois que, em pouco tempo, todos os dias,
grande parte dos moradores locais eram atraídos para lá.
Teodoro ainda não tinha idade para isso, mas o bispo da cidade vizinha de
Anastasiópolis assumiu a tutela do rapaz e o ordenou sacerdote. E mal voltou
para sua cidade natal, o povo o elegeu bispo. No cargo ele permaneceu por dez
anos, quando abandonou tudo e voltou à sua vida solitária de penitência e
oração contemplativa.
Novamente as graças passaram a fazer parte do cotidiano da gruta de Teodoro,
onde grandes multidões o procuravam. Teodoro ali ficou até o dia 20 de abril de
613, quando morreu. Sua festa é muito celebrada pelos católicos do mundo todo,
especialmente na França, Alemanha e entre os cristãos de língua eslava.
Anotações para o tempo pascal
1. Nos dias de semana, não se permitem Missas para diversas necessidades, votivas ou cotidianas para defuntos, a não ser que a necessidade pastoral o exija. Permitem-se, porém, as Missas das memórias que ocorrem, ou dos santos inscritos no Martirológio em cada dia.
2. Nas Missas se acrescenta um aleluia às antífonas da Entrada e da Comunhão, a não ser que já exista.
3. No Ofício, o aleluia é acrescentado só onde e do modo como é indicado.
4. No Ofício dos Santos (especialmente no Comum dos Apóstolos e dos Mártires), há partes próprias para esse tempo.
5. Nas Missas toma-se sempre um dos Prefácios da Páscoa: a não ser que haja Prefácio próprio ou se tome uma Oração eucarística com seu Prefácio.
Nota: No Missal, as Missas dos dias de semana do TPasc se acham depois de Pentecostes, distribuídas em semanas de número par e ímpar, com coleta própria para cada dia.