Segunda, 19 de janeiro de 2009
Segunda Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)
Santos do Dia: Mário (Séc.III, DC, mártir), Júlio, Germânico (156), Bassiano (413 DC, bispo, Itália), Canuto (1086, rei da Dinamarca, mártir), Wulstano (1095 DC, bispo, Inglaterra), Gumersindo (presbítero), Audifaz (mártir), Gerôncio (mártir), Germana (mártir), Pia (mártir)
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Hebreus (Hb 5, 1-10)
Deus conta com o humano para levar adiante o seu projeto
1Todo sumo-sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. 2Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele esmo está cercado de fraqueza. 3Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto pelo seus próprios. 4Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão.
5Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo-sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. 6Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”. 7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. 10De fato, ele foi por Deus proclamado sumo-sacerdote na ordem de Melquisedec. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Mesmo sendo filho, aprendeu o que significa a obediência
A consideração do sacerdócio de Cristo nos leva a refletir sobre o sacerdócio católico. A atenção aos problemas do mundo em que vivemos, a exigência de engajamento na vida social e política, a alegria do que é “sagrado” desviaram a atenção daquilo que constitui a substância do sacerdócio, segundo o modelo que a Escritura nos apresenta em Cristo. Daí as características essenciais de todo sacerdote: deve ser verdadeiro homem (v.1), que vive em plenitude a sua vida de homem, que colabora com os outros na construção de um mundo cada vez mais digno dos homens; deve ser escolhido por Deus para um dever específico (v.4), não tanto para uma dignidade quanto para um ministério; deve estar pronto a dar-se ao serviço para que foi escolhido, como Cristo (v.8)
Cada cristão, consciente da grandeza da função a que são chamados os sacerdotes, e também de sua fraqueza e pobreza como homens que são, sentir-se-á solidário com eles na comum vocação cristã e na construção da comunidade da nova aliança.
Salmo: 109 (110), 1.2.3.4 (R/.4bc)
Tu és Sacerdote eternamente segundo
a ordem do rei Melquisedec!
1Palavra do Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!”
2O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: “Domina com vigor teus inimigos; 3tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da autora, eu te gerei!”
4Jurou o Senhor e manterá sua palavra: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do reio Melquisedec!”
Evangelho: Marcos (Mc 2, 18-22)
A palavra do Senhor é viva e eficaz
Naquele tempo, 18Os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: "Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?" 19Jesus respondeu: "Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar.
21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos". Palavra da Salvação!
Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos
Mt 9, 14-19; Lc 5, 33-39 Debate sobre o jejum
Comentário do Evangelho[2]
Falando de festa
A intransigência dos fariseus, quanto à prática do jejum, foi firmemente rejeitada por Jesus. Para darem prova de piedade, certos fariseus e certos discípulos de João Batista exageravam na prática de jejuns não obrigatórios. E se admiravam por que os discípulos de Jesus não faziam o mesmo.
O jejum tem uma forte conotação de penitência, de recolhimento e de
interiorização. Em torno desta prática, cria-se um clima especial que ajuda o
jejum a atingir seu objetivo: levar a pessoa a se tornar senhora de si mesma,
dominar seus instintos e suas paixões.
Embora
desejando que os discípulos tivessem autocontrole, Jesus preferia que, em torno
dele, houvesse um clima festivo de alegria. Daí ter falado de sua presença no
meio deles servindo-se da metáfora da festa de casamento. Era assim que a
piedade popular entendia os tempos messiânicos. Os ditados a respeito de
vestidos e vinhos novos e velhos também situam-se neste ambiente de festa. A
presença do Messias Jesus deveria levar o discípulo a superar toda tristeza.
Com o Mestre, renascia a esperança, pois a Boa Nova do Reino descortinava um
horizonte novo. Por conseguinte, seria insensato ficar multiplicando jejuns e
penitências, quando era tempo de empenhar-se, festivamente, na vivência do amor
e da fraternidade.
Para sua reflexão pessoal[3]
Jesus deixa transparecer que o Reinado de Deus agora está presente em sua pessoa. Ele dá também a entender que, quando o noivo for tirado, numa alusão à sua morte, os convidados jejuarão até ele voltar em sua glória, conforme o versículo 20. Mas duas outras parábolas são apresentadas por Jesus: a do pano velho remendado em pano novo; e o vinho novo em odres velhos. Ambas têm a pretensão de ensinar aos cristãos que eles não devem jejuar por motivos errados. O Reino de Deus já foi criado. Quando os cristãos decidirem jejuar é para aumentar sua expectativa da alegria plena do banquete celeste de que participarão. O jejum e a oração, em constante vigília, são, na atualidade, duas ferramentas essenciais para a salvação do cristão.
São Mário
Mario, Martha, Abacus e Audifax eram uma família persa nobre e rica – marido, esposa e dois filhos- que foram convertidos para a fé cristã e distribuíram seus bens para os pobres.
Eles decidiram visitar Roma para venerar os túmulos dos mártires mesmo sabendo que o Imperador Claudius estava perseguindo os cristãos. Claudius ordenou suas legiões para recolher e reunir os cristãos no anfiteatro onde eles eram mortos e seus corpos queimados. Esta família persa recolhia as cinzas e as enterrava. Por isto o Governador Marcus prendeu e torturou toda a família antes de mandar matá-los. Isto ocorreu em 270DC. Durante o martírio, Mario cantava hinos de louvor a Jesus. O procônsul encarregado do martírio mandou esticá-lo na roda, até seus braços serem arrancados do corpo, o que de nada adiantou. Furioso, ordenou que o decapitassem e a seus dois filhos.
Assim os três foram mortos decapitados e Martha foi afogada alguns quilômetros de Roma em um local hoje chamado Santa Nynpha. Cristãos reverenciam este local e os corpos desta família com respeito: Eles foram enterrados na Via Cornelia. Treze séculos mais tarde, em 1590, seus corpos foram descobertos e agora suas relíquias estão nas igrejas de Cremona, de Seligenstaedt na Alemanha, e em Roma.
Na arte litúrgica da Igreja este grupo é geralmente mostrado como uma família Persa visitando prisioneiros; ou 2) enterrando mártires cristãos em Roma; ou 3) sendo executados com um machado. (www.asj.org.br)
Todo mundo pode dominar uma dor, exceto quem a sente. (William Shakespeare)